Ler Fuja se puder – Capítulo 15 Online
Nesse meio-tempo, eu inalei nicotina profundamente nos meus pulmões. Quando soltei a fumaça longa do cigarro, senti como se tivesse voltado a viver. Todo o estresse pareceu evaporar num instante, e até a irritação que havia subido por um momento desapareceu.
Ding-dong.
Ao som da campainha, abri a porta, como esperado, era o serviço de quarto. Assinei o recibo, deixei uma gorjeta e dispensei o mensageiro. Com o cigarro ainda preso entre os lábios, puxei o carrinho para dentro e comecei a me preparar para beber o vinho. Quando Doug saísse, provavelmente iria querer fazer de novo. Dessa vez, eu pretendia terminar só com a boca. Afinal, eu também gostava quando chupamos um ao outro.
Ficar levemente bêbado deixaria o clima melhor e também facilitaria ejacular mais rápido.
Embora eu tivesse me preparado em casa antes de vir, isso não significava que a penetração fosse prazerosa. Ainda sentia a estranha sensação de algo dentro de mim, e só doía. Por isso, já tinha decidido que hoje eu não ia deixar ele colocar de novo.
Mas esses desgraçados sempre insistem para enfeitar, custe o que custar.
Irritado, puxei e soltei a fumaça do cigarro, coloquei a taça de vinho em uma posição adequada e peguei o saca-rolhas. Ao cravá-lo na rolha e girá-lo com força, de repente ouvi um som ao fundo.
Era o toque do celular de Doug. Olhei automaticamente para o aparelho que ele havia deixado em cima da mesa.
[Hannah Reynolds.]
Poc.
A rolha escapou da garrafa de vinho e emitiu um som de libertação. O aroma doce e refrescante do vinho tinto se espalhou pelo ar. Mas eu não pude apreciá-lo tranquilamente.
Talvez fosse apenas uma parceira sexual, como eu. Mas, pelo que eu sabia, Doug era gay. E era quase impossível que ele tivesse “virado bi” sem eu saber. O nome que aparecia na tela, no entanto, era claramente o de uma mulher.
Fiquei olhando fixamente para o celular, que continuava tocando. Depois de um tempo, o toque cessou e o silêncio voltou, deixando um leve eco nos meus ouvidos. Peguei o aparelho, franzindo o cenho – havia algo desconfortável em vasculhar o celular de outra pessoa.
‘Como eu imaginei… ainda é o mesmo idiota de sempre.’
A senha era a mesma de antes. Assim que desbloqueei o celular, passei os olhos rapidamente pelo histórico. Nem precisei olhar com atenção. Depois de rolar algumas vezes, cheguei imediatamente a uma conclusão.
Clack.
O som da porta do banheiro se abrindo me fez largar o celular e começar a servir o vinho. Ploc, ploc, ploc – o som leve e cristalino ecoou agradavelmente.
— Ah, ainda não terminou o cigarro?
Com essas palavras, percebi que o cigarro estava apenas pendurado na minha boca o tempo todo. Fingindo naturalidade, dei leves batidinhas no filtro; a cinza, que já estava prestes a cair, despencou pesada. Ao ver o corpo cinzento e comprido, agora partido ao meio sobre o cinzeiro, senti uma estranha sensação me atravessar. Antes de apagá-lo, levei-o aos lábios mais uma vez e dei uma longa tragada.
Doug saiu do banheiro com uma toalha grande enrolada na cintura. A silhueta sob o tecido deixava claro que ele não estava usando mais nada. Desviei o olhar, sem demonstrar expressão, e lhe estendi uma taça de vinho.
— Oh, obrigado. Vamos brindar?
Levantei a taça e toquei levemente a dele, como ele queria. Doug parecia apressado – ele bebeu um bom gole de uma vez, sem sequer saborear o vinho. Ao pousar a taça, olhou para mim, esperando que eu fizesse o mesmo. A transparência das intenções dele me fez rir, por dentro.
‘É, eu costumava gostar dessa simplicidade dele.’
Molhei apenas os lábios com o vinho e deixei a taça sobre a mesa. Ele não esperou – me puxou para um abraço. Nossos lábios se tocaram, e eu apenas aceitei, sem resistir. Enquanto pensava até onde iria deixá-lo ir, o toque do celular soou novamente, no momento exato. Doug, irritado, esticou o braço para pegá-lo, ainda me beijando displicentemente no rosto. O aparelho escorregou dos dedos dele e caiu no tapete.
— Ah, que droga…
Resmungando, ele se abaixou e pegou o telefone. Mas, de repente, ficou paralisado. Hesitou por um instante, e o jeito como me olhou indicava que algo não estava certo.
— Ah… espera um pouco.
Dei de ombros, como se dissesse “faça o que quiser”. Observei em silêncio enquanto ele atendia o telefone às pressas e se escondia dentro do banheiro.
