Ler Fuja se puder – Capítulo 60 Online
‘Que tipo de jogo esse homem está me propondo agora?’
Como o próprio Nathaniel disse, isso poderia facilmente custar a licença profissional dele. Era um assunto sério. E ainda assim, ele fez essa proposta? Sorrindo com tanta naturalidade?
Na verdade, ele parecia até entediado. Como se ser advogado não significasse nada para ele. Como se tudo aquilo não fosse mais importante do que apostar quem ganharia uma partida de basquete. A expressão dele não combinava em nada com a frase “estou arriscando minha licença”, não me contive e perguntei:
— Por que você está me fazendo essa proposta?
Enquanto eu esperava, ele estreitou lentamente os olhos alongados e disse:
— Porque estou entediado.
— …Hah.
Um suspiro escapou sem que eu percebesse. Então, algo que pode definir a vida de alguém, para ele, não passa de um passatempo para aliviar o tédio do dia a dia?
— Então é isso? Você quer que eu te entretenha ou algo assim?
Ao ouvir meu tom de voz que involuntariamente ficou áspero, Nathaniel Miller sorriu com um ar descarado enquanto acariciava a borda do copo de whisky.
— Eu já disse quais são as condições. — O dedo dele parou. Ele ergueu o olhar e me encarou. — Você acha que consegue me satisfazer?
Fiquei calado por um instante, sustentando o olhar dele. Aquilo era claramente um teste. “Até onde você pode ir em nome da justiça?” Era isso que ele parecia perguntar.
Ele queria que eu me ajoelhasse ali mesmo e lambesse seus pés? Era esse o “satisfazer” de que ele falava?
Ou será… algo mais que isso?
De repente, minha visão caiu sobre o balcão do bar. Imaginar meu corpo deitado ali, com as pernas abertas, não era difícil. Quando voltei a olhar para ele, nossos olhares se encontraram novamente. Franzi profundamente a testa e falei:
— Eu sou um promotor. Pare de falar besteira e me proponha algo que um promotor possa fazer.
Minha voz saiu dura, sem qualquer nuance sexual. Fria ao ponto de ser quase agressiva. E eu esperei, para ver o que ele diria agora.
Engoli seco sem perceber. Subitamente, os lábios de Nathaniel Miller se curvaram num amplo arco. No instante em que fiquei perplexo, ele de repente falou:
— James Barry.
— O quê?
O nome surgiu do nada, e eu repeti automaticamente. Mas ele apenas continuou sorrindo enquanto servia mais whisky. Fiquei parado ali, piscando, tentando processar.
‘James Barry… um nome de homem?’
Então eu me lembrei do que ele dissera antes:
“Cada vez que você me satisfizer, eu lhe darei uma pista.”
Minha mente ficou confusa por um instante.
‘Essa era… a pista? Assim, tão fácil? Por quê?’
Pisquei lentamente, confuso, até que uma resposta me ocorreu.
‘Será que ele ficou satisfeito por eu ter recusado?’
Então tudo começou a fazer sentido. Se eu tivesse me deitado no balcão, ele teria ficado decepcionado. O que ele queria não era o meu corpo – pelo menos não ainda. Ele queria me ver resistir. Queria ir descascando as camadas, uma por uma, como quem descasca uma fruta coberta por uma casca espessa.
— …Hah.
Uma risada curta me escapou.
‘Ele diz que quer transar comigo, mas se eu facilitar as coisas, ele perde o interesse? Que homem mais esquisito.’
Quando percebi que, no fim das contas, tudo acabou acontecendo do jeito que ele queria, uma onda de raiva me inundou. Em vez de explodir e despejar um monte de insultos, respirei fundo e falei o mais calmamente possível:
— Eu quero ir embora agora. Onde está minha calça?
Ergui propositalmente o queixo, como se aquilo tudo não significasse absolutamente nada para mim, e acrescentei:
— Não vai dizer que eu tenho que sair assim, vai?
— Imagina. Eu jamais faria uma coisa dessas. — Nathaniel respondeu imitando o meu tom de voz, com um sorriso misterioso nos lábios. — Eu sou do tipo que esconde as coisas boas para poder aproveitar sozinho.
Eu curvei um canto da boca e sorri de volta.
— Claro que é.
***
As roupas que eu estava usando antes de desmaiar estavam limpas e cuidadosamente dobradas, quando me foram devolvidas. Enquanto me vestia, senti o cheiro de um amaciante que nunca tinha sentido antes. Não sei que tipo de truque ele usou, mas minha camisa e a calça, que eram baratas, estavam surpreendentemente macias e leves contra a pele. ‘Definitivamente não eram assim antes.’ Me peguei olhando o tecido com estranheza.
— Terminou? Vou te levar.
Quando saí para o corredor, Nathaniel se levantou do sofá da sala e veio na minha direção. Ele, que tinha ido na frente sem me esperar, abriu a porta sem sequer olhar para as várias chaves de carro dentro de uma pequena caixa na entrada. Nesse meio-tempo, Nathaniel apertou um botão na parede e a porta da frente deslizou para os lados e desapareceu. Só então percebi que aquela porta deslizante era, na verdade, a porta do elevador. Como nunca tinha imaginado uma casa com essa estrutura, entrei no elevador com Nathaniel meio atordoado e fomos para algum lugar.
