Ler Fuja se puder – Capítulo 25 Online
— Claro, isso é verdade, mas…
O juiz Reagan me olhou como quem pergunta o que eu pretendia fazer.
Eu passei a língua pelos lábios secos, sem perceber, e olhei alternadamente para o juiz e para Nathaniel.
— Eu também não tenho objeção, só que…
Minha voz foi morrendo no fim da frase, tomada por uma sensação incômoda. Encarei Nathaniel com o rosto franzido, quando o juiz soltou um som de desconforto, meio gemido, antes de falar:
— O senhor sabe como é… ainda precisamos selecionar os jurados, e também aguardar que o tribunal designe a sala do julgamento. Uma semana é impossível, mas… tudo bem. A data será o mais cedo possível, entendido?
O juiz então virou o olhar para mim, como se esperando confirmação. Eu não tive escolha a não ser assentir.
— Entendido.
— Certo, então.
Nathaniel não perdeu mais tempo e se levantou da cadeira. O rangido da cadeira sendo afastada foi seguido por ele se esticando, e, num instante, involuntariamente, levantei o olhar para ele quando esticou o corpo.
— Até logo, Senhor Juiz Reagan.
Nathaniel cumprimentou brevemente o juiz com um aperto de mão, então me cumprimentou com um breve aceno de cabeça e se virou decisivamente. Assim como quando entrou na sala, ele apoiou-se na bengala e saiu, movendo-se um passo de cada vez, lentamente.
Só então eu voltei a mim. Cumprimentei às pressas o juiz Reagan e fui atrás dele. Assim que entrei no corredor, pude vê-lo – ele não havia ido muito longe, talvez por causa da perna.
— …Senhor Miller!
Ao ouvir meu chamado, ele parou e se virou. Nathaniel esperou em silêncio enquanto eu me aproximava em passos quase correndo.
— O que aconteceu?
Finalmente fiz a pergunta que me consumia desde o início. Nathaniel inclinou a cabeça para o lado, como se perguntasse “sobre o quê?”Eu respirei fundo e repeti, com calma:
— Estou falando do advogado. Por que o senhor está assumindo o caso pessoalmente?
— Ah…
Ele soltou um suspiro baixo, como se finalmente tivesse entendido. Pareceu-me um tanto desapontado, mas não era da minha conta. Havia algo muito mais sério em jogo.
Pelo que eu sabia, aquele homem era especialista em direito corporativo. Era conhecido por ser um especialista habilidoso que representava grandes corporações em todos os tipos de irregularidades e abusos, reduzindo as vítimas a trapos. Um nome conhecido. Um estrategista agressivo. E agora ele estava aqui? Em um caso criminal? Acima de tudo, eu nunca imaginei Nathaniel Miller atuando pessoalmente em um tribunal. Era uma situação completamente incompreensível, mas a resposta que se seguiu era ainda mais difícil de aceitar.
— Eu dispensei o advogado anterior.
Por um momento, fiquei atordoado e pisquei os olhos.
‘Dispensou? Mandou embora?’
Lembrei vagamente do rosto do homem arrogante de terno caro e, então, entendi tardiamente o que ele disse. Por acaso, sério? Mas Nathaniel não era do tipo que fazia piadas com essas coisa.
— Demitiu porque ele fracassou na negociação…?
Murmurei inconscientemente, mas a razão era diferente do que eu imaginava. Nathaniel estreitou os olhos e corrigiu:
— Ele colocou meu cliente no tribunal.
— Está dizendo que foi errado chegar até o tribunal?
Eu perguntei sem pensar, e ele respondeu como se fosse óbvio:
— Claro. Ele deveria ter encerrado o caso no Grande Júri.
Eu fiquei sem palavras.
Ele acrescentou, sem expressão:
— Minha firma não precisa de pessoas incompetentes.
Fiquei completamente sem palavras.
— Mais alguma coisa?
Ele até me deu a chance, mas nada veio à mente. Nathaniel inclinou a cabeça num gesto breve de despedida e se virou novamente.
… Toc.
O som da bengala batendo no chão fez minha mente voltar ao presente. Ele seguiu pelo corredor, devagar. Eu fiquei parado, olhando sua silhueta ir embora.
Eu só viria a entender a razão de sua atitude confiante três dias depois.
***
— Como assim a prova foi excluída?
Diante da voz exaltada do detetive, respondi da forma mais neutra possível.
— É exatamente isso. O advogado do outro lado apresentou objeção, e ela foi aceita.
— Não, mas… como… isso não faz…
O detetive gaguejou, incapaz de completar a frase. Eu entendia aquela reação perfeitamente – afinal, também tinha passado pela mesma frustração. Observei em silêncio enquanto ele batia o punho contra a própria palma e despejava xingamentos e ao mesmo tempo o colega do lado o consolava, dando leves tapinhas em seu ombro. Esperei que os ânimos se acalmassem um pouco antes de falar novamente.
