Ler Lamba-me se puder – Capítulo 145 Online

Modo Claro

Koy, sentindo que havia perdido algo importante, prestou atenção, esperando pelo que viria a seguir, mas Ashley não disse nada. Depois do que pareceu uma eternidade, mas na realidade tinha passado apenas cerca de cinco minutos — Ashley finalmente falou.

— …Agora suas orelhas não se mexem mais?

— Hã?

Surpreso pela pergunta inesperada, Koy levou a mão à orelha sem pensar. Sentindo o olhar de Ashley fixo lá, ele ficou envergonhado e corou.

— …Consertei. Agora, se eu não fizer de propósito, elas não ficam se mexendo a qualquer hora.

— Ah… Eu consertei isso. Agora, a menos que eu tente movê-las de propósito, elas não se movem mais sozinhas.

Ashley apenas olhou para suas orelhas em silêncio. Koy, constrangido, se apressou em continuar.

— É estranho, sabe, as orelhas mexendo assim. Não foi fácil corrigir o hábito, mas quando a gente se esforça, dá um jeito.

Ele riu, hahaha, mas Ashley não o acompanhou. Continuava com o olhar fixo nas orelhas de Koy, e então murmurou em voz baixa:

— …Elas não se mexiam a qualquer hora.

Koy apertou as pontas das próprias orelhas, desviando o olhar. Ele tinha razão. Se aquele velho hábito ainda existisse, suas orelhas teriam começado a se mexer enlouquecidamente no instante em que viu Ashley de novo. Seu coração batia forte de felicidade, quase explodindo.

Mas era um alívio ter corrigido aquilo. Já não eram mais crianças, e mostrar sentimentos desse jeito talvez só deixasse Ashley desconfortável. Koy pretendia agir com calma, construir uma relação nova.

Ele nunca teve coragem de desejar algo além disso. Koy só queria uma coisa, e seu desejo já havia sido concedido: reencontrá-lo. Então, ele deveria voltar para o Oeste agora. Mas a ganância humana não tinha limites, e Koy decidiu dar a si mesmo um pouco mais de chance. Afinal, a única coisa que restava em sua vida era seu sentimento por Ashley.

— Então, Ash…

— Por que você está aqui?

Depois de tanto esforço para falar, Ashley novamente o impediu de falar. A sobrancelha franzida e o tom frio fizeram Koy engolir seco.

— Eu…

Koy, que mal conseguiu falar, baixou a cabeça e forçou as palavras para fora.

— Eu… queria te ver.

A voz saiu fraca, sem nenhuma confiança. Ele se sentiu um egoísta por agir por impulso e talvez ter magoado ainda mais Ashley. Queria sair correndo dali. Mas conteve a vontade e continuou, com esforço:

— Eu só… queria te ver. …É só isso.

Ele sussurrou baixinho, com a cabeça baixa. Ashley chamou seu nome.

— Koy.

— S-sim?

Ele respondeu apressadamente e ergueu a cabeça, encontrando imediatamente os olhos roxos frios e penetrantes de Ashley — tão gélidas que pareciam perfurar-lhe o coração. Diante do olhar incisivo dele, Koy parou no meio do movimento. Ashley estreitou os olhos e perguntou:

— Você achou que eu ia ficar feliz em te ver?

Num instante, Koy ficou sem palavras. Ele apenas ficou olhando para Ashley com os olhos arregalados. Ashley soltou uma risada baixa, como se dissesse: Você é realmente impossível.

— Você continua sem pensar em nada, não é?

Koy sentiu seu coração afundar. Ele apenas olhou para Ashley, seu rosto pálido. Nenhum pensamento vinha à mente. Sua cabeça, vazia e branca, apenas ecoava as palavras de Ashley.

‘Adeus, Koy.’

A despedida final de Ashley veio à tona de repente. Foi então que ele se lembrou de outro motivo pelo qual viera até aqui. Ele precisava dizer agora. Se não o fizesse agora, talvez nunca tivesse outra chance.

Mas imediatamente outro pensamento o cortou: ‘Para ele, isso não vai passar de uma desculpa inútil.’

A razão lhe dizia para se calar, para não seguir o impulso. Mas ele simplesmente não conseguia conter suas emoções.

— Aquela vez… eu te decepcionei, e… me desculpa. — As palavras saíram rasgadas, como se sua voz estivesse se partindo.

Era tarde demais, claro. Mas ele precisava pedir desculpas. O rosto ferido de Ashley naquele dia sempre o atormentou — mesmo agora, com Ashley tão frio e distante, Koy ainda via por trás daquela expressão o mesmo menino magoado que deixou para trás naquela época.

— Eu sempre quis me desculpar… por não ter conseguido te escolher naquela hora.

Cada palavra doía, sua voz falhando. Koy, querendo desesperadamente beber um gole de água, conteve-se e terminou com dificuldade.

Ashley manteve o queixo apoiado numa das mãos, apenas observando Koy. Ele não fazia ideia do que o outro estava pensando, e isso só o deixava mais nervoso. Até que, devagar, Ashley falou:

— Abandonar a própria família não é uma coisa fácil.

Seu queixo estava apoiado na mão, então sua pronúncia saiu um pouco arrastada. Mas não era ininteligível. Mais importante, Koy ficou surpreso com a falta de emoção. Piscando confuso, ele observou Ashley, ainda na mesma posição, enquanto ela continuava.

