Ler Fuja se puder – Capítulo 63 Online
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— Hm, hm, hm, hm…
O homem cantarolava uma melodia desconhecida enquanto andava de um lado para o outro pelo bar. Sentado no sofá, Chrissy o observava com o semblante confuso. O homem havia se oferecido para preparar algo para beber e, em seguida, dirigiu-se ao balcão. Movia-se com tanta naturalidade – pegando xícaras, fervendo a água, escolhendo o chá – que era fácil imaginar que morava ali.
‘Será que é da família…?’
A ideia lhe passou brevemente pela cabeça, mas ele logo descartou. Não havia qualquer vestígio de feromônio vindo dele. Além disso, seus cabelos – castanho claro – e os olhos de um tom azulado confirmavam que suas características genéticas eram diferentes das de Nathaniel.
‘Os filhos da família Miller são todos alfas dominantes…’
Então, aquele homem não tinha nenhum laço de sangue com Nathaniel. Mas, se era assim, porque agia com tanta liberdade dentro da casa dele?
— Aqui está.
— Obrigado.
O homem colocou diante de Chrissy uma xícara de café quente que ele mesmo havia preparado e, em seguida, pousou sua própria xícara de chá de ervas sobre a mesa antes de sentar-se à frente dele.
Seus traços suaves e o sorriso tranquilo tinham algo que fazia qualquer um baixar a guarda sem perceber. Chrissy, porém, achava impossível que alguém assim fosse um conhecido comum da casa de Nathaniel Miller. Levou a xícara aos lábios, fingindo beber, enquanto observava o outro discretamente.
Vestindo uma camisa velha e jeans também gastos, sua aparência era, à primeira vista, completamente inadequada para aquele lugar. Suas unhas limpas e bem cuidadas elevavam um pouco seu status, mas era tudo.
‘O que diabos um homem como esse está fazendo aqui?’
— O lavatório do banheiro estava com problema.
— Perdão?
Chrissy piscou, sem entender a súbita explicação. O homem riu levemente e continuou:
— A água não estava descendo direito, então vim dar uma olhada. Mas acabei cometendo um erro e levei um banho de água fria. Depois precisei limpar a bagunça, tomar um banho e aproveitei para lavar as roupas também…
— Ah entendo…
Chrissy balançou a cabeça, agora compreendendo. A situação, pelo menos, fazia sentido. Mas ainda restava a dúvida principal: quem exatamente era esse homem?
Se fosse alguém da família Miller, não estaria consertando pias.
E Nathaniel Miller, arrogante como era, considerava que até os modelos mais requisitados do mercado não estavam à sua altura. Então imaginar que ele tivesse alguma relação especial com um sujeito que consertava lavatórios era simplesmente impossível.
Mas, por outro lado… alguém que, de fato, fosse da empresa reconheceria esse homem.
O pensamento de Chrissy travou de novo. Como seria bom se pudesse simplesmente perguntar abertamente. Mas, por já ter dito antes que sabia, ele perdeu a chance. Uma pequena mentira impulsiva que custou caro demais.
‘Talvez haja um jeito de contornar isso.’
— Com licença… como devo chamá-lo? É que não cheguei a ouvir seu nome.
‘Assim está bom, é neutro o bastante.’
Felizmente, o homem manteve o mesmo sorriso tranquilo ao responder:
— Konnor Niles. Pode me chamar de Koy.
Parecia achar que Chrissy havia apenas esquecido o nome dele. Logo acrescentou, gentilmente:
— E como devo chamá-lo? Tenho certeza de que ouvi, mas… me esqueci. Desculpe.
A confirmação implícita de que sua suposição estava certa fez Chrissy sorrir profissionalmente ao responder:
— Chrissy Jin. Pode me chamar de Chrissy, ou Chris, como preferir.
— Chrissy, certo.
Ele assentiu, ainda sorridente, e perguntou com naturalidade:
— Aceita uns biscoitos? Ou talvez um pedaço de bolo?
— Não, está tudo bem. Isso aqui já é o suficiente.
Chrissy recusou o oferecimento com um sorriso gentil, mas a mente dele trabalhava a mil por hora.
‘Ele definitivamente não é parente do Nathaniel… Então, qual é exatamente a relação entre eles?’
‘Será que estou pensando demais?’
De repente, uma ideia lhe veio à cabeça. Para confirmar a suposição, ele esperou um momento e depois falou de forma casual:
— Isso acontece com frequência? Quero dizer, problemas nas instalações que exigem reparos?
— Ah, sim. Não é muito comum, mas acontece às vezes. — Koy respondeu sorrindo. — Mesmo uma casa boa como essa, de vez em quando as coisas dão defeito. No começo achei estranho também, mas a maioria dos problemas é simples de resolver. Esses pequenos consertos, eu mesmo costumo fazer.
‘Então é isso.’
Chrissy o observou, impressionado. Usar o banheiro e até a máquina de lavar depois de vir só para consertar algo exigia uma boa dose de ousadia. Mas, no fim das contas, o mundo estava cheio de tipos diferentes. Há criminosos que invadem uma casa não só para roubar, mas também para comer e até dormir.
‘Nathaniel Miller, sendo o homem meticuloso que é, provavelmente o mataria se descobrisse isso…’
Mas se até a equipe da empresa sabe e convive com isso, talvez seja algo tacitamente permitido. Além disso, é melhor lavar a sujeira e deixar a casa limpa antes de sair do que sair sujo pela entrada principal…
‘Mas será que Nathaniel Miller é alguém tão compreensivo assim? Difícil acreditar.’