— …Sim, isso mesmo… sim… o quê? Não, não é nada disso…
Ouvi sua voz hesitante e desconexa durante a ligação. Encostei-me na janela, acendi outro cigarro. Minha testa franziu involuntariamente. Depois de soltar a fumaça lentamente, esfreguei o espaço entre as sobrancelhas. Quando Doug saiu do banheiro após terminar a ligação, eu estava fumando com uma expressão impassível.
— Ah… desculpa. Era uma coisa urgente.
Pediu desculpas, mas continuava evitando o meu olhar. Aspirei o cigarro profundamente e soltei a fumaça devagar. Antes que o silêncio desse espaço para suspeitas, falei com um leve sorriso.
— Era a mulher que ligou antes?
Por um instante, ele pareceu levar um choque. Um silêncio constrangedor se instalou.
— O quê?
Foi tudo o que ele conseguiu dizer, e eu respondi com naturalidade:
— Estou falando da ligação que você recebeu enquanto estava no banho. Hannah Reynolds, certo?
Ele não conseguiu disfarçar. Nem mesmo teve a cara de pau de tentar mudar de assunto. O rosto ficou vermelho, e ele começou a gaguejar, sem saber o que fazer.
— V-você… você atendeu? Atendeu o telefonema da senhorita Reynolds?
— Estava tocando sem parar.
— E… e então? O que você disse para ela?
Diante da reação dele – pálido, inquieto, praticamente tremendo –, eu retruquei com calma:
— O que você acha que eu disse?
— Não brinque comigo!
Doug explodiu, mas a raiva só o fez parecer ainda mais acuado. Respondi num tom despreocupado, tentando tranquilizá-lo:
— Fica tranquilo. Eu disse que era um garoto de programa.
— Cof, cof–!
De repente, ele começou a tossir violentamente. Eu apenas continuei fumando, esperando pacientemente que a crise passasse. Depois de um bom tempo, ele levantou os olhos marejados e gritou comigo:
— Você enlouqueceu? Por que diabos disse uma coisa dessas?!
Soltei a fumaça devagar, sem alterar a expressão.
— Por quê? Então eu deveria ter dito que sou seu ex-namorado e atual parceiro sexual?
— Merda!
Ele explodiu, chutando o sofá com raiva. Soltou gritos sem sentido, andou de um lado para o outro pelo quarto, depois bateu na parede e encostou a cabeça nela. Fiquei observando em silêncio, fumando o resto do cigarro.
Por um tempo, ele não conseguiu se acalmar. Ofegante, esgotado, acabou desabando sobre a cama. Esperei até que se acalmasse um pouco para então abrir a boca:
— Era mentira.
Doug levantou o olhar vazio, me encarando sem entender. Levei o cigarro quase apagado à boca e continuei:
— Eu estava mentindo. Você não acha que eu seria imbecil o bastante para atender o telefone de outra pessoa e sair falando qualquer besteira, acha?
— …Ha.
Ele soltou um suspiro misto de alívio e exaustão, como se o ar preso finalmente escapasse. Parecia completamente esgotado. De ombros caídos, cobriu o rosto com as mãos e ficou assim, em silêncio, por um bom tempo.
— …Como você soube?
Perguntou, enfim, com uma voz fraca. Apaguei o cigarro e respondi:
— O telefone tocou enquanto você estava no banho. O nome Hannah Reynolds apareceu na tela.
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Continua…
Ler Fuja se puder Yaoi Mangá Online
m caso chocante acontece: um alfa, junto com seu grupo, estupra e assassina um ômega. O promotor encarregado do caso, Chrissy Jin, recusa qualquer acordo e decide levar o caso a julgamento, determinado a garantir uma punição adequada.
É nesse contexto que ele encontra pela primeira vez Nathaniel Miller, representante da maior firma de advocacia dos Estados Unidos, o Miller. Mas a arrogância de Nathaniel não lhe agrada em nada.
Pouco depois, ao voltar de um encontro com seus pais adotivos, Chrissy se envolve num acidente de trânsito: por azar, o carro em que bateu é justamente o de Nathaniel. Diante do valor absurdo do conserto, Chrissy não tem escolha a não ser ir até o homem para explicar sua situação, mas o lugar onde Nathaniel se encontra é, na verdade, uma festa de feromônios.
Lá, Chrissy quase acaba sendo violentado por Nathaniel, mas consegue atingi-lo com um caco de vidro e escapa. A partir desse incidente, a atitude de Nathaniel muda radicalmente: ele demite o advogado responsável pelo caso e decide assumir a defesa pessoalmente.
Os dois passam a se enfrentar no tribunal. No entanto, mesmo em meio a essa relação de hostilidade, Chrissy se sente estranhamente atraído por ele. Nathaniel, por sua vez, não disfarça seu interesse por ele. Em meio a essa tensão crescente, um dos membros do júri surpreende Chrissy com uma revelação inesperada….
Nome alternativo: Run Away If You Can