Ler Fuja se puder – Capítulo 61 Online
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‘Droga, isso está me deixando louco.’
Esfreguei meus olhos ressecados, engolindo o palavrão que quase escapou. Entre uma tarefa e outra, tentei combinar todas as pistas que eu tinha, mas não consegui descobrir mais nada. Quando o dia finalmente começou a escurecer, desisti. E, junto com isso, precisei admitir outra coisa: não havia outra saída além de conseguir novas pistas com Nathaniel Miller.
— Haa…
Um suspiro profundo escapou dos meus lábios. Fiquei imóvel por um tempo, com as mãos paradas no ar, até que tomei uma decisão e peguei o celular. Droga, por que eu fui rasgar o cartão dele?
O arrependimento veio tarde demais. Ao me lembrar que já havia jogado fora o cartão de visitas que ele me deu duas vezes, pude refletir mais uma vez sobre como eu tinha sido emocional. E também sobre o fato de que preciso ser mais racional do que o normal quando lido com aquele homem.
‘O jogo já começou.’
Quer eu quisesse ou não, não importava. Ele armou a armadilha e eu caí perfeitamente. Mas isso não significava que eu ficaria quieto esperando ser devorado.
Dizem que uma cobra engole sua presa de uma vez e espera que ela seja digerida.
Nada combina mais com aquele homem do que isso. Talvez fosse hora de mostrar a ele que algumas cobras morrem engasgadas por tentarem engolir algo grande demais.
— Então… se é assim… — murmurei de propósito, devagar, deixando o som sair entre os dentes.
Afinal, o que aquele homem queria era uma única coisa: diversão. Um homem que podia ter tudo – e já tinha tudo – só precisava de algo: alguém que o entretenha.
A “satisfação” de que Nathaniel Miller falava tinha exatamente esse sentido. Então, como eu poderia chamar a atenção dele?
Depois de pensar por alguns segundos, tomei coragem e disquei o número. Quando a secretária dele atendeu, respirei fundo e falei o que já tinha preparado:
— Gostaria de falar com Nathaniel Miller. Aqui é o promotor Chrissy Jin.
— Um momento, por favor.
A secretária respondeu com uma voz suave e profissional, depois desapareceu, deixando uma música tocar. Enquanto uma melodia clássica leve e elegante preenchia o silêncio, eu repassava mentalmente o que diria a Nathaniel. Segurava a caneta na mão e a girava nervosamente entre os dedos. Então, de repente, a música parou e o silêncio caiu.
‘Será que a ligação caiu?’
Franzi involuntariamente a testa quando, de repente, uma voz grave penetrou meu ouvido.
— Promotor.
Ao ouvir aquela voz caracteristicamente indolente, meu corpo inteiro ficou rígido instantaneamente. Como se ele estivesse vendo minha reação diante dele, ele continuou:
— Eu me lembro de ter lhe dado o meu cartão pessoal, mas, já que me ligou por esse número… imagino que o tenha jogado fora de novo, não é?
Havia um leve sorriso na voz dele do outro lado da linha.
‘Será que ele está se divertindo até com essa situação?’
Mesmo sem gostar daquela sensação, meu corpo reagiu de outro modo. O som da voz dele provocou um arrepio que percorreu minhas costas, fazendo meus ombros se encolherem – e, o pior, eu sabia perfeitamente que não era medo.
‘Droga…’
De repente, tive a impressão de sentir aquele aroma doce no ar, o mesmo de sempre, vindo dele. Só de ouvir a voz dele e reagir desse jeito… eu não era melhor que o cachorro de Pavlov.
Sentindo uma profunda frustração comigo mesmo, abri a boca para falar.
— Nós ainda temos algo pendente, não é? Quero te ver hoje.
— Hoje…
Ele repetiu o que eu havia dito e então calou-se. Aguardei com paciência durante o silêncio desconfortável que se seguiu. Talvez ele esteja verificando sua agenda. Ou talvez esteja tentando me deixar ansioso de propósito.
Um joguinho infantil, baixo, típico dele.
Não sei se foram segundos ou minutos, mas, de repente, Nathaniel Miller quebrou o silêncio:
— Hoje será difícil. Tenho uma reunião às dez.
— Dez? Da noite?
