Ler Fuja se puder – Capítulo 14 Online

Modo Claro

— Ele simplesmente não parecia humano. Quero dizer… era algo no ar, na aura dele, entende?

De alguma forma, eu entendia o que ele queria dizer, então não insisti. Continuei mastigando meu sanduíche em silêncio. Nesse instante, as palavras do procurador-geral me vieram à mente.

“Eles são diferentes de betas como nós.”

Enquanto eu me deixava levar por essa lembrança, Doug voltou a falar:

— Ele era advogado originalmente, não era? Acho que o escritório Miller foi fundado pelo pai dele. Dizem que ele saiu para entrar na política, mas, se não me engano, agora o filho é quem comanda o lugar.

— É… mais ou menos isso.

Respondi de forma evasiva. Doug deu um gole na água com gás e perguntou:

— E você acha que o filho também vai acabar entrando para a política?

— Sei lá. Bem, se a carreira de advogado não der certo, talvez sim.

Doug me olhou como se eu estivesse louco. Se o império dos Miller fosse à falência, nenhum outro escritório de advocacia no país sobreviveria. Não era que eu não soubesse o significado daquele olhar, mas finji ignorância e bebi minha Coca-Cola.

— Só porque é um Alfa não significa que tudo vai sair como você quer, não é?

Será? Nem eu mesmo acreditava muito no que dizia. Doug apenas riu, deixando o comentário morrer no ar. Sentindo-me constrangido, fingi indiferença e disse.

— Parece que a festa foi divertida.

— Ah, tinha muita coisa interessante. — Doug respondeu brevemente e, em seguida, mudou de assunto: — Já marcaram a data do julgamento?

Balancei a cabeça.

— Ainda não. Tenho uma reunião com o juiz na próxima semana. Eles vão apresentar algumas datas e teremos que coordenar.

Provavelmente tentarão adiar o máximo possível. Mesmo com todas as provas e testemunhas contra eles, irão buscar um jeito de reduzir a sentença – e isso exige tempo.

Enquanto eu calculava mentalmente as datas, Doug perguntou:

— Então que tal isso… Relaxar um pouco antes do julgamento começar?

Olhei de canto para ele, ainda bebendo o refrigerante. Doug sorriu de lado.

— Estava pensando em passar o fim de semana em um hotel. Só para descansar um pouco.

Suas intenções eram óbvias. E, sinceramente, se não fosse com Doug, eu provavelmente sairia para procurar outra companhia de uma noite. Como ele disse, eu também queria um dia de descanso, incluindo sexo, é claro. Já fazia duas semanas desde aquela troca de carícias desajeitadas com o cara do bar.

Virei o resto da lata de refrigerante de uma vez e amassei o alumínio com a mão antes de arremessar no cesto de lixo. A lata fez um som metálico ao cair exatamente no alvo.

— Okay. — Doug ficou visivelmente feliz, com um grande sorriso. Eu me levantei e acrescentei. — Me avise depois a hora e o hotel.

— Quer que eu passe para te buscar?

Eu ainda estava usando o carro alugado enquanto o meu estava na oficina, mas não havia motivo para ir separado. Assenti de imediato, e Doug também balançou a cabeça afirmativamente.

— Beleza… vamos ver se consigo acertar também.

Vi pelo canto do olho ele tentando imitar meu arremesso, jogando outra lata. Não precisei olhar para saber o resultado: o som frustrado que ele soltou já dizia tudo.

***

4

A data combinada chegou rápido. Eu havia trabalhado freneticamente e organizado todos os documentos até o dia anterior,  tinha liberado completamente dois dias para aproveitar o fim de semana ao máximo. Tendo feito tudo, da limpeza da casa aos preparativos para o sexo, eu já tinha terminado todos os preparativos quando chegou a hora de Doug vir e estava tomando um café leve.

Doug chegou na hora certa e tocou a campainha na entrada do primeiro andar. Eu simplesmente coloquei alguns itens necessários nos bolsos da calça e desci as escadas.

— Oi.

— Oi. — Doug me cumprimentou com o mesmo sorriso alegre de sempre e inclinou-se para me beijar. Claro, quando ainda éramos namorados, esse tipo de gesto era comum. Mas isso já fazia anos. Agora ele era apenas um amigo – e, ocasionalmente, um parceiro de sexo. Não havia motivo para trocar beijos na rua como se fôssemos um casal. Por isso, virei o rosto de leve, desviando.

— Depois.

O desapontamento ficou claro no rosto dele, mas não me importei. Beijos, para mim, só faziam sentido no meio do sexo. Doug balançou a cabeça como se dissesse ‘entendo’ e foi direto para o carro estacionado.

O lugar que ele escolheu era um pequeno hotel nos arredores da cidade. Não era um lugar muito luxuoso, mas gostei da simplicidade e limpeza. A decoração interior também não era chamativa, tinha um ambiente simples e aconchegante. A simpática mulher de meia-idade na recepção fez uma espécie de apresentação orgulhosa, contando que aquele pequeno hotel era mantido pela mesma família há três gerações.

