Ler Fuja se puder – Capítulo 77 Online

Modo Claro

 

Ele não fez perguntas como “para onde”. Afinal, ele nem tinha escolha para começo de conversa. Mais importante do que isso era “o que aconteceria a partir de agora”.

A cada passo que dava, a corrente pesada batia no chão e fazia um som arrepiante. Chrissy tentou ao máximo manter as costas retas e caminhar com firmeza, mas o sentimento de vergonha, que qualquer pessoa teria naquela situação, tornava isso difícil. Além disso, vendo o homem, sempre impecavelmente vestido com seu terno, em nítido contraste com sua própria nudez, ele se sentia ainda mais diminuído.

‘Concentre-se.’

Ele se repreendeu e ergueu a cabeça. De agora em diante, teria que fazer tudo o que aquele homem quisesse. Se não conseguisse sair daqui, provavelmente seria até a morte, literalmente.

Se era esse o caso, pelo menos ele não permitiria que as emoções que o homem queria provocar o dominassem ou o deixassem intimidado.

Observando as costas do homem que caminhava à frente, Chrissy seguiu sem hesitar. Misturado ao barulho da corrente batendo em seus ouvidos, ele conseguia ouvir vagamente o som da bengala do homem tocando o chão. Era como se estivesse caminhando rumo ao próprio cadafalso.

O lugar onde Nathaniel entrou ao abrir a porta era a sala de café da manhã. Sobre a mesa para quatro pessoas, iluminada pela luz clara que entrava pela janela frontal, havia um café da manhã simples já servido. Quando Chrissy percebeu que aquele prato era para apenas uma pessoa, Nathaniel apontou para o chão.

— Senta, Chrissy.

O tom era o mesmo de alguém dando uma ordem a um cachorro. E, onde ele apontava, havia literalmente ração canina. Com um pote de água na mesma altura.

— …Ha.

Chrissy soltou um breve suspiro. Mas não teve tempo para ficar parado em perplexidade. Nathaniel estendeu a mão imediatamente e agarrou a nuca dele, puxando-o para baixo.

— Ngh…

Por pouco, ele não deixou escapar um grito alto. Engoliu o som a tempo e evitou o pior, mas não conseguiu impedir que seu corpo despencasse de modo humilhante no chão. Nathaniel ajoelhou-se ao lado dele, apoiando um joelho no chão, inclinando-se e sussurrando:

— Come. Agora.

Logo depois, sem aviso, ele pressionou a nuca de Chrissy com força. Dominado por aquela força absurda, Chrissy não teve como resistir: sua face foi empurrada para dentro do pote de ração. Sem escolha, abriu a boca o máximo que pôde para pegar a ração com os dentes e levá-la à boca.

— Cof… cof…

Os grãos da ração quebrando em sua boca desceram pela garganta de forma descontrolada, provocando uma série de tosses. Mesmo assim, a mão em seu pescoço não diminuiu a pressão. Depois de sofrer para engolir à força cerca de metade da ração, Nathaniel finalmente retirou a mão lentamente e disse com uma voz satisfeita:

— Muito bem. Que garoto obediente.

Ao dizer isso, Nathaniel deu dois leves tapinhas na nádega de Chrissy. Tratando-o realmente como um cão, como um animal obediente que merecia um agrado por seguir bem as ordens, depois de dar os tapas, ele se levantou sem cerimônia. Enquanto ouvia o som da cadeira sendo puxada e Nathaniel se sentando, Chrissy continuou comendo a ração. O cheiro era desagradável, o gosto pior ainda, mas sentia que, se parasse por um instante, algo ainda mais terrível aconteceria. Prolongar a situação só aumentaria seu sofrimento. Ele rapidamente aceitou esse fato.

— Também precisa beber água.

Com a ponta do sapato, Nathaniel empurrou o pote de água de Chrissy. Quando ele finalmente olhou para o pote empurrado até si, fez o que lhe foi mandado: bebeu a água. Era ainda mais difícil que comer a ração, porque precisava inevitavelmente mergulhar o nariz, mas ele se esforçou para cumprir. Acima dele, Nathaniel Miller começava uma refeição humana de verdade, com elegância, usando faca e garfo. Por um tempo, só se ouviam o tilintar suave dos talheres e os barulhos de Chrissy lutando para beber água com dificuldade.

