Ler Fuja se puder – Capítulo 12 Online
Fechei os olhos e respirei fundo, depois soltei o ar lentamente. Apesar do rastro gaseificado da bebida que desceu pela garganta com uma ardência familiar, minha mente teimava em não clarear. Permaneci imóvel por um tempo, parado no mesmo lugar. Desde o dia anterior, eu estava assim. Não queria admitir, mas talvez tivesse ficado mais abalado do que imaginava. Mais do que o próprio acidente de carro, o que aquele homem havia feito comigo ainda me enchia de tanto medo que meu corpo tremia. Mesmo agora, bastava me distrair por um instante e as chamas vermelhas que haviam tomado minha visão voltavam nítidas, e meus olhos doíam como se estivessem queimando.
‘Volte para a realidade.’
Atirei de propósito a lata vazia com força. Com um som metálico seco, ela bateu na parede e caiu direto no cesto de lixo. Era um pensamento absurdo. Não havia nada de errado com meus olhos, tudo aquilo já havia terminado.
‘Em vez de perder tempo com isso, é melhor revisar mais um pouco o material do julgamento.’
Me obriguei a seguir em frente, apressando o passo mais do que o necessário, ignorando a fisgada pesada que subia pela nuca.
***
A data do grande júri finalmente chegou. Terminei os preparativos cedo e fui para o tribunal. Os repórteres haviam tomado o local desde as primeiras horas da manhã. Entre eles, vi meu adversário cercado de microfones, com uma expressão vitoriosa enquanto discursava com arrogância.
— Não haverá julgamento formal. Confio que os jurados tomarão uma decisão sensata…
Dei a volta discretamente e entrei pelos fundos do prédio. Um repórter que me viu tarde demais gritou meu nome apressadamente, mas finji que não ouvi e entrei rapidamente.
— Dizem que o caso nem vai passar pelo grande júri.
O assistente do procurador, que me esperava, falou com preocupação. Franzi o cenho e perguntei:
— Quem disse isso?
— Saiu uma reportagem no jornal.
Ele tirou o celular do bolso e me mostrou a matéria. Passei os olhos rapidamente pela tela e logo devolvi o aparelho.
— Isso é só blefe. É o que eles sempre fazem.
— Pode ser, mas… estamos falando dos Miller. E se eles tiverem comprado os jurados?
Diante do seu olhar apreensivo, demorei um instante antes de responder.
— Fazer algo assim seria crime. Não acredito que chegariam a esse ponto.
Mesmo assim, por um breve momento, a dúvida me atravessou. Mas não podia concordar com aquela suspeita. Neguei com um tom mais frio do que o normal, e o procurador assistente sussurrou, contendo a respiração:
— Dizem que instalaram escutas na sala de reuniões.
Hesitei, e ele continuou:
— Claro, é só um boato… mas não custa ter cuidado, não acha? Talvez devêssemos verificar.
Abri a boca, mas as palavras não saíram, então a fechei novamente. Eu queria repreendê-lo por acreditar nesse tipo de boato, mas, de alguma forma, não consegui ter certeza. O rosto gelado daquele homem – o mesmo que tentou queimar meus olhos – pareceu apertar meu pescoço como um laço. Além disso, não podia evitar de me importar com o histórico do escritório Miller, que nunca tinha perdido um caso.
Logo vi o advogado deles se aproximando. Voltei à realidade e deixei o assistente para trás, entrando na sala de audiências.
Ele tinha razão em se preocupar. Os advogados do escritório Miller sempre faziam o mesmo: atacavam as testemunhas, descreditavam as provas, e viravam o julgamento de cabeça para baixo. Também sabiam manipular a opinião pública para pender a balança a seu favor.
Mas em um grande júri, os advogados não têm direito de fala. Tudo depende apenas das provas e da argumentação da promotoria. Não havia nada que o outro lado pudesse fazer diretamente.
Cruzei olhares com o advogado enquanto ele se sentava. Ele me lançou um leve sorriso com ar de vitória.
‘Que tipo de confiança é essa?’
