Ler Fuja se puder – Capítulo 69 Online
O detetive Simmons havia desaparecido.
Mesmo após o fim do período de férias, ele não voltou a aparecer, e o departamento estava em um completo caos, mas não havia nenhuma pista. A confusão só aumentou quando descobriram que ele não tinha ido para a casa de sua família. Não havia sinal dele em casa, nem em lugar algum.
Chrissy não podia nem contar a outro detetive o que estava acontecendo, não tinha nada a dizer. Simmons nunca lhe explicou os detalhes do caso, e era óbvio que seria tratado como um louco se dissesse simplesmente que ele tinha desaparecido enquanto investigava algo.
Além disso, mesmo que tentasse relatar a situação para outro detetive, Não ouvira nada do Simmons sobre que caso era esse e se envolvesse outra pessoa e ela acabasse tendo o mesmo destino que Simmons, Chrissy certamente não aguentaria. Por isso, a única pessoa que podia procurá-lo e resolver aquilo era ele mesmo.
‘Nathaniel Miller.’
Chrissy mordeu a unha do polegar, mergulhado em pensamentos profundos. Aquela era a única pista que Simmons havia deixado. O que ele tinha visto? Por que mencionou aquele nome? E por que Nathaniel Miller estava lá?
Ele achou que tinha se livrado daquele homem, mas, de repente, tudo voltou ao ponto de partida. Será que deveria ter aceitado aquele jogo desde o início?
Um gemido baixo escapou de seus lábios. Chrissy enterrou o rosto nas mãos e ficou imóvel por um tempo. Alguns segundos depois, ergueu a cabeça, como se tivesse tomado uma decisão, e clicou na tela do celular com força.
— Gostaria de deixar uma mensagem para o senhor Nathaniel Miller. Aqui é o promotor Chrissy Jin.
Ao ouvir a voz calma da secretária, ele foi direto ao ponto e se identificou. Do outro lado, a voz manteve-se serena:
[Sim, qual é o conteúdo da mensagem?]
Chrissy fez uma breve pausa e então disse:
— O senhor ainda está interessado em continuar o jogo?
Por um instante, parecia que a pessoa do outro lado hesitou. O conteúdo era claramente estranho, mas, profissional como era, a secretária respondeu sem demonstrar surpresa:
[Entendido. Há mais alguma mensagem que o senhor queira deixar?]
A voz era fria, absolutamente neutra. Chrissy respondeu de forma simples:
— Não, isso é tudo. Obrigado.
Assim que desligou, soltou um longo suspiro. Notou que seus dedos tremiam levemente diante dos olhos. ‘Às vezes é preciso segurar o touro pelos chifres,’ pensou ele, respirando fundo.
Nathaniel Miller certamente aceitaria o encontro. Ele era o tipo de homem que trazia o tédio até na respiração, e jamais deixaria passar uma chance de diversão.
Mas a resposta levaria tempo, disso Chrissy tinha certeza. Aquele homem nunca se apressava. Deixaria o tempo correr até que Chrissy estivesse consumido pela ansiedade, e só então responderia.
Claro que Chrissy não pretendia ficar parado esperando até lá. Na verdade, aquele tempo livre lhe seria útil. Depois de avisar a assistente que sairia mais cedo, deixou o escritório às pressas e se dirigiu ao seu destino.
Exatamente dois dias depois, numa sexta-feira à tarde, a secretária de Nathaniel Miller finalmente enviou uma mensagem:
<O senhor Miller pede que vá à residência dele às 9 horas.>
‘Finalmente.’
Chrissy fechou os olhos e expirou, com a respiração trêmula. Todos os preparativos estavam feitos. Agora, tudo o que restava era resgatar o detetive Simmons em segurança.
***
— Boa noite, senhor Jin.