— Como hoje é o primeiro dia de treinamento, vamos começar com algo simples.

Por volta da metade de sua refeição, Nathaniel quebrou o silêncio. O tom era tão tranquilo, como se estivesse apenas comentando sobre o clima, que Chrissy levantou a cabeça sem perceber, mas congelou logo em seguida. Aparentemente, isso estava dentro do que lhe era permitido, pois Nathaniel apenas encheu a xícara vazia com café e continuou:

— Você vai ficar sozinho em casa, me esperando. Consegue fazer isso, não é?

Era um treinamento de “esperar”, então? Chrissy ficou boquiaberto, mas as palavras seguintes eram ainda mais absurdas.

— Fique quietinho. Se bagunçar a casa, vai ser punido. Eu detesto sujeira.

Com isso, já não havia mais como negar. Ficava absolutamente claro o que Nathaniel Miller pretendia fazer com Chrissy.

— …Então decidiu criar uma pessoa em vez de um cachorro?

Chrissy perguntou com a voz toda rouca, carregada de ironia que ele simplesmente não conseguiu conter. Nathaniel torceu os lábios num sorriso silencioso.

— É mais fácil treinar, e você entende comandos. Bem mais prático.

Ele levou a xícara à boca e, antes de beber, acrescentou:

— A partir de agora, não fale sem permissão. Você é um cachorro.

Nathaniel ergueu o queixo de Chrissy com a ponta do sapato. Ele olhou arrogantemente para Chrissy, que estava impotente, sentado no chão olhando para cima, e perguntou:

— A resposta?

Mais uma vez, Chrissy não tinha escolha. Ele deu exatamente a resposta que Nathaniel queria ouvir.

— Auau.

— Muito bem.

Nathaniel, satisfeito, afagou a cabeça de Chrissy. Mais uma vez, um gesto claramente reservado a um cão. Em seguida, ele abaixou a mão e a estendeu na frente do rosto de Chrissy. Em algum momento, Chrissy começou a sentir como se sua humanidade estivesse se desfazendo; mesmo assim, colocou docilmente a mão sobre a de Nathaniel. Para sua surpresa, Nathaniel soltou o bracelete que prendia seu pulso e fez o mesmo com o outro. Depois libertou também os tornozelos, deixando apenas a coleira no pescoço de Chrissy, e então o advertiu mais uma vez:

— Espere quietinho. Se se comportar mal, vai ser punido.

Dessa vez, Chrissy não respondeu. Apenas encarou o rosto do homem sem piscar. Era uma rebeldia mínima, quase insignificante, mas Nathaniel não deixou passar.

— Responda.

Ele disse apenas isso, antes de agarrar o pescoço de Chrissy. A força brutal apertou sua traqueia sem aviso, e imediatamente uma pressão dolorosa invadiu seu rosto enquanto um som de agonia escapava de seus lábios. Observando Chrissy ficar vermelho e ofegar desesperadamente, Nathaniel sussurrou:

— Tem que responder, garoto.

Chrissy abriu a boca, mas o ar estava preso, girando dentro dela sem entrar nos pulmões. No fim, balançou levemente a cabeça e soltou um gemido rouco. — Ugh… — Nathaniel o observou com olhos estreitados e ordenou novamente:

— Responda de novo.

Ele sabia exatamente qual era a resposta esperada. Com muito esforço, Chrissy formou com os lábios um quase inaudível “au-au”. No mesmo instante, assim como quando o estrangulou, Nathaniel soltou o pescoço dele de uma vez.

— Cof- cof, cof…

A entrada repentina de ar o deixou completamente desnorteado. Tossindo sem parar, o corpo de Chrissy tremia inteiro enquanto ele tentava recuperar o fôlego. Nathaniel apenas observou calmamente.

— O café esfriou.

Ele tocou a borda da xícara com o dedo e comentou de forma casual. Mesmo com Chrissy ainda ofegante e sofrendo aos seus pés, Nathaniel continuou, em um tom indiferente, como se aquilo tudo não tivesse nada a ver com ele.

— Não me teste duas vezes. Eu não quero criar um cachorro burro.

‘O que aconteceria então? Ele iria me sacrificar, talvez?’

Talvez Chrissy estivesse imaginando coisas absurdas porque, no fundo, tudo aquilo ainda parecia irreal demais. Mesmo assim, ele sussurrou baixinho com uma voz muito rouca:

— Auau.

Só então Nathaniel esboçou um sorriso fraco, como se estivesse satisfeito. Ele pegou as correntes que prendiam os membros de Chrissy de qualquer jeito, virou-se decisivamente e saiu da sala de café da manhã. Chrissy hesitou por um instante, mas acabou o seguindo devagar.

Nathaniel pegou a maleta que estava sobre o sofá da sala – que se conectava diretamente ao cômodo anterior – e então virou-se para trás. Ao ver Chrissy sentado no chão, a certa distância, ele manteve aquele sorriso tênue e, apoiando-se na bengala, caminhou para fora. Logo depois, o som do elevador em movimento ecoou baixinho. Chrissy continuou sentado exatamente onde estava. Alguns minutos se passaram até que um aviso eletrônico surgiu de algum lugar:

— O veículo saiu da garagem. Iniciando protocolo de segurança.

Chrissy sobressaltou com a voz repentina, mas logo se acalmou. Enquanto admirava as instalações de última geração do prédio, ele soltou um suspiro de alívio. Como se tratava de uma garagem exclusiva, aquilo só podia significar que o carro de Nathaniel havia partido. Ainda assim, por precaução, Chrissy esperou mais um pouco. Só quando calculou que Nathaniel já deveria ter chegado ao trabalho e iniciado suas atividades é que ele finalmente se levantou.

— Agh…

Seu corpo endurecido protestou de imediato. Ele tapou a boca com uma mão para evitar que qualquer som alto escapasse e respirou fundo por um momento. Quando seu corpo estava relativamente recuperado, ele começou a agir imediatamente.

O motivo de Chrissy permanecer sentado no chão por tanto tempo era simples: queria que Nathaniel o visse completamente indefeso. Agora que estava finalmente sozinho, era hora de colocar em prática o motivo de ter chegado até ali.

Precisa encontrar pistas sobre aqueles caras de quem o detetive Simmons falou.

Nathaniel disse que esperava que Chrissy tentasse algum truque ou sacasse uma arma, e ele também já havia aceitado que seus planos poderiam dar errado.

Só não imaginou que acabaria assim.

Mas quando alguém está pronto para arriscar a própria vida, não há nada que não possa fazer. No fim das contas, tudo tinha funcionado conforme o plano: ele entrou na casa de Nathaniel, e agora estava sozinho. Isso bastava.

Cambaleando, Chrissy seguiu em direção ao segundo andar. Seu objetivo era, claro, apenas um.

O escritório.

‘Com certeza estaria lá. Tudo aquilo que precisava.’

°

°

Continua….

 

 

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m caso chocante acontece: um alfa, junto com seu grupo, estupra e assassina um ômega. O promotor encarregado do caso, Chrissy Jin, recusa qualquer acordo e decide levar o caso a julgamento, determinado a garantir uma punição adequada.
É nesse contexto que ele encontra pela primeira vez Nathaniel Miller, representante da maior firma de advocacia dos Estados Unidos, o Miller. Mas a arrogância de Nathaniel não lhe agrada em nada.
Pouco depois, ao voltar de um encontro com seus pais adotivos, Chrissy se envolve num acidente de trânsito: por azar, o carro em que bateu é justamente o de Nathaniel. Diante do valor absurdo do conserto, Chrissy não tem escolha a não ser ir até o homem para explicar sua situação, mas o lugar onde Nathaniel se encontra é, na verdade, uma festa de feromônios.
Lá, Chrissy quase acaba sendo violentado por Nathaniel, mas consegue atingi-lo com um caco de vidro e escapa. A partir desse incidente, a atitude de Nathaniel muda radicalmente: ele demite o advogado responsável pelo caso e decide assumir a defesa pessoalmente.
Os dois passam a se enfrentar no tribunal. No entanto, mesmo em meio a essa relação de hostilidade, Chrissy se sente estranhamente atraído por ele. Nathaniel, por sua vez, não disfarça seu interesse por ele. Em meio a essa tensão crescente, um dos membros do júri surpreende Chrissy com uma revelação inesperada….
Nome alternativo: Run Away If You Can

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