Ler Lamba-me se puder – Capítulo 150 Online
‘Isso não pode estar acontecendo.’
Koy rapidamente se recompôs. ‘Ashley está disposto a pelo menos ser meu amigo. Isso já é algo para agradecer. Em vez de me sentir gratificado por uma amizade, eu estou me sentindo magoado? Realmente, que falta de vergonha, Connor Niles.’
Repreendendo-se com veemência, Koy endireitou a postura e voltou sua atenção para Ashley, sentado bem à sua frente. Ashley, mesmo tão ocupado, havia arranjado um tempo para encontrá-lo; Koy não podia simplesmente se encolher e deixar a noite passar.
Você está num restaurante exclusivo para membros, por favor, se recomponha.
Renovando sua determinação, Koy imitou Ashley: prendeu com o garfo aquele alimento desconhecido no prato e o cortou cuidadosamente com a faca. Levou-o à boca com as ervas que o acompanhavam, mas a textura era diferente do que esperava. O aroma, como sempre, ele não sentiu — nem o gosto. Pelo menos, a textura era agradável o bastante, e ele a rolava lentamente na boca quando Ashley falou:
— São vieiras cozidas no vapor. Coloque um pouco de molho e experimente.
‘Será que ele esqueceu que eu não consigo sentir bem o sabor?’
Koy pensou, mas logo se lembrou de que isso era natural. Já fazia mais de dez anos. Seria estranho se Ashley ainda lembrasse de detalhes tão pequenos. Mudando de atitude, Koy respondeu um “hm” e fez o que ele sugeriu: cortou o restante da vieira e a passou no molho espalhado pelo prato. Sua intenção era interpretar perfeitamente, para que Ashley não percebesse nada. Claro que ele não tinha confiança alguma…
… Hã?
Koy, que se preparava com bastante determinação para o prato de vieiras, parou por um instante. Estava claramente diferente de antes. Ele conseguia sentir o gosto. Os olhos de Koy se arregalaram involuntariamente. O sabor, infelizmente, desapareceu enquanto ele mastigava lentamente, mas no momento em que deu a primeira mordida, ele pôde sentir claramente o molho agridoce, o azedinho leve e o sabor do mar.
— Está… gostoso…
Ainda atônito, ele murmurou. Do outro lado da mesa, Ashley sorriu — como se já soubesse que seria assim. Confuso, Koy continuou a fitá-lo, completamente perdido, até que Ashley, cortando sua própria vieira, explicou:
— Eu pedi para reforçarem o sabor, porque a pessoa que está comigo tem o paladar fraco. Usei ingredientes naturais e pedi para não exagerarem no sal ou no açúcar. Não vai te fazer mal.
As palavras dele deixaram Koy boquiaberto mais uma vez. Sem conseguir disfarçar seu olhar atordoado, ele perguntou:
— Então… você pediu especialmente para prepararem a comida de um jeito que eu pudesse sentir o gosto…?
— Sim.
A resposta saiu tão natural, tão imediata, que Koy hesitou antes de perguntar:
— Por quê?
Temendo que sua voz estivesse trêmula, Koy mal conseguiu pronunciar uma única palavra, e Ashley respondeu casualmente, como se não fosse nada.
— Viemos para comer juntos, e se a outra pessoa não está gostando, eu também não estou.
Aquela frase confirmou tudo. Koy já não conseguia esconder a voz trêmula; ele não resistiu e deixou as palavras escaparem, quase como um sussurro:
— Você… se lembrava.
Ashley não respondeu. Apenas levou outro pedaço de vieira à boca, como se aquilo não fosse nada, como se fosse o mínimo que ele poderia fazer.
Com o peito apertado, Koy baixou o olhar, fingindo comer, mas não conseguiu impedir que o nariz ardesse e ele fungasse baixinho.
‘Somos só amigos agora.’
Ele se repreendeu sutilmente por ter ultrapassado os limites. Ashley claramente havia previsto isso, por isso havia deixado tão claro antes. Para evitar que Koy criasse falsas esperanças, para que entendesse que o relacionamento deles havia terminado há muito tempo e que tudo o que Ashley podia oferecer agora era amizade.
‘Ele só estava sendo atencioso como amigo. Não me interprete mal.’
Quando terminou de engolir o restante das vieiras, forçando cada pedaço para baixo, colocou o garfo na mesa. Imediatamente, como se estivessem esperando, um garçom se aproximou e recolheu os pratos vazios de ambos. Koy notou os funcionários parados junto às paredes, observando cada canto do restaurante com olhos de águia para que nada atrasasse o jantar dos clientes. Era a primeira vez que ele ia a um lugar tão elegante, refinado e com um serviço tão impecável — e tudo parecia irreal.
O prato seguinte chegou rapidamente. Mais uma vez, o garçom colocou o prato diante deles e acrescentou uma breve explicação antes de se retirar.
— É foie gras de fígado de ganso.
Ficando sozinhos novamente, Ashley deu uma breve explicação mais uma vez. Diante do prato que ele só conhecia de nome, Koy perguntou sem pensar:
— Isso é… fígado de ganso?
— Hahaha.
Ashley soltou uma risada aberta de repente. Koy piscou, surpreso, e viu que o outro ainda sorria enquanto assentia com a cabeça.
