Ler Lamba-me se puder – Capítulo 183 Online

Modo Claro

— As flores estão crescendo bem?

Enquanto aguardavam o próximo prato depois do aperitivo, Koy perguntou. Ariel fez uma expressão de pesar e respondeu com um leve “ah”.

— Desculpa… acho que realmente não levo jeito pra cuidar de nada que cresce.

— Ah, n-não. Tudo bem, de verdade. Eu também não estava dando conta, foi por isso que te dei mesmo…

Koy pensava isso sinceramente. Considerando que depois daquele episódio nada parecido voltou a acontecer, parecia mesmo que o problema tinha sido o perfume das flores. Era uma pena que elas tivessem murchado, mas se por causa delas Ariel acabasse passando por uma situação complicada como ele passou, isso seria ainda pior. Talvez, no fim das contas, tenha sido até melhor assim. Ele deixou o assunto passar sem dar muita importância.

Por outro lado, Ariel tinha chegado a uma conclusão parecida. Por um instante, ela havia se preocupado com a possibilidade de Koy ter se manifestado, mas depois disso os mesmos sintomas não voltaram a aparecer, e o cheiro também não se fez presente novamente. Acima de tudo, se fossem feromônios, Ashley teria sido o primeiro a perceber — e a atitude dele não havia mudado em nada.

‘Então deve ter sido só um resfriado mesmo’.

Pensando que tinha se preocupado à toa, um sorriso escapou sem querer. Fingindo beber água, ela escondeu a expressão. Até então, Ashley não tinha dito praticamente nada. Enquanto conversava animadamente com Koy, Ariel não conseguia afastar a desconfiança diante daquele silêncio suspeito.

‘O que esse desgraçado está tramando agora’?

— Ah… obrigado por terem ajudado. Deu tudo certo no fim, graças a vocês dois que me apoiaram.

Koy agradeceu naquele momento. Ariel franziu a testa e resmungou:

— Por que você deixou as coisas chegarem a esse ponto desde o início? Devia ter reclamado antes.

Diante da observação óbvia, Koy murmurou, constrangido:

— É que… naquela época várias pessoas pediram demissão de uma vez, então o dono também estava passando por dificuldades… achei que daria pra aguentar mais algumas semanas.

Ele achou que daria conta porque tinha algum dinheiro guardado. Mas depois de pagar caro por subestimar o custo de vida absurdo do leste, Ariel o repreendeu com firmeza:

— A maioria das pessoas, Koy, processa ou larga o emprego se o salário atrasa nem que seja uma semana.

— É verdade.

Para surpresa deles, Ashley — que até então esteve em silêncio — concordou. Embora os dois vivessem em atrito, naquele momento estavam do mesmo lado.

— Por mais boa vontade que você tenha, no fim das contas quem sai perdendo é você.

Ashley completou, pegando o gancho das palavras de Ariel.

— Ser uma pessoa boa demais também não é algo necessariamente bom.

Ariel lançou-lhe um olhar de canto e acrescentou:

— Tem que saber ser um pouco mau também. Diferente de você, que é mau demais.

— Obrigado pelo elogio.

‘Então eles realmente se dão bem’.

Observando Ashley e Ariel trocando farpas naquele tom provocativo, Koy pensava em algo completamente diferente. Ariel vivia falando mal de Ashley, e Ashley parecia não gostar nem um pouco dela, mas quando estavam juntos… não combinavam surpreendentemente bem? Claro, o assunto em comum era repreender Koy, mas isso não o incomodava nem um pouco. Três colegas de ensino médio reunidos, e ainda por cima com os dois colegas de quem ele mais gostava, passando um tempo tão agradável assim — como não se sentir feliz?

Ao ver o sorriso satisfeito estampado no rosto de Koy, Ariel franziu a testa.

— Não é nada disso. Não se iluda.

Diante do aviso, Ashley comentou com indiferença:

— Deixa pra lá. Mesmo que você e eu nos esfaqueássemos na frente dele, Koy acharia que estamos brincando.

Ariel franziu ainda mais a testa, mas infelizmente Ashley estava certo.

— Imagina, vocês não fariam algo assim.

