Ler Lamba-me se puder – Capítulo 147 Online

Modo Claro

Desta vez, precisou de mais coragem do que nunca para pronunciar as próximas palavras. Koy apertou os punhos com força, respirou fundo, soltou o ar aos poucos e então falou.

— O fato de eu… ter vindo te ver… te causou muitos problemas?

— Sim.

Sem hesitar nem por um único instante, Ashley atirou a resposta. Ele desviou o olhar de Koy, que mais uma vez congelou no lugar e encarou a frente, murmurando como se falasse consigo mesmo.

— Você veio cedo demais.

— Cedo?

Aquilo ele não podia simplesmente ignorar. ‘Será que… Ashley tinha a intenção de ir me encontrar? Se eu tivesse continuado no Oeste, será que um dia ele teria aparecido do nada para me ver?’

— Você… tinha planos de vir me encontrar? — perguntou Koy, hesitante.

— Sim.

Koy não sabia ao certo o que sentir. Junto do alívio, algo como alegria surgiu, mas veio acompanhada de uma culpa amarga. ‘Talvez tivesse sido melhor esperar por ele no Oeste.’ Se Ashley realmente tinha algum plano, era natural que ficasse desconcertado ao ver Koy surgir tão de repente. Com cautela, Koy falou:

— Então… eu cometi um erro vindo até aqui…?

Ashley soltou um riso curto e seco. Um riso que parecia vazio e ao mesmo tempo nervoso. Então ele disse:

— Sim, você arruinou meus planos. Completamente.

O coração de Koy afundou. Uma onda de ansiedade e repulsa por si mesmo se espalhou por dentro. Eu cometi mais um grande erro com o Ashley.

— Desculpa. Eu não sabia.

Tudo o que podia fazer era pedir desculpas. Ele repetiu o pedido de desculpas várias vezes, até que de repente se lembrou: ele tinha levado mais de dez anos para conseguir chegar até ali. Quando, então, Ashley pretendia procurá-lo?

— Não sei. — Ashley murmurou, pensativo. — Talvez daqui a uns dez anos?

— Então ficaríamos uns vinte anos sem se ver?

Koy deixou os ombros caírem, tomado por um vazio repentino. Apesar de se sentir mal por Ashley, no fundo ele achava que tinha feito bem em juntar todas as forças e ir até lá. Não fazia ideia do porquê Ashley planejava procurá-lo só depois de tanto tempo, mas, quando chegasse essa época, talvez Koy já tivesse secado e morrido de tanto esperar por ele.

— Vinte anos é muito tempo — Koy disse, quase como um lamento.

Mas Ashley não disse nada, apenas continuou olhando para a frente. Esperando pela próxima fala dele, Koy, sem escolha devido ao silêncio contínuo, falou primeiro.

— Escuta, por que você planejava esperar vinte anos para me ver?

Se ele quisesse simplesmente esquecer, não teria feito planos de me encontrar de jeito nenhum. De qualquer forma, Koy sentiu alívio por ele ter planejado vê-lo, mas o período excessivamente longo o incomodava. Diante da pergunta de Koy, Ashley não respondeu imediatamente. Quando Koy pensou que ele poderia o estar ignorando, ele falou.

— Não é que eu estivesse tentando completar exatamente vinte anos.

— Então?

Koy perguntou novamente, sua voz parecendo um pouco desanimada. Ashley ainda não olhava para ele quando respondeu.

— Achei que, depois desse tempo, as coisas seguiriam do jeito que eu planejava.

Koy não conseguiu evitar a próxima pergunta.

— …Que plano?

O silêncio voltou a se instalar entre os dois. Koy se preparou para esperar o tempo que fosse preciso, mas quando Ashley finalmente abriu a boca, o que saiu era completamente diferente do que ele esperava.

— O seu objetivo era só me ver, não era?

— Sim… isso mesmo.

Koy hesitou, mas respondeu com sinceridade.

— Eu também queria pedir desculpas.

— Desculpas pelo quê?

— Naquela época eu…

Ele engoliu em seco, forçando saliva na boca completamente seca, antes de continuar com dificuldade.

— Por não ter escolhido você.

Ashley ficou em silêncio. A quietude dele pesava mais do que em qualquer outro momento, mas Koy prosseguiu, tropeçando nas próprias palavras.

— Eu queria pedir desculpas por ter te machucado. Por ter dito aquelas coisas quando escolhi o meu pai… eu me arrependi disso o tempo todo. Na época, quando eu escolhi o meu pai e disse aquilo… que você tinha muita coisa, mais do que eu…

Ele respirou rápido, tentando manter a voz firme, e continuou:

— Mesmo assim eu achava que você era melhor do que eu…

— Koy.

De repente, Ashley cortou suas palavras. Koy ergueu a cabeça, sobressaltado, e ouviu a voz baixa e cínica dele:

— Que diferença faz competir para ver quem é mais ou menos infeliz?

Koy não conseguiu responder. Ele estava certo — nada daquilo importava mais.

— …Desculpa.

