Ler Lamba-me se puder – Capítulo 173 Online

Modo Claro

Ashley franziu o cenho e não disse nada. De abaixo, Koy continuava tagarelando:

—Você é um alfa, então é normal fazer sexo com ômegas. Deve ter sido assim até agora também… E as coisas que você disse devem ter sido apenas por hábito. Eu não ligo. Tá tudo bem.

Koy continuava falando sem parar, mas Ashley estava pensando em algo completamente diferente. Ele não tinha ideia do que Koy estava falando. Pelo menos, não era nada parecido com o que Ashley havia imaginado ou esperado ouvir.

—Koy.

—A-ah, sim.

Koy, que vinha falando sem pensar, fechou a boca apressadamente. Ashley continuou, com uma voz baixa e contida:

—Eu não estou entendendo muito bem o que você está dizendo agora. Você tem mesmo certeza de que sabe exatamente o que fizemos ontem?

Diante daquele tom cauteloso e afundado, Koy engoliu em seco e respondeu de propósito com uma voz mais leve, quase animada:

—Claro que eu sei. Também sei direitinho qual é a nossa relação. Não se preocupe. Quando aparecer alguém legal pra você, eu volto para o Oeste.

Se havia algo em que sempre se considerara bom, era em saber o seu lugar. E agora, mais do que nunca, era hora de agir assim.

‘Não posso me empolgar à toa e passar dos limites’.

Koy se advertiu em silêncio. Eles eram amigos. Ashley já havia deixado claro qual era a relação deles.

Eles só tinham virado amigos que “também” fazem sexo porque Ashley precisava de um parceiro sexual, até que surgisse alguém especial. Quando essa pessoa aparecesse, Koy voltaria sem discussão nenhuma a ser apenas um amigo comum. Ele estava até preparado para desaparecer de vez, voltando para o Oeste sem chamar atenção.

‘Então… até lá, eu posso ficar ao seu lado’?

Sentindo que poderia chorar a qualquer momento, Koy conteve a respiração às pressas. Enquanto aguardava a resposta de Ashley, o coração batia inquieto. O que ele iria dizer?

—…É mesmo?

Depois de um bom tempo, Ashley perguntou. A voz calma e baixa fez Koy se sobressaltar, e ele assentiu rapidamente com a cabeça. O silêncio estranho que antecedera aquela resposta não saía da sua mente. ‘Será que ele está desconfiado’? Para tranquilizá-lo, Koy se apressou em acrescentar:

—É sério, tá tudo bem mesmo. Meu corpo também está bem. Eu te disse, eu já dormi com alfas antes…

Ele estava falando sério. A dormência e a fraqueza dificultavam seu equilíbrio, mas, estranhamente, não parecia que Ashley tivesse aberto seu estômago ou que ele estivesse em frangalhos, como ela havia avisado.

‘Não é como se eu tivesse nascido pra esse tipo de coisa’.

Koy tirou essa conclusão por conta própria. Pensou que Ashley só tivesse exagerado para assustá-lo, porque estava preocupado demais com ele.

Ash, tão gentil… você é mesmo uma pessoa boa.

Com a gratidão e a comoção que sentia por ele, a ansiedade de Koy diminuiu um pouco. Que alívio poder ser útil para Ashley. Quando chegou até a sentir orgulho de si mesmo, foi então que—

—…Ah!

Ashley, que o abraçava pela cintura enquanto lhe acariciava o ventre, de repente apertou a mão. A pressão na barriga arrancou dele um grito curto junto de uma lufada de ar, mas Ashley não afrouxou. Pelo contrário, pressionou ainda mais forte.

Koy se debateu instintivamente, mas Ashley ignorou e continuou pressionando com força em vários lugares. No momento em que sua mão pressionou fortemente um lado da barriga, Koy ficou completamente paralisado de choque. Sua visão ficou turva e a dor o impedia de respirar. A voz baixa de Ashley chegou vaga aos seus ouvidos:

—Sabe… bem aqui.

