Ler Fuja se puder – Capítulo 36 Online

Modo Claro

 

— O Procurador-Chefe também está passando por uma situação difícil com isso.

Aquelas palavras me deixaram sem reação. Parei no meio da frase e olhei para ela. A assistente assentiu, como quem diz “é exatamente isso”, e continuou:

— Os outros promotores também querem, claro, levar um caso a julgamento e expor cada detalhe do crime dos réus. Mas temos limitação de orçamento, e o trabalho acumulado é enorme, então temos que resolver os casos rapidamente. A negociação da pena é uma escolha inevitável, é o procedimento padrão. Eles questionam se o senhor está arrastando desnecessariamente o caso para o tribunal apenas para ganhar popularidade sozinho. E, além disso, o senhor é bonito… então as pessoas acabam se empolgando ainda mais.

— Isso é…

— Então!

Ela bateu na mesa novamente – PAN – e eu cheguei a me encolher um pouco. Ela prosseguiu com firmeza:

— Tome coragem dessa vez e compareça àquele evento. Não venha com desculpas de que “não é bom nisso” ou qualquer coisa do tipo. Pelo menos tente.

E antes que eu pudesse responder, ela se adiantou:

— E veja essa situação agora. O julgamento estava logo ali, e de repente temos que mudar para uma negociação… isso não te deixa frustrado? Se o senhor se tornar um apoio para o Procurador-Chefe talvez não agora, mas quem sabe, quando o senhor subir na hierarquia num futuro, poderá impedir que casos como este sejam encaminhados para negociação.

Foi nesse momento que eu hesitei. Ela percebeu o primeiro sinal de vacilo e confirmou com um olhar convicto:

— Isso mesmo. Desta forma, podemos reduzir o sofrimento das vítimas ou de suas famílias, que ocorre sempre quando se evita um julgamento desta maneira, com  acordos de pena absurdos através de negociações.

Claro, ser Procurador-Chefe não significa controlar tudo como bem entender. É preciso considerar a opinião pública, há as circunstâncias dos promotores e várias outras limitações. As eleições também, se perder, não adianta nada. Na verdade, pode ser que como um promotor comum eu tenha mais liberdade: não preciso me preocupar com política e tenho menos responsabilidades.

…Mas.

No fim das contas, essa liberdade só existe porque o Procurador-Chefe me assegura um espaço para agir. Ele é justo, é realista, e ainda possui um certo idealismo. Se ele não fosse assim, eu jamais teria chegado até aqui. Ele poderia ter simplesmente trocado o promotor do caso para forçar uma negociação, se quisesse.

Pensando assim, não se poderia dizer que as palavras da assistente eram totalmente sem sentido. Para conquistar o direito de realizar julgamentos de forma correta, ironicamente, eu teria que abrir mão da liberdade que eu possuo agora. É sufocante pensar assim… mas quando, exatamente, na vida, se conquista algo sem pagar um preço?

— …Está bem.

— Boa decisão!

Assim que respondi, ela juntou as mãos como se estivesse rezando e praticamente vibrou de alegria. Eu me senti um tanto envergonhado, então fingi não notar e pigarreei antes de falar novamente:

— Vou pensar sobre isso. Se não houver mais nada…

Ela parou, decepcionada, deixando os ombros caírem – mas logo recuperou a energia.

— Tudo bem. Se eu for tirar o final de semana livre, é melhor trabalhar bastante desde já. Eu sei bem disso.

Eu ia dizer “ainda não está decidido”, mas ela me cortou rapidamente:

— Confie em mim. Você não vai se arrepender.

Disse isso com total convicção, e sem me dar tempo de responder, saiu da sala. Sozinho outra vez, fiquei um momento em silêncio, depois empurrei uma pilha de documentos para o canto da mesa, tomei um gole do café que ela havia trazido e acendi um cigarro.

***

Meu pensamento estava tão confuso que eu não conseguia me concentrar no trabalho. Acabei saindo do escritório trinta minutos mais cedo. Comprei dois livros para ler durante o fim de semana e estava voltando para casa; assim que fechei a porta da entrada, o celular tocou. Ao ver quem estava ligando, hesitei por um momento e, relutantemente, atendi.

— Sim, mãe. Como a senhora está?

A minha voz saiu tranquila, como sempre. Enquanto colocava a bolsa sobre a cadeira, minha mãe falou do outro lado da linha:

[Oh, Chrissy. Claro, estou bem . E você? Tem trabalhado muito? Não está se esforçando demais? Eu estou preocupada com você]

Diante da voz afetuosa de sempre, respondi com naturalidade:

— Estou levando tudo no ritmo certo, não se preocupe. O que aconteceu?

[Preciso ter um motivo para ligar?]

