Ler Fuja se puder – Capítulo 66 Online
2| Filho da Lua.
O café no centro da cidade, famoso pelos sanduíches saborosos, continuava tão movimentado quanto sempre, cheio de pessoas indo e vindo. Chrissy havia chegado dez minutos antes do horário combinado, escolheu uma mesa e esperou calmamente pela outra pessoa. Quando já havia bebido metade do café que a garçonete trouxera, o homem apareceu.
Charlie Brown.
O homem, que claramente deve ter sofrido bullying na infância por causa do nome. Ele estava muito mais magro e com o rosto bem mais abatido do que antes. Chrissy se perguntou o que teria passado pela cabeça daquele homem quando soube que o julgamento – no qual testemunharia – havia sido cancelado.
— Obrigado por ter vindo.
Ao cumprimentá-lo primeiro, ele olhou em volta, parecendo ansioso, baixou a voz e falou:
— Por que continua me ligando? Eu já disse que não tenho mais nada a dizer.
— Eu sei, mas surgiram algumas novas dúvidas e…
— O caso já está encerrado! Por que continua me incomodando? Eu não quero mais falar sobre isso!
Antes que Chrissy pudesse terminar, Charlie explodiu em um grito abafado. Seu rosto vermelho e os olhos injetados de sangue passavam uma sensação estranha, de algo fora do normal. Chrissy calou a boca deliberadamente, esperando que o homem se acalmasse. Quando a respiração ofegante de Charlie finalmente desacelerou, ele voltou a falar.
— Vou fazer só mais uma pergunta. Prometo que não vou mais incomodá-lo.
— O quê agora?
Por fim, Charlie esfregou os dois olhos freneticamente com uma mão e perguntou, irritado. Chrissy, sem perder tempo, fez a pergunta com cuidado:
— O senhor conhece alguém chamado James Barry?
Charlie parou de se mover. Levantou o olhar por entre os dedos e encarou Chrissy.
— Quem…? James Barry?
— Sim, James Barry.
Ao enfatizar o nome mais uma vez, Charlie baixou as mãos lentamente e fez uma expressão confusa. Era uma expressão inocente, como se estivesse ouvindo o nome pela primeira vez, mas Chrissy, sem baixar a guarda, mudou a pergunta:
— Anthony Smith alguma vez frequentou um hospital em segredo? Ou teve algum problema de saúde?
— O que?
Charlie perguntou, surpreso novamente. Até então, essa linha de investigação nunca havia sido feita, então não havia registros. Se fosse James Barry, o médico, talvez houvesse algo nessa direção. Diante da pergunta de Chrissy, Charlie pareceu refletir por um momento e logo murmurou com uma voz hesitante:
— Não era um médico…
— Não era.
Chrissy o incentivou a continuar. Charlie olhou em volta, visivelmente desconfortável, e completou:
— Anthony às vezes procurava um sujeito… um cara envolvido com drogas. Se for esse cara, talvez ele saiba do que você está falando.
— Um viciado? Está dizendo um traficante? Alguém que vende drogas ilegais?
— Isso. — Charlie respondeu, balançando a cabeça com relutância, mas logo endireitou a postura e acrescentou com seriedade: — Mas eu não tenho nada a ver com isso. Nunca usei esse tipo de coisa.
— Eu sei. Não se preocupe, não vai acontecer nada com você. — garantiu Chrissy, com voz tranquila, tirando o celular do bolso. — Só preciso que o senhor me diga o nome e o número desse homem.
Charlie hesitou, levantando as mãos num gesto nervoso, mas acabou cedendo. Digitou o nome e o número no aparelho de Chrissy e empurrou-o de volta. Antes que o homem mudasse de ideia, Chrissy recolheu rapidamente o telefone e disse com calma:
— Agradeço por ter vindo hoje. Não vou mais incomodá-lo.
E então, ela pegou o sanduíche que havia encomendado antecipadamente, já embalado para viagem, e estendeu a ele.
— É um presente. Ouvi dizer que os sanduíches daqui são muito famosos. Não sabia se você tem alguma alergia, então pedi sem manteiga de amendoim.
