Ler Fuja se puder – Capítulo 53 Online

Modo Claro

 

Que foi aquilo? Que reação era aquela.

Diante daquela expressão carregada com algum significado, franzi automaticamente a testa. E então percebi como ele havia descoberto o meu segredo.

— Aquele dia foi atípico. Esse tipo de coisa não é comum para mim.

Embora eu tenha respondido deliberadamente de forma seca, não pude controlar o constrangimento. Por causa disso, meu tom automaticamente ficou mais afiado.

— Além do mais, por que isso é uma sorte? Que diferença faz para você se eu sou gay?

Perguntei cobrando uma explicação, e ele respondeu com a mesma calma de sempre.

— Porque assim eu não preciso te convencer do quanto seria bom dormir comigo.

Nesse ponto, eu tive que repetir a mesma coisa de antes:

— Eu já disse que eu escolho meus parceiros. — Não era uma mentira. Era apenas uma das inúmeras razões pelas quais aquilo nunca aconteceria. —  E eu não tenho o menor interesse em você.

Terminei a frase com frieza e calei. Nathaniel também não disse nada. Nós ficamos ali, em silêncio, encarando um ao outro. E, de repente, o momento de poucas horas atrás – quando eu tinha pressionado meus lábios contra os dele como se tivesse perdido o juízo – veio à tona com força. Senti meu pulso acelerar instantaneamente, mas fingi que não percebi e rapidamente mudei de assunto.

— Agora, pode ir embora? Preciso tomar um banho para lavar seus feromônios e dormir. Tenho que trabalhar amanhã.

A última parte tinha outro significado embutido: você também deveria ir embora e cuidar da sua vida. Nathaniel me observou por um momento, parecendo notar meu nervosismo, e então falou com seu tom característico e indolente.

— Ainda tenho mais uma proposta.

— O quê? O que é agora?

A ansiedade começou a subir. Eu já esperava alguma outra loucura quando ele abriu a boca:

— Venha trabalhar no meu escritório.

Mais um silêncio desconfortável. Eu apenas o encarei, sem dizer nada.

— …O quê?

Demorei alguns segundos até conseguir perguntar com a expressão completamente contorcida. Depois de jogar duas bombas em sequência, ele continuava tranquilo, levando o cigarro à boca.

— Largue esse trabalho de promotor e venha para o meu escritório. Não há necessidade de viver assim, se dedicando tanto sem ver nenhum benefício.

Ele olhou em volta do meu estúdio com um ar sugestivo. Eu, por um instante, imaginei: mesmo que eu esticasse o comprimento daquela quitinete até o limite, Nathaniel Miller atravessaria tudo em no máximo cinco passos. Ele certamente me pagaria muito bem.

Era uma tentação enorme. Ao mesmo tempo, soava como uma armadilha.

— Meu pai é um criminoso.

Falei isso sem nenhuma emoção, e Nathaniel encontrou meu olhar.

— Eu sei.

Vendo sua reação nada surpresa, pensei: ‘É claro’. Não fazia sentido ele fazer uma proposta para entrar no Miller & Associates sem ter me investigado antes. Ele devia saber muitos fatos sobre mim, o suficiente para me fazer uma proposta dessas. Pelo menos, tudo o que estava disponível na superfície.

Mas não aquela parte. Aquela, ele não sabia.

— E daí? Isso é algum problema?

Ele devolveu, como se fosse óbvio. Eu retruquei, ainda em tom seco:

— Mas por que você está me fazendo essa proposta?

No fundo, aquilo parecia provocação. Uma afronta. Mas a resposta que veio não era nada do que eu tinha imaginado. Nathaniel soltou a fumaça devagar, longa, e respondeu sem hesitação:

— Porque você é competente.

Surpreso com as palavras inesperadas, não consegui esconder meu espanto. Nunca imaginei ouvir palavras assim vindas dele.

— …O que você disse?

Perguntei sem acreditar, e ele riu de leve antes de devolver:

— Quer ouvir de novo? Posso dizer quantas vezes quiser: você é competente. A ponto de eu achar que, se você entrar no meu escritório, vai gerar muito dinheiro.

Não tinha a menor ideia de onde ele tirava essa avaliação tão generosa sobre mim. Eu era apenas mais um promotor comum. A única coisa “diferente” que eu possuía talvez fosse que tinha feito sexo com aquele homem.

— Você já tem tanto dinheiro e ainda precisa de mais?

Perguntei com o rosto fechado, e Nathaniel respondeu despreocupadamente:

— Dinheiro é algo bom. Por uns cem dólares, muitos fariam fila para lamber a sola do meu sapato.

Não era uma resposta agradável, mas era verdadeira. Eu me calei.

— E então, qual é a resposta?

Ele perguntou, levantando um canto da boca satisfeito com a minha reação. Minha resposta já estava decidida.

— Recuso.

— Por quê?

Ele perguntou com naturalidade, como se já esperasse por essa resposta. Respondi com indiferença.