Ela reclamou com um leve tom magoado. Eu me esquivei rápido:

— Não quis dizer isso. Só perguntei para ter certeza. Fico feliz que não seja nada de ruim

[Não, não é nada ruim.]

Ela me tranquilizou com a voz suave e logo foi direto ao ponto:

[Neste fim de semana, seu pai e eu temos um compromisso aí nessa região, então resolvemos ir juntos. E aproveitando, pensei que seria bom ver você. Que tal jantarmos juntos?]

Eu estava tirando um livro da bolsa quando parei, completamente imóvel.

— …Com o pai?

A pausa foi inevitável. Minha mãe respondeu rindo:

[Claro. O pastor nos apresentou um bom fornecedor aí. Você sabe como o preço dos materiais subiu, não é? Pois esse é cinco por cento mais barato. Ele disse que precisa ver a qualidade pessoalmente, então eu decidi ir junto também. Não que eu entenda muito dessas coisas…]

Eu deixei a explicação passar pelos meus ouvidos sem realmente prestar atenção em nada. Quando ela fez uma pequena pausa, aproveitei para perguntar:

— Então enquanto ele estiver vendo o fornecedor, a senhora vai me encontrar?

‘Por favor. Por favor. Por favor…’

Mordi a unha do polegar enquanto esperava, como se minha vida dependesse daquela resposta.

[ Claro que não. Eu vou fazer umas compras nesse tempo, e quando ele terminar, nós dois iremos encontrar você. Sabe o quanto seu pai sente saudades de você.]

Era melhor ela não ter dito essa última parte. Minha barriga, que já estava enjoada, revirou violentamente. Cobri a boca com força com a mão que estava livre, tentando segurar o vômito.

[Chrissy? Chrissy?]

A voz da minha mãe insistia do outro lado. Eu respirei fundo, lutando contra a onda de enjôo.

— Sinto muito, mas este fim de semana vai ser difícil. Tenho compromisso.

[Compromisso? No fim de semana?]

A reação dela, inicialmente de surpresa, mudou subitamente. Antes que minha mãe pudesse começar a divagar com um “Por acaso…”, eu rapidamente acrescentei:

— Fui convidado para uma festa. Uma festa em que o Procurador-Chefe também estará. Não é ele quem está organizando, mas… eu preciso comparecer.

[O Procurador-Chefe?]

Minha mãe ficou visivelmente desapontada por não ser a notícia de que o filho tinha uma namorada, mas logo mostrou uma reação indignada.

[Chamar um subordinado até no dia de folga, que absurdo. Você já deve estar tão sobrecarregado com o trabalho, e ainda tem que encontrar o chefe no fim de semana, onde já se viu isso. Que coisa horrível, Chrissy. Você também precisa saber dizer não. Só porque é seu chefe não significa que ele tem o direito de controlar a sua vida pessoal.]

‘Sim, mãe, eu sei. Eu não tenho mais sete anos.’

Com o rosto distorcido, mas mantendo a voz doce, eu respondi:

— Não se preocupe, mãe. Ele me convidou pensando no meu futuro. Pessoas influentes vão estar lá, vai ser bom fazer contatos.

[Ah, é mesmo?]

°

°

Continua…

 

Ler Fuja se puder Yaoi Mangá Online

m caso chocante acontece: um alfa, junto com seu grupo, estupra e assassina um ômega. O promotor encarregado do caso, Chrissy Jin, recusa qualquer acordo e decide levar o caso a julgamento, determinado a garantir uma punição adequada.
É nesse contexto que ele encontra pela primeira vez Nathaniel Miller, representante da maior firma de advocacia dos Estados Unidos, o Miller. Mas a arrogância de Nathaniel não lhe agrada em nada.
Pouco depois, ao voltar de um encontro com seus pais adotivos, Chrissy se envolve num acidente de trânsito: por azar, o carro em que bateu é justamente o de Nathaniel. Diante do valor absurdo do conserto, Chrissy não tem escolha a não ser ir até o homem para explicar sua situação, mas o lugar onde Nathaniel se encontra é, na verdade, uma festa de feromônios.
Lá, Chrissy quase acaba sendo violentado por Nathaniel, mas consegue atingi-lo com um caco de vidro e escapa. A partir desse incidente, a atitude de Nathaniel muda radicalmente: ele demite o advogado responsável pelo caso e decide assumir a defesa pessoalmente.
Os dois passam a se enfrentar no tribunal. No entanto, mesmo em meio a essa relação de hostilidade, Chrissy se sente estranhamente atraído por ele. Nathaniel, por sua vez, não disfarça seu interesse por ele. Em meio a essa tensão crescente, um dos membros do júri surpreende Chrissy com uma revelação inesperada….
Nome alternativo: Run Away If You Can

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