Não fazia ideia do que ele estava dizendo. Ashley observou em silêncio um Koy completamente mole e ofegante, então, de repente, pegou-o no colo. Meio inconsciente, Koy apenas apoiou a cabeça no ombro dele, respirando com dificuldade.

Ashley atravessou o quarto bagunçado e seguiu para um outro. Depositou Koy sobre uma cama limpa, que não parecia ter sido usada por ninguém, e ficou olhando para ele em silêncio. Depois de beijá-lo na testa, se levantou.

Ashley saiu do quarto, tomou banho rapidamente e se preparou para ir trabalhar. Vestia a camisa branca e ajustava a gravata quando o toque do celular soou. Era uma ligação da secretária.

—Sr. Miller, está tudo bem? Já passou do horário e o senhor ainda não chegou ao trabalho.

Com a voz familiar ao ouvido, Ashley respondeu, prendendo o celular entre a orelha e o ombro:

—Não foi nada demais. Entrei em rut.

—O quê? Mas não era para ser agora…

A secretária deixou escapar uma reação de surpresa, algo raro nela, mas logo retomou o tom profissional. Enquanto escolhia os botões de punho, Ashley falou:

—Sim. A duração foi curta, e o tempo em que fiquei inconsciente depois do rut também foi bem breve. Mas foi rut, sem dúvida.

Como poderia confundir aquela sensação? Ele a experimentava havia mais de dez anos.

O estranho era o fato de ter surgido de forma tão repentina, com sintomas anormais e inesperados. Além disso, a duração foi curta e quase não houve os efeitos colaterais habituais. Aquilo era inédito.

—Devo agendar uma consulta na clínica? —perguntou a secretária.

Provavelmente ela já estava folheando a agenda para conferir os horários, então Ashley tratou de poupá-la de um esforço desnecessário.

—Deixa pra lá. Não é nada demais.

De fato, era algo trivial. O que realmente importava para ele agora não era um rut inesperado.

Após colocar o telefone no viva-voz e terminar de dar as instruções, concluiu os preparativos para sair. Com um expresso recém preparado na mão, Ashley atravessou a sala em direção ao elevador privativo e disse:

—Avise que não irei à festa desta noite. Faça a doação de um milhão de dólares.

—Entendido.

Quando a secretária respondeu, Ashley apertou o botão e as portas do elevador se abriram em seguida. Já dentro, bebeu o café enquanto observava os números no painel mudarem.

‘Amigo de foda, é’?

A raiva subiu a ponto de arrancar dele uma risada seca. Onde foi que ele aprendeu uma expressão tão cruel dessas?

O elevador de alta velocidade chegou ao térreo em um piscar de olhos. Assim que as portas se abriram, Ashley atravessou o saguão do prédio com passos largos, pensando:

‘Vou te trazer de volta, meu adorável Koy’.

—Tenha um bom dia, senhor.

Sem sequer olhar para o porteiro que o cumprimentava com toda a formalidade, Ashley jogou o copo vazio para trás. O copo que antes continha o expresso caiu perfeitamente dentro da lixeira.

 

***

 

—Uuugh…….

O gemido que escapava involuntariamente fez sua consciência despertar aos poucos. Koy levou um instante para perceber que aquela voz era a sua e ficou confuso por um momento. Quando finalmente abriu os olhos, deparou-se outra vez com um cenário desconhecido. Esse quarto era menor do que o que estivera antes, mas ainda assim amplo, com móveis espalhados por todos os lados que pareciam caros o suficiente para arrancar admiração.

Ao constatar que a cama onde estava deitado encontrava-se seca e macia, Koy permaneceu imóvel por alguns segundos. Pensando bem, não havia ninguém além de Ashley que faria algo assim por ele. Logo depois, a última lembrança voltou à mente e, sem perceber, levou a mão ao abdômen. Como se dor de antes tivesse sido uma mentira; agora, não sentia absolutamente nada.

‘Por que fez aquilo assim de repente’?

Ele simplesmente não conseguia entender o comportamento de Ashley. Estava se esforçando ao máximo para respeitar o limite de “amigos” que ele próprio havia imposto, por que Ashley estava com raiva?

