Ler Fuja se puder – Capítulo 33 Online

Modo Claro

 

— Sr… promotor?

Quem colocou a cabeça para dentro da sala foi a assistente. Talvez ela tivesse sentido o clima pesado ali dentro, porque perguntou com bastante cuidado:

— Organizei os documentos do caso que o senhor pediu. Devo entregar agora?

— Ah… sim. Por favor.

Respondi rapidamente, suavizando a voz para não descontar minha raiva em alguém que não tinha culpa. A assistente, parecendo mais aliviada, trouxe os documentos e disse:

— Ah, e o Procurador-Chefe pediu para o senhor ir até a sala dele.

— O Procurador-Chefe?

Surpreso com o recado, levantei-me de imediato.

— Quando ele disse isso?

— Agora há pouco. O assessor telefonou perguntando se o senhor já tinha chegado. Eu disse que sim, e então ele disse para o senhor se dirigir ao escritório do Procurador-Chefe.

Contornando a mesa, abotoei novamente o paletó.

— Você sabe do que se trata?

Perguntei enquanto começava a caminhar, mas ela apenas balançou a cabeça, parecendo não ter ideia.

— Entendi. Obrigado.

Me apressei pelo corredor.

— Entre, Promotor, seja bem-vindo.

O assessor me recebeu com um sorriso habitual. O clima não parecia ruim. O que será? Conjecturei mentalmente enquanto o seguia para encontrar o Procurador-Chefe.

— Senhor Procurador.

O Assessor bateu de leve na porta, esperou e então anunciou:

— O promotor Chrissy Jin chegou.

— Oh, sim. Entre.

Por trás do assessor que se afastou, pude ver o rosto do Procurador. Entrei e fechei a porta antes de me aproximar.

— Procurador-chefe, houve algum problema?

— Sente-se primeiro.

Ele pigarreou antes de perguntar:

— Então… como vai o caso? Acha que vai se resolver como queremos?

— …Sim. Estou fazendo o possível.

Ele assentiu, pensativo, passando a mão na barba.

— Espero que o resultado seja bom. Como o oponente é o Miller, fico um pouco preocupado.

— As provas do nosso lado são muito sólidas, então o senhor não precisa se preocupar tanto.

Minha resposta foi formal e direta. O procurador ficou em silêncio por um instante. Parecia buscar as palavras.

— As eleições estão próximas, como sabe.

Finalmente, o Procurador-Chefe chegou ao ponto principal. Fiquei em silêncio, esperando sua próxima palavra. Ele continuou com uma expressão séria.

— Este julgamento terá um grande impacto nas eleições. Os cidadãos estão todos clamando por justiça. Se o resultado não for o esperado, a repercussão será enorme.

Então era isso: preocupação com a  repercussão política.

— Vai dar certo. Não se preocupe tanto.

Quando dei essa resposta padrão, o Procurador-Chefe suspirou profundamente e balançou a cabeça.

— Sim, vai dar certo. Miller não é um Deus onipotente.

O silêncio que se instalou a seguir foi estranho e pesado. Algo estava errado. Ele não me chamaria tão cedo por tão pouco.

— Jin.

— Sim, senhor Procurador.

Ele fixou os olhos nos meus.

— Você sabe que eu tenho um grande apreço por você, não sabe?

— Sei. Sou sempre grato por isso.

Era um discurso clichê, mas sincero. Ele continuou:

— Eu acredito que um dia você vai ocupar essa cadeira. Vai resolver grandes casos, vai ser um símbolo de justiça.

— Sim.

Cada frase parecia apenas prolongar a sensação ruim que subia do estômago.

— Por isso, não quero vê-lo machucado. Ah, não estou falando de questões emocionais. Estou falando de aspectos públicos. Como, por exemplo, sua reputação.

Fiquei em silêncio, esperando a próxima frase. O preâmbulo estava longo demais. Senti um pressentimento cada vez pior.

‘O que ele vai dizer, para estar hesitando tanto?’

— Então, o motivo de eu ter chamado você é…

Ele hesitou de novo. Esfregou as mãos. Suspirou. Por fim, encontrou coragem para olhar direto para mim.

— Vamos encerrar esse caso por meio de um acordo.

— Como disse?

Minha voz involuntariamente se elevou, mas o Procurador-Chefe não pareceu surpreso, como se já esperasse por essa reação. Vendo aquilo, em vez de minha cabeça esfriar, fiquei ainda mais agitado.

— Um acordo? Agora? Como assim um acordo?

Incapaz de conter minhas emoções, repeti a mesma palavra várias vezes, erguendo a voz. Ele assentiu outra vez, sem alterar o tom:

— Se por acaso você perder, isso não será bom para o seu futuro. Já conversei com o lado do Miller. Vamos definir uma data para a reunião.

Tendo dito isso, o Procurador-Chefe olhou para mim, que estava atônito e sem palavras, e pigarreou “hum”.

— Na verdade, tentei falar sobre isso ontem à noite, mas você já tinha ido embora.