Chrissy lançou outro olhar ao homem à sua frente. A pele dele era limpa, o olhar claro e sereno. O nariz tinha um formato bonito e proporcional, combinando perfeitamente com os lábios cor de cereja que esboçavam um sorriso ameno. Os ombros largos e firmes denunciavam que ele estava acostumado a trabalhos físicos, e os braços e pernas longos contrastavam com os dedos finos e elegantes.
‘Ele é mais o meu tipo do que o do Nathaniel, na verdade…’
A ideia surgiu de repente.
‘Se esse homem tivesse vindo consertar a minha pia, eu teria dado um jeito de seduzi-lo. E se ele não tiver nada de especial com Nathaniel, então que mal pode haver nisso?’
Quando a imaginação começou a fugir do controle, Chrissy respirou fundo e forçou a mente a esfriar.
‘Lembre-se do motivo de estar aqui. O importante é obter informações do Nathaniel Miller.’
‘Mas… não seria ruim pegar o número dele, certo?’
Pareceu uma boa ideia. Mais cedo ou mais tarde, haveria uma oportunidade. E quando ela surgisse, poderia se aproximar desse homem como quisesse. Não é todo dia que se encontra alguém que chame tanto a atenção.
Com o pensamento decidido, Chrissy tomou o resto do café de um gole só e estendeu discretamente a xícara vazia.
— Koy, poderia me servir mais uma? Parece que o senhor Miller vai se atrasar.
— Ah, claro. Já trago.
Koy pegou a xícara vazia e, enquanto se afastava, lançou-lhe um sorriso fácil.
— Posso dizer que todos os aparelhos desta casa estão sob o meu controle, sabia?
Chrissy devolveu o sorriso com leve ironia:
— Isso é muito reconfortante.
Koy começou a cantarolar de novo enquanto apertava os botões da cafeteira. Chrissy se levantou devagar e o observou por trás do balcão. As costas retas, as pernas longas… era uma visão agradável.
‘De onde ele tirou esse jeans horrível e folgado? Aposto que sem ele ficaria bem melhor.’
‘Queria arrancar essa calça velha e esfregar o pau dele…’
— Aqui está.
A voz repentina o fez voltar à realidade. De repente, Koy havia contornado o balcão e estava estendendo a xícara para ele. Chrissy arregalou os olhos, pego de surpresa, e depois forçou um sorriso meio desajeitado enquanto estendia a mão.
— A-ah, sim. Obrigado… ah! Está quente!
O movimento foi um segundo fora de tempo, a xícara inclinou-se e o café derramou. Ele tentou recuar, mas já era tarde: o líquido escuro descreveu um arco no ar e caiu sobre a camisa dele.
— Chrissy!
Chrissy soltou um grito, e Koy, completamente pálido, exclamou em desespero:
— Ah, meu Deus, o que eu faço?! Vai se queimar, tire logo essa roupa, rápido!
‘Será que é castigo por ter ficado imaginando coisas obscenas?’
Ele prensou, tentando apressadamente tirar a camisa molhada do corpo.
— E-espera, Koy, espere um pouco!
— Tem que tirar logo! Precisa esfriar a pele depressa!
— Eu disse para esperar um pouco, calma!
— Rááápido!
Antes que Chrissy pudesse reagir, Koy agarrou a camisa dele e a puxou com força. Chrissy empurrou seus ombros para tentar contê-lo, mas a camisa foi puxada e os botões voaram para todos os lados. Entre o esforço de Koy para despi-lo e a tentativa de Chrissy de afastá-lo, formou-se uma breve luta desajeitada – um empurra-empurra atrapalhado que terminou mal.
De repente, Chrissy perdeu o equilíbrio e caiu para trás.
— Ah!
— Uwah!
Ambos gritaram, assustados. Koy acabou caindo sobre ele, e os dois ficaram ali, jogados no sofá, confusos, tentando entender o que havia acabado de acontecer.
‘Mas o que diabos…’
Chrissy franziu a testa, soltando um gemido abafado. Nesse exato momento, uma voz fria cortou o ar.
— O que vocês estão fazendo?
Num instante, eles voltaram à realidade. No momento em que Chrissy, constrangido, virou a cabeça, seus olhos se encontraram diretamente com um par de olhos violeta que os observavam.
Nathaniel Miller estava diante deles, observando a cena com o rosto tomado por uma expressão gélida.
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Continua…
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m caso chocante acontece: um alfa, junto com seu grupo, estupra e assassina um ômega. O promotor encarregado do caso, Chrissy Jin, recusa qualquer acordo e decide levar o caso a julgamento, determinado a garantir uma punição adequada.
É nesse contexto que ele encontra pela primeira vez Nathaniel Miller, representante da maior firma de advocacia dos Estados Unidos, o Miller. Mas a arrogância de Nathaniel não lhe agrada em nada.
Pouco depois, ao voltar de um encontro com seus pais adotivos, Chrissy se envolve num acidente de trânsito: por azar, o carro em que bateu é justamente o de Nathaniel. Diante do valor absurdo do conserto, Chrissy não tem escolha a não ser ir até o homem para explicar sua situação, mas o lugar onde Nathaniel se encontra é, na verdade, uma festa de feromônios.
Lá, Chrissy quase acaba sendo violentado por Nathaniel, mas consegue atingi-lo com um caco de vidro e escapa. A partir desse incidente, a atitude de Nathaniel muda radicalmente: ele demite o advogado responsável pelo caso e decide assumir a defesa pessoalmente.
Os dois passam a se enfrentar no tribunal. No entanto, mesmo em meio a essa relação de hostilidade, Chrissy se sente estranhamente atraído por ele. Nathaniel, por sua vez, não disfarça seu interesse por ele. Em meio a essa tensão crescente, um dos membros do júri surpreende Chrissy com uma revelação inesperada….
Nome alternativo: Run Away If You Can