Ler Fuja se puder – Capítulo 18 Online
— Qual é o motivo da sua visita?
O homem de expressão neutra, com o rosto impassível e um profissionalismo quase robótico, perguntou sem demonstrar um pingo de emoção.
‘Será que ele é uma I.A.?’
Enquanto um pensamento absurdo me passava pela cabeça, abri a boca.
— Vim encontrar o senhor Miller.
— O senhor Miller?
Ele repetiu minhas palavras e então me olhou de cima a baixo, examinando-me brevemente. Me senti um pouco constrangido e lancei um olhar furtivo para trás dele.
— Por acaso a senhorita Alice Martin está aqui? Ela provavelmente me conhece…
Se ela estivesse, as coisas seriam bem mais fáceis. Meu palpite deve ter estado certo, pois ele logo assentiu com a cabeça, dizendo “Ah, ah.” com o rosto ainda impassível.
— Pode entrar. Vou levá-lo até ele.
A conversa terminou muito mais fácil do que eu esperava. Fiquei aliviado, embora um pouco confuso. Entreguei as chaves do carro a outro homem de terno e segui aquele que parecia ser o chefe. Pela visão periférica, vi os homens rindo discretamente atrás de mim.
‘Sinto muito pelo carro ser uma porcaria, imbecis!’
Imaginei meu carro alugado, barulhento e sem graça, parado entre uma fileira de veículos de luxo espalhados pelo jardim, o meu rosto queimou de vergonha.
‘Vou embora logo, de qualquer forma.’
Endireitei o pescoço de propósito e segui com a cabeça erguida. Afinal, eu estava prestes a interromper alguém no meio de uma festa, o que certamente não o deixaria de bom humor. Talvez eu pudesse marcar outro horário, dependendo do clima. O importante era alcançar meu objetivo.
No meio de um processo judicial, tudo já era desconfortável o bastante. Enquanto eu caminhava, rodava mentalmente várias possibilidades, como se simulasse um jogo. Mas então, de repente, um perfume doce tocou meu nariz. Assim que percebi, o aroma se intensificou a cada passo, até parecer me envolver por completo, adocicado e entorpecente.
Era o cheiro daquele homem.
Instantaneamente, a lembrança dele veio à tona – aquele encontro inicial, o lugar fechado tomado pelo perfume dele. Uma doçura insanamente deliciosa. Se esse aroma estava tão forte a ponto de encher um casarão como aquele, então quanta quantidade de feromônio devia estar sendo liberada?
Mas parecia que só eu era afetado. A figura do homem à minha frente não mostrava nenhuma agitação.
‘Ele deve ser um gama.’
Por um breve instante, senti inveja. A imunidade deles aos feromônios era algo que qualquer um desejaria naquela situação.
…Hã?
De repente, percebi outro aroma misturado no ar. Não era apenas o de um alfa dominante, havia outro tipo. Em grande quantidade.
O cheiro de um ômega.
Parei, hesitante. Que tipo de festa era aquela, afinal? Com um nível de feromônio alfa tão intenso, qualquer ômega ali correria perigo.
Uma sensação de inquietação subiu pela minha espinha. Antes que eu pudesse reagir, uma porta próxima se abriu de repente e alguém saiu correndo de dentro. No mesmo instante, o cheiro de feromônio explodiu no ar, como uma onda que me atingiu em cheio.
— …Hh!
Engoli o ar num suspiro ofegante – e esse simples reflexo acabou sendo um erro fatal. Tudo girou. Minha visão ficou turva e o corpo fraco. Sem perceber, apoiei-me na parede para evitar cair, e meus olhos encontraram os do homem que saíra correndo. Seus olhos transbordavam de prazer.
‘Meu Deus… ele está completamente nu.’
Sem uma única peça de roupa, nem mesmo roupa íntima com apenas o membro ereto, pulsando entre as pernas, enquanto ele me encarava fixamente.
‘Um ômega.’
Pelo aroma que emanava dele, percebi a identidade do homem. Ele me olhou com os olhos embaçados e então riu de maneira estranha, como se tivesse perdido completamente o juízo devido aos feromônios de alfa dominante. Enquanto seu corpo vacilava como um balão esvaziando, outro homem que apareceu de repente atrás dele o derrubou sem cerimônia. Da mesma forma, ele também estava completamente despido, e sem qualquer hesitação ou preliminar, o homem nu montou sobre o ômega e enfiou seu membro sexual vermelho e inchado.
— Haa… uuh…
Sons confusos, entre o choro e o riso, ecoavam enquanto os dois se moviam juntos. A cada vez que seus corpos se chocavam, sêmen e outros fluidos respingavam pelo chão de mármore polido
Instintivamente, cobri o nariz com o braço, tentando ao máximo evitar o cheiro. Fiz o possível para respirar o mínimo de ar, inspirando apenas o necessário para não desmaiar. Nesse momento, o homem à minha frente estendeu a mão, como se quisesse me ajudar a seguir em frente.