Koy balançou a cabeça sorrindo. O rosto levemente corado enquanto alternava o olhar entre os dois, como se dissesse “não é?”. Até então, Koy estava tão absorto em sua própria felicidade que ignorou completamente o clima ao redor, mas agora parecia ter captado ao menos um pouco da tensão. Ariel hesitou ao perceber o embaraço surgindo em sua expressão, e nesse instante Ashley falou:

— Claro que não. A possibilidade de a Al me esfaquear existe, mas eu jamais faria isso.

— Sériiiio?

Ariel arrastou a palavra de propósito, em tom claramente irônico. Ashley ergueu a taça de vinho e deu um meio sorriso.

— Eu sou advogado. Não uso violência em brigas que podem ser resolvidas com palavras.

Com licença, o Nelson está internado agora mesmo.

Ariel engoliu as palavras que quase escaparam de sua boca. Ficou curiosa para saber até que ponto Koy estava a par daquele incidente, mas trazer isso à tona só aumentaria o risco de cair nas armadilhas da língua traiçoeira daquele homem. Era melhor deixar quieto.

— É verdade, o Ash não usa violência.

Koy ainda reforçou, defendendo o advogado sem escrúpulos. ‘É, ele raramente usa os punhos’. Ariel pensou. ‘Ele só destrói pessoas socialmente no tribunal com essa língua de trinta centímetros’.

Mas mesmo assim… o fato de ele ter espancado Nelson daquele jeito era estranho.

Sob outro ponto de vista, era até surpreendente. Fingindo beber o vinho, Ariel lançou um olhar furtivo para Ashley. Ele continuava com a mesma expressão impassível de sempre e, dali em diante, quase não falou mais. Quando dizia algo, era inevitavelmente para provocar Ariel — e ela, claro, não deixava barato. Dos três, o único que parecia genuinamente feliz por estarem juntos era Koy.

Quando a refeição estava praticamente no fim e restava apenas a sobremesa, Koy se levantou.

— Ei, eu volto já.

Indicando que ia ao banheiro, ele se levantou e lançou um olhar rápido para os dois, alternando entre eles. Ao notar o olhar hesitante que parecia perguntar “tá tudo bem?”, Ariel sorriu de leve, como quem diz para não se preocupar.

Assim que Koy se afastou da mesa, um funcionário o acompanhou. Lembrando-se da gentileza do funcionário que, da primeira vez, o guiara até o banheiro e ainda abriu a porta para ele, Koy disse que estava tudo bem. Mesmo assim, o funcionário apenas sorriu e continuou seguindo em frente, seguindo em direção ao banheiro.

Sem alternativa, Koy foi atrás dele. Como da última vez, o funcionário abriu a porta do banheiro e, quando Koy entrou, estendeu-lhe uma pequena sacola de compras que trazia consigo.

— O senhor Miller pediu para lhe entregar.

Recebendo o pacote com uma expressão confusa, Koy ouviu a explicação rápida do funcionário, que logo se retirou. Sozinho, ele inclinou a cabeça, intrigado, e espiou dentro da sacola. Havia ali uma pequena caixa, cuidadosamente embrulhada, e um cartão com uma mensagem.

Use isso.

— Ah…

Farei qualquer coisa.

Ao se lembrar da promessa que fizera no dia anterior, Koy assentiu em silêncio enquanto encarava o cartão. Curioso sobre o que havia dentro, pegou a caixa e a abriu.

O objeto em seu interior era algo que ele jamais teria imaginado. Os olhos se arregalaram aos poucos, e ele sequer conseguiu piscar. Foi então que notou outro cartão de mensagem no fundo da caixa. Com a mão trêmula, pegou-o — e acabou soltando um som abafado ao sugar o ar.

 

***

 

A segunda garrafa de vinho já estava quase no fim. Ao levar aos lábios a última taça servida pelo funcionário, o canto da boca de Ashley se curvou em um sorriso frouxo. A essa altura, Koy já devia ter visto o que havia dentro da caixa. Só de imaginar o quanto ele estaria desnorteado, um riso escapou naturalmente.

‘Da próxima vez, quero ver você vestindo na minha frente’.

Na verdade, o plano inicial era fazê-lo sair de casa já usando aquilo por baixo da calça, mas ele mudou de ideia. Se tivesse seguido com isso, Koy mal teria aproveitado o jantar, passando a noite inteira inquieto. Até que seria divertido ver aquela aflição… mas surpreendê-lo quando estivesse desprevenido também tinha seu charme.

Ele havia passado a refeição inteira rindo e conversando alegremente com Ariel — já era o suficiente.

