Ler Fuja se puder – Capítulo 55 Online

Modo Claro

‘Por que esse homem veio até aqui?’

Foi a única coisa que consegui pensar, depois de alguns segundos de silêncio. Minha cabeça estava pesada, a febre martelava sem parar, e eu mal tinha forças para ficar de pé. Pisquei devagar, sem energia, e perguntei com a voz que parecia sumir:

—… O que foi? O que está fazendo …?

Nathaniel Miller falou em resposta à minha voz que sumia, como a de um moribundo.

— Então você estava em casa, como eu pensei.

Ele disse isso como se fosse óbvio. Eu soltei um suspiro curto, quase um lamento.

— Em geral, uma situação dessas significa que não está em condições de receber visitas.

Ou seja: vá embora. Mas ele não mostrou a mínima intenção de ir. Pelo contrário – ele lançou um olhar significativo para dentro do meu estúdio por cima da minha cabeça, e voltou a olhar para mim, sorrindo daquele jeito leve, provocador.

— Eu disse, não disse? Não me importo, mesmo que seja a três.

Involuntariamente, franzi a testa.

— Do que você está falando?

Minha voz saiu arrastada. Sem conseguir me segurar, apoiei o ombro na porta e ergui o olhar para ele. Pela primeira vez, Nathaniel pareceu um pouco intrigado.

— Não estava… se divertindo com alguém?

— O quê…

Fiquei pasmo, mas não tinha energia para ser sarcástico. Em vez disso, soltei apenas um suspiro e cobri a testa com uma das mãos. Demorei um instante para entender o significado do que ele disse. Ou seja, ele achou que eu estava com outro homem. Por isso tinha tocado a campainha tão insistentemente…

Mas mesmo assim, por que teria insistido tanto? Será que esse homem veio até aqui só para transar comigo…?

— Espera, ei…

Enquanto eu ainda tentava organizar os pensamentos, Nathaniel simplesmente passou por mim e entrou, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Outra vez. Eu só consegui parar no mesmo lugar de ontem, olhando sua silhueta percorrer meu apartamento com calma.

‘Esse desgraçado.’

Cerrando os dentes, fechei a porta. Meu corpo estava pesado, minha cabeça latejava, mas eu ainda assim disparei:

— Você nunca aprendeu o que é educação? Para entrar na casa de alguém, primeiro se pede permissão.

Minha voz estava tão rouca e fraca que nem serviu para intimidar ninguém. E claro, Nathaniel respondeu tranquilamente, sem se abalar:

— Fingir que não está em casa também não é muito educado.

— Eu estou doente.

Explodi de frustração.

— Por que mais eu estaria em casa a essa hora? Acha mesmo que voltei cedo só para transar?

Ele permaneceu perfeitamente calmo enquanto devolvia:

— Ontem você também disse que estava doente e faltou ao trabalho, não foi?

Por um instante, fiquei sem palavras. A consequência de uma única mentira estava cobrando juros.

Ele realmente não acreditava que eu estava doente ontem – por isso trouxe champanhe. E eu realmente não estava doente naquele momento. Mas hoje… hoje eu estava à beira do colapso.

‘Eu mereço.’

Um gemido escapou dos meus lábios. Hoje, eu realmente não tinha forças, e a mentira de ontem só tornava tudo pior.

— Hoje é verdade.

Eu murmurrei, sem ânimo. Até eu mesmo não sentia nenhuma credibilidade nessas palavras, mas mesmo assim precisava dizê-las.

— Eu realmente estou doente. Eu peguei uma gripe, estou falando a verdade.

Insisti mais uma vez, mas não adiantou. Nathaniel respondeu como se não fosse nada demais:

— É só um resfriado.

— …Ha.

Deixei escapar um suspiro incrédulo. Eu tinha esquecido.

‘Esqueci que tipo de pessoa esse desgraçado é.’

Os Alfas dominantes não pegam resfriados. Eles têm imunidade excepcional não só a resfriados, mas a todas as doenças. Ouvi dizer que, quando envelhecem e a intensidade dos feromônios diminui,  às vezes podem ficar doentes, mas mesmo assim a probabilidade não se compara à de uma pessoa comum. Por causa disso, eles viviam mais e mantinham a juventude por mais tempo.

Embora eu achasse que era uma constituição sortuda em vários aspectos, numa situação como essa, me sentia injustiçado. Ele só teve a sorte de nascer com esse gene, e mesmo assim a dificuldade da vida era tão diferente.

Pensar nisso me fez ferver por dentro.

— Vai embora. Eu não estou afim de transar com você nem com ninguém agora. Você não entendeu? Eu estou doente. “É só um resfriado”? Você nunca teve essa merda na vida, seu… que diabos, de onde vem essa arrogância… seu maldito…

— Chrissy Jin?

De repente, senti como se meu corpo estivesse flutuando no ar. Nathaniel chamou meu nome com um rosto surpreso, mas logo aquela imagem também desapareceu da minha vista, e minha consciência apagou completamente.

 

***

‘…Que aconchegante.’

Algo macio e confortável me envolvia. Um aroma agradável e suave parecia pairar no ar. Soltei um suspiro satisfeito e virei de lado. Foi então que senti uma sensação fria e lisa em minha bochecha, como nunca havia experimentado antes.

