Ler Fuja se puder – Capítulo 37 Online

Modo Claro

 

A atitude dela mudou imediatamente. Eu não sabia se aquilo era orgulho por ter um filho bem-sucedido ou se era pura alegria por acreditar que meu futuro estava bem encaminhado – de qualquer forma, para mim, era algo bom.

[Então você deve ir, com certeza. Que pessoa gentil ele é, cuidando tão bem de você assim. Parece que o procurador-chefe realmente tem uma ótima impressão sua.]

Ao ouvir a sua voz cheia de satisfação e orgulho, eu respondi aliviado:

— Sim, mãe. Então este fim de semana vai ser complicado para mim. Uma pena… Se a senhora tivesse me avisado antes, eu teria recusado.

Eu disse isso de propósito. E como esperado, minha mãe reagiu exatamente como eu previa.

[Ora, o que está dizendo. Claro que você deve ir à festa. Nós podemos nos ver a qualquer momento, não se preocupe com isso.]

E então, com uma voz absurdamente carinhosa, ela completou:

[Eu sempre tive orgulho de você, meu filho.]

— Obrigado, mãe. Eu te amo.

Eu respondi como havia aprendido, do jeito ensaiado, e esperei ouvir a mesma frase antes de encerrar a ligação. Só depois disso um longo suspiro cansado escapou de mim.

O cansaço veio de repente, e eu praticamente desabei na cama. Mas não era hora de relaxar. Havia algo que precisava fazer imediatamente. Peguei o telefone e disquei o número rapidamente. Enquanto o sinal chamava, esfreguei a testa que latejava. Logo, a voz que eu esperava atendeu.

— Ah, Procurador. Aqui é Chrissy Jin.

[Oh, você. A que devo o telefonema a esta hora?]

Ele atendeu animado e foi direto ao assunto. Era um pouco vergonhoso mudar de ideia em menos de meio dia, mas agora não era momento para se preocupar com isso.

— Sobre aquela festa que o senhor mencionou… Eu gostaria de ir, sim.

[É mesmo?]

Ele respondeu, claramente satisfeito.

[Fez muito bem em reconsiderar. Seria um desperdício perder essa oportunidade. Você vai ver, vai gostar de lá, com certeza.]

Fiquei aliviado com a recepção positiva e respondi num tom mais leve:

— Obrigado. Então, para onde devo ir?

[Vou te mandar o endereço agora. Certo… algumas pessoas chegam na sexta à noite, outras chegam no sábado de manhã. Venha quando for mais conveniente para você.]

Ele riu alto, como se já pudesse imaginar o evento:

[Tem gente que vai só no sábado à noite, isso não é um desperdício?]

O Procurador-Chef acrescentou que ele mesmo estava pensando em ir cedo no sábado de manhã. Eu disse “Entendo” e levantei uma questão que me preocupava.

— Me desculpe, mas eu não tenho ninguém para ir comigo. Tudo bem se eu for sozinho?

Em festas e reuniões assim, normalmente é obrigatório levar um acompanhante. E esse era um dos motivos pelos quais eu costumava evitar esse tipo de evento. Não queria expor minhas preferências, e já fazia anos que eu não tinha um relacionamento sério – apenas encontros casuais para satisfazer necessidades físicas. De repente, me vi diante de um problema prático e fiquei sem graça, mas o Procurador simplesmente riu, como se não fosse grande coisa.

[Claro que pode. Não se preocupe. Há pessoas que vão sozinhas também. E, bom… alguns até encontram companhia lá, então não precisa ficar nervoso.]

E, num tom satisfeito, ele ainda acrescentou:

[Você também deveria parar de viver só para o trabalho. Quem sabe? Talvez encontre alguém que combine com você nesse evento.]

— Muito obrigado. Seria bom se isso acontecesse.

Eu respondi com naturalidade. Mas, é claro, não era verdade. O procurador então avisou que seria bom levar roupas extras e até uma sunga, por via das dúvidas, e encerrou a ligação.

Quando o silêncio voltou, um suspiro escapou sem que eu percebesse. Era um alívio não precisar arrumar um acompanhante às pressas – mas, ainda assim, a maioria das pessoas provavelmente iria com alguém. Porém, a vergonha de estar sozinho não era nada comparada à perspectiva de encontrar aquele homem horrível.

Sim. Pensar nisso ajudava:

‘Afinal, eu já preferi me jogar na frente de um caminhão para não vê-lo. E, honestamente? Uma perna quebrada era muito melhor do que encará-lo de novo.’