Charlie olhou alternadamente para Chrissy e para o pacote, hesitando por um momento antes de pegá-lo.
— …Obrigado.
Com um cumprimento quase inaudível, levantou-se apressado e saiu do café levando o sanduíche embrulhado. Chrissy observou suas costas desaparecerem em poucos segundos, depois virou o copo e terminou o restante do café de um só gole antes de se levantar da cadeira.
***
— O quê? Bahamas?
Ao ouvir o apelido do traficante mencionado por Charlie, o detetive franziu o rosto e repetiu a pergunta para Chrissy, que assentiu enquanto tomava um gole de refrigerante.
— Sim. Ele disse que é um traficante. Você já ouviu falar?
— Hm… não parece ser um sujeito muito conhecido. Por que pergunta? Aconteceu alguma coisa?
Diante da pergunta óbvia, Chrissy esboçou um sorriso vago.
— Ainda estou investigando. Conto melhor quando tiver algo concreto.
O homem à sua frente, Simmons, era um dos detetives que haviam trabalhado no caso de Anthony Smith. Chrissy perguntou só por precaução, mas, como imaginava, o outro parecia não ter a menor ideia do que se tratava. Simmons inclinou a cabeça, observando-o, antes de comentar:
— Tenho ouvido dizer que o senhor anda cavando informações sobre o caso de Anthony Smith. Isso tem alguma relação?
Era claro que a pergunta já era esperada. Chrissy não disfarçou a expressão constrangida e respondeu:
— Pode ser que sim… ou não.
— Como assim?
A insistência era inevitável. Chrissy fez uma pausa breve antes de responder:
— Estou investigando outro caso, e como apareceu um nome relacionado a ele, só estou verificando para ver se há alguma conexão. Não quero ser pego de surpresa depois.
Diante do tom indiferente, Simmons assentiu.
— É, faz sentido.
Chrissy levou a lata aos lábios e comentou num tom preguiçoso:
— Parece que esse traficante também vendia alguma coisa para o Anthony… Se isso vier à tona, a situação pode ficar complicada.
— Complicada como?
Simmons perguntou com uma expressão surpresa. Chrissy franziu o rosto e resmungou:
— O caso já foi encerrado. Vasculhar tudo de novo não vai servir para nada. Se isso crescer, claro que nossa parte, que simplesmente abafou o caso, também será afetada, não? Só vou confirmar que não tem relação com o caso que estou investigando agora e vou deixar de lado.
— Ah… bem, pode ser…
Murmurou o detetive, sem parecer totalmente convencido. Simmons coçou o queixo coberto de barba, claramente pensativo. Bebeu um gole do refrigerante e, após refletir um instante, voltou a falar:
— Doutor… posso fazer eu mesmo uma investigação preliminar?
— Investigação?
Chrissy franziu o cenho. Envergonhado, Simmons explicou:
— Sim. O senhor já tem um caso nas mãos, então seria melhor concentrar-se nele. Eu posso cuidar disso e levantar informações sobre esse tal traficante. No fim das contas, é mais fácil para mim do que para o senhor.
— Claro que seria… Mas será mesmo necessário?
Chrissy intencionalmente adotou uma postura passiva e franziu as sobrancelhas.
— O senhor nem conhece o sujeito. Deve ser só um traficante de bairro qualquer, insignificante. Não vale a pena perder tempo com isso. Afinal, é um caso encerrado. Seria melhor simplesmente deixar para lá…
— Não, mesmo assim, acho melhor investigar.
Respondeu Simmons, agora com o rosto sério, passando a mão pela barba espessa.
— Já estou nessa profissão há trinta anos. Sei que vai rir se eu falar em ‘pressentimento’, mas até agora, esse meu instinto nunca esteve errado.
— E então?
— É que isso aqui tem um cheiro. Um cheiro de caso grande.
Era bem típico do detetive Simmons. Chrissy esboçou um leve sorriso, satisfeito por sua suposição estar correta, mas ainda assim preferiu não se comprometer tão facilmente.
— Mas o senhor também deve ter seus próprios casos para cuidar, não é? Além disso, ainda temos pouquíssimas pistas para pedir algo assim.
