Ler Lamba-me se puder – Capítulo 131 Online
‘O que foi que eu acabei de ouvir?’
Ele não conseguia acreditar no que tinha escutado. O que, afinal, o Koy acabou de dizer? O som abafado do choro de Koy chegou aos ouvidos de Ashley, que permanecia parado, sem conseguir pronunciar palavra alguma.
— …Koy.
Quando finalmente conseguiu abrir a boca, sua voz saiu rouca. Tossiu rápido, tentando ajeitar a garganta antes de continuar:
— Do nada… o que você quer dizer com isso? Aconteceu alguma coisa? Koy, por acaso você sofreu um acidente?
— Não, não. Não é nada disso.
Koy negou apressadamente e então soltou um suspiro trêmulo. Ao ouvir a respiração ofegante e pesada do outro lado da linha, Ashley involuntariamente ficou tenso. Depois de uma pausa, Koy finalmente confessou.
— Meu pai… está doente.
A voz dele saía entrecortada, trêmula, como se lutasse contra o choro.
— É câncer. …Disseram que, no máximo, ele tem seis meses. Que não há nada a ser feito.
Ashley ficou parado, piscando, sem entender. ‘E o que isso tem a ver?’
— …Entendo. Que pena.
Foi tudo o que conseguiu dizer. Ele simplesmente não conseguia compreender o que aquilo tinha a ver com o fato de Koy não poder ir. A impaciência começou a crescer dentro dele, e então perguntou rapidamente:
— E daí? O que aconteceu? Ele… ele sofreu um colapso?
Do outro lado, Koy respirou fundo antes de continuar:
— Disseram que meu pai não tem muito tempo de vida… que ele vai morrer.
— Sim, eu entendi isso.
Ashley não conseguiu conter o tom impaciente que escapou junto com as palavras:
— Mas… e daí? Por que você não pode vir? Isso não tem nada a ver com você!
Koy permaneceu em silêncio. Do telefone, tudo o que se ouvia era o som irregular de sua respiração. Ashley pressionava o aparelho contra o ouvido, incapaz de conter a inquietação — fechava e abria a mão repetidas vezes, tentando conter o nervosismo. Pareceu passar uma eternidade até que Koy voltasse a falar:
— Ele ainda é meu pai…
Ashley franziu o cenho sem perceber. ‘O que ele está tentando dizer com isso?’
Como o silêncio continuava, Koy repetiu, num tom ainda mais baixo:
— Meu pai está com câncer… e disseram que ele só tem mais meio ano, no máximo.
— Então, o que isso tem a ver? — Ashley retrucou, também parecendo frustrado. — Ele já deve estar no hospital agora, não é? Então eles vão cuidar dele. O que você poderia fazer aí de qualquer jeito? Por que não pode vir?
Por um instante, Koy pareceu perder as palavras.
— É verdade que não posso fazer nada… mas…
Ashley o interrompeu, a irritação crescendo na voz:
— E agora, o que é que você pretende fazer agora, hein? Depois de tudo o que ele te fez? Depois de te espancar daquele jeito, ele ao menos pediu desculpas? Chorou, implorou pelo seu perdão, foi isso?
Do outro lado, Koy permaneceu em silêncio. Da boca de Ashley escapou um riso curto, incrédulo, entrecortado por raiva e desespero.
— Tá bom, ótimo. Pelo menos ele se desculpou, então já tá tudo resolvido, não é? — disse, a voz trêmula. — Pronto, acabou. Agora vem pra estação. Não, espera — eu vou até aí. Em que hospital ele está? Acho que não vamos conseguir pegar o último trem, mas eu posso dirigir até a próxima estação e…
Enquanto falava, Ashley agarrou a alça da mala e se levantou às pressas. Precisava chegar ao carro o mais rápido possível. Ele tinha que ver Koy agora. Se perdesse esta chance, se não o visse imediatamente…
Do outro lado da linha, um som abafado de choro preencheu o silêncio. A voz trêmula de Koy soou em seguida:
— Desculpa, Ash. Eu… eu não posso ir.
Ashley parou no meio do passo, o corpo travado. Ficou ali, imóvel, enquanto Koy continuava a falar:
— Eu não posso deixar meu pai sozinho… me desculpa, me desculpa mesmo.
— Koy.