Sem querer, franzi a testa e perguntei. Quando me lembrei do que ele havia dito no dia anterior, sobre estar cansado porque estava ocupado, algo de repente passou pela minha mente.
— Então… devo esperar na sua casa?
Perguntei de propósito num tom mais baixo que o normal, quase sussurrando. Do outro lado da linha, não houve resposta. Nem mesmo o som da respiração. Após alguns segundos de silêncio intencional, continuei:
— Vai ser uma boa distração, o que acha? Vai acabar se arrependendo de ter ido a essa reunião.
Mais silêncio. Fingi calma, mas minhas mãos não conseguiam parar; eu girava a caneta sem parar entre os dedos, tentando conter a ansiedade.
— Ah…
Do outro lado do telefone, finalmente chegou uma voz misturada com riso.
— Já estou me arrependendo.
Ao ouvir aquilo, precisei me segurar para não gritar “Consegui!”. Em vez disso, joguei a caneta na mesa e cobri a boca depressa para conter um sorriso.
***
O edifício se erguia alto, olhando de cima para o grande parque símbolo da cidade, como se zombasse das pessoas que passavam lá embaixo. Como se dissesse: “Se é capaz, venha até aqui em cima.”
‘Um bloco de concreto tão arrogante quanto aquele desgraçado.’
Senti vontade de cuspir no chão, mas me contive e continuei andando a passos largos. Porém, o segurança que estava na entrada logo se colocou à minha frente.
— Em que posso ajudá-lo?
Apesar do tom educado, ele parecia totalmente disposto a me expulsar na hora. Eu tinha visto de relance um residente passando por ele sem qualquer problema. Olhei de volta para o segurança e falei:
— Sou o promotor Chrissy Jin. Vim encontrar Nathaniel Miller. — Tirei minha identificação do bolso do sobretudo e continuei: — Imagino que ele tenha avisado sobre a minha visita.
De repente, a atitude do segurança mudou completamente. O rosto fechado de repente clareou num sorriso e ele imediatamente esticou um braço em direção ao interior do prédio, respondendo com simpatia.
— Ah, sim, claro! Pode entrar. Já estávamos aguardando o senhor. Benjamin! O senhor Miller tem uma visita, por favor, acompanhe o convidado.
Um homem de cabelos grisalhos, que estava mais ao fundo, aproximou-se rapidamente. Seu sorriso era profissional.
— Boa noite, senhor. Já me avisaram da sua chegada. Sou Benjamin. Por aqui, por favor.
Indicando a direção com um gesto, o recepcionista começou a caminhar à frente, com passos leves e precisos. Enquanto eu o seguia pelo piso liso e brilhante – polido a ponto de refletir os rostos –, algumas pessoas passaram por nós. Eram o retrato da riqueza: roupas caras, perfumes finos, sorrisos seguros. Em contraste, eu vestia um sobretudo gasto e um terno barato. Talvez por isso, percebi seus olhares curiosos, alguns até voltavam o rosto para me encarar de novo. Em resposta, eu apenas sorria com naturalidade. Eles hesitavam por um instante, então retribuíam o sorriso de modo constrangido, antes de seguir adiante com um leve balançar de cabeça. Todos com a mesma reação. Quando percebi o padrão, deixei escapar uma risada baixa, e foi nesse momento que Benjamin encostou um cartão mestre no painel do elevador. Um bip suave soou, e as portas se abriram. Ele se virou e, com um gesto cortês, indicou para que eu entrasse primeiro.
Entrei, e ele deu um passo para trás. Ficou parado, ereto, com o mesmo sorriso profissional, observando até que as portas se fechassem por completo.
Só quando o elevador começou a subir é que eu finalmente soltei o ar preso.
— Haa…
Nunca tinha recebido um tratamento tão formal. O desconforto era quase físico. Foi então que percebi que havia esquecido de dar uma gorjeta. Mas, bom, já era tarde demais.
‘Tudo bem, vamos deixar para lá.’
O que importava agora era Nathaniel Miller.
Balancei a cabeça, tentando afastar as distrações. A verdade é que o que eu disse a ele antes não passava de um blefe. Não tinha nenhuma ideia de como surpreender aquele homem.
Talvez eu devesse simplesmente aparecer de mãos vazias e dizer:
‘Olha só, a surpresa é que não tem surpresa! Tcharam!’
