Ler Fuja se puder – Capítulo 34 Online

Modo Claro

 

Ela havia me procurado depois de ler a notícia de que Nathaniel Miller tinha se envolvido pessoalmente. Eu contei a verdade sobre ele.

Eu abri a boca para falar, mas não consegui dizer nada. Havia tantas perguntas que eu queria fazer: “se ele tinha dito que nós íamos perder”, “por que não tentou tranquilizar a família”, “se por acaso ele não teria exagerado de propósito para assustá-la e conseguir o resultado que queria…”

Eu tinha muito a dizer, mas as palavras não saíram porque eu já sabia a resposta. E ele também sabia disso – percebi na expressão amarga que ele fez ao começar a falar.

— Eu não podia simplesmente dizer que tudo ficaria bem. Talvez você ache que sim, mas eu não consigo. Claro, poderíamos até ganhar. Mas não é fato que um acordo sobre a sentença é mais vantajoso?

— E não foi uma boa oportunidade para convencer a senhora Smith, certo?

Ele respondeu com relutância ao meu deboche.

— Não vou negar isso.

Ele soltou um suspiro curto antes de continuar:

— Perder um caso desse tamanho não afeta só você. Eu tenho que pensar no risco para a instituição também. É inevitável, na minha posição.

De tudo que ele havia dito hoje, aquilo parecia ser a coisa mais sincera. Eu permaneci calado, enquanto o Procurador prosseguiu:

— Às vezes, mesmo que não concordemos, temos que seguir as decisões que vêm de cima. É frustrante, eu sei, mas é melhor parar por aqui. Em vez disso, vamos focar em garantir os termos mais favoráveis possível na negociação.

— É difícil vencer o julgamento, mas é fácil conseguir termos favoráveis na negociação. Sim, claro, como se houvesse alguma vantagem nisso.

Eu tentei ironizar mais uma vez, mas ele apenas me encarou em silêncio. Um silêncio pesado que esmagou minha resistência. Havia uma parede sólida diante de mim, impenetrável a qualquer protesto. Não havia mais nenhuma maneira de manter o julgamento. Tudo o que restava era conseguir o melhor acordo possível.

Fechei os punhos, depois os soltei e deixei escapar um longo suspiro. Quando o Procurador percebeu que eu tinha cedido, falou comigo de modo mais suave.

— Sinto muito que tenha acabado assim. Acredite, eu também fiz isso porque me importo com você. Às vezes, é preciso abrir mão de um ganho imediato por um benefício maior depois. Com o tempo, você vai entender, acredite.

Eu não respondi. Ele esperou pacientemente enquanto eu tentava controlar a raiva. Depois de um momento, consegui falar:

— A senhora Smith.

— O quê?

Ele franziu o cenho, surpreso com a menção repentina. Repeti, num tom neutro:

— A mãe do Anthony Smith. Ela realmente aceitou isso?

— Claro.

O Procurador-Chefe acenou com a cabeça e acrescentou com ênfase:

— Foi ela mesma quem me procurou. Ela perguntou se isso não seria melhor do que perder o julgamento, depois de ouvir conselhos de várias pessoas e verificar comigo.

Eu fiquei mudo, tomado por um vazio que beirava o desgosto. O Procurador tentou me consolar:

— É compreensível. Muitos familiares não suportam o processo do julgamento. Na verdade, são poucos os que lutam até o fim. Você sabe disso. No processo judicial, até as vítimas e seus familiares acabam sendo machucados, inevitavelmente.

Ele soltou um suspiro amargo.

— Fazer justiça é importante, mas também precisamos considerar a dor que os familiares vão enfrentar.

Depois disso, não havia mais nada a ser discutido. Eu respondi:

— Entendo. Farei os preparativos para a negociação. Vou entrar em contato para marcar a data o mais rápido possível.

— Espere um momento.

Eu estava prestes a me levantar depois de me despedir, quando o Procurador me chamou. Eu parei, olhei para ele e então, ele fez uma pergunta inesperada.

— Jin, você tem tempo neste fim de semana?

— Tempo?

Franzi a testa e perguntei, surpreso com a pergunta repentina. O Procurador-Chefe então explicou em detalhes.

— Vai haver uma festa no fim de semana. Ocorrerá em uma casa de campo nos arredores, fora da cidade. Muitas figuras influentes do meio político e empresarial estarão presentes. Acho que seria bom você ir, para começar a conhecer algumas pessoas.

Foi uma proposta inesperada. Ele tinha acabado de me pressionar a desistir do julgamento e agora estava falando de festa? Isso fazia algum sentido?

— Eu entendo que você esteja confuso.

Percebendo minha expressão perplexa, ele acrescentou com um leve constrangimento, e retomou o discurso:

— Justamente por causa do momento é que estou mencionando isso. Agora você deve estar se sentindo péssimo, mas quando o tempo passar, vai perceber que essa foi a escolha certa. E, até lá, seria bom respirar um pouco. Pode encarar como uma pausa para esfriar a cabeça. Claro, também é uma chance de conhecer pessoas… mas, mesmo que vá só para descansar, tenho certeza que vai valer a pena. A casa tem uma piscina enorme e a paisagem é muito bonita. É uma oportunidade rara. Com certeza não se arrependerá. Na verdade, provavelmente vai me agradecer.

