Ler Fuja se puder – Capítulo 57 Online
— …Haa.
Mesmo tendo saído correndo, assim que cheguei ao corredor eu simplesmente perdi o fôlego. O lado direito do longo corredor tinha algumas portas, enquanto o lado esquerdo era delimitado por um parapeito de design simples, que dava diretamente para uma escada levando ao andar inferior. Apoiei a mão no corrimão e olhei para baixo – a altura era tamanha que me deu vertigem. No primeiro andar, sob um enorme lustre de cristal, estendia-se um tapete gigantesco, claramente bordado à mão, e sobre ele repousava uma mesa de mármore e um conjunto de sofás. Os móveis minimalistas e as obras de arte estavam organizados em intervalos irregulares e, ao mesmo tempo, perfeitamente harmoniosos, como se alguém tivesse calculado tudo com precisão. Por um instante, fiquei atordoado. Seria isso o que chamam de ‘arte do espaço’? Pensei pela primeira vez, mas não parou por aí.
Quando lentamente desviei o olhar e olhei para o lado oposto, percebi que, em vez de paredes, haviam enormes janelas que se estendiam até preencher todo o espaço, revelando o céu noturno sem fim e, logo abaixo, a cidade iluminada. A vista continuava até o segundo andar onde eu estava, de modo que a parede oposta ao quarto de onde saí também era parte desse mesmo panorama. Quem quer que tivesse projetado este lugar havia criado o espaço considerando também a paisagem noturna como parte dele. Era como se estivesse flutuando no céu.
‘Então é assim que esse homem vive, olhando para o mundo daqui de cima.’
Naquele momento, senti que talvez eu finalmente pudesse entender a arrogância de Nathaniel Miller. Desde muito jovem, ele deve ter vivido dessa forma, como algo perfeitamente natural. Considerando como seu por direito desde o nascimento. Algo que ninguém poderia tirar, que ele não precisaria se esforçar para proteger – simplesmente seu. O diploma de medicina, a sociedade no escritório de advocacia… Tudo obtido sem dificuldades. Para um homem como ele, a vida deve ser apenas…
‘Entediante.’
Quase pude ouvir a voz entediada de Nathaniel Miller ecoando em meus ouvidos. Ao mesmo tempo, senti um amargor na boca. Ele nunca perceberia o quanto essa indiferença era presunçosa.
‘Por isso…’
Endureci minha determinação mais uma vez e levantei a cabeça.
‘Por isso, eu não posso, de forma alguma, perder para ele.’
Não havia mais tempo a perder. Fiquei quieto e prestei atenção aos arredores, mas tudo que encontrei foi um silêncio mortal. Não sentia nenhum sinal de presença humana. Surpreendentemente, Nathaniel havia saído, me deixando sozinho. Uma oportunidade como essa não surgiria novamente. Uma chance de descobrir o significado do que ele havia dito.
Olhei rapidamente para baixo. O que haveria depois da sala de estar? Nunca tinha sequer visto um apartamento tão grande, quanto mais vivido em um. Era difícil imaginar a estrutura.
‘…Nesse caso.’
Examinei meu próprio estado. Ainda estava sem calças. Era vergonhoso, mas, por outro lado, era mais do que adequado para me aproveitar da situação.
“Estou procurando minhas calças”, eu diria.
Mas então franzi o cenho, irritado. O problema não era só a falta de calças. A camisa excessivamente grande cobria completamente minhas mãos. Eu, um adulto crescido, estava com a aparência de uma criança vestindo roupas de alguém mais velho, o que era extremamente desagradável, e ela escorregava o tempo todo. Não era difícil saber de quem era aquela camisa. Embora fosse um fato desagradável, Nathaniel Miller havia tirado toda minha roupa e me vestido com sua própria camisa. Quanto às calças, eu poderia chegar à conclusão razoável de que era porque não havia nenhuma adequada ao meu tamanho, mas não conseguia me livrar da sensação de que havia sido intencional de alguma forma. Era absurdamente embaraçoso perambular pela casa de alguém nesse estado, mas ficar de mãos atadas faria ainda menos sentido.
‘A biblioteca, provavelmente.’
Não era difícil imaginar Nathaniel trazendo trabalho do escritório para lidar em casa. Talvez ele estivesse trabalhando no estudo neste momento. Mesmo assim, eu tinha uma desculpa plausível.
Respirei fundo e comecei a procurar, quarto por quarto.
Toquei a porta, esperei alguns segundos e abri – outro quarto. Talvez conectado ao que eu estava antes, mas isso não importava. Fechei. Passei para o próximo. Depois outro.
E então, quando finalmente abri a última porta, no fim do corredor do segundo andar, um suspiro escapou de mim.
‘Claro. O que procuramos sempre aparece por último.’
Senti um gosto amargo, mas não havia tempo para lamentar.
Entrei apressado e olhei rapidamente ao redor. Uma estante repleta de livros e pastas ocupava uma das paredes . A grande mesa de nogueira, logo à frente, estava posicionada de costas para a imensa janela que emoldurava a vista da cidade. O tampo da mesa curvava-se em um arco suave, desenhado para que, durante o trabalho, fosse possível levantar os olhos e descansar observando a paisagem lá fora.
‘Isso também deve ter sido feito sob encomenda.’