Se eu fizesse isso, provavelmente seria arremessado da cobertura até a calçada em três segundos.
Suspirei fundo. Se ao menos aquele homem quisesse apenas o meu corpo, tudo seria muito mais simples. Mas não. Ele tinha que tornar tudo mais difícil — sempre escolhendo o caminho mais tortuoso.
— Haa…
Soltei um suspiro pesado. No mesmo instante, o som de chegada do elevador ecoou. Cobri o rosto com uma das mãos, depois abaixei e ergui a cabeça.
‘Certo… primeiro, vou fazer o que posso agora.’
Assim que abri a porta principal e entrei, joguei a pasta em cima do sofá e fui direto para o escritório no segundo andar. A intenção era revisar os documentos que, na noite anterior, eu tive que abandonar diante dos meus olhos…
— Droga!
Como eu já suspeitava, o escritório estava trancado. Claro, ele não seria o tipo de homem que cairia em um truque tão óbvio.
— Haa… — suspirei novamente, esfregando o rosto com as duas mãos de forma desesperada.
Foi nesse momento que pensei ter ouvido um som. Muito fraco, quase imperceptível. Fiquei imóvel, com o rosto ainda enterrado nas mãos.
‘Há alguém aqui.’
Um arrepio percorreu todo o meu corpo, cada fio de cabelo se eriçando com sensibilidade extrema. Inclinei-me um pouco, prestando atenção. O som continuava – baixo, ritmado – vindo de algum lugar mais ao fundo.
Quando levantei o olhar, meus olhos se voltaram naturalmente para a direção do quarto de porta fechada. O mesmo quarto onde eu havia dormido na noite anterior. O quarto de Nathaniel Miller, sem dúvida. Dei um passo. Depois outro. E outro. O som, antes distante, foi se tornando mais nítido à medida que eu me aproximava.
‘Será que é o Nathaniel lá dentro, ou…’
Parei diante da porta, com o coração acelerado. Mas minhas mãos hesitaram.
‘Devo bater? Sim… provavelmente. Não é como se eu fosse um ladrão. Talvez seja o próprio Nathaniel.. Sim, pode muito bem ser ele, quem sabe tivesse chegado antes de mim só para me pregar uma peça e ocupar o quarto de propósito. Nesse caso, eu…’
Levantei a mão, pronto para bater, mas acabei desistindo.
‘Se for o Nathaniel, talvez fosse melhor simplesmente abrir a porta e entrar de uma vez…’
Foi exatamente nesse momento
A porta se escancarou de repente, e um homem completamente nu saiu correndo lá de dentro. Nossos olhos se encontraram por um breve segundo, e antes que eu pudesse sequer reagir ou prender o fôlego de susto, ele gritou primeiro:
— AAAAAAAAH!
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Continua…
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m caso chocante acontece: um alfa, junto com seu grupo, estupra e assassina um ômega. O promotor encarregado do caso, Chrissy Jin, recusa qualquer acordo e decide levar o caso a julgamento, determinado a garantir uma punição adequada.
É nesse contexto que ele encontra pela primeira vez Nathaniel Miller, representante da maior firma de advocacia dos Estados Unidos, o Miller. Mas a arrogância de Nathaniel não lhe agrada em nada.
Pouco depois, ao voltar de um encontro com seus pais adotivos, Chrissy se envolve num acidente de trânsito: por azar, o carro em que bateu é justamente o de Nathaniel. Diante do valor absurdo do conserto, Chrissy não tem escolha a não ser ir até o homem para explicar sua situação, mas o lugar onde Nathaniel se encontra é, na verdade, uma festa de feromônios.
Lá, Chrissy quase acaba sendo violentado por Nathaniel, mas consegue atingi-lo com um caco de vidro e escapa. A partir desse incidente, a atitude de Nathaniel muda radicalmente: ele demite o advogado responsável pelo caso e decide assumir a defesa pessoalmente.
Os dois passam a se enfrentar no tribunal. No entanto, mesmo em meio a essa relação de hostilidade, Chrissy se sente estranhamente atraído por ele. Nathaniel, por sua vez, não disfarça seu interesse por ele. Em meio a essa tensão crescente, um dos membros do júri surpreende Chrissy com uma revelação inesperada….
Nome alternativo: Run Away If You Can