A preocupação do procurador assistente parecia ter me contaminado. Folheei os documentos, irritado, quando o juiz finalmente entrou. Todos nós nos levantamos. Depois de um procedimento formal, no qual o juiz explicou brevemente aos jurados os termos e procedimentos, me levantei. Eu me mudaria em direção à sala reservada aos jurados. Respirei fundo antes de dar o primeiro passo.
A sala dos jurados não tinha nada de especial. Olhei ao redor da sala familiar e me acomodei em um canto. Por um momento, o barulho movimentado das pessoas se acomodando continuou, e finalmente o Grande Júri começou.
‘Escutas.’
Afastei o pensamento com um leve sacudir de cabeça e me forcei a focar na sessão. Mesmo que houvesse escutas ali, de que adiantaria? Elas não poderiam influenciar a decisão de acusação.
Alguns casos menores aguardavam julgamento antes do meu. Esperei pacientemente minha vez, enquanto outros dois crimes graves eram analisados e levados à acusação. Finalmente, chegou o momento.
— Quarto caso, Jonathan Davis. Foi preso em casa, no dia X de X, por volta das cinco da tarde. De acordo com o relatório, ele teria organizado uma festa com amigos na noite anterior e, posteriormente, violentado e assassinado Anthony Smith, atirando em seu rosto. A arma usada no crime foi encontrada em sua residência, e foi confirmada a presença de uma grande quantidade de sêmen, identificado como pertencente a Jonathan Davis, no corpo da vítima…
Por todos os lados ouviam-se sons e rostos franzidos, cabeças baixas e pequenos murmúrios abafados. Observei atentamente a reação dos jurados. Uma onda de aversão, desconforto e compaixão pela vítima predominava. Parecia que não haveria problemas para a acusação. Ao perceber isso, senti a tensão nos meus ombros aliviar um pouco. Assim como na audiência preliminar, chamei à cadeira das testemunhas Charlie, um velho amigo de Anthony Smith.
O andamento foi tranquilo. A testemunha destacou o lado gentil e diligente que Anthony Smith tinha em vida, despertando a empatia dos presentes. Quanto aos acontecimentos do dia do crime, ele foi enfático ao negar o que havia sido divulgado pela mídia.
— Ele não era esse tipo de pessoa. É verdade que ele era apaixonado por Jonathan Davis, mas ele nunca disse coisas como ‘vou arrancar dinheiro dele’ ou algo do tipo. Pelo contrário, dizia que Jonathan Davis jamais daria bola para alguém como ele e que, por isso, nem se aproximava.
— Sim, entendo. Alguém tem alguma pergunta?
Concluí minha fala brevemente e olhei ao redor para os jurados. Todos me olhavam com expressões impassíveis. Esperei alguns segundos antes de abrir a boca novamente.
— Então, vamos iniciar a votação…
Foi nesse momento que um homem levantou a mão. Um pressentimento ruim me percorreu, mas acenei com a cabeça para que falasse.
— O fato de a arma ter sido encontrada na casa de Jonathan Davis é realmente uma prova de que ela pertencia a ele?
— A arma estava registrada em nome de Jonathan Davis, e há uma testemunha que afirmou tê-lo visto atirando.
— Então por que essa testemunha não está aqui, e sim esse homem?
Diante da atitude desafiadora, franzi minha testa, e Charlie ficou constrangido. Respondi com frieza.
— Essa testemunha se recusou a depor publicamente. O depoimento foi gravado e aceito como prova.
— E essa prova é realmente confiável? Talvez esse homem tenha atirado e esteja tentando colocar a culpa em Jonathan Davis!
Tive que fazer uma pausa breve para exercer paciência.
Eu já conhecia bem esse tipo de gente. Aqueles que se entorpecem com dramas policiais e passam a achar que a vida real e a ficção funcionam da mesma forma, falando como se fossem especialistas apenas porque aprenderam meia dúzia de clichês de televisão.
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Continua…
Ler Fuja se puder Yaoi Mangá Online
m caso chocante acontece: um alfa, junto com seu grupo, estupra e assassina um ômega. O promotor encarregado do caso, Chrissy Jin, recusa qualquer acordo e decide levar o caso a julgamento, determinado a garantir uma punição adequada.
É nesse contexto que ele encontra pela primeira vez Nathaniel Miller, representante da maior firma de advocacia dos Estados Unidos, o Miller. Mas a arrogância de Nathaniