Ler Lamba-me se puder – Capítulo 148 Online
— A-as calças ficaram curtas, não servem mais.
Koy tentou se justificar rapidamente, mas a expressão de Ashley não mudou.
— E as camisas?
Diante da pergunta afiada, Koy hesitou antes de responder.
— São de manga curta, então…
Na época, ele comprou um tamanho muito maior, então ainda conseguia vesti-las. Claro, estavam um pouco, não, bastante justas, mas como as únicas “roupas boas” que ele tinha eram aquelas que Ashley comprou para ele há mais de dez anos atrás, ele não tinha opção. Sempre que sobrava um pouco de dinheiro, ele acumulava obsessivamente.
Graças a isso, ele finalmente alcançou seu objetivo e veio para o Leste ver Ashley, mas ele não tinha intenção de mencionar isso. Ele não queria sobrecarregar Ashley.
‘Mas acho que já deixei ele irritado o suficiente…’
De repente, ouviu-se um suspiro. Assustado, Koy ergueu a cabeça e viu Ashley franzindo a testa enquanto olhava para outro lado.
— Eu te dei, então o que você faz com elas é problema seu.
Ashley soltou uma risadinha curta e acrescentou, como se falando sozinho:
— Mas realmente não entendo por que você ainda guarda roupas que não servem mais.
— Mas…
Koy hesitou antes de sussurrar com a voz trêmula:
— Como eu poderia jogar fora algo que você comprou pra mim…?
Ashley ficou em silêncio outra vez. Depois de algum tempo, soltou um suspiro profundo e murmurou com a voz embargada:
— Você realmente…
Ashley interrompeu a própria frase. Ansioso, Koy ainda esperou pelas próximas palavras, mas quando não conseguiu mais segurar, abriu a boca.
— Ash…
— Tudo bem, Koy. Agora vá.
Koy ainda hesitou, mas Ashley, com o rosto ligeiramente franzido, o apressou:
— Vai, desce. Estou cansado.
— A-ah, claro… desculpa.
Koy não teve escolha a não ser se desculpar e descer do carro. Assim que fechou a porta e deu dois passos para trás, o carro arrancou imediatamente. Ele ficou parado ali por um tempo, olhando o veículo se afastar, e só quando ele desapareceu completamente de vista começou a caminhar devagar na direção de casa.
Eu nem tinha expectativas tão altas.
Quando ele girou a chave e abriu a porta, um som rangente ecoou. O pequeno quarto no porão do prédio era originalmente um depósito reformado; não havia janelas e o cheiro mofado e abafado era forte. Mas como Koy não conseguia sentir cheiros, ele não percebia e pensava que estava tudo bem já que pegava sol suficiente trabalhando ao ar livre. Para o aluguel que ele podia pagar, isso era mais do que suficiente.
A pobreza o acompanhara por toda a vida. Não era novidade. O que o incomodava era ter reencontrado Ashley daquele jeito.
‘Podia ter sido de um jeito melhor.’
Só então se deu conta de que nunca tinha parado para pensar no que exatamente significaria esse “jeito melhor”. Ele tomou banho, se deitou e sem chegar a nenhuma conclusão, acabou adormecendo.
***
Já passava da hora do almoço quando ele abriu os olhos. O toque insistente do celular o arrancou do sono e ele o atendeu esfregando os olhos pesados sem pensar direito.
— Alô…?
A voz saiu arrastada, embolada com um bocejo. Depois de um segundo de silêncio, alguém falou do outro lado da linha:
— Koy?
— Hã…?
Ainda meio adormecido, ele respondeu sem entender muito bem, até que a voz repetiu:
— Sou eu, Koy. Ainda não acordou?
Levou mais alguns segundos para ele perceber quem era. Só então ele acordou completamente e sem pensar, tentou se levantar da cama de um salto, mas acabou caindo no chão com um estrondo. Pouco depois, se atrapalhou todo para pegar o celular de novo.
— A-alô!
— Você está bem? Ouvi um barulho alto.
— T–tá tudo bem. Não se preocupe. A–Ash? É você, né?
Sem nem ver, Koy conseguia imaginar nitidamente o cenho franzido de Ashley. Quando ele, gaguejando, confirmou atrasado, uma voz levemente divertida veio do outro lado.
— Essa confirmação não foi rápida demais?
— Uh, uhum.
A voz brincalhona, que lhe trazia tantas lembranças do passado, fez o rosto de Koy relaxar por reflexo. Ele acabou rindo junto, haha, e Ashley continuou:
— Como você está? Ainda muito cansado?
— A, ah… não. Estou bem. Dormi bastante. Hm, o que foi? Assim de repente…?
Ele sacudiu a cabeça depressa enquanto perguntava e Ashley respondeu com a mesma voz sorridente de antes:
— Você disse para eu ligar, lembra?
Claro que lembrava. Mas não imaginava que ele fosse ligar tão rápido. Feliz e ao mesmo tempo nervoso, Koy respondeu com sinceridade.
— Achei que você estivesse com raiva de mim…
Ashley não respondeu de imediato. Em vez disso, mudou de assunto com naturalidade.
— O seu encontro era amanhã, certo? Se você não tiver nada hoje, que tal jantarmos juntos?
— H–hoje?