Ao ver o rosto de Chrissy, o segurança sorriu e o cumprimentou. Mesmo tendo se cruzado apenas uma vez, e por pouco tempo, o homem o reconheceu imediatamente – e ainda lembrou o nome com precisão. Seria essa uma qualidade necessária para quem trabalha em um lugar como este? Chrissy pensou nisso vagamente enquanto seguia o segurança até o elevador.
— O senhor Miller já voltou para casa?
Ele perguntou antes de entrar. O funcionário, que segurava a porta, respondeu com um leve sorriso e um aceno afirmativo.
— Sim, confirmamos que o carro dele entrou há pouco.
Chrissy fez um leve aceno de cabeça e sorriu em vez de cumprimentar. Assim que a porta do elevador se fechou, o sorriso desapareceu completamente de seu rosto. Ele percebeu o próprio reflexo rígido na porta metálica à sua frente, mas, por mais que tentasse, a tensão em seus lábios não se desfazia. Repetidas vezes fechou e abriu as mãos, inspirando profundamente.
‘Será que ele está me observando agora?’
De repente, um pensamento lhe atravessou a mente – o de que, por ser um elevador privativo, algum morador poderia vê-lo através de câmeras. Isso o deixou inquieto. ‘Besteira. Isso só seria possível na sala de controle,’ tentou negar imediatamente, mas, mesmo assim, acabou juntando as mãos à frente do corpo, como um soldado em posição de sentido, mantendo a postura ereta. Enquanto o elevador subia velozmente, ele teve a estranha sensação de que o tempo ali dentro se arrastava de forma absurda. Um desconfortável sentimento de flutuação o tomou até que, finalmente, o elevador chegou ao último andar.
Após um breve som de campainha, as portas se abriram. Chrissy esperou alguns segundos antes de dar o primeiro passo. Cruzou o pequeno corredor e abriu a porta de entrada; atrás dele, o som do elevador se fechando foi o único ruído a quebrar o silêncio absoluto.
O primeiro detalhe que o atingiu foi um aroma suave e adocicado que se espalhava pelo ar. Era o feromônio de Nathaniel Miller. A fragrância, que sempre o acompanhava, impregnava todo o ambiente, como se o próprio espaço fosse uma extensão de sua presença, uma marca de território.
Aquela arrogância o irritou. Chrissy pigarreou de propósito, soltando um alto “hum-hum”, só para quebrar o silêncio. No entanto, o que voltou foi apenas uma quietude gélida. Ele tinha certeza de que o homem já deveria estar em casa; então, o que significava aquele silêncio?
‘Será que ele está brincando de esconde-esconde comigo?’
Com a testa franzida, Chrissy levantou o olhar. O que viu foi a porta firmemente fechada do escritório. Aquela porta parecia um fruto proibido – algo inalcançável, mas que, ainda assim, o chamava irresistivelmente.
‘Deve estar trancada de qualquer forma.’
Ele forçou o olhar para frente, tentando ignorar o desejo de se aproximar. Ter de suportar o ar estranho daquele espaço alheio enquanto esperava por um homem que não sabia quando apareceria fazia parte do preço que tinha de pagar. Talvez Nathaniel estivesse escondido em algum lugar, observando-o, esperando para ver o que ele faria quando o nervosismo finalmente o dominasse.
Chrissy deixou o olhar vagar até um quadro de um pintor famoso pendurado na parede. Foi então que um som veio do interior do apartamento, o som distinto e ritmado de uma bengala batendo no chão. Era um som tão peculiar que já se tornara uma espécie de marca registrada dele. Chrissy virou a cabeça, fixando o olhar na direção de onde vinha o ruído. Os passos eram firmes, nem rápidos nem lentos, e se aproximavam gradualmente.
Quando, finalmente, a figura de Nathaniel Miller surgiu por trás do painel, Chrissy apertou os punhos com força. Por um instante, quis correr, mas permaneceu onde estava, sustentando o corpo com toda a força das pernas. A aproximação do homem parecia um destino inevitável. Para conter o instinto de raiva, esforçou-se para lembrar o rosto do detetive Simmons, buscando um fragmento de autocontrole, e esperou, até que os passos cessaram e o homem abriu a boca.
