Ler Fuja se puder – Capítulo 54 Online

Modo Claro

***

— Meu Deus, promotor. O que aconteceu com o senhor?

Assim que viu meu rosto, a promotora assistente se assustou. Era uma reação mais que compreensível. Eu tinha passado a noite inteira com febre, gemendo e mal conseguindo me mover, e mesmo assim consegui chegar no trabalho a tempo. Meu cabelo estava bagunçado para todos os lados, o terno amassado, eu nem tinha conseguido dar um nó na gravata, e três botões da camisa branca continuavam abertos. Enquanto eu entrava na sala e tirava a gravata amassada da pasta para colocar no pescoço e tentar me arrumar, ela deixou um café sobre a mesa.

— O senhor está péssimo. Não devia ter descansado mais?

Com uma expressão preocupada, ela perguntou isso, e eu só consegui sorrir sem graça. ‘É um castigo.’ Esse pensamento martelava na minha cabeça. E os motivos eram muitos. O pecado de ter mentido que estava doente para faltar ao trabalho sem um motivo específico, a idiotice de ter transado com qualquer um num ato de desespero, e ainda por cima o fato de esse “qualquer um” ter sido justamente aquele desgraçado do Nathaniel Miller…

Quanto mais eu tentava listar, mais a autoaversão só aumentava, então desisti. Em vez disso, tomei três xícaras do chá de ervas que ela preparou especialmente para mim e tentei começar o trabalho – mas o desastre não acabou aí. O canto dos meus lábios estava rachado, e toda vez que eu abria a boca a ferida ardia, fazendo um gemido escapar. Mesmo com pomada, parecia que eu ia sofrer por dias, e enquanto a febre não cedia, meu corpo parecia derreter de cansaço.

— Melhor tomar chá de ervas mesmo.

Talvez minha aparência estivesse ainda pior agora, porque ela tirou meu café, que eu nem tinha bebido metade, e voltou com outra xícara de chá.

— Organizei os contatos de ontem.

Ela colocou o chá e depois um bilhete escrito à mão na minha frente. Eu não respondi; apenas tomei o chá quente de uma vez, soltando um suspiro pesado de alívio. Com as pálpebras pesadas e quentes pela febre, olhei para o bilhete sem pensar, mas então parei subitamente.

— Aquele fi… quer dizer, o Miller ligou?

Ao ouvir minha pergunta, ela abriu a boca como se tivesse acabado de lembrar:

— Ah, sim. Ele ligou. O senhor Nathaniel Miller. O advogado.

Aquele nome forçou a entrada na minha mente, entorpecida pela febre. Franzi a testa e olhei para ela, e a assistente explicou brevemente a situação.

— Eu disse que o senhor tinha tirado licença porque estava gripado, e ele só disse “entendi” e desligou. Não disse mais nada.

Demorei um pouco para responder:

— Gripado. Então você disse que eu estava doente, certo?

— Sim. …Eu deveria ter dito algo diferente?

Ela perguntou com um toque de insegurança, e eu balancei a cabeça lentamente.

— Não. Só estava confirmando. Certo, isso é tudo?

— Sim. As outras ligações estão anotadas do lado do nome.

— Entendi.

Assenti, e ela, observando meu humor com cuidado, acabou saindo da sala. Assim que ouvi a porta se fechar, finalmente pude soltar um longo e amargo suspiro.

‘Ela disse que eu estava doente, e mesmo assim ele apareceu com champanhe?’

Quanto mais pensava, mais absurdo parecia. Era quase como se ele soubesse que eu estava fingindo. Mas isso era impossível.

‘Então ele simplesmente não se importava se eu estava doente? Ou veio só para me ridicularizar?’

Os pensamentos se atropelavam, mas eu não conseguia chegar a conclusão alguma, e também não tinha energia para desperdiçar com isso. Engoli o chá de ervas de uma vez e agarrei os documentos. De qualquer forma, eu já estava pagando caro o suficiente pela pequena mentira. Não havia motivo para continuar pensando nele.

Tentei esvaziar a mente e focar no trabalho. Mas quando percebi que estava lendo a mesma linha pela quinta vez, tudo o que consegui fazer foi soltar um gemido de frustração e tombar a cabeça sobre a mesa.

À tarde, meu estado piorou tanto que as letras nem sequer conseguiam entrar na minha cabeça. Eu já não conseguia ler nada. Por fim, a assistente, não aguentando mais olhar para mim daquele jeito, trouxe água morna no lugar do chá de ervas e disse:

— Acho melhor o senhor descansar, promotor. Forçar a barra e vir trabalhar não vai curar sua doença nem resolver o caso. Na verdade, só vai perder mais tempo e acabar piorando ainda mais.

Ela estava certa. Tudo o que eu estava conseguindo era prolongar minha própria miséria. Molhei a boca seca com a água morna e soltei um suspiro pesado.

— Vou sair mais cedo hoje. Vou indo, até amanhã.

— Não se force amanhã também. Veja primeiro como vai estar antes de vir.

