Ler Fuja se puder – Capítulo 74 Online
‘Escritor? E não médico?’
A primeira pessoa que apareceu na busca foi um médico. Mas o James Barry mencionado por aquele homem era o escritor que apareceu mais abaixo.
—Então…
Chrissy queria perguntar mais, mas aquilo foi o máximo que conseguiu dizer. Ele fechou a boca e olhou para o tabuleiro de xadrez. Agora restavam poucas peças. Nathaniel tinha apenas uma torre, um bispo, um cavalo e um peão. O fato dele responder às perguntas de Chrissy de maneira displicente, mantendo os olhos fixos no tabuleiro, só podia significar que estava tentando desesperadamente encontrar um jeito de vencer. Os dedos longos, roçando o queixo, pareciam inquietos. Chrissy, por sua vez, não tinha intenção alguma de lhe dar tempo ou espaço para escapar.
— Faça sua jogada logo, o tempo está acabando.
Diante da cobrança de Chrissy, Nathaniel franziu o rosto e moveu seu peão em silêncio. Aquele pequeno movimento, pouco mais que um passo árduo para frente, pareceu quase cômico. Chrissy fingiu indiferença e moveu o bispo conforme a ordem anterior.
‘Ótimo. Mais duas jogadas e será xeque-mate. Depois disso, basta mover o cavalo para bloquear por baixo e…’
Foi então que Nathaniel fez sua jogada. Quando Chrissy interrompeu seus cálculos e olhou para o tabuleiro, congelou por um instante. Com o movimento do cavalo, duas de suas peças estavam subitamente em perigo. Ele só tinha uma chance de mover algo. Entre a dama e o bispo, precisaria sacrificar um.
‘Não posso perder a dama.’
Apesar do gosto amargo na boca, Chrissy tomou sua decisão. Moveu a dama para fugir do ataque do cavalo. Como era previsível, Nathaniel imediatamente capturou seu bispo.
Ah.
Foi naquele instante que Chrissy percebeu que havia cometido um erro monumental. Quando o cavalo ocupou o espaço deixado pelo bispo e ele finalmente entendeu o resultado daquele movimento, Nathaniel abriu a boca e declarou:
— Xeque – mate.
‘Droga. Que merda!’
— P-porra…!
Chrissy quase deixou escapar um som de pura frustração, um gemido doloroso que ele nem percebeu que estava prestes a soltar. E, praticamente ao mesmo tempo, ele ouviu um palavrão vindo do outro homem – o que mostrava claramente que nem ele tinha previsto que aquilo aconteceria. Como Chrissy não tinha percebido que o bispo estava protegendo o rei? Teria sido muito melhor ter movido o bispo antes.
O arrependimento veio forte, mas logo Chrissy recuperou a calma. Bastava mover o rei para o lado e o problema estaria resolvido. Proteger a dama havia sido a decisão correta. Reafirmando mentalmente sua escolha, Chrissy encarou Nathaniel como quem pergunta silenciosamente qual peça ele tiraria agora.
—Vamos juntar tudo e jogar de uma vez. Não gosto quando o ritmo é interrompido.
Nathaniel falou com seu tom relaxado habitual. A fala inesperada fez Chrissy hesitar por um segundo, e ele completou com a mesma tranquilidade:
— Vai acabar logo.
— Ha…
Um suspiro, quase de incredulidade, escapou. Ele queria dar um soco naquele rosto arrogante, mas sabia muito bem que era impossível. Em vez disso, respirou fundo e voltou sua atenção ao xadrez. Nem precisava esperar instruções do parceiro de jogo, só havia uma jogada possível. Chrissy moveu o rei em silêncio. Mas, assim que tirou a mão da peça, algo inacreditável aconteceu. Nathaniel moveu sua próxima peça sem hesitar e declarou:
— Xeque – mate.
Chrissy arregalou os olhos para o tabuleiro.
‘Outro xeque-mate? Como?’
A torre de Nathaniel estava alinhada perfeitamente com seu rei. Quando isso tinha acontecido? Chrissy piscou várias vezes, confuso. Precisava capturar a torre, mas não tinha peça alguma capaz de fazê-lo. E mover o rei era quase impossível: de um lado havia o cavalo, do outro, a torre. Restava apenas uma direção possível.
Ele estava claramente ganhando, como isso aconteceu? Simplesmente não fazia sentido. Ele até derrubou a dama do outro, e agora estava lutando para escapar.
Mas a última jogada também falhou. Nathaniel moveu o bispo, capturando a torre de Chrissy e, ao mesmo tempo, murmurou quase como um sussurro:
— Xeque – mate.
— …Ha.
Chrissy, completamente sem palavras, acabou soltando um suspiro indignado. Suas peças estavam espalhadas por todo lado, mas ele não podia fazer nada. O rei estava completamente encurralado. Como isso era possível?
— Isso não faz sentido… Como, por quê?
Ele ouviu um murmúrio ecoar em seus ouvidos, exatamente igual ao que ele próprio sentia. Afinal, o homem estava jogando usando um computador para calcular as jogadas – devia estar ainda mais chocado.
‘Como alguém sem a dama, com apenas uma torre, conseguiu isso?’
Chrissy pensou até ali, e então algo lhe veio à mente.
‘Talvez… não, será?’
— …Você sacrificou a dama de propósito?
Diante da pergunta desconfiada, Nathaniel sorriu com naturalidade.
— Não é algo que exija uma decisão tão grandiosa. Se for para vencer, descartar a dama não é grande coisa.
Chrissy não conseguiu dizer uma única palavra. Apenas ficou olhando para o tabuleiro, atônito. Ele tinha certeza absoluta de que venceria. Como aquilo…?