— Por aqui.
Ele caminhou com naturalidade absurda pelos dois rolando no chão à nossa frente. Um mau pressentimento fez meu coração bater forte, mas já era tarde demais para me virar e sair. Como que enfeitiçado, segui o homem. O lugar para onde ele me levou era exatamente a sala de onde o ômega havia surgido. Além de duas portas enormes e totalmente abertas, havia um salão de tamanho colossal. E era dali que o cheiro forte emanava.
Ali dentro, vi uma quantidade absurda de alfas e ômegas, muito mais do que jamais imaginara ver reunidos em toda a minha vida. O que mais me chocou foi perceber que todos os alfas presentes eram alfas dominantes. Aqueles seres raríssimos, que uma pessoa comum talvez nunca encontrasse sequer uma vez na vida, estavam ali em grande número.
Era, sem dúvida, uma festa apenas para alfas dominantes.
Um leve enjoo me subiu à cabeça, e finalmente compreendi o motivo do cheiro tão intenso. O feromônio de um único alfa já era avassalador – mas com tantos reunidos, era inevitável que apenas a presença deles bastasse para destruir a força de vontade de qualquer um. Isso explicava por que tantos ômegas estavam completamente tomados, incapazes de se controlar. Haviam vários deles entregues à influência dos feromônios, movendo-se de forma desordenada, gemendo, e até chorando. Não eram poucos os ômegas montando sobre os alfas, balançando os quadris descontroladamente enquanto gritavam.
Os alfas dominantes os observavam com arrogância. Sua soberba era ainda mais evidente pelo fato da maioria deles ainda estar vestida, apenas observando de cima os ômegas nus, que rastejavam pelo chão, esfregando-se neles quase como se estivessem suplicando. Essa diferença de postura deixava ainda mais evidente o orgulho e a frieza que os cercavam.
É verdade que também se via alguns Alfas dominantes rolando pelados, com os ômegas. Vários ômegas se aglomeravam em volta de um dele; enquanto ele enfiava o pênis em um e socava outro ômega sem piedade, deixando-o ensanguentado. Os outros ômegas estavam ocupados demais, lambendo e chupando várias partes de seu corpo, e até mesmo o ômega com o osso do nariz possivelmente quebrado, jorrando sangue, parecia extasiado ao ser espancado, com os olhos revirados e o membro ereto.
Havia diferenças, mas todos se comportavam como animais. Em um canto, vi seguranças arrastando um ômega inconsciente depois de uma surra, provavelmente machucado demais para continuar. Em outro, via-se um ômega que estava sendo fodido com tanta força que seu ânus estava rasgado, sua virilha coberta de sêmen e sangue, mas ele continuava rebolando os quadris descontroladamente.
Todos estavam bebendo vinho. Os ômegas chupavam os pênis dos alfas dominantes e depois engoliam o vinho com sêmen ainda na boca. Alguns bebiam diretamente da garrafa e desmaiavam no chão. Mesmo deitados, suas ereções não diminuíam.
O enjoo cresceu dentro de mim, e quando achei que ia desabar, o vi.
Nathaniel Miller.
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Continua…
Ler Fuja se puder Yaoi Mangá Online
m caso chocante acontece: um alfa, junto com seu grupo, estupra e assassina um ômega. O promotor encarregado do caso, Chrissy Jin, recusa qualquer acordo e decide levar o caso a julgamento, determinado a garantir uma punição adequada.
É nesse contexto que ele encontra pela primeira vez Nathaniel Miller, representante da maior firma de advocacia dos Estados Unidos, o Miller. Mas a arrogância de Nathaniel não lhe agrada em nada.
Pouco depois, ao voltar de um encontro com seus pais adotivos, Chrissy se envolve num acidente de trânsito: por azar, o carro em que bateu é justamente o de Nathaniel. Diante do valor absurdo do conserto, Chrissy não tem escolha a não ser ir até o homem para explicar sua situação, mas o lugar onde Nathaniel se encontra é, na verdade, uma festa de feromônios.
Lá, Chrissy quase acaba sendo violentado por Nathaniel, mas consegue atingi-lo com um caco de vidro e escapa. A partir desse incidente, a atitude de Nathaniel muda radicalmente: ele demite o advogado responsável pelo caso e decide assumir a defesa pessoalmente.
Os dois passam a se enfrentar no tribunal. No entanto, mesmo em meio a essa relação de hostilidade, Chrissy se sente estranhamente atraído por ele. Nathaniel, por sua vez, não disfarça seu interesse por ele. Em meio a essa tensão crescente, um dos membros do júri surpreende Chrissy com uma revelação inesperada….
Nome alternativo: Run Away If You Can