Era um pedido de desculpas por um motivo diferente, mas igualmente inútil.

— Chega.

Ashley voltou ao tom indiferente de antes.

— Já passou.

Ele estava certo. Koy sabia disso. Sabia que seus esforços eram inúteis.

‘Vou voltar para o Oeste…’

Quando pensou nisso, Ashley abriu a boca:

— Adeus, Connor Niles.

A despedida, dita com firmeza, fez Koy acordar completamente. Ele não podia simplesmente ir embora assim. Não importava quais fossem os planos de Ashley, eles já se encontraram e chegaram até aqui. A reunião foi totalmente diferente do que ele esperava, mas não podia terminar assim. Koy queria mais uma chance.

— Me dá seu número.

Ele falou apressadamente. Só então Ashley virou o rosto para ele. Koy pôde ver, ainda que de forma vaga, a expressão ligeiramente irritada dele e reuniu toda a coragem para continuar:

— Eu disse que pagaria uma refeição melhor da próxima vez. Para marcarmos, preciso do seu contato.

— Haa…

Ashley suspirou alto, o suficiente para que Koy ouvisse. Talvez estivesse irritado, talvez achasse aquilo uma grande inconveniência. Mas Koy não recuou, o olhando com deterinação. Vendo que ele não desistiria, Ashley finalmente tirou a carteira do bolso interno do terno. Koy esperou, tenso, achando que ele lhe daria um cartão de visita. Mas, inesperadamente, Ashley virou o cartão, colocou-o sobre o volante e escreveu algo no verso.

— Aqui.

Koy recebeu com cuidado o cartão que Ashley lhe entregou e, ao virar para conferir o verso, ouviu Ashley dizer:

— É o meu número pessoal. Me liga por ele.

— Ah… s-sim.

O rosto de Koy gradualmente se iluminou ao ver os números escritos rapidamente. Agora era hora de se despedir e sair do carro, mas ele não fez isso. Em vez disso, pegou seu celular e discou o número rapidamente. Ashley, que observava, franziu a testa ao ouvir o toque do celular que logo soou. Ele olhou para Koy com suspeita, pegou o celular lentamente para verificar e,ao ver um número desconhecido, voltou o olhar para o rosto de Koy, que desligou a chamada, sorrindo radiantemente e disse:

 

— É o meu número. Salva aí.

Logo em seguida, ele acrescentou, um pouco envergonhado:

— Senão você pode achar que é spam e não atender.

Pelo visto, Koy sequer cogitava a possibilidade de Ashley simplesmente não atender de propósito. Ashley o olhou sem dizer nada por alguns instantes antes de acabar salvando o número, claramente sem entusiasmo.

— Então… hoje, obrigado mesmo… por tudo.

Antes de sair do carro, Koy puxou um sorriso meio forçado e continuou:

— Não se preocupe. Eu vou voltar logo para a costa oeste.

Ashley estremeceu, quase imperceptivelmente, mas Koy não percebeu e continuou falando:

— Eu só queria te oferecer uma boa refeição pela última vez. Como agradecimento… é só isso mesmo.

‘Eu não vou mais te incomodar.’

Koy completou apenas em pensamento e se apressou para sair do carro

— Koy.

Ashley o chamou de repente. Com a porta já entreaberta, Koy parou e virou o rosto para ele. Então Ashley perguntou:

— Quando é o encontro?

Surpreso com a pergunta repentina, Koy respondeu rapidamente.

— Hã? Ah… amanhã. Quer dizer, já é amanhã, domingo. Vamos nos encontrar às quatro pra ver um filme e jantar.

Então, lembrando daquilo que Ashley havia dito antes, ele coçou a cabeça, meio sem graça:

— Vai ser apenas a segunda vez que a gente se encontra, então acho que nem dá pra chamar de encontro. É só… uma conversa, como amigos…

— Você tem roupa para vestir?

— Hã?

De novo outra coisa que ele não esperava ouvir, e Koy ficou sem saber como reagir. Ashley continuou, com o mesmo tom indiferente:

— Mesmo que você não esteja indo com essa intenção, você tem que, pelo menos, manter a etiqueta. Não vai encontrar com ela assim, vai?

Diante das palavras dele, Koy olhou para si mesmo sem querer. Depois de passar mais da metade da tarde naquele centro de detenção, o macacão de trabalho — que já era simples — estava completamente sujo. Sentindo-se um pouco envergonhado, ele respondeu com o rosto corado.

— Claro que eu não vou assim. Eu também tenho algumas roupas boas.

Ashley riu baixinho e disse:

— Espero que não sejam aquelas que eu te dei naquela época.

Provavelmente era só uma brincadeira, mas Koy não conseguiu acompanhar. Seu rosto ficou ainda mais vermelho, e, ao ver isso, a expressão de Ashley se endureceu.

— Você não está falando sério, está?

Ashley perguntou com uma voz fria, quase como um rosnado. Koy, constrangido, involuntariamente encolheu os ombros.

 

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Continua….

 

Tradução:  Ana Luiza

Revisão:  Thaís

 

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Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can

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