Ler Lamba-me se puder – Capítulo 141 Online

Modo Claro

A barulhenta cela ficou, de repente, silenciosa. Nelson não foi o único que se assustou com aquelas palavras inesperadas. Até Koy, surpreso, arregalou os olhos; porém a reação de Nelson foi muito mais extrema. Ele empalideceu por completo, ficou de boca aberta e imóvel — uma expressão que, para qualquer um, parecia de alguém que foi pego de surpresa em uma situação para a qual não tinha preparo algum. A reação dele pareceu alimentar ainda mais as suspeitas, e comentários surgiram de todos os lados, como se estivessem esperando por isso.

— Isso mesmo, você disse que ele era seu subordinado no ensino médio! Tirar a gente daqui não deve ser nada para ele!

— Ligue para ele, rápido!

— Você vai deixar a gente passar a noite aqui? Faça algo, depressa. Se o Ashley Miller aparecer e nos tirar daqui, acreditaremos em tudo que você disse.

— Sim, eu também acreditarei.

— Eu também.

A opinião geral se unificou num único coro. Como se agora fosse o momento perfeito para desmontar toda a bravata de Nelson, todos o pressionavam com a mesma intenção. Ele não tinha para onde fugir. Apenas movia os olhos de um lado para o outro, inquieto, observando ao redor, completamente acuado.

— …Ei, vocês estão falando sério mesmo? — murmurou Nelson após um bom tempo.

De repente, ele esboçou um sorriso amargo, passou a mão pelos cabelos e balançou a cabeça devagar.

— Vocês não têm mesmo paciência, né. Tá bom, tá bom. Eu vou tentar entrar em contato.

Depois de lançar um olhar rápido aos demais, Nelson suspirou e acrescentou:

— Mas não criem expectativa demais. Vai ser um pouco difícil a gente sair daqui tão rápido.

— Por quê? — alguém perguntou.

Nelson franziu o rosto, impaciente.

— Vocês estão me perguntando isso mesmo, sério? Como se não soubessem. Hoje é sexta-feira. Sexta à noite. E o que vocês acham que um alfa dominante como o Ashley Miller vai estar fazendo num dia desses?

Todos se entreolharam. Em um clima de dúvida e apreensão, alguém finalmente abriu a boca:

— Será que hoje é dia de festa de feromônios?

Só então Nelson voltou a sorrir.

— Claro. Já esqueceram por que nos reunimos hoje? Eu disse que tinha feito uma grande venda, que ia bancar vocês. Essa remessa nova de droga que chegou… eu deixei separada a parte de vocês.

Hesitante, um deles perguntou:

— Então aquela droga é…?

Nelson assentiu com a cabeça.

— Isso mesmo, é a droga que eu forneci aos alfas dominantes. Aposto que, agora mesmo, o Ashley Miller deve estar entupido de droga e enfiando em qualquer ômega por aí.

Todos ficaram em silêncio. Nelson se virou para a grade da cela com ar de superioridade e disse:

— Mas, pelo bem de vocês, vou tentar falar com ele. Que azar o nosso, não é?

Ele então chamou um guarda. Todos observaram com descrença enquanto ele pedia um advogado.

 

***

 

Só duas horas depois Koy finalmente conseguiu passar pela verificação de identidade e explicar sua situação aos policiais. Ele respondeu tudo o que perguntaram, preencheu os documentos e, logo depois, foi enfiado de volta na cela. Provavelmente só sairia dali quando amanhecesse. No fim, Koy não teve escolha a não ser aceitar.

Depois de algumas horas, a cela ficou silenciosa. Ninguém, nem mesmo Nelson, dizia uma palavra. O efeito das drogas havia passado para alguns, que agora estavam deprimidos; outros haviam adormecido; e alguns batiam a cabeça contra a parede. Em meio àquela cena caótica, Koy estava sentado, encostado na parede, com o rosto exausto. Ele estava cansado, com fome e sem energia, quando Nelson de repente desabou ao seu lado.

Koy se sobressaltou, mas Nelson nem notou e resmungou:

— Porra, nem fumar eu posso aqui.

Koy fingiu que não ouviu, desviando o olhar, mas Nelson voltou a falar:

— Veio consertar a pia e acabou nessa, hein?

Ele riu sozinho, e Koy lançou um olhar rápido antes de desviar de novo. Nelson continuou falando sem se importar com a falta de resposta:

— Que azar, hein? Sexta-feira… agora já é sábado. Trabalhar no fim de semana é uma merda e ainda ser preso, hein?

Ele falava como se não fosse culpa dele. Koy se conteve e apenas desejou sair dali o mais rápido possível. Como se não se importasse com o que Koy pensava, Nelson continuou tagarelando:

— É só esperar um pouco. Já já o Ashley Miller tira a gente daqui. Ah, se não fosse fim de semana, ele viria na hora, viu?

Ninguém dava atenção à conversa fiada dele. Mesmo que todos ali acreditassem em Nelson, Koy certamente não acreditaria. No fundo, o que ele sentia era puro pânico. O simples fato de Nelson estar tão perto o deixava inquieto; queria mudar de lugar, mas não havia para onde ir. Enquanto ele se remexia, nervoso, alguém de repente enfiou o rosto bem na frente do seu.