— Vamos subir.

Doug, que mal conseguiu se livrar da tagarelice da proprietária, sussurrou com uma voz ansiosa. Desta vez, deixei que ele segurasse minha mão. Não levou muito tempo para sair do elevador e chegar ao quarto no final do corredor. Ele abriu a porta e me deixou entrar primeiro.

Assim que a porta se fechou atrás de mim, ele se agarrou a mim. Como esse era o objetivo de estarmos ali, não enrolei e fui com ele para a cama. Enquanto abria os botões da camisa e deixava seus lábios descerem pelo meu pescoço, revirei os bolsos da calça e tirei uma camisinha. Ao ouvir o barulho do plástico, Doug virou a cabeça e fez uma cara de decepção.

— Não posso gozar dentro?

Fingir-se de coitado não ia funcionar comigo. Em vez de responder, peguei a ponta da embalagem com os dentes e a rasguei. Uff. Doug suspirou e observou em silêncio enquanto eu colocava a camisinha recém-aberta e uma de reserva na mesa de cabeceira. Sentei na beirada da cama e me recuei lentamente, abrindo os botões da camisa.

— Então, vai desistir?

Quando abri deliberadamente a gola da camisa, expondo meu peito nu, Doug engoliu em seco.

— Claro que não.

Imediatamente, ele subiu em cima de mim e esfregou os lábios com impaciência.

***

— Ahh… isso foi incrível.

Doug disse ofegante, deitado exausto. Eu estava deitado ao lado dele, recuperando o fôlego. Ele virou-se para mim e continuou.

— Você é de longe o melhor parceiro que já tive. Eu perco completamente a cabeça quando transo com você.

— É… que bom.

Murmurei, indiferente. Pensei que, pelo menos, era melhor ouvir aquilo do que dizer o que realmente me veio à mente: você é o pior. Doug continuou me olhando, esperando algo – talvez um elogio, um carinho. Mas eu só conseguia pensar em acender um cigarro. Desde a adolescência, quando quase provoquei um incêndio fumando deitado, jurei que nunca mais fumaria na cama. Então, por mais preguiça que sentisse, precisava levantar.

Antes que eu me mexesse, Doug me puxou pela cintura, abraçando por trás.

— Ei, espera um pouco.

Franzi a testa e mostrei a ele o maço de cigarros que segurava, e ele fez uma careta.

— Não pode fumar depois?

A voz dele soou quase suplicante, mas comigo isso nunca funcionava.

— Você pode me foder depois, então.

Ele soltou os braços, parecendo desapontado. Vesti a calça rapidamente e caminhei até a janela. Quando a abri, olhei por cima do ombro – ele estava meio abatido, quase encolhido sobre a cama. Acendi o isqueiro e disse:

— Por que você não pede um vinho? Vou fumar enquanto isso.

Era um hábito beber vinho no intervalo do sexo. Sabendo disso muito bem, Doug balançou a cabeça mesmo contrariado, assentiu e ligou para a recepção.

— Vou tomar um banho. Quando o vinho chegar, assina para mim.

Assenti em silêncio. Ele desapareceu no banheiro, e logo o som da água começou a ecoar no quarto.

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Continua…

 

Ler Fuja se puder Yaoi Mangá Online

m caso chocante acontece: um alfa, junto com seu grupo, estupra e assassina um ômega. O promotor encarregado do caso, Chrissy Jin, recusa qualquer acordo e decide levar o caso a julgamento, determinado a garantir uma punição adequada.
É nesse contexto que ele encontra pela primeira vez Nathaniel Miller, representante da maior firma de advocacia dos Estados Unidos, o Miller. Mas a arrogância de Nathaniel não lhe agrada em nada.
Pouco depois, ao voltar de um encontro com seus pais adotivos, Chrissy se envolve num acidente de trânsito: por azar, o carro em que bateu é justamente o de Nathaniel. Diante do valor absurdo do conserto, Chrissy não tem escolha a não ser ir até o homem para explicar sua situação, mas o lugar onde Nathaniel se encontra é, na verdade, uma festa de feromônios.
Lá, Chrissy quase acaba sendo violentado por Nathaniel, mas consegue atingi-lo com um caco de vidro e escapa. A partir desse incidente, a atitude de Nathaniel muda radicalmente: ele demite o advogado responsável pelo caso e decide assumir a defesa pessoalmente.
Os dois passam a se enfrentar no tribunal. No entanto, mesmo em meio a essa relação de hostilidade, Chrissy se sente estranhamente atraído por ele. Nathaniel, por sua vez, não disfarça seu interesse por ele. Em meio a essa tensão crescente, um dos membros do júri surpreende Chrissy com uma revelação inesperada….
Nome alternativo: Run Away If You Can

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