Ashley cortou as palavras dele sem piedade. Sua própria voz tremia, frágil, mas firme:
— Você… você tem noção do que está dizendo? Está me dizendo que vai desistir de ir embora comigo… por causa daquele homem?
Koy não respondeu. Mas Ashley sabia que aquilo era uma confirmação. Sentindo o coração afundar e, sem conseguir controlar a emoção que subia, perguntou, a voz rasgando o ar:
— Você vai ficar… por causa do homem que te espancou como um animal? É sério? Você está… me abandonando?
— …Me descul…
— Para com essas “desculpas”! — gritou Ashley, enfim perdendo o controle.
Ele não conseguia entender. Não podia aceitar. Koy… não viria? Por causa daquele homem? Depois de tudo? ‘Agora, de todos os momentos? Sério?’
— Ainda dá tempo de pegar o último trem — disse, ofegante, tentando se convencer tanto quanto convencer a Koy. — Mesmo que perca, não tem problema. Podemos dirigir até a próxima estação e pegar o primeiro trem da manhã. Eu vou ficar aqui te esperando, não importa quanto tempo leve. Saia daí agora mesmo. Pegue um Uber. Eu pago a corrida, não se preocupe com isso, está bem?
— Ash…
— Eu vou ficar aqui até você chegar. — E, sem esperar resposta, Ashley encerrou a chamada.
O silêncio que se seguiu foi quase palpável. A estação estava vazia — apenas o som distante de um trem ecoava pelos trilhos, desaparecendo logo em seguida.
Ashley soltou um longo suspiro, cansado, e voltou a se sentar no banco. Ele enterrou o rosto nas mãos, esfregou-o com força, respirou fundo e então ergueu a cabeça.
Ele vai vir.
Disse a si mesmo, como um juramento.
Koy com certeza vai vir. Ele só está um pouco atrasado, é isso.
A qualquer momento, ele surgiria na entrada da estação, chamando seu nome, correndo em sua direção. Pediria desculpas, ofegante, sem saber o que fazer e se jogaria em seus braços. E Ashley o abraçaria, diria que estava tudo bem, que aquilo foi uma brincadeira de péssimo gosto, nada parecida com ele. Diria que nunca mais fizesse isso — mas sorriria, aliviado.
Então ele puxaria aquele corpo magro para os braços com força, o beijaria, e os dois partiriam juntos, só eles dois, para um novo começo.
Sim. Era assim que seria.
Porque Koy nunca o abandonaria.
Ashley, inquieto, continuava lançando olhares nervosos para a entrada da estação. O tempo seguia passando, impiedoso, e quando a noite caiu, o último trem partiu. Mesmo assim, Ashley permaneceu ali, sozinho, na sala de espera vazia da estação.
***
Ao ouvir o som da porta se abrindo, Koy virou a cabeça. Uma enfermeira entrou, trocando com ele um breve cumprimento antes de atravessar o quarto até o soro. Depois de verificar a bolsa de infusão, ela voltou os olhos para o monitor conectado ao pai dele. Koy ficou sentado, observando em silêncio enquanto ela avaliava o estado do paciente.
— Com licença… — chamou, hesitante, quando ela já se preparava para sair.
A enfermeira se virou, e Koy, com a voz trêmula, conseguiu finalmente perguntar:
— O meu pai… ele está bem? Digo, parece que está dormindo muito profundamente, então…
— É por causa da medicação misturada ao soro. —
A enfermeira explicou de maneira simples, serena.
— O estado dele não mudou, então não precisa se preocupar tanto. Logo ele vai acordar. —
Ela lhe dirigiu um pequeno sorriso, como quem tenta confortar, e saiu do quarto.
Koy permaneceu onde estava, voltando o olhar para o pai. Não sabia quanto tempo havia se passado. De repente, viu o homem franzir o cenho e, lentamente, abrir as pálpebras. Koy esperou em silêncio, pacientemente, até que ele o reconhecesse.
— …Koy. —
Ao virar o rosto e ver o filho, o pai esboçou um leve sorriso. Koy percebeu o brilho úmido surgir naqueles olhos antes tão opacos.
— …Você ficou aqui. Ao meu lado… —
As palavras se perderam quando ele mordeu os lábios, incapaz de continuar. Dos olhos fechados, uma lágrima escorreu. Koy pegou um lenço e, com cuidado, limpou-lhe o rosto.
— Durma mais um pouco, pai. — murmurou. — Ainda falta um tempo até o amanhecer, então pode descansar mais. Eu… eu vou continuar aqui.