— Alguém tem que proteger os mais fracos de advogados corruptos como você.

— Hahahaha.

De repente ele riu alto. Era a primeira vez que eu o via rir tão genuinamente, e aquilo me surpreendeu outra vez. Ele sorriu de canto, apertando os olhos como se realmente estivesse se divertindo.

— Que pena. Devia ter te recrutado antes de você se formar

—Azar o seu.

Respondi seco.

— É um azar.

Nathaniel aspirou a fumaça do cigarro profundamente, deixou a ponta incandescente brilhar por um instante e depois apagar aos poucos. Tirou o cigarro da boca e o apagou na borda da mesa, e disse:

— Que pena, tive  todas as minhas propostas recusadas.

Parecia que ele não ia mais tentar me convencer. De repente me perguntei se aquelas duas propostas que ele havia feito tinham sido sérias ou apenas jogadas para ver minha reação. Talvez fossem só provocação – de qualquer forma, minha resposta teria sido a mesma.

Antes que eu pudesse pensar mais, Nathaniel pegou o paletó do terno que estava pendurado na cadeira. Vestiu o casaco com habilidade, virou-se na minha direção e fez uma despedida cortês.

— Então, até a próxima, promotor.

Mantive os braços cruzados e não respondi. Os passos dele atravessando o cômodo parecia um pouco instável; talvez a fadiga acumulada desde o dia anterior estivesse pesando na perna ferida. Observei em silêncio enquanto ele movia lentamente a perna apoiada pela bengala, fechou a porta e saiu. Quando finalmente fiquei sozinho no estúdio, desabei na cama e deixei escapar um longo suspiro. Meus batimentos começaram a disparar descontrolado.

“Você é competente.”

Aquelas palavras ecoavam sem parar na minha cabeça. Eu jamais teria imaginado.

‘Nunca pensei que ele me diria algo assim.’

‘Primeiro me ofereceu ser parceiro sexual, e logo depois disse isso. É um homem completamente imprevisível. Ele me quer para transar ou para trabalhar? Por acaso ele quer as duas coisas? Está me testando?’

— Nathaniel Miller…

Murmurei o nome baixo, e então franzi o rosto e baguncei meu cabelo descontroladamente. Suspirando, levantei a cabeça e, sentindo a garganta seca, virei-me e fui até a pia. Enxaguei rapidamente o copo de plástico em que tinha bebido champanhe no dia anterior, enchi-o com água e bebi. De repente, algo entrou no meu campo de visão. Depois de esvaziar o copo, coloquei-o de volta e fui até a mesa. A ponta de cigarro que Nathaniel tinha apagado ainda estava lá. Peguei um cartão de visita que eu não conhecia; o papel era grosso e rígido, brilhando conforme mudava de ângulo, quase ofuscando os olhos. Havia apenas um número de telefone e, sem precisar conferir mais, o nome do dono do cartão estava ali escrito.

Nathaniel B. Miller.

Fiquei parado olhando para o cartão por um tempo, depois o rasguei devagar ao meio e joguei no lixo.

‘Que jogada inútil.’

— Tsk.

Estalei a língua brevemente e entrei no banheiro para tomar um banho. Esfreguei e lavei o corpo por mais tempo e com mais força do que o normal, como se quisesse arrancar qualquer vestígio que aquele homem pudesse ter deixado para trás, e depois fui para a cama.

°

°

Continua…

 

Ler Fuja se puder Yaoi Mangá Online

m caso chocante acontece: um alfa, junto com seu grupo, estupra e assassina um ômega. O promotor encarregado do caso, Chrissy Jin, recusa qualquer acordo e decide levar o caso a julgamento, determinado a garantir uma punição adequada.
É nesse contexto que ele encontra pela primeira vez Nathaniel Miller, representante da maior firma de advocacia dos Estados Unidos, o Miller. Mas a arrogância de Nathaniel não lhe agrada em nada.
Pouco depois, ao voltar de um encontro com seus pais adotivos, Chrissy se envolve num acidente de trânsito: por azar, o carro em que bateu é justamente o de Nathaniel. Diante do valor absurdo do conserto, Chrissy não tem escolha a não ser ir até o homem para explicar sua situação, mas o lugar onde Nathaniel se encontra é, na verdade, uma festa de feromônios.
Lá, Chrissy quase acaba sendo violentado por Nathaniel, mas consegue atingi-lo com um caco de vidro e escapa. A partir desse incidente, a atitude de Nathaniel muda radicalmente: ele demite o advogado responsável pelo caso e decide assumir a defesa pessoalmente.
Os dois passam a se enfrentar no tribunal. No entanto, mesmo em meio a essa relação de hostilidade, Chrissy se sente estranhamente atraído por ele. Nathaniel, por sua vez, não disfarça seu interesse por ele. Em meio a essa tensão crescente, um dos membros do júri surpreende Chrissy com uma revelação inesperada….
Nome alternativo: Run Away If You Can

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