Ler Fuja se puder – Capítulo 13 Online
Mas aquilo era um tribunal de verdade. Não era um lugar para leigos brincarem de detetive. Eu precisava trazê-lo de volta à realidade.
— A perícia técnica confirmou o que a testemunha disse. Quando Jonathan Davis puxou o gatilho do ponto exato onde estava, o tiro atingiu Anthony de maneira compatível com o relato: a trajetória da bala, a dispersão dos fragmentos e até o modo como os restos do rosto se espalharam pelo ambiente coincidem com a simulação feita pelos peritos. Se o senhor quiser, posso apresentar as imagens e os relatórios que comprovam isso. Mas aviso que não são agradáveis – só alguém completamente insensível conseguiria continuar com apetite depois de ver vísceras e pedaços de carne espalhados pelo chão.
Ao ouvir aquela descrição crua, pessoas ao redor gemeram e se remexeram desconfortáveis. Mas o homem não recuou.
— Então, quer dizer que ainda assim pode ter sido ele quem fez isso, não é?
Senti a cabeça latejar e esfreguei o espaço entre as sobrancelhas.
— Hum, desculpe, qual era o seu nome mesmo?
— Ben.
— Ben, então o que exatamente o senhor está querendo dizer?
Ele inspirou fundo antes de responder.
— O senhor está tentando indiciar Jonathan Davis por assassinato, certo?
— Correto. É por isso que todos estão reunidos aqui.
Assenti de forma rígida. O homem me encarou com olhos faiscantes.
— Assassinato resultaria em pena de morte ou prisão perpétua. O que quero dizer é que não se pode decidir algo tão grave com provas tão frágeis.
— Frágeis?
Involuntariamente, minha voz saiu afiada. Ele continuou, quase se atirando para frente.
— Isso mesmo. Diga-me, promotor. Todas essas provas são cem por cento exatas e incontestáveis?
— …Tenho noventa e nove por cento de certeza.
Respondi com relutância. Afinal, nada no mundo pode ser cem por cento certo. Mas o homem, como se estivesse esperando por isso, gritou.
— Noventa e nove por cento é diferente de cem por cento!
Ele estava, claramente, apenas procurando confusão. O problema não era ele – eram os jurados que o ouviam. Cerrei os punhos várias vezes para conter o impulso de agarrá-lo pela gola e sacudi-lo. E ele não parou por aí: virou-se para os demais e elevou a voz.
— Jonathan Davis é uma vítima injustiçada! O verdadeiro culpado está solto enquanto vocês prendem o homem errado! A promotoria já cometeu esse mesmo erro antes, lembram? No caso de Anton Lee! Enquanto o verdadeiro criminoso fugia para o México, tentaram colocar um inocente na cadeia! Naquela época também diziam que todas as provas eram irrefutáveis e que Anton Lee era o assassino!
Ele tentava convencer o público citando até casos de outros estados. Era absurdo, mas o pior era que algumas pessoas pareciam se deixar levar. Vendo as reações das pessoas, que se olhavam com expressões preocupadas, cortei suas palavras abruptamente.
— Isso é um absurdo!
Antes que Ben pudesse se intrometer de novo, disparei as palavras uma atrás da outra, sem dar espaço.
— O que estamos decidindo aqui não é se Jonathan Davis é culpado, inocente, se deve ser condenado à morte ou passar o resto da vida na prisão! E posso garantir que todas as provas e testemunhos foram comprovados por experimentos científicos e análises rigorosas. Não há espaço para dúvidas. Questões sobre insuficiência de provas ou se ele não é o verdadeiro culpado serão resolvidas durante o julgamento. O que os senhores jurados devem decidir agora é apenas se o caso deve seguir para acusação formal ou não. Está claro para todos?
Assim que finalizei, num tom áspero, a sala mergulhou em silêncio. Lancei um olhar em volta, observando um a um os jurados.
— Aqueles que concordam com a acusação, por favor, levantem a mão.
No meio do silêncio, levantei a minha primeiro – de modo bem visível.
***
— Obrigada pelo seu trabalho duro, promotor.
A mãe de Anthony Smith se aproximou e me agradeceu. Ainda era apenas o começo, mas, como eu não queria jogar um balde de água fria em alguém que finalmente parecia ver uma ponta de esperança, limitei-me a responder com um simples “Sim”. Também não vi necessidade de dizer que a vitória fora por uma margem perigosamente estreita.
— Ainda assim, o caminho pela frente deve ser longo, não é? Ouvi dizer que o outro lado contratou um advogado caríssimo… parece que recorreram a um escritório de advocacia bem famoso.
Engoli as palavras que me subiam pela garganta – de que aquele escritório era o mais poderoso do país e que jamais havia perdido um único caso, fossem questões econômicas, políticas ou homicídios – e apenas forcei um sorriso. De qualquer forma, tínhamos superado o primeiro obstáculo e conseguido levar o caso para o tribunal.
— Ninguém quer ir para a prisão. E quando o réu é alguém com dinheiro e poder, ele vai usar todos os meios possíveis para escapar. Precisamos estar preparados também.
— Eu confio no senhor, promotor.