Assustado, Koy prendeu a respiração e colou o corpo contra a parede. Era uma mulher que aparentemente acabava de sair, ainda que parcialmente, do efeito das drogas. Ela sorriu de forma boba:

— Você é bem bonito, sabia? Adoro homens bonitos.

A mulher, murmurando de maneira sonolenta, de repente desabou sobre ele. Surpreso, Koy rapidamente segurou seu corpo. Sem saber se ela tinha desmaiado ou simplesmente apagado,  foi obrigada a deitar o corpo totalmente mole no chão. Assim que fez isso, ele sentiu um olhar ardente sobre si. Mesmo fingindo ignorar, ele sabia. Nelson estava o encarando fixamente.

— Pois é, você até que é bem ajeitado.

A voz que murmurou aquilo, como se fosse um comentário solto, tinha algo estranho. Não era impressão: parecia ter outro sentido por trás. Nelson semicerrava os olhos e murmurou em voz baixa:

— Parece que já te vi em algum lugar…

Embora fosse um sussurro baixo, soou claramente aos ouvidos de Koy. Ele usou toda sua força para fingir que não ouviu, virando a cabeça para longe de Nelson. Mas Nelson não desistiu. Olhando obstinadamente para o rosto de Koy, ele de repente perguntou:

— Qual é o seu nome?

O coração de Koy despencou na mesma hora. O pulso disparou, suor frio escorreu por suas costas. ‘E se ele descobrir que eu sou o Connor Niles?’ A simples possibilidade o enchia de pavor. ‘O que ele vai fazer se descobrir?’ Era assustador até de imaginar.

E fugir, obviamente, não era opção. Ele estava completamente encurralado. Havia apenas um caminho diante dele e o resultado não seria bom. Ao imaginar que Nelson voltaria a intimidá-lo, sua mente ficou completamente em branco.

‘O que eu faço…?’

Quando o medo estava prestes a empurrá-lo para um estado de pânico absoluto, passos ecoaram do lado de fora da cela. Alguém se aproximava.

— …Ah.

Um suspiro de surpresa foi ouvido. Koy virou a cabeça depressa e então congelou, chocado. Ele não era o único surpreso. As pessoas dentro da cela, que se moviam lentamente, gradualmente arregalaram os olhos ou se levantaram, espantadas.

O que reagiu de forma mais intensa foi Nelson, sentado ao lado de Koy. Ele se levantou num salto, mas ficou de boca aberta, incapaz de dizer qualquer coisa.

Finalmente, os passos cessaram. E do outro lado das grades sujas e abafadas da cela, parou um homem que ninguém jamais imaginaria ver ali.

Ele era incrivelmente alto, usando um terno de três peças em um cinza escuro, impecavelmente ajustado, sob um casaco bege claro. Mesmo com o terno, seus músculos bem definidos e um torso largo se destacavam, fazendo-o parecer ainda maior.

Apesar disso, seu corpo parecia ágil — e isso se devia ao fato de que tudo nele estava perfeitamente arrumado. Mesmo já passando da meia-noite, seus cabelos platinados, quase prateados, não tinham um único fio fora do lugar, e até a gravata estava perfeitamente alinhada.

Parecendo ter saído diretamente das páginas de uma revista, o homem os observava com olhos roxos intensos, sob uma testa limpa e sobrancelhas escuras bem definidas. Todos podiam sentir o cheiro doce dos seus feromônios, como açúcar. Todos, exceto um — Koy.

Ashley Miller.

Alguém sussurrou o nome. E então, a ilusão diante deles tornou-se subitamente realidade. Todos, que estavam até então atordoados, começaram a se agitar. Enquanto murmuravam e proferiam palavras desconexas de incredulidade, Nelson gritou triunfantemente:

— Viram? Eu estava certo! Eu disse que ele viria, o que eu disse? Agora vocês acreditam em mim, seus idiotas?!

Ele soltou um riso debochado enquanto se gabava. Todos olhavam de lado, cautelosos com a reação de Nelson. Afinal, Ashley Miller estava mesmo ali diante deles — não havia mais dúvida alguma. O medo de cometer um deslize e ser o único deixado para trás era evidente nos rostos dos outros. Apenas Nelson estava cheio de si, fazendo escândalo.

— Cara, Ash! Sabia que você ia aparecer. Como tá a festa? Não faltou droga, né? Se precisar, eu saio agora e arrumo mais. Amizade é isso aí, não é?

Nelson continuou tagarelando sem parar, mas Ashley não demonstrou qualquer reação. Continuava parado, mãos enfiadas nos bolsos do casaco, apenas observando lentamente o interior da cela. E quando seus olhos finalmente se fixaram em um único ponto, Koy ficou tão surpreso que até sua respiração falhou.

‘Não pode ser.’

O coração voltou a disparar. ‘…Não, isso não…’

Enquanto ele estava paralisado, a porta da cela se abriu com um rangido.

— Não você. — disse um policial, estendendo a mão para impedir que Nelson que, eufórico, tentou sair primeiro. O policial olhou ao redor, procurando alguém.

Ashley inclinou levemente a cabeça e murmurou algo para ele. Seus olhos permaneciam fixos em uma única pessoa.

O policial acompanhou o olhar de Ashley e, ao encontrá-lo, chamou em voz alta:

— Connor Niles, você está liberado.

 

°

°

Continua….

 

Tradução:  Ana Luiza

Revisão:  Thaís

 

 

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Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can

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