Ler Fuja se puder – Capítulo 22 Online

Modo Claro

 

Ao ouvir o som das batidas na porta, virei a cabeça. Poucos segundos depois, um homem entrou no quarto, ele vestia um terno preto. Demorei alguns instantes para reconhecê-lo.

— Ah, o senhor acordou?

Ele perguntou com a mesma postura profissional de antes. Era o guarda gama que havia me guiado quando cheguei à mansão pela primeira vez. Eu apenas pisquei, incapaz de reagir imediatamente. O homem, sem se importar com minha falta de resposta, continuou falando de forma tranquila:

— O senhor deve se sentir melhor depois de descansar um pouco. Quanto às despesas médicas e qualquer outro custo, não precisa se preocupar. Afinal, este foi um acidente não intencional…

Eu continuei apenas encarando. O homem desviou o olhar, um pouco desconfortável, antes de acrescentar:

— Me desculpe. Não imaginei que fosse um beta… Achei que fosse um ômega convidado.

…Ah.

Naquele instante, entendi o motivo das risadinhas dos guardas Gamas que faziam a segurança. Não era por causa do carro simples que eu dirigi até lá. Eles pensaram que eu era um ômega prostituto. Gamas não conseguem sentir o cheiro dos feromônios, então naturalmente não poderiam distinguir. Depois eu entendi que o fato de eu ter procurado por Alice, a responsável pelos convites, tinha reforçado esse mal-entendido – por isso tudo se encaixou tão perfeitamente.

Era tão absurdo que nem conseguia pensar no que dizer. O homem olhou de relance para o meu rosto. Afinal, ele só estava cumprindo o trabalho dele. Sim, ele fez um julgamento errado – mas não era algo impossível de relevar. Quem cometeu o maior erro foi Nathaniel Miller. Mas depois do que aconteceu comigo, não conseguia ser compreensivo e dizer “Tudo bem”. Eu não era a Madre Teresa, de qualquer forma.

Justamente quando eu estava prestes a dizer algo rude, reparei de repente na minha mão enfaixada. Eu também havia me cortado com o caco da taça de vinho quando o ataquei. Assim que percebi, senti a dor tardia e olhei para o meu braço – havia uma agulha inserida ali. Seguindo o tubo com os olhos, vi o soro gotejando ritmicamente. O homem percebeu meu olhar e disse:

— Ah, estamos retirando o excesso de feromônio do seu corpo.

‘Feromônio? Não drogas?’

Eu franzi o rosto sem perceber, e ele explicou melhor:

— O senhor estava com excesso de feromônios… Os feromônios também são absorvidos pela pele. Além disso, se o aroma permanecer, o senhor irá inalá-lo a cada respiração, mesmo que inconscientemente.

‘Não vejo a necessidade de receber uma injeção para removê-los. Com o tempo, o cheiro desapareceria naturalmente.’

Percebendo algo estranho em suas palavras, perguntei:

— Quem mandou fazer isso? Foi o Nathaniel Miller?

— Sim.

‘Quem você acha que me afogou em feromônios em primeiro lugar?!’

Eu estava indignado, não podia arrancar a agulha, então deixei como estava. O homem ficou ali por alguns instantes, mas como parecia não ter mais nada a dizer, virou-se para ir embora. Eu o chamei antes que saísse.

— E o Miller? Como ele está?

‘Se ele tivesse morrido, as coisas não estariam tão tranquilas assim.’

Pensei isso internamente, enquanto perguntava. O homem respondeu com a mesma neutralidade:

— Houve bastante sangramento, mas por sorte a artéria não foi atingida… Ele recebeu atendimento de emergência e agora está descansando.

Eu não sabia se aquilo tinha sido bom ou ruim.

De qualquer forma, pelo menos eu escapei de uma acusação de homicídio. O fato de eu ter ferido um alfa dominante foi convenientemente deixado de lado. Fiquei em silêncio, cerrando os lábios, quando ele, como se tivesse se lembrado de algo tardiamente, acrescentou:

— Foi pedido que o senhor não se preocupasse mais com o acidente.

— …Acidente?

Perguntei sem pensar. Ele assentiu.

— Sobre o reembolso do acidente de carro da outra vez.

Então finalmente entendi. O homem se despediu com uma breve reverência e dessa vez saiu mesmo do quarto.

‘…Eu consegui o que queria, mas ainda assim.’

Piscando lentamente, permaneci deitado, tomado por um sentimento estranho. No canto da visão, o soro quase pela metade pingava em intervalos regulares.

 

***

 

— Meu Deus, promotor! O que aconteceu? O senhor brigou em algum bar no fim de semana?

Assim que cheguei ao trabalho, meu assistente ficou pálido ao ver meu rosto e praticamente gritou. Levantei involuntariamente uma mão, mas ao ver a atadura branca, baixei-a novamente.

— Bom… algo assim.