— Isso a gente vai descobrindo aos poucos. Vou investigar esse traficante primeiro. Se não encontrar nada, largo o caso de mão.
— Não há necessidade de chegar a tanto…
— Doutor, eu quero fazer isso.
Simmons interrompeu, dessa vez em tom firme.
Ele já vinha intrigado há um tempo. Na verdade, ele estava estranhando desde antes. Essa atitude indiferente não era de forma alguma característica do Chrissy que ele conhecia. Mesmo que o caso de Anthony Smith tivesse sido arquivado, era difícil imaginar Chrissy simplesmente desistindo assim.
— Claro, pode não ser nada. Mas se há algo suspeito, a gente precisa verificar, não acha? Promotor, o que está acontecendo? O senhor vai deixar esses canalhas soltos por aí? Hein?
— Calma, detetive. Um momento.
Chrissy o interrompeu, tentando acalmá-lo. Ele já contava com a natureza apaixonada de Simmons, mas não imaginava que o detetive morderia a isca tão rápido. Sentindo um leve peso na consciência, Chrissy suspirou e respondeu:
— Está bem. Faça do seu jeito. Provavelmente não vai dar em nada, mas de qualquer forma, vou aguardar.
— É isso que eu queria ouvir.
O detetive, assentindo com firmeza antes de amassar a lata vazia e jogá-la no lixo.
— Então basta encontrar o tal Bahamas e descobrir se ele realmente vendeu alguma droga para Anthony Smith, certo?
— Por enquanto, sim.
Chrissy confirmou, acenando com a cabeça.
— Se conseguir também a lista de clientes, seria ainda melhor.
— Entendi.
Diante do comentário adicional casual, o detetive logo acrescentou:
— Mas, se eu descobrir alguma coisa, o senhor vai ter que me contar afinal que caso é esse.
Chrissy apenas sorriu de forma ambígua, sem confirmar nem negar. Simmons, porém, não esperou resposta, virou-se e foi embora.
Sozinho, Chrissy tomou um último gole do refrigerante e se perdeu em pensamentos.
‘Nem eu mesmo sei que tipo de caso é esse ainda.’
Sentia-se confuso, mas sabia que precisava seguir em frente. O próximo passo era comparar as informações que Simmons trouxesse sobre Bahamas com os dados que ele próprio havia conseguido.
Enquanto caminhava de volta para o escritório, perguntou-se, curioso, que tipo de história aquele tal Bahamas contaria para cada um deles.
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Continua…
Ler Fuja se puder Yaoi Mangá Online
m caso chocante acontece: um alfa, junto com seu grupo, estupra e assassina um ômega. O promotor encarregado do caso, Chrissy Jin, recusa qualquer acordo e decide levar o caso a julgamento, determinado a garantir uma punição adequada.
É nesse contexto que ele encontra pela primeira vez Nathaniel Miller, representante da maior firma de advocacia dos Estados Unidos, o Miller. Mas a arrogância de Nathaniel não lhe agrada em nada.
Pouco depois, ao voltar de um encontro com seus pais adotivos, Chrissy se envolve num acidente de trânsito: por azar, o carro em que bateu é justamente o de Nathaniel. Diante do valor absurdo do conserto, Chrissy não tem escolha a não ser ir até o homem para explicar sua situação, mas o lugar onde Nathaniel se encontra é, na verdade, uma festa de feromônios.
Lá, Chrissy quase acaba sendo violentado por Nathaniel, mas consegue atingi-lo com um caco de vidro e escapa. A partir desse incidente, a atitude de Nathaniel muda radicalmente: ele demite o advogado responsável pelo caso e decide assumir a defesa pessoalmente.
Os dois passam a se enfrentar no tribunal. No entanto, mesmo em meio a essa relação de hostilidade, Chrissy se sente estranhamente atraído por ele. Nathaniel, por sua vez, não disfarça seu interesse por ele. Em meio a essa tensão crescente, um dos membros do júri surpreende Chrissy com uma revelação inesperada….
Nome alternativo: Run Away If You Can