— Éramos jovens e imprudentes. Você provavelmente não teve escolha. Parece que, para a maioria, é impossível abandonar um membro da família doente em tal situação.

Koy ficou pasmo. Ele jamais teria esperado que Ashley falasse como se tivesse compreendido a sua decisão. Vendo Koy hesitar, incapaz de dar uma resposta adequada, Ashley soltou um riso baixo e acrescentou brevemente:

— Não que eu entenda, é claro.

Koy ficou sem palavras. Não havia nada de errado com o que Ashley disse. Era um julgamento tão racional, algo que qualquer um poderia dizer, e não havia nenhum traço de acusação direcionada a ele. Ele estava apenas constatando a realidade. Que eles eram jovens demais, e deixar um pai doente para trás não era uma escolha fácil para ninguém.

Claro, isso não queria dizer que ele o entendesse emocionalmente. Koy não fazia ideia de como eram os pais de Ashley, mas sabia que ele não hesitou em deixá-los para trás. Ele sempre falava como se fosse óbvio que escolheria Koy acima de tudo. Pensando nisso, talvez aquela reação fria fosse até natural. Apenas mostrava, mais uma vez, o quanto os dois eram diferentes.

Apesar de sua confissão cuidadosamente preparada, o resultado foi um tanto decepcionante. Enquanto Koy ainda lutava para encontrar suas próximas palavras, Ashley, com uma expressão entediada, pegou uma batata frita e perguntou:

— Então… e o seu pai? O que aconteceu com ele?

— Ah… é, ele… faleceu logo depois… não durou mais do que alguns meses…

Sua cabeça baixou involuntariamente. Ashley comentou sem demonstrar qualquer emoção:

— Talvez eu devesse ter esperado, então.

Koy ficou sem reação. Não fazia ideia de como deveria reagir a isso. Espere ele morrer e depois vamos embora juntos. Como ele poderia dizer uma coisa dessas? Mesmo que o estado de saúde do pai fosse grave, ninguém sabe quanto tempo de vida resta a uma pessoa. E ele não poderia dizer algo assim, como se estivesse desejando a morte do pai.

Ashley sabia, é claro, que Koy não seria capaz de dizer nada naquela época, nem mesmo agora. Mas Koy não conseguiu evitar perguntar.

— Se eu tivesse… se eu tivesse pedido pra você esperar… você teria esperado?

Os movimentos de Ashley ficaram lentos. Ele parou até de piscar enquanto o encarava. Só depois de engolir a batata frita é que respondeu:

— Mas você não disse isso.

Sem ter o que dizer, Koy baixou a cabeça novamente. Um silêncio desconfortável se seguiu. Enquanto Koy procurava desesperadamente por algo para dizer, Ashley de repente pegou a conta e se levantou. Koy, surpreso, levantou-se também.

— A conversa terminou, certo?

— A-Ash!

Ashley já caminhava com passos largos — como se fosse a coisa mais natural do mundo — e Koy correu atrás dele, segurando-o às pressas.

— Espera um pouco, eu disse que eu ia pagar.

— Deixa.

— Não, não deixo!

Koy implorou, impedindo que Ashley tirasse o cartão.

— Me deixa pagar, por favor. Eu posso fazer isso agora. De verdade, eu tenho dinheiro pra isso.

‘Por favor’.

Koy olhou para ele desesperadamente. Ashley, que o observava fixamente, recuou, como se dissesse “faça o que quiser”. Antes que ele mudasse de ideia, Koy rapidamente tirou algumas notas amassadas do bolso e as colocou no balcão. Juntando até as moedas, ele mal conseguiu pagar a gorjeta. Quando ele soltou um suspiro de alívio, Ashley, que estava parado ao lado observando, finalmente se virou e saiu do restaurante primeiro.

— Ash, Ash!

Koy correu atrás dele e o alcançou antes que ele entrasse no carro.

— Obrigado… por ter vindo. Eu nunca imaginei que te veria.

Eu não posso deixa-lo ir assim… preciso marcar outro encontro. Determinado, mas ainda nervoso, ele murmurou:

— Escuta… desculpa por ter comprado isso para você. Da próxima vez, comprarei algo melhor… então… que tal nos encontrarmos de novo?

Ele não conseguia tirar da cabeça o comentário de Ashley sobre o “hambúrguer barato”. Ele queria comprar algo melhor para ele, e se pudesse usá-lo como desculpa para se encontrarem novamente, melhor ainda. Com o coração cheio de esperança, Koy perguntou. Olhando para ele de cima a baixo, Ashley respondeu com indiferença:

— Não sei. Neste fim de semana eu não tenho tempo.

Koy respondeu automaticamente:

— Ah, eu também não. Já marquei um compromisso.

Ashley não reagiu de imediato. Apenas franziu o cenho e repetiu:

— Um compromisso?

Koy assentiu, inocentemente:

— Ah, sim. Eu fiz amizade com uma pessoa aqui e combinamos de ver um filme juntos.

— Dois caras indo ao cinema? Parece divertido.

Ashley riu de lado e Koy, um pouco sem jeito, corrigiu:

— Ah… Julie é uma garota…

O sorriso desapareceu do rosto de Ashley.

 

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Continua….

 

Tradução:  Ana Luiza

Revisão:  Thaís

 

 

 

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Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can

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