Por um instante, senti algo próximo da inveja. Mas logo lembrei a mim mesmo da realidade: eu jamais poderia ter sequer uma mesa daquelas.
Mais importante do que isso, porém, era o motivo pelo qual eu estava ali.
Dei a volta pela mesa e liguei o computador. Enquanto ele inicializava, meus olhos iam e vinham da tela para a porta. Eu a havia deixado propositalmente entreaberta – para ouvir qualquer som que indicasse alguém se aproximando. Não importava o que dissesse, ninguém acreditaria que eu estava ali apenas procurando uma calça. Seria melhor dizer que estava procurando um livro. Por isso, retirei qualquer livro da estante e o deixei aberto sobre a mesa, tentando parecer natural enquanto voltava os olhos para a tela do computador.
— Merda!
Claro que estava bloqueado. Eu não sabia nada que pudesse me ajudar a descobrir a senha. Naquele momento percebi que nem ao menos sabia a data do aniversário de Nathaniel.
Sem escolha, desliguei o computador e comecei a vasculhar a estante. Talvez houvessem arquivos sobre o caso. Essa esperança me fez revirar tudo, ansioso, até que…
— Ah.
Um som de surpresa escapou involuntariamente dos meus lábios. Em uma das seções da estante, havia uma fileira de pastas pretas. Nas lombadas, estavam escritas simplesmente letras como <A>, <B>, <C>, e assim por diante. Ao ver aquelas pastas organizadas em ordem, senti um frio no coração.
Anthony Smith.
Com o nome dele vindo à mente, puxei rapidamente a primeira pasta. Como eu esperava, ela continha uma grossa pilha de documentos encadernados junto a fotografias de identificação. ‘Uma caixa de Pandora.’ Era exatamente isso.
Virei as páginas com pressa, procurando por “Anthony”. Anita Murray, Anthony Hall…
Finalmente. Minhas mãos tremeram ao virar para a página seguinte…
Foi nesse exato instante que um perfume doce, familiar e frio, envolveu o ar ao meu redor. Um arrepio percorreu minha espinha. Eu congelei. E então, a voz grave e arrastada caiu sobre minha orelha.
— Promotor.
Sem que eu percebesse, Nathaniel estava inclinado sobre mim, sussurrando tão perto que a respiração dele roçava minha pele.
— O que exatamente está fazendo aqui?
Um fio de suor gelado correu pelas minhas costas. Sem querer, engoli seco, com um som audível.
Um silêncio desconfortável e gélido tomou conta do ambiente. Eu tinha preparado inúmeras desculpas, mas naquele momento nenhuma servia. Nenhuma.
‘Como eu não ouvi ele se aproximar?’
‘Não fazia sentido. Como um homem desse tamanho podia se mover sem fazer nenhum barulho? Mas pensar nisso não importa agora, eu preciso pensar numa saída. Uma frase. Qualquer coisa.’
Antes que pudesse falar, Nathaniel estendeu a mão e tomou a pasta das minhas mãos. Eu só consegui observar, impotente, enquanto ele a devolvia calmamente ao lugar.
— Haa…
Por fim, soltei um suspiro e tomei minha decisão. Não havia como contornar aquilo. A única saída era encarar de frente. Dei um passo para trás e me virei para encará-lo.
Mas me arrependi no mesmo instante.
Atrás de mim agora só havia uma estante. Na minha frente, Nathaniel estava parado como uma parede. E quando ele apoiou a mão no móvel atrás de mim, seus braços me cercaram por completo.
Eu estava preso.
Nem respirar eu conseguia direito. Apenas o encarei, imóvel, enquanto ele inclinava levemente a cabeça.
— Promotor
Ele falou em tom baixo, então a sombra de um sorriso tocando seus lábios.
— O que estava fazendo na minha biblioteca?
O aroma doce no ar ao redor tornou-se ainda mais denso.
°
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Continua….
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m caso chocante acontece: um alfa, junto com seu grupo, estupra e assassina um ômega. O promotor encarregado do caso, Chrissy Jin, recusa qualquer acordo e decide levar o caso a julgamento, determinado a garantir uma punição adequada.
É nesse contexto que ele encontra pela primeira vez Nathaniel Miller, representante da maior firma de advocacia dos Estados Unidos, o Miller. Mas a arrogância de Nathaniel não lhe agrada em nada.
Pouco depois, ao voltar de um encontro com seus pais adotivos, Chrissy se envolve num acidente de trânsito: por azar, o carro em que bateu é justamente o de Nathaniel. Diante do valor absurdo do conserto, Chrissy não tem escolha a não ser ir até o homem para explicar sua situação, mas o lugar onde Nathaniel se encontra é, na verdade, uma festa de feromônios.
Lá, Chrissy quase acaba sendo violentado por Nathaniel, mas consegue atingi-lo com um caco de vidro e escapa. A partir desse incidente, a atitude de Nathaniel muda radicalmente: ele demite o advogado responsável pelo caso e decide assumir a defesa pessoalmente.
Os dois passam a se enfrentar no tribunal. No entanto, mesmo em meio a essa relação de hostilidade, Chrissy se sente estranhamente atraído por ele. Nathaniel, por sua vez, não disfarça seu interesse por ele. Em meio a essa tensão crescente, um dos membros do júri surpreende Chrissy com uma revelação inesperada….
Nome alternativo: Run Away If You Can