Ao vê-lo sorrir sozinho enquanto bebia o vinho, Ariel ergueu uma sobrancelha, desconfiada. ‘Por que esse desgraçado está sorrindo sozinho? Dá nos nervos’.

— O que foi agora? O que está tramando agora?

Com Koy fora dali, não havia mais motivo para disfarces. Diante da pergunta direta, Ashley lançou-lhe um olhar de relance, como se não entendesse do que ela estava falando. Ariel finalmente trouxe à tona o que vinha segurando.

— Você sabe que o Nelson ficou hospitalizado por dezesseis semanas, né? Aquilo foi obra sua, não foi? Por que você fez isso?

Diante da pergunta cheia de convicção, Ashley respondeu com calma:

— Foi legítima defesa. O Nelson me bateu primeiro.

Para surpresa dela, ele admitiu sem rodeios. Ariel o examinou descaradamente da cabeça aos pés antes de voltar a encarar seu rosto.

— Não parece que você tenha se machucado tanto assim.

Diante da pergunta sarcástica, Ashley sorriu com desdém.

— Foi mais doloroso quando você me bateu.

Então, Ariel, parecendo satisfeita, riu de volta e disse:

— Posso bater mais forte agora.

— Passo, já apanhei o suficiente de você.

O tom era educado, mas a ironia era evidente. Por algum motivo, o clima parecia leve o bastante para trocar farpas em tom de brincadeira, mas Ariel sabia: se o humor dele virasse, não havia como prever do que seria capaz. Ela também deixou o sorriso desaparecer e perguntou:

— Afinal, o que foi que você fez? Você é advogado.

Repetindo suas próprias palavras, Ashley torceu o canto da boca em um sorriso enviesado. Diante daquele riso frio e perturbador, Ariel hesitou por um instante, até que ele respondeu em voz baixa:

— Agora vou agir dentro da lei.

— Ainda tem assuntos pendentes com o Nelson?

Ela perguntou, já cansada. Em vez de responder, ele apenas sorriu. Encarando-o, incrédula, Ariel ouviu Ashley falar num tom arrastado:

— Eu sei que você me odeia, mas hoje está especialmente hostil… não me diga que estava interessada no Nelson?

Com aquela provocação absurda, ele conseguiu virar o estômago dela do avesso. Ariel respondeu com um seco “não” e jogou a bomba:

— Você dormiu com o Koy, não foi?

Ashley, que levava o vinho à boca, interrompeu o movimento e voltou o olhar para ela. Ariel, como se estivesse esperando exatamente por isso, continuou:

— Koy é beta. E você tem ideia do choque que foi saber que ele dormiu com você? Você é um egoísta, um filho da puta que faz o que quer. Como pode dormir com um beta? Além disso, Koy é homem. Se você realmente se importa com ele, como pôde fazer isso?

Falando rápido, ela despejou a acusação completa. Ashley apenas a observava. Diante daquele silêncio nada comum, Ariel parou de falar e o encarou com raiva. Aos poucos, uma expressão de satisfação começou a se espalhar pelo rosto dele.

— Então você não sabe.

O sussurro fez um arrepio subir pela espinha de Ariel. ‘O que é isso agora’?

— Não sei o quê?

Ela perguntou, quase avançando sobre ele, mas Ashley apenas levou o vinho aos lábios. Ariel o encarou fixamente por alguns segundos antes de falar de novo:

— Você espancou o Nelson daquele jeito por causa do Koy, não foi?

Ashley franziu a testa. Ariel prosseguiu:

— Fala a verdade. Você ficou furioso porque o Koy chegou machucado depois de apanhar do Nelson, não foi?

Ashley continuou em silêncio. E aquele silêncio era a confirmação mais forte que poderia haver. Ariel o pressionou, com a voz dura:

— Admita logo. Você ainda gosta do Koy. A ponto de um advogado como você espancar alguém quase até a morte.

Ela ainda acrescentou que ele podia aproveitar a oportunidade para retirar aquelas loucuras que tinha dito da última vez. Ashley, que até então apenas a observava em silêncio, finalmente abriu a boca, devagar:

— E daí?

— E daí o quê?

Ariel franziu o cenho, e Ashley respondeu com o rosto completamente impassível:

— Eu nunca neguei os meus sentimentos.

 

°

°

Continua….

 

Tradução:  Ana Luiza

Revisão:  Thaís

 

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Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can

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