Respondi de qualquer jeito, mas ele continuou parecendo desesperado. Não havia motivo para explicar mais nada, então apenas desviei o olhar e fui para minha sala.

— O senhor vai encontrar o juiz Regan à tarde, certo? Vou preparar os documentos.

— Obrigado.

Ao ouvir as palavras apressadas do assistente atrás de mim, agradeci e fui entrando no escritório.

— Ah, espere..

Ele tentou dizer algo, mas eu já havia aberto a porta.

Huu…

Quando inspirei fundo, soltando um breve suspiro, parei de repente. Um perfume familiar, que eu não queria sentir de novo, espalhou-se no ar. Levantei lentamente a cabeça e, como esperado, lá estava o homem que eu menos queria encontrar agora. Sentado casualmente, apoiado com a metade do quadril sobre minha mesa:

Nathaniel Miller.

Por um instante, eu simplesmente o encarei. O meu corpo ficou tão tenso que eu quase esqueci de respirar. Apenas o meu coração batia, violento, como se fosse explodir. Seria medo, ou seria outra coisa? Nathaniel abriu a boca.

— Bom dia, promotor Chrissy Jin.

Sua voz baixa e cansada pairou no ar com desenvoltura. Seu rosto, esboçando um sorriso sutil em minha direção, era como uma máscara. Ou talvez não houvesse sorriso algum. Era difícil ler sua expressão. A única certeza era que sua voz fez meu corpo despertar da anestesia.

— …O que está fazendo aqui?

Perguntei, fingindo me ocupar em fechar a porta para desviar o olhar. Pela fresta estreita, vi o rosto constrangido do meu assistente. Percebi o que ele ia dizer e sorri, sinalizando que estava tudo bem.

Clac.

No instante em que a porta se fechou, um silêncio repentino pairou, acompanhado de tensão. Só então me veio à mente a dúvida: será que é mesmo certo ficar sozinho com ele num espaço fechado? Percebi, tarde demais, que seu doce aroma se espalhava pelo ar. Achei que tinha cometido um erro, mas, como parecia que estaria me rendendo, não podia abrir a porta de novo. Em vez disso, apenas me virei para encará-lo.

— Parece que o seu hobby é aparecer sem avisar em escritórios alheios. Ou será que não há escritórios vazios na sua empresa? Se precisar, posso pedir ao Procurador-Chefe para arrumar mais uma mesa para o senhor.

Quando respondi com sarcasmo na voz dura, para minha surpresa, ele sorriu. Desta vez, com certeza – seus lábios realmente se curvaram. Fingi não notar, caminhei direto até a mesa e deixei minha pasta em cima. Agora meu corpo bloqueava perfeitamente a gaveta onde eu sabia que havia preservativos – e naquele momento, isso me deu uma sensação ridícula e absurda de invencibilidade.

Fiquei de frente para ele, separados pela mesa. Ao me aproximar, o aroma sutil que ele exalava tornou-se nitidamente mais forte. Ao mesmo tempo, minha hostilidade em relação a ele não parava de diminuir.

‘Como alguém tão frio, afiado como uma lâmina, pode exalar um aroma tão doce? O mundo realmente não faz sentido algum.’

— Vocês… sempre espalham feromônios por aí como se não  fosse nada porque não sabem o que é autocontrole?

Eu não consegui evitar o sarcasmo. Mas Nathaniel não se irritou nem um pouco e respondeu de forma tranquila:

°

°

Continua….

 

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m caso chocante acontece: um alfa, junto com seu grupo, estupra e assassina um ômega. O promotor encarregado do caso, Chrissy Jin, recusa qualquer acordo e decide levar o caso a julgamento, determinado a garantir uma punição adequada.
É nesse contexto que ele encontra pela primeira vez Nathaniel Miller, representante da maior firma de advocacia dos Estados Unidos, o Miller. Mas a arrogância de Nathaniel não lhe agrada em nada.
Pouco depois, ao voltar de um encontro com seus pais adotivos, Chrissy se envolve num acidente de trânsito: por azar, o carro em que bateu é justamente o de Nathaniel. Diante do valor absurdo do conserto, Chrissy não tem escolha a não ser ir até o homem para explicar sua situação, mas o lugar onde Nathaniel se encontra é, na verdade, uma festa de feromônios.
Lá, Chrissy quase acaba sendo violentado por Nathaniel, mas consegue atingi-lo com um caco de vidro e escapa. A partir desse incidente, a atitude de Nathaniel muda radicalmente: ele demite o advogado responsável pelo caso e decide assumir a defesa pessoalmente.
Os dois passam a se enfrentar no tribunal. No entanto, mesmo em meio a essa relação de hostilidade, Chrissy se sente estranhamente atraído por ele. Nathaniel, por sua vez, não disfarça seu interesse por ele. Em meio a essa tensão crescente, um dos membros do júri surpreende Chrissy com uma revelação inesperada….
Nome alternativo: Run Away If You Can

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