Sentindo-se injustiçado, Koy acabou fazendo uma expressão melancólica. Endireitou os ombros caídos e balançou a cabeça com força, afastando o pensamento.

‘Devo ter feito algo que o desagradou’.
‘Se eu perguntar, ele vai me responder’.

Koy confiava nele.

Erguendo o corpo, que estava um pouco melhor do que pela manhã, conseguiu sair para o corredor. O silêncio inesperado fez com que prendesse a respiração por reflexo. Aguçou os ouvidos, mas não percebeu qualquer sinal de presença humana. A luz intensa que entrava pelas amplas janelas de vidro à frente indicava que aquele era um horário em que todos normalmente estariam trabalhando. Em dias normais, ele próprio estaria mergulhado no trabalho, sem tempo nem para respirar. Aquela ociosidade o deixou estranhamente desnorteado.

Com cuidado, Koy desceu para o andar de baixo. O silêncio absoluto deixava claro que ele estava sozinho. Depois de recolher e organizar suas roupas, só então conferiu o celular. Havia apenas uma mensagem — mas era a mais impactante possível.

[O que aconteceu? Me diga o resultado.]

Ao ver a mensagem de Ariel, Koy hesitou por um instante antes de responder.

[Quando você tiver um tempo? Eu ligo.]

A resposta veio imediatamente.

[Agora mesmo.]

Por um momento, teve vontade de fugir, mas não podia desobedecer Ariel. Koy inspirou fundo, soltou o ar com cuidado e fez a ligação. Não se passaram nem três segundos antes de Ariel atender.

— E então? Como foi? Você encontrou aquele desgraçado?

A pergunta direta o pegou de surpresa, e Koy respondeu, gaguejando:

— Desgraçado… não fala assim. Não chame o Ash desse jeito.

Ele repreendeu em voz baixa, mas tudo o que recebeu em troca foi uma risada zombeteira.

— Pelo jeito que você reagiu, então ele é mesmo um desgraçado.

Sem saber o que dizer, Koy apenas murmurou um “mesmo assim…” quase inaudível. Ignorando-o, Ariel continuou:

— Vocês se encontraram, não foi? E aí, o que rolou? Ele aceitou na hora, claro.

— O-o que você disse pra ele? O Ash me ligou pessoalmente.

Incapaz de conter a curiosidade, Koy perguntou, e Ariel respondeu sem hesitar:

— Eu disse que, se ele realmente quisesse que você fosse feliz, deveria cooperar.

— Ah…

Koy soltou um suspiro baixo. As palavras que Ashley lhe dissera tinham sido sinceras. Se era assim, então a proposta de continuarem apenas como amigos também devia ter sido.

Sentia gratidão, mas ao mesmo tempo um vazio estranho no peito. Ainda assim, pensou que tinha sido a decisão certa sugerir que fossem ao menos amigos de foda.

‘Embora pareça que eu esteja me aproveitando da boa vontade do Ash…’

— Eu nem tenho como pagar honorários… e o Ash é caro.

— Relaxa. Aquele cara tem dinheiro suficiente para gastar à vontade a vida inteira e ainda sobrar. Qual o problema? Um advogado também precisa fazer uma boa ação de vez em quando. Então, como ficou? Vai, diz logo o resultado.

Diante da insistência impaciente, Koy fechou os olhos com força e confessou:

— A-a gente… dormiu junto. Eu e o Ash.

Do outro lado da linha, um silêncio gélido se fez sentir. Após alguns segundos de pausa, Ariel voltou a falar.

— O que foi que você disse agora? Dormiram juntos? Você e o Ashley Miller?

— A-ah… s-sim.

Ao responder com a voz trêmula, Ariel permaneceu calada por um instante, até que de repente explodiu em um grito:

— Aquele filho da puta exigiu que você pagasse os honorários com o próprio corpo?!

 

°

°

Continua….

 

Tradução:  Ana Luiza

Revisão:  Thaís

 

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Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can

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