Agora restava apenas arrumar a mala e sair do estúdio. Já aconteceu algo parecido antes. Minha mãe disse que tinha um compromisso por perto e sugeriu que nos encontrássemos, mas eu menti, dizendo que tinha outro compromisso, e fiquei trancado em casa. Para meu desespero, ela apareceu em casa com ele, e eu fui pego no flagra. Depois de inventar uma desculpa esfarrapada de que o compromisso havia sido cancelado de última hora, acabei sendo arrastado por horas. Junto com aquele homem nojento.

Por isso, mentir e ficar em casa não era uma opção. Minha mãe talvez não viesse, mas a possibilidade de uma visita surpresa não podia ser descartada. Além disso, não tinha como saber quando seria. O melhor era sair de casa.

Ir para um café ou qualquer lugar por perto também não era uma solução. Para alguém tão azarado quanto eu, era questão de tempo até topar com aquele homem desprezível. Eu precisava me afastar rápido e ir para o mais longe possível. Mesmo que, se por uma coincidência de um em um milhão, nos encontrássemos, eu precisava poder provar que não tinha mentido.

Para que minha mãe não percebesse que eu estava tentando evitá-lo.

Para que ela nunca descobrisse por que o filho que ela criou com tanto carinho detestava de forma visceral o homem que ela amou por toda a vida.

Assim que desliguei o telefone, arrumei a mala de forma simples, como o Procurador-Chefe havia orientado. Coloquei uma muda de roupa e sapatos em uma bolsa pequena e, ao verificar, o endereço que já havia chegado. Conferi no GPS e vi que a casa de campo ficava bem afastada da cidade. Calculei o tempo aproximado e finalizei os preparativos. Para evitar uma visita surpresa, saí de casa antes mesmo de clarear. O sol nasceu enquanto eu dirigia até o destino. Deixar para trás a cidade que eu conhecia tão bem e seguir por uma estrada deserta trouxe um certo senso de liberdade. Não era mentira – eu estava me afastando do meu passado horrível. — Ahh — De repente, um pequeno suspiro de alívio escapou.

— Deus, obrigado. Ainda é sexta-feira!

 

***

Embora tenha chegado perto do destino ainda de manhã bem cedo, estacionei o carro deliberadamente a certa distância. Eu esperaria até uma hora mais apropriada. Um momento em que um número suficiente de pessoas, incluindo o Procurador-Chefe, já tivesse chegado, para que minha entrada não chamasse muita atenção.

Como eu tinha saído antes do amanhecer, cochilei um pouco no carro. Quando acordei, já estava perto do meio-dia. Foi só então que dei partida e segui para a casa de campo.

— Jin, que bom que veio!

Como eu esperava, já havia bastante gente reunida, mas encontrar o Procurador-Chefe não foi difícil. Depois de passar pela entrada e olhar ao redor entre os convidados, avistei a cabeça careca familiar. Fui na direção dele e, no momento exato, ele me viu; abriu um sorriso largo e estendeu os braços para me receber.

— Olá, senhor Procurador. Muito obrigado pelo convite.

Eu sorri enquanto cumprimentava, e ele me puxou para um abraço, batendo nas minhas costas.

— Ora, eu nem sou o anfitrião!

Ao lado dele, rindo de orelha a orelha, estava sua esposa. Cumprimentei educadamente a mulher de aparência gentil, que envelhecia ao lado do marido.

 

°

°

Continua…

 

Ler Fuja se puder Yaoi Mangá Online

m caso chocante acontece: um alfa, junto com seu grupo, estupra e assassina um ômega. O promotor encarregado do caso, Chrissy Jin, recusa qualquer acordo e decide levar o caso a julgamento, determinado a garantir uma punição adequada.
É nesse contexto que ele encontra pela primeira vez Nathaniel Miller, representante da maior firma de advocacia dos Estados Unidos, o Miller. Mas a arrogância de Nathaniel não lhe agrada em nada.
Pouco depois, ao voltar de um encontro com seus pais adotivos, Chrissy se envolve num acidente de trânsito: por azar, o carro em que bateu é justamente o de Nathaniel. Diante do valor absurdo do conserto, Chrissy não tem escolha a não ser ir até o homem para explicar sua situação, mas o lugar onde Nathaniel se encontra é, na verdade, uma festa de feromônios.
Lá, Chrissy quase acaba sendo violentado por Nathaniel, mas consegue atingi-lo com um caco de vidro e escapa. A partir desse incidente, a atitude de Nathaniel muda radicalmente: ele demite o advogado responsável pelo caso e decide assumir a defesa pessoalmente.
Os dois passam a se enfrentar no tribunal. No entanto, mesmo em meio a essa relação de hostilidade, Chrissy se sente estranhamente atraído por ele. Nathaniel, por sua vez, não disfarça seu interesse por ele. Em meio a essa tensão crescente, um dos membros do júri surpreende Chrissy com uma revelação inesperada….
Nome alternativo: Run Away If You Can

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