Descemos até o estacionamento. Olhei instintivamente os carros estacionados dos dois lados, e Nathaniel caminhou direto até um deles. Entrei do lado do passageiro e notei que a chave inteligente estava largada ali dentro. Franzi a testa e ele deve ter percebido, porque perguntou:
— O que foi? Não gostou do carro?
O tom dele dava a entender: Se não gostou, posso trocar agora mesmo. Eu balancei a cabeça, ainda com a testa franzida.
— Não é isso. É só que… você deixa a chave dentro do carro assim? Eu nem consigo imaginar. Entre ricos, não se roubam as coisas uns dos outros, é isso?
Falei com um amargor interior, mas, de repente, Nathaniel soltou uma risada. Surpreso com a reação inesperada, piscando os olhos, virei para olhá-lo. Ainda sorrindo, ele respondeu:
— Do que você está falando? Os ricos roubam coisas muito maiores. Caso contrário, como você acha que eles ficam ricos?
No sentido amplo da frase, ele estava certo. Mas, naquela situação específica… eu não tinha tanta certeza. Ainda assim, continuei:
— Mas deixar a chave no carro significa que vocês confiam que ninguém vai pegar. Não é isso?
Era impossível ele negar isso, então o encarei diretamente. Nathaniel respondeu com o sorriso ainda presente:
— Ah, nesse sentido, sim.
— Como assim ‘nesse sentido’?
Perguntei, desconfiado. Ele olhou para a frente e disse:
— Tenho certeza de que ninguém que mora aqui seria estúpido o bastante para invadir meu estacionamento e roubar um carro.
A frase fazia sentido. O problema era só uma palavra.
— Meu estacionamento?
Repiti exatamente como ele disse. Nathaniel assentiu com a cabeça. Olhei ao redor, depois olhei de volta para ele.
— Então você está dizendo que esse estacionamento inteiro é só seu? Todos esses carros… são seus?
— Sim.
Ele respondeu sem hesitar.
E eu fiquei sem palavras.
***
O “a família também usa as vezes” que ele mencionou antes se referia, na verdade, ao pai dele. Era sobre Ashley Miller. A residência principal da família ficava nos arredores da cidade, e aquele lugar era tipo uma casa de cidade, usada ocasionalmente quando vinham para a área. Enquanto estávamos no carro, ele me contou que, desde que assumiu o escritório de advocacia, estava usando o lugar como residência. Ele comentou que, às vezes, quando se ausentava, algum dos irmãos podia usar o lugar também – embora isso não fosse muito comum.
“Desde que a minha família não apareça, é até um lugar razoável.”
Foi assim que ele encerrou o assunto.
E aquela palavra “razoável” me irritou profundamente.
Razoável?
Razoável?
Um penthouse com vista para um parque e para o rio inteiro, um lugar que eu jamais imaginaria sequer pisar, quanto mais dormir dentro… e ele chamava aquilo de razoável? Sim. Razoável, claro.
Eu podia ironizar mentalmente o quanto quisesse, mas não mudava nada. No final, nascemos em realidades diferentes. Ficar remoendo inveja não mudaria a situação. O importante era lidar com o que estava diante de mim agora.
Assim que cheguei ao trabalho e vi a pilha de documentos acumulados na minha mesa, voltei imediatamente para a realidade. Enquanto lia os papéis dos novos casos que me foram atribuídos, minha mente escapava, de tempos em tempos, para o assunto Anthony Smith.
‘James Barry.’
‘Quem, afinal, é essa pessoa?’
Enquanto almoçava às pressas com um sanduíche, pesquisei o nome. Logo apareceram vários resultados. Entre eles, dois chamaram especialmente minha atenção.
O médico ou o escritor.
‘Qual deles?’
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Continua…
Ler Fuja se puder Yaoi Mangá Online
m caso chocante acontece: um alfa, junto com seu grupo, estupra e assassina um ômega. O promotor encarregado do caso, Chrissy Jin, recusa qualquer acordo e decide levar o caso a julgamento, determinado a garantir uma punição adequada.
É nesse contexto que ele encontra pela primeira vez Nathaniel Miller, representante da maior firma de advocacia dos Estados Unidos, o Miller. Mas a arrogância de Nathaniel não lhe agrada em nada.
Pouco depois, ao voltar de um encontro com seus pais adotivos, Chrissy se envolve num acidente de trânsito: por azar, o carro em que bateu é justamente o de Nathaniel. Diante do valor absurdo do conserto, Chrissy não tem escolha a não ser ir até o homem para explicar sua situação, mas o lugar onde Nathaniel se encontra é, na verdade, uma festa de feromônios.
Lá, Chrissy quase acaba sendo violentado por Nathaniel, mas consegue atingi-lo com um caco de vidro e escapa. A partir desse incidente, a atitude de Nathaniel muda radicalmente: ele demite o advogado responsável pelo caso e decide assumir a defesa pessoalmente.
Os dois passam a se enfrentar no tribunal. No entanto, mesmo em meio a essa relação de hostilidade, Chrissy se sente estranhamente atraído por ele. Nathaniel, por sua vez, não disfarça seu interesse por ele. Em meio a essa tensão crescente, um dos membros do júri surpreende Chrissy com uma revelação inesperada….
Nome alternativo: Run Away If You Can