Deixei o comentário preocupado dela para trás e saí do escritório. Depois disso, minha memória ficou embaralhada. Lembro vagamente de ter cambaleado até a estação e pegar o metrô, mas acho que adormeci assim que sentei. Por sorte, consegui acordar na estação certa e caminhar até em casa meio dormindo. O verdadeiro milagre foi não ter sido assaltado no caminho. Depois de errar o código da porta do prédio três vezes, consegui finalmente entrar. Verifiquei se o celular e a carteira ainda estavam no bolso do casaco, e por um instante, cheguei até a admirar minha própria sorte.

‘Vamos lá, não pense em mais nada.’

Os remédios que eu tinha em casa estavam vencidos fazia três meses. Não tinha energia para ir comprar outros, então só tomei mesmo assim, com água da torneira. O apartamento, que era apertado, parecia enorme e vazio naquela hora. Tropeçando de cansaço, consegui chegar na cama, tirei o casaco e o paletó de uma vez só e joguei tudo no chão. Deitei e fechei os olhos.

‘Assim, ficou um pouco melhor. Eu devia ter ouvido a assistente antes. Fuuh…’

Respirei fundo e tentei dormir. Se eu dormisse um pouco, talvez melhorasse…

Ou pelo menos foi o que pensei, mas…

Um som distante começou a ecoar, como um sinal fraco vindo de muito longe. Minhas sobrancelhas se moveram por reflexo, mas meu corpo não reagiu. Eu continuei deitado, queimando de febre, quando o som voltou. Dessa vez mais claro. Na terceira vez, finalmente percebi que era a campainha da porta.

‘Quem diabos…?’

Não tinha absolutamente ninguém que deveria vir me procurar. Vendedor? Zelador? Não importava. Eu não estava em condições de lidar com ninguém. Se ignorasse, iam desistir eventualmente, ou assim eu pensei.

— Caralho…

Depois de não sei quantas vezes, a campainha me arrancou da inconsciência de vez. Eu xinguei alto. Que tipo de lunático insistia tanto assim na campainha de um apartamento vazio? A pessoa não cogitava que talvez não houvesse ninguém em casa? Era louco ou só idiota? Eu já pensava em qual insulto gritar quando chegasse à porta.

Rangendo os dentes, cambaleei até a entrada. A febre me fez quase cair duas vezes, mas me apoiei nas paredes, firme, movido apenas pela fúria. A campainha continuava tocando – sem parar – até o momento em que agarrei a maçaneta.

Eu abri a porta e berrei:

“Seu filho da puta, SUMA DAQUI!’”

…Ou pelo menos foi o que tentei. Minha voz estava tão rouca e falhada que saiu como um mosquito morrendo no ouvido de alguém. Fiquei chocado por dentro com o som fraco que saiu.

Mas o verdadeiro choque estava do outro lado da porta.

O homem que apertava a campainha me encarou de cima. A mão dele ainda estava pousada no botão, que continuava tocando lá no fundo, como um eco distante. Ele encontrou meus olhos, e então esticou os lábios em seu sorriso característico, leve.

— Boa noite, promotor.

A voz baixa de Nathaniel Miller misturou-se ao som da campainha. Eu só pisquei, atordoado, sem conseguir reagir. Ele continuou, calmo, como se tudo estivesse perfeitamente normal.

— Hoje o senhor também parece ótimo.

Só então ele tirou a mão da campainha. O som, que parecia eterno, desapareceu de repente. Um silêncio constrangedor pairou entre nós.

 

 

°

°

Continua…

 

Ler Fuja se puder Yaoi Mangá Online

m caso chocante acontece: um alfa, junto com seu grupo, estupra e assassina um ômega. O promotor encarregado do caso, Chrissy Jin, recusa qualquer acordo e decide levar o caso a julgamento, determinado a garantir uma punição adequada.
É nesse contexto que ele encontra pela primeira vez Nathaniel Miller, representante da maior firma de advocacia dos Estados Unidos, o Miller. Mas a arrogância de Nathaniel não lhe agrada em nada.
Pouco depois, ao voltar de um encontro com seus pais adotivos, Chrissy se envolve num acidente de trânsito: por azar, o carro em que bateu é justamente o de Nathaniel. Diante do valor absurdo do conserto, Chrissy não tem escolha a não ser ir até o homem para explicar sua situação, mas o lugar onde Nathaniel se encontra é, na verdade, uma festa de feromônios.
Lá, Chrissy quase acaba sendo violentado por Nathaniel, mas consegue atingi-lo com um caco de vidro e escapa. A partir desse incidente, a atitude de Nathaniel muda radicalmente: ele demite o advogado responsável pelo caso e decide assumir a defesa pessoalmente.
Os dois passam a se enfrentar no tribunal. No entanto, mesmo em meio a essa relação de hostilidade, Chrissy se sente estranhamente atraído por ele. Nathaniel, por sua vez, não disfarça seu interesse por ele. Em meio a essa tensão crescente, um dos membros do júri surpreende Chrissy com uma revelação inesperada….
Nome alternativo: Run Away If You Can

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