— Promotor.
Os lábios de Nathaniel se moveram lentamente, deixando escapar a palavra que ele sempre usava para se referir a Chrissy. Ele ergueu o olhar, mantendo a expressão rígida, e respondeu com uma saudação formal:
— Boa noite. Obrigado pelo convite.
Falando com polidez, estendeu a mão e Nathaniel a apertou. Chrissy tentou retirar a mão logo em seguida, mas o homem a apertou com força, puxando-o para si. Surpreso, Chrissy arregalou os olhos e acabou sendo puxado de forma desajeitada. O corpo dele colidiu com o de Nathaniel, e sua bochecha foi pressionada contra o peito do homem. O único consolo foi que ele não gritou. Em vez de ficar furioso e perguntar o que ele estava fazendo, Chrissy mordeu o lábio inferior, suprimiu suas emoções uma vez e ergueu a cabeça.
— Não esperava esse tipo de hospitalidade.
A voz dele era seca, inalterada. Nathaniel estreitou os olhos, com uma expressão que lembrava um sorriso.
— Quis apenas confirmar se você não estava tremendo.
Então Nathaniel inclinou a cabeça e aproximou o nariz da bochecha de Chrissy. O sopro leve de sua respiração roçou na pele do promotor, provocando um leve arrepio. Chrissy não possuía nenhum cheiro de feromônio perceptível, e, ainda assim, o homem inalou lentamente, como se estivesse reconhecendo o aroma de um ômega, absorvendo o cheiro dele com atenção.
Quando achou que já havia permitido tempo suficiente para aquela aproximação, Chrissy deu um passo largo para trás e falou:
— Já confirmou inúmeras vezes que sou um beta, então acho que não há mais necessidade disso, certo?
Ele forçou um sorriso, erguendo levemente o canto dos lábios. Nathaniel, após uma breve pausa, retribuiu o gesto com um sorriso contido.
— Tem razão. Fiz algo desnecessário.
Depois de dizer isso, Nathaniel mudou o tom, deixando claro que estava encerrando a brincadeira.
— Então…
O sorriso desapareceu de seus lábios, e ele passou a observar Chrissy com olhos estreitos e avaliadores, como se estivesse sondando o fundo de seus pensamentos.
— Qual é o motivo da sua mudança de ideia?
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Continua…
Ler Fuja se puder Yaoi Mangá Online
m caso chocante acontece: um alfa, junto com seu grupo, estupra e assassina um ômega. O promotor encarregado do caso, Chrissy Jin, recusa qualquer acordo e decide levar o caso a julgamento, determinado a garantir uma punição adequada.
É nesse contexto que ele encontra pela primeira vez Nathaniel Miller, representante da maior firma de advocacia dos Estados Unidos, o Miller. Mas a arrogância de Nathaniel não lhe agrada em nada.
Pouco depois, ao voltar de um encontro com seus pais adotivos, Chrissy se envolve num acidente de trânsito: por azar, o carro em que bateu é justamente o de Nathaniel. Diante do valor absurdo do conserto, Chrissy não tem escolha a não ser ir até o homem para explicar sua situação, mas o lugar onde Nathaniel se encontra é, na verdade, uma festa de feromônios.
Lá, Chrissy quase acaba sendo violentado por Nathaniel, mas consegue atingi-lo com um caco de vidro e escapa. A partir desse incidente, a atitude de Nathaniel muda radicalmente: ele demite o advogado responsável pelo caso e decide assumir a defesa pessoalmente.
Os dois passam a se enfrentar no tribunal. No entanto, mesmo em meio a essa relação de hostilidade, Chrissy se sente estranhamente atraído por ele. Nathaniel, por sua vez, não disfarça seu interesse por ele. Em meio a essa tensão crescente, um dos membros do júri surpreende Chrissy com uma revelação inesperada….
Nome alternativo: Run Away If You Can