Depois disso, Koy se calou. Não havia mais nada que pudesse dizer. Mas o pai pareceu satisfeito apenas com aquelas palavras. Um pequeno sorriso curvou seus lábios enquanto ele assentia devagar.
— …Obrigado, Koy. —
A voz dele era fraca, quase um sopro. Estendeu uma das mãos, e Koy, em silêncio, a segurou com delicadeza. Só então o homem pareceu relaxar, fechando novamente os olhos.
Pouco tempo depois, o som sereno da respiração voltou a preencher o quarto — ele havia adormecido outra vez. Koy permaneceu sentado, imóvel, apenas observando o pai.
Aos poucos, o céu pela janela começou a clarear. O sol estava nascendo.
***
O sol nascente inundava a sala de espera com sua luz. Através das inúmeras janelas, os raios dourados atravessavam o ar frio da manhã, e Ashley piscava devagar, com o olhar perdido, sentado sem forças no mesmo lugar onde tinha passado a noite. Ainda era cedo, e além de um ou outro funcionário da estação que cruzava o saguão, não havia mais ninguém por ali.
De repente, o som de passos ecoou à distância — vários deles, firmes e ritmados, aproximando-se rapidamente. Mesmo assim, Ashley não se moveu. Permaneceu imóvel, indiferente, até que uma mulher parou a poucos passos de onde ele estava sentado e falou:
— Está na hora de voltar para casa, senhor Ashley Miller.
A reação de Ashley veio apenas alguns segundos depois. Lentamente, ele ergueu o olhar e viu diante de si a secretária de seu pai, com a mesma expressão impassível de sempre. A voz dela, fria e profissional, soou novamente:
— O senhor sabe, não é? Connor Niles não virá.
Ashley voltou o rosto para frente. Seu olhar, vazio, não refletia nada.
…Ha.
Um som curto escapou-lhe dos lábios — um suspiro cansado, que mais parecia uma risada amarga. À medida que a luz do sol inundava ainda mais o saguão, o movimento também começava a crescer, pessoas indo e vindo, rostos desconhecidos cruzando o espaço. Mas entre todos eles, não havia aquele que Ashley esperou a noite inteira. Ele sabia disso agora.
Em silêncio, Ashley se levantou da cadeira e endireitou as costas. Enquanto ele dava os primeiros passos, a secretária fez um sinal com os olhos, e um dos guarda-costas rapidamente pegou a mala de Ashley.
Ele não disse uma única palavra durante todo o caminho de volta à mansão.
***
Dominique Miller estava sentado em sua sala privada, tomando o café da manhã. O ambiente pequeno e acolhedor, iluminado pela luz suave do sol que entrava pelas janelas, contrastava com a postura rígida e impenetrável do homem diante da mesa de madeira clara. Seu semblante tranquilo e seus gestos controlados faziam a cena parecer estranhamente fora de lugar.
Ao pousar o garfo e levar à boca um gole de café preto, Dominique ouviu passos aproximando-se. Pouco depois, alguém parou a poucos metros dele.
— O jovem senhor voltou.
— Entendo. —
Dominique colocou a xícara de volta sobre o pires e enxugou os lábios com o guardanapo. Cada movimento seu era preciso, meticuloso, quase mecânico. Observando-o, a secretária falou em voz baixa:
— …Se Niles tivesse despertado, o senhor teria permitido, não é?
Foi então que Dominique ergueu os olhos para ela pela primeira vez. Seu rosto permanecia gelado, desprovido de qualquer traço de emoção, enquanto respondia:
— Mas ele não despertou.
A secretária calou-se imediatamente. Tinha consciência de que ultrapassara um limite ao fazer tal pergunta. Dominique desviou o olhar, encerrando o assunto.
— Já esperava que eles se separassem, mas não imaginei que ele voltaria tão rápido. Nem sequer foi capaz de fugir.
Um sorriso gélido, quase um deboche, curvou-lhe os lábios enquanto erguia a taça de vinho, como num brinde.
— Meu pobre filho… ser abandonado assim.
A secretária nada disse. Apenas o observou em silêncio.
Naquela tarde, o jato particular de Dominique Miller partiu em direção à costa leste.
E a mansão ficou completamente vazia.
°
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Continua….
Tradução: Ana Luiza
Revisão: Thaís
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Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can