‘…Quê?’

Com muito esforço, abri os olhos e olhei ao redor, confuso. O que eu via era um lugar totalmente desconhecido. Começando pelo teto alto, que não tinha comparação com o meu estúdio miserável, o tamanho do quarto era surpreendentemente grande. As paredes azuis-claras pareciam frias à primeira vista, mas também davam uma sensação refrescante. E a cama… Deus. A cama era tão confortável que eu pensei, por um momento, que ainda estava sonhando. Passei a ponta dos dedos pelo lençol e, então, notei o cateter preso ao meu braço. Segui com os olhos a longa linha transparente para cima e vi um soro, pingando líquido regularmente.

‘Mas o que…?’

Olhei desesperadamente ao redor. Pela janela enorme, só se via o céu. Os móveis minimalistas, o tamanho da cama. Não – isso certamente não era um hospital.

‘Então onde eu estou?’

Tentei me levantar rápido e logo a tontura me derrubou de volta. Uma dor de cabeça terrível latejou. Cerrei os dentes, tentando resistir, quando ouvi alguém bater levemente na porta, eu virei, tenso. Então, ela se abriu.

E logo alguém que eu jamais teria imaginado entrou.

— Já acordou.

Nathaniel murmurou com sua expressão habitual e inexpressiva, e então se aproximou. Uma mão apoiada na bengala, a outra carregando uma bandeja, a imagem era estranhamente inusitada.

Eu só consegui arregalar os olhos, sem saber o que dizer. Ele ajustou o soro com movimentos tão naturais, tão tranquilos, e então perguntou, olhando para mim de cima:

— Está se sentindo melhor? Eu trouxe algo para comer.

Eu não sabia por onde começar. Eram surpresas demais. Sentei-me com dificuldade, ainda febril, e perguntei, cauteloso:

— O que… aconteceu? Que lugar… é esse?

Minha boca estava seca, e as palavras saíram em intervalos. Mas, no final, eu perguntei o que realmente precisava perguntar:

— Por acaso… esse lugar é a sua casa?

Ainda não queria acreditar. Mas ele respondeu, sem hesitar:

— Aquele buraco de rato é muito pequeno para mim.

— …O quê.

Fiquei atônito e mal consegui soltar aquela única palavra. Quando se tem muito a dizer, acaba não dizendo nada.

Nathaniel colocou a bandeja na mesa ao lado e continuou:

— Beba um pouco de água. Hidratação ajuda. É melhor tomar o remédio depois que o soro acabar. Sua garganta está bem inflamada, mas quando a febre baixar, vai melhorar. Dois ou três dias serão suficientes.

Assistir ele falar daquele jeito… me deixou com um sentimento estranho.

‘Quando alguém fica doente, o normal não é levar ao hospital? Por que ele me trouxe para a casa dele? E ainda por cima dar lição de moral assim.’

Minha irritação deve ter sido óbvia, porque ele riu de leve.

— Não sabia? Eu tenho licença médica.

A frase me pegou totalmente desprevenido.

— Então… foi você quem colocou o soro?

Levantei o braço com o cateter.

— A localização da maioria dos vasos sanguíneos é mais ou menos a mesma, então não foi difícil.

Dessa vez também, ele respondeu de forma simples. Mas, por mais estranho que pareça, embora seu tom fosse casual, como se isso realmente não fosse nada demais, isso só o fez parecer mais arrogante.

Como se dissesse: Isso é o mínimo. Vocês meros mortais que são extremamente incompetentes.

 

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°

Continua…

 

 

 

Ler Fuja se puder Yaoi Mangá Online

m caso chocante acontece: um alfa, junto com seu grupo, estupra e assassina um ômega. O promotor encarregado do caso, Chrissy Jin, recusa qualquer acordo e decide levar o caso a julgamento, determinado a garantir uma punição adequada.
É nesse contexto que ele encontra pela primeira vez Nathaniel Miller, representante da maior firma de advocacia dos Estados Unidos, o Miller. Mas a arrogância de Nathaniel não lhe agrada em nada.
Pouco depois, ao voltar de um encontro com seus pais adotivos, Chrissy se envolve num acidente de trânsito: por azar, o carro em que bateu é justamente o de Nathaniel. Diante do valor absurdo do conserto, Chrissy não tem escolha a não ser ir até o homem para explicar sua situação, mas o lugar onde Nathaniel se encontra é, na verdade, uma festa de feromônios.
Lá, Chrissy quase acaba sendo violentado por Nathaniel, mas consegue atingi-lo com um caco de vidro e escapa. A partir desse incidente, a atitude de Nathaniel muda radicalmente: ele demite o advogado responsável pelo caso e decide assumir a defesa pessoalmente.
Os dois passam a se enfrentar no tribunal. No entanto, mesmo em meio a essa relação de hostilidade, Chrissy se sente estranhamente atraído por ele. Nathaniel, por sua vez, não disfarça seu interesse por ele. Em meio a essa tensão crescente, um dos membros do júri surpreende Chrissy com uma revelação inesperada….
Nome alternativo: Run Away If You Can

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