— Não era uma prova tão crucial assim, então está tudo bem. Além do mais, temos uma testemunha sólida e as evidências principais permanecem intocadas.
Quando tentei oferecer algum consolo, o policial que estava acalmando o colega franziu o rosto e perguntou:
— O senhor está mesmo tranquilo com isso, promotor? Não sente raiva?
—Claro que ele não sente. Afinal, não foi ele quem correu dia e noite para coletar essas evidências.
A voz dele transbordava indignação, e o outro policial, que tentava controlar a própria frustração, respondeu com ironia. Mesmo com a provocação direcionada a mim, mantive-me calmo.
— Eu também estou com raiva. — Sob os olhares dos dois, comecei a juntar os documentos sobre a mesa, fazendo questão de parecer absolutamente sereno. — Por isso, quando o expediente acabar, pretendo ir tomar uma bebida.
— Posso ir junto? — perguntou um deles, assim que me levantei.
Sorri, recusando com suavidade.
— O bar onde eu vou não aceita homens casados. Fica pra próxima.
Claro que era mentira, mas eles não precisavam saber das minhas preferências. Vendo a expressão de aborrecimento retornar aos rostos dos detetives, contornei a mesa e lhes direcionei um sorriso.
— Vai dar tudo certo. Como vocês mesmos disseram, ainda temos todas as outras evidências que vocês coletaram trabalhando dia e noite.
Depois de dar tapinhas em seus ombros — vamos, coragem — e tirá-los da sala, soltei um longo suspiro. Minha cabeça latejava, eu precisava de algo que não fosse apenas álcool. Algo capaz de aliviar essa irritação e tensão acumuladas.
*
Claro. Sexo.
Eu me sentei apoiando um braço no balcão do bar, bebendo minha cerveja enquanto observava o ambiente. Entre os pares que conversavam, havia homens ainda sozinhos, olhando ao redor como hienas à caça. Pressa era ruim, mas perder tempo demais era pior ainda – o número de homens interessantes só diminuiria com o tempo.
Já que era só para um encontro de uma noite, talvez valesse a pena baixar um pouco o critério.
Pensando bem, eu mal tinha tempo nem para respirar. E com o julgamento prestes a começar, eu estaria enterrado no escritório sem nem conseguir voltar para casa direito. Então, antes que tudo isso me sufocasse, era melhor aliviar todo esse estresse acumulado antes que eu explodisse.
Eu achava que estava preparado o suficiente, mas o adversário era Nathaniel Miller. Não podia baixar a guarda. Eu precisava revisar os materiais de novo e de novo, procurando brechas. Nunca se sabia por onde eles poderiam atacar.
— Oi. Você está sozinho?
No instante em que me lembrei do aroma doce que envolvia o homem de cabelo platinado, uma voz rouca e inesperada soou ao meu lado. Ergui a cabeça, surpreso, e vi um homem me encarando. Barba bem cuidada, roupas apresentáveis. Não era exatamente bonito, mas também não era feio o suficiente para acabar com a libido de alguém.
Era exatamente o tipo certo para uma noite em que se decide aceitar o meio-termo.
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Continua..
Ler Fuja se puder Yaoi Mangá Online
m caso chocante acontece: um alfa, junto com seu grupo, estupra e assassina um ômega. O promotor encarregado do caso, Chrissy Jin, recusa qualquer acordo e decide levar o caso a julgamento, determinado a garantir uma punição adequada.
É nesse contexto que ele encontra pela primeira vez Nathaniel Miller, representante da maior firma de advocacia dos Estados Unidos, o Miller. Mas a arrogância de Nathaniel não lhe agrada em nada.
Pouco depois, ao voltar de um encontro com seus pais adotivos, Chrissy se envolve num acidente de trânsito: por azar, o carro em que bateu é justamente o de Nathaniel. Diante do valor absurdo do conserto, Chrissy não tem escolha a não ser ir até o homem para explicar sua situação, mas o lugar onde Nathaniel se encontra é, na verdade, uma festa de feromônios.
Lá, Chrissy quase acaba sendo violentado por Nathaniel, mas consegue atingi-lo com um caco de vidro e escapa. A partir desse incidente, a atitude de Nathaniel muda radicalmente: ele demite o advogado responsável pelo caso e decide assumir a defesa pessoalmente.
Os dois passam a se enfrentar no tribunal. No entanto, mesmo em meio a essa relação de hostilidade, Chrissy se sente estranhamente atraído por ele. Nathaniel, por sua vez, não disfarça seu interesse por ele. Em meio a essa tensão crescente, um dos membros do júri surpreende Chrissy com uma revelação inesperada….
Nome alternativo: Run Away If You Can