Ela se curvou várias vezes em agradecimento antes de se afastar. Senti a garganta apertar, como se algo me sufocasse, e afrouxei a gravata ao sair do tribunal.
*
Enquanto esperava para atravessar a rua, um jornal exposto em uma banca chamou minha atenção. A manchete era uma nota de fofoca sobre a festa do prefeito na noite anterior. E bem no meio da primeira página, com aquele rosto desagradável, estava Nathaniel Miller.
— Você foi também, não foi?
Resmunguei, sentando-me em um banco do parque perto do tribunal enquanto comia um sanduíche.
Comprei o jornal para verificar se havia alguma reportagem sobre o julgamento do dia anterior, mas, para meu azar, lá estava de novo o rosto de Nathaniel Miller estampado. Era um artigo sobre as celebridades que compareceram à festa do prefeito. Ele parecia ter ido acompanhado de uma modelo famosa, uma das mais requisitadas do momento.
Folheei o jornal sem interesse e o dobrei de qualquer jeito. Depois de todo o esforço que tive para convencer o júri, eu simplesmente não suportava olhar para aquele sujeito – nem mesmo em fotografia.
— Você também foi, não foi?
Perguntei, lançando um olhar de soslaio para Doug, que estava sentado ao meu lado. Ele pareceu se sobressaltar.
— Ah… é, fui sim.
Doug coçou a cabeça, meio envergonhado. Ele sempre foi ambicioso demais; não perderia uma oportunidade de marcar presença diante de políticos influentes.
— Parecia estar lotado.
— Claro que estava.
Falei com indiferença, e ele continuou animado:
— Até senadores de outros estados apareceram. Ouvi dizer que o presidente até enviou um vinho de presente como felicitações… Nunca vi tantas celebridades reunidas num só lugar na minha vida.
Ele assobiou baixinho, pensativo, e então piscou os olhos como se se lembrasse de algo.
— Agora que penso… vi o Miller lá. O senador Miller.
Parei, com o sanduíche a caminho da boca. Movi apenas os olhos para olhar para ele, e Doug acenou com a cabeça.
— Sim, Ashley Miller. O pai do Nathaniel Miller.
Naturalmente, ele também era um dos “Alfas dominantes”. E, pensando bem, Nathaniel provavelmente se tornaria exatamente como ele quando envelhecesse. Só então percebi o quanto os dois se pareciam, o que, claro, era de se esperar.
‘백사(白蛇) “Serpente Branca.”’
Esse era o apelido do pai. Ao lembrar disso, a imagem de Nathaniel surgiu nitidamente na minha mente. Em seguida, a imagem dele se levantando lentamente dentro do Jaguar, o olhar arrogante e frio de seus olhos violeta.
Senti a garganta travar e, com um leve atraso, dei mais uma mordida no sanduíche. Doug retomou a conversa:
— Ele tem uma presença impressionante. Ouvi dizer que está de olho nas próximas eleições presidenciais… Bem, o objetivo final de um político é sempre esse, não é? Mas foi incrível, era como se ele já fosse o presidente. A maneira como todos à volta dele se comportavam, a autoridade que emanava… Era quase sufocante. Ele chegou um pouco tarde, mas no instante em que entrou, toda a atenção da sala se voltou para ele. Era como se, por um momento, tudo ao redor desaparecesse e só ele importasse. Mas… havia algo de estranho…. algo que não parecia humano.
— Em que sentido?
— Não sei dizer exatamente onde.
Doug ficou quieto por um momento, como se escolhendo as palavras, soltou um “Hum…” e coçou o queixo, então deu de ombros.
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Continua…
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m caso chocante acontece: um alfa, junto com seu grupo, estupra e assassina um ômega. O promotor encarregado do caso, Chrissy Jin, recusa qualquer acordo e decide levar o caso a julgamento, determinado a garantir uma punição adequada.
É nesse contexto que ele encontra pela primeira vez Nathaniel Miller, representante da maior firma de advocacia dos Estados Unidos, o Miller. Mas a arrogância de Nathaniel não lhe agrada em nada.
Pouco depois, ao voltar de um encontro com seus pais adotivos, Chrissy se envolve num acidente de trânsito: por azar, o carro em que bateu é justamente o de Nathaniel. Diante do valor absurdo do conserto, Chrissy não tem escolha a não ser ir até o homem para explicar sua situação, mas o lugar onde Nathaniel se encontra é, na verdade, uma festa de feromônios.
Lá, Chrissy quase acaba sendo violentado por Nathaniel, mas consegue atingi-lo com um caco de vidro e escapa. A partir desse incidente, a atitude de Nathaniel muda radicalmente: ele demite o advogado responsável pelo caso e decide assumir a defesa pessoalmente.
Os dois passam a se enfrentar no tribunal. No entanto, mesmo em meio a essa relação de hostilidade, Chrissy se sente estranhamente atraído por ele. Nathaniel, por sua vez, não disfarça seu interesse por ele. Em meio a essa tensão crescente, um dos membros do júri surpreende Chrissy com uma revelação inesperada….
Nome alternativo: Run Away If You Can