— Isso mesmo. Bon appétit.
Aquela expressão em francês ele conhecia. A pronúncia de Koy não foi das melhores, mas ainda assim ele repetiu com coragem antes de cortar um pedaço do foie gras e levá-lo à boca. Mais uma vez, um sabor totalmente novo se espalhou e desapareceu rapidamente.
— E aí, gostou?
— Está delicioso — respondeu Koy com sinceridade.
Ashley sorriu de leve e voltou a comer.
Depois de ouvir a risada de Ashley, o coração de Koy ficou muito mais leve. Ele até esboçou um sorriso espontâneo e voltou a se concentrar na comida. Então, antes que o próximo prato chegasse, um pequeno intervalo se formou — e foi nessa brecha que Ashley falou:
— A pessoa com quem você vai sair… como ela é?
Koy quis corrigir novamente, dizer que não era um encontro, mas percebeu que seria inútil. Engoliu o impulso e respondeu:
— Ela disse que é jornalista, é uma conhecida da Al.
Enquanto explicava brevemente como tinha conhecido a moça, chegou o prato de espadim grelhado. Colocando-o à sua frente, Ashley falou:
— Julie? Por acaso é a Julie Robinson?
— Você a conhece?
Koy arregalou os olhos, surpreso, e Ashley respondeu como se fosse algo trivial:
— Ela é uma jornalista bem conhecida. Já escreveu ótimos artigos… não tão bons para mim, porém.
A expressão de escárnio que Ashley fez ao acrescentar esse comentário deixou Koy hesitante. O que teria acontecido entre eles? Quando Koy perguntou com cuidado, Ashley respondeu sem mostrar muita emoção:
— Quem é que ficaria feliz ao ver um artigo chamado ‘Ashley Miller, O demônio guardião dos privilegiados’?
— Ah…
Koy só então pareceu entender e deixou escapar um suspiro atordoado; Ashley voltou a dar um risinho.
— A verdade costuma doer bastante.
Ele riu, mas Koy não conseguiu acompanhá-lo.
‘É verdade, Ash? As coisas que os jornalistas dizem, os boatos ruins… ainda não consigo acreditar.’
Koy, que baixou o olhar para o prato, observou o molho diferente do que tinha sido servido à Ashley e, abatido, deixou que o pensamento fluísse.
‘Você continua sendo tão gentil.’
Mesmo ocupado, ele arrumou um tempo só para ele, foi até a prisão tirá-lo de lá, e agora o trouxe a um restaurante exclusivo, pedindo ainda pratos especiais pensados só para ele. Em qualquer ponto de vista, Ashley continuava igual ao de antes. Gentil, atencioso, o Ashley Miller que sorria radiante como o sol. ‘Se esse homem diante dele não era o mesmo, então quem estava sentado do outro lado da mesa’?
— Você não leu os artigos que ela escreveu?
Ao ouvir a pergunta de Ashley, Koy voltou a si e, sem pensar, balançou a cabeça. Vendo isso, Ashley fez um sorriso irônico e disse:
— Por que não lê pelo menos o mais recente? Vai te ajudar.
— Ajudar em quê?
Koy perguntou, confuso, e Ashley respondeu prontamente:
— Mesmo que você não esteja encontrando ela com esse propósito, é sempre bom conhecer bem a pessoa. Facilita na hora de conversar.
— Ah…
O comentário parecia fazer sentido. Koy murmurou um som de compreensão, meio distraído, enquanto Ashley continuou:
— Mesmo que você não tenha tido essa intenção inicialmente, os sentimentos costumam se desenvolver com o tempo. Então é melhor deixar várias possibilidades em aberto.
Era um argumento totalmente plausível. Mas, assim que concordou, Koy sentiu um desconforto imediato. Antes de namorá-lo, Ashley já tinha tido várias namoradas. Então, claro, ele era muito mais experiente. Ainda assim, receber esse tipo de conselho não lhe trazia nenhuma sensação agradável. Muito menos ouvir Ashley listar, com tanta naturalidade e sem hesitar, dicas de encontros.
— Por que você está me dizendo isso?
Quantas mulheres ele conheceu depois que terminamos?
Ela sabia que não tinha o direito de se sentir incomodado, mas não conseguia como evitar. Pensou que poderia ter guardado para si, que não precisava dizer aquilo tão abertamente. E ainda assim, Koy sabia. Ashley não fazia por exibição. Eram apenas algumas frases que lhe saíam naturalmente, e talvez por isso mesmo que ficou mais chateado. Teria sido até melhor se ele estivesse apenas se exibindo.
Desanimado, ela perguntou, e Ashley respondeu com a mesma naturalidade de antes.
— Porque desejo que seu primeiro encontro seja um sucesso.
E então ele acrescentou, com uma naturalidade que quase doeu:
— Foi apenas um conselho de amigo.
Claro que sim. Era óbvio. Koy pensou assim, mas não conseguiu esconder a pontada de ressentimento que aquilo lhe causou. Então, num impulso, ele mentiu:
— E-eu também já tive uma namorada.
Quando Koy atirou as palavras apressadamente, Ashley olhou fixamente para o rosto dele.
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Continua….
Tradução: Ana Luiza
Revisão: Thaís
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Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can