No final das contas, até uma certa confiança transparecia em sua voz. Parecia que ele considerava essa festa muito importante. Eu, no entanto, ainda não conseguia ver o propósito. Vendo que eu não respondia nada, o Procurador-Chefe tentou me convencer com ainda mais entusiasmo.

— Vamos juntos, será realmente bom para você. Ah, e só para constar, definitivamente não é um lugar estranho. É um encontro social decente, só para conviver e relaxar. A maioria leva suas esposas ou parceiros. Seria um absurdo pensar que há algo inadequado acontecendo por lá, não concorda?

Era sincero. Eu conseguia sentir isso nele – mesmo que aquilo não significasse nada para mim.

— Confesso que não vejo bem a razão pela qual eu precisaria estar presente neste lugar.

Tentei negar de forma impessoal, mas ele apenas levantou e abaixou as mãos, suavemente:

— Se você diz isso, talvez seja o caso. Mas, como eu disse, penso no seu futuro. Quero te ajudar a se posicionar melhor lá na frente.

Ele me olhou com um sorriso triste.

— Eu disse que me importo com você, não disse?

Fiquei olhando para ele em silêncio, até finalmente responder:

— Vou pensar a respeito.

— Ótimo. Espero uma boa resposta.

Dei um sorriso vago e saí do escritório. Pelas palavras do Procurador-Chefe, era um favor que ele estava me fazendo. Para alguém ambicioso, seria uma oportunidade preciosa. Claro, eu também tenho ambição. Mas não ao ponto de agarrar qualquer isca logo após sofrer um golpe desses. Afinal de contas, o motivo de eu ter sido convidado para aquele lugar prestigioso foi porque meu caso foi tirado de mim.

— Promotor.

Ao voltar para o meu escritório, a Assistente me perguntou, curiosa.

— Então…? O que ele disse?

Era uma pergunta óbvia. Fiz um esforço para retirar toda emoção da voz:

— Não haverá julgamento. Em vez disso, vamos encerrar o caso com um acordo, então vamos nos preparar para isso

— O quê? Assim do nada?!

Ela quase gritou, como se tivesse levado um choque. Era uma reação compreensível. Claro, a Promotora-Assistente não parou por aí.

— Mas é só isso? Como isso aconteceu? Promotor!

Diante da voz dela me chamando ansiosamente, eu acrescentei, com um tom de atraso.

— Ah, e… fui convidado para uma festa neste fim de semana.

— Kyaaa! Meu Deus!!

Ela soltou um grito agudo como o de um golfinho. Fingi não notar seu olhar suplicando por mais explicações e entrei no meu escritório. Pouco depois, ouvi uma batida na porta e ela se abriu. Levantei a cabeça da pilha de documentos que estava organizando e a vi com meio corpo para dentro do vão da porta.

— Quer que eu traga um café?

— Quero sim. Obrigado.

Ao responder sem hesitação, ela sorriu e saiu rapidamente. E, para minha surpresa, ela não fez mais perguntas. Agradecido pela consideração da Promotora-Assistente, fechei os olhos e respirei fundo.

‘Concentre-se. Não é hora de se distrair com bobagens.’

Talvez tivesse me sentido culpado por deixar a mente escapar. Empurrei uma pilha de documentos para o lado, massageei o ombro e acendi um cigarro. Ao olhar para os documentos restantes, meu coração ficou pesado novamente.

A culpa era minha. Eu não tinha sido capaz de dar à senhora Smith segurança o suficiente.

°

°

Continua…

 

 

Ler Fuja se puder Yaoi Mangá Online

m caso chocante acontece: um alfa, junto com seu grupo, estupra e assassina um ômega. O promotor encarregado do caso, Chrissy Jin, recusa qualquer acordo e decide levar o caso a julgamento, determinado a garantir uma punição adequada.
É nesse contexto que ele encontra pela primeira vez Nathaniel Miller, representante da maior firma de advocacia dos Estados Unidos, o Miller. Mas a arrogância de Nathaniel não lhe agrada em nada.
Pouco depois, ao voltar de um encontro com seus pais adotivos, Chrissy se envolve num acidente de trânsito: por azar, o carro em que bateu é justamente o de Nathaniel. Diante do valor absurdo do conserto, Chrissy não tem escolha a não ser ir até o homem para explicar sua situação, mas o lugar onde Nathaniel se encontra é, na verdade, uma festa de feromônios.
Lá, Chrissy quase acaba sendo violentado por Nathaniel, mas consegue atingi-lo com um caco de vidro e escapa. A partir desse incidente, a atitude de Nathaniel muda radicalmente: ele demite o advogado responsável pelo caso e decide assumir a defesa pessoalmente.
Os dois passam a se enfrentar no tribunal. No entanto, mesmo em meio a essa relação de hostilidade, Chrissy se sente estranhamente atraído por ele. Nathaniel, por sua vez, não disfarça seu interesse por ele. Em meio a essa tensão crescente, um dos membros do júri surpreende Chrissy com uma revelação inesperada….
Nome alternativo: Run Away If You Can

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