Era óbvio. Eu tinha ido me distrair antes de ser engolido por pilhas de documentos, achando que podia adiantar o alívio antes do estresse real começar.

Foi uma escolha realmente estúpida. Naquele momento crucial, quando discussões importantes estavam ocorrendo, eu estava em uma balada, pescando um lixo como aquele. E ainda por cima, mostrei aquele meu lado patético para ninguém menos que Nathaniel Miller. Eu me sentia tão constrangido que poderia morrer. Mas não parou por aí.

— Se você continuar assim, não vai ter jeito. Você vai ser retirado do caso. A negociação da pena ficará a cargo do Bacon.

Ao ouvir as palavras do Procurador-Chefe, meu queixo quase caiu. Era uma declaração ainda mais chocante do que a anterior. Me tirar do caso e passá-lo para Douglas Bacon? O Doug? Aquele idiota?

Mas, independentemente da minha reação de incredulidade, parecia que o Procurador-Chefe já tinha tomado sua decisão. Ele me chamou não para me persuadir, mas para me informar. Minhas opções se resumiam a duas: seguir as instruções do Procurador-Chefe ou ser completamente removido do caso. Era um absurdo.

— Por quê tão de repente?

Depois da autocrítica veio a explosão. Perceber a realidade não significava que eu pudesse aceitá-la passivamente. Eu precisava de uma resposta.

— Eu cometi algum erro? Achei que esse assunto já estava encerrado, e agora, de repente, fala em negociação? Não consigo entender. Por favor, me explique de uma forma que eu possa compreender. Assim, não posso simplesmente aceitar. Eu não vou recuar desse jeito.

Fiz o meu melhor para não gritar ou xingar. Graças a isso, embora não conseguisse suprimir completamente minhas emoções intensas, consegui recuperar uma certa postura de frieza. O Procurador-Chefe fez uma expressão de pena, como se entendesse meu coração, e disse:

— Como eu disse, eu não quero que você saia comprometido.

Ele continuou, com um tom de conselho:

— Se Nathaniel Miller não tivesse se envolvido pessoalmente, não teríamos chegado a esse ponto. Mas como ele entrou em cena, há holofotes demais sobre este caso agora. Não podemos fazer de você o bode expiatório.

— E daí que aquele filho da puta se meteu?!

Disparei a frase sem pensar.

— Está dizendo que devemos desistir de um caso com evidências tão claras e sólidas, só porque Nathaniel Miller se envolveu? Não aceito! Jamais poderei aceitar isso!

— Estou pedindo para negociar a sentença, não para desistir do caso.

— É a mesma coisa! — Eu retruquei ainda mais ferozmente. — O senhor sabe quantos anos aquele maldito pediu?

— Eu sei. Terceiro grau, cinco anos. — O procurador respondeu de imediato, e ainda acrescentou: — Tecnicamente, não foi o Miller quem propôs. Acredito que foi um advogado da empresa dele.

— E qual é a diferença?

A raiva transbordou até mesmo contra o Procurador-Chefe, que parecia querer jogar com as palavras numa situação séria como esta. Embora me esforçasse ao máximo para não gritar com ele, não pude evitar que minhas palavras saíssem afiadas.

— Sim, terceiro grau, cinco anos, e nem vai cumprir todos. Vai sair livre, andando pela rua. E ele vai matar de novo. Aquele sujeito é um criminoso! E os famíliares  de Anthony Smith? Como acha que eles vão aceitar isso? A Sra. Smith veio até o senhor, derramou lágrimas…

— Foi a própria Sra. Smith quem quis assim.

°

°

Continua….

 

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m caso chocante acontece: um alfa, junto com seu grupo, estupra e assassina um ômega. O promotor encarregado do caso, Chrissy Jin, recusa qualquer acordo e decide levar o caso a julgamento, determinado a garantir uma punição adequada.
É nesse contexto que ele encontra pela primeira vez Nathaniel Miller, representante da maior firma de advocacia dos Estados Unidos, o Miller. Mas a arrogância de Nathaniel não lhe agrada em nada.
Pouco depois, ao voltar de um encontro com seus pais adotivos, Chrissy se envolve num acidente de trânsito: por azar, o carro em que bateu é justamente o de Nathaniel. Diante do valor absurdo do conserto, Chrissy não tem escolha a não ser ir até o homem para explicar sua situação, mas o lugar onde Nathaniel se encontra é, na verdade, uma festa de feromônios.
Lá, Chrissy quase acaba sendo violentado por Nathaniel, mas consegue atingi-lo com um caco de vidro e escapa. A partir desse incidente, a atitude de Nathaniel muda radicalmente: ele demite o advogado responsável pelo caso e decide assumir a defesa pessoalmente.
Os dois passam a se enfrentar no tribunal. No entanto, mesmo em meio a essa relação de hostilidade, Chrissy se sente estranhamente atraído por ele. Nathaniel, por sua vez, não disfarça seu interesse por ele. Em meio a essa tensão crescente, um dos membros do júri surpreende Chrissy com uma revelação inesperada….
Nome alternativo: Run Away If You Can

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