Surpreso com a proposta totalmente inesperada, a voz de Koy subiu sem que ele percebesse. Ashley continuou com o mesmo tom tranquilo:
— Sim. Eu também tenho um tempo livre agora e você disse que me pagaria um jantar.
Era verdade. Mas Koy nunca teria imaginado que Ashley tomaria a iniciativa de ligar e marcar algo. Sua cabeça não estava funcionando direito. A boca só abria e fechava, sem som, e Ashley — que não tinha como saber disso — disse:
— Se você não estiver a fim…
— N–não! De jeito nenhum, é que me pegou de surpresa. Juro, eu quero. Quero muito.
Depois de despejar suas emoções todas de uma vez, Koy voltou a si e acrescentou depressa:
— Obrigado por ligar tão rápido.
Ele sentiu o rosto esquentar de vergonha. Sem saber o que fazer, agradeceu, e Ashley respondeu de novo com aquela voz levemente divertida:
— De nada. Já que você vai pagar, eu escolho o lugar. Conheço um restaurante bom.
— A–ah, claro.
Os restaurantes que Koy conhecia eram basicamente o Greenbell ou lugares baratos desse nível. Qualquer lugar no nível de Ashley provavelmente custaria uma fortuna. Koy pensou nisso, mas logo se decidiu. Vou pegar todo o dinheiro que tenho. Quando teria outra chance assim? Enquanto se preparava internamente, Ashley perguntou:
— Posso te buscar às seis, então? O que acha?
— Ah…
Koy ia responder que estava tudo bem, mas hesitou. A caminhonete da empresa estava na mansão de Nelson e no dia a dia, ele costumava pegar metrô ou ônibus. Para ir ao restaurante recomendado por Ashley, precisaria de um carro. ‘Será que preciso alugar um? Se eu olhar agora, será que encontro algum decente?’
Os pensamentos se atropelavam na cabeça dele, quando Ashley voltou a falar:
— Já que você vai pagar o jantar, eu fico responsável pelo transporte. Pode ser?
— Ah… uhum.
Koy pensou por um momento e assentiu. Isso deveria estar bem. Eles não estavam mais namorando e dividir responsabilidades era algo perfeitamente normal entre amigos. Aliás, ele é que estaria passando dos limites se fosse alugar um carro só para buscá-lo. A relação deles não era mais a mesma de antes, então ele precisava ser cuidadoso. Com essa certeza, Koy se recompôs e abriu a boca.
— Então fica combinado. Às 6 horas, no mesmo lugar de ontem.
— Ótimo.
Ashley concordou prontamente e então acrescentou:
— A roupa pode ser algo como um traje leve. Uma camisa com gravata já basta. E não esquece de usar sapatos.
— Ahn… tudo bem.
Koy lançou um olhar rápido para o próprio tênis gasto antes de concordar. Assim que desligou, correu para preparar a roupa que usaria. As únicas peças decentes que tinha eram justamente as que Ashley havia comprado para ele anos atrás. Mas ele já sabia disso, então não ficaria envergonhado. Além disso, tinha pelo menos uma gravata barata e uma calça social.
Pegou também o par de sapatos guardados no fundo do armário. Ele só os tinha usado umas duas vezes; ainda estavam novos, embora cobertos de poeira. Apanhou a escova e começou a lustrá-los às pressas. Depois tomou um banho, vestiu-se e quando terminou, já estava bem perto da hora combinada.
***
O carro de Ashley chegou pontualmente na hora marcada. Koy, que já esperava do lado de fora, viu o Bentayga parar e imediatamente entrou, trancando a porta por conta própria.
— Vamos embora rápido, aqui é perigoso.
Koy, que por hábito sempre dava uma olhada ao redor, fez o mesmo dessa vez, e Ashley soltou uma risadinha antes de dar partida no carro. Só quando o carro saiu do bairro e entrou na avenida principal é que Koy finalmente relaxou o corpo.
‘Preciso combinar de nos encontrarmos em outro lugar da próxima vez.’
Sempre que via o carro reluzente de Ashley, Koy ficava apreensivo. A simples ideia de topar com um assaltante e Ashley acabar levando um tiro o deixava tomado por uma culpa sufocante. Algo assim jamais poderia acontecer. Determinado a afastar aqueles pensamentos, Koy resolveu mudar o clima e falou de propósito com animação:
— Obrigado por me buscar. Para onde estamos indo?
Ashley disse uma palavra curta, mas Koy não entendeu. Ele apenas piscou, confuso, e Ashley voltou a falar:
— É francês. M, O, N…
Koy rapidamente digitou no celular as letras que Ashley soletrou e logo descobriu o significado.
Mon Plaisir. Meu Prazer.
— Por que usar francês? — perguntou ele.
— Porque é um restaurante francês.
Koy ficou instantaneamente constrangido. Ele não sabia absolutamente nada sobre culinária francesa. Tinha ouvido uma vez que eles comiam caracóis… então era isso que iam comer agora?
Desesperado, Koy tentou pesquisar o restaurante, mas nem o site conseguiu encontrar. Enquanto ele ficava cada vez mais nervoso, Ashley continuava dirigindo tranquilamente, os olhos fixos à frente. O carro avançou pelo tráfego intenso do fim de semana em direção ao destino.
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Continua….
Tradução: Ana Luiza
Revisão: Thaís
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Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can