Vendo o rosto de Chrissy empalidecer, tomado de frustração e incredulidade, Nathaniel sorriu de forma ainda mais aberta, satisfeito como nunca.
— A partida acabou. Então, antes de eu pegar o troféu… — Por alguma razão, ele prolongou a frase enquanto lançava um olhar rápido para o ouvido de Chrissy. — Seria melhor você dispensar o outro homem agora. Não tenho o hábito de me exibir para terceiros.
‘…O quê?’
Com aquela frase absurda e repentina, Chrissy ficou completamente imóvel.
Um silêncio pesado caiu sobre eles. Foram apenas alguns segundos, mas para Chrissy pareceram os mais longos de sua vida. Sua mente ficou em branco e seus lábios pesados como pedra – ele simplesmente não conseguia dizer nada.
‘O que Nathaniel tinha acabado de falar? Ele sabia? Não, impossível. Deve ter sido só um chute. Não tem como esse homem saber. Sim, ele só falou isso por falar. Deve estar tentando me provocar, é só isso…’
— Não sei do que você está falando.
A voz dele saiu calma. Chrissy, ousadamente, até encarou o rosto de Nathaniel de frente e esboçou um sorriso.
— Quem mais estaria aqui além de nós dois? Por acaso está falando de um amigo secreto do senhor Miller? Um daqueles amigos imaginários que só crianças têm?
Ao mencionar amigos imaginários, uma risadinha curta escapou dos lábios de Nathaniel. Mas ele não gostava nem um pouco de perder tempo com desvios desse tipo. E Chrissy percebeu isso imediatamente em seguida.
— Chrissy Jin.
Nathaniel o chamou, agora sem qualquer vestígio de sorriso no rosto. Chrissy congelou por um instante, mas ele continuou, ainda em um tom calmo:
— Já que eu entrei nessa sua palhaçada, você deveria ao menos saber quando parar. Não tenho tempo a perder com joguinhos de palavras inúteis.
Em seguida, ele lançou um olhar frio para Chrissy e ordenou:
— Livre-se de todos os dispositivos que você está usando. É a última vez que estou avisando. Te dou trinta segundos. Remova tudo nesse tempo. Esteja pronto ou não, daqui a trinta segundos eu vou pegar meu troféu.
Nathaniel olhou de propósito para o relógio no pulso e acrescentou:
— E mesmo que aquele homem ouça cada um dos seus choramingos, eu não me importo.
Claro que não se importaria.
Chrissy mordeu os lábios, mas não tinha escolha. Já era algo para o qual ele havia se preparado. Embora nunca tivesse imaginado que Nathaniel, mesmo percebendo tudo, levaria a partida até o fim, o resultado era algo que ele precisava aceitar. Chrissy se levantou de repente e inclinou a cabeça para o lado. Ele puxou a orelha, alcançando o fio fino conectado ao dispositivo, e puxou. Logo, o pequeno fone preso na parte interna saiu. Ao pressionar a cavidade lateral do pequeno aparelho, que ainda emitia um brilho indicando recepção de sinal, a luz se apagou e ele desligou. Em seguida, inclinou a cabeça novamente e retirou também a lente do olho. Sem utilidade, a lente foi largada sobre a mesa sem cuidado. Ao levantar o rosto, viu Nathaniel, que observava tudo até então, abrir a boca para falar.
— Isso é tudo?
Chrissy assentiu.
— Não tem mais nada, é tudo.
Nathaniel lançou um olhar para os pequenos dispositivos espalhados pela mesa e soltou uma risadinha, como se achasse aquilo ridículo.
— Você se esforçou bastante. Estou impressionado.
Mas o seu rosto não expressava nada parecido – na verdade, parecia mais que ele estava zombando de Chrissy. O olhar dele percorreu o corpo inteiro do beta, lentamente, antes de voltar ao rosto. Quando Chrissy percebeu, já estava tenso sem querer. Então Nathaniel falou:
— Muito bem, então.
Com a voz estranhamente baixa e suave, ele estendeu uma das mãos para Chrissy.
— Vamos abrir meu troféu agora, senhor promotor?
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Continua…
Ler Fuja se puder Yaoi Mangá Online
m caso chocante acontece: um alfa, junto com seu grupo, estupra e assassina um ômega. O promotor encarregado do caso, Chrissy Jin, recusa qualquer acordo e decide levar o caso a julgamento, determinado a garantir uma punição adequada.
É nesse contexto que ele encontra pela primeira vez Nathaniel Miller, representante da maior firma de advocacia dos Estados Unidos, o Miller. Mas a arrogância de Nathaniel não lhe agrada em nada.
Pouco depois, ao voltar de um encontro com seus pais adotivos, Chrissy se envolve num acidente de trânsito: por azar, o carro em que bateu é justamente o de Nathaniel. Diante do valor absurdo do conserto, Chrissy não tem escolha a não ser ir até o homem para explicar sua situação, mas o lugar onde Nathaniel se encontra é, na verdade, uma festa de feromônios.
Lá, Chrissy quase acaba sendo violentado por Nathaniel, mas consegue atingi-lo com um caco de vidro e escapa. A partir desse incidente, a atitude de Nathaniel muda radicalmente: ele demite o advogado responsável pelo caso e decide assumir a defesa pessoalmente.
Os dois passam a se enfrentar no tribunal. No entanto, mesmo em meio a essa relação de hostilidade, Chrissy se sente estranhamente atraído por ele. Nathaniel, por sua vez, não disfarça seu interesse por ele. Em meio a essa tensão crescente, um dos membros do júri surpreende Chrissy com uma revelação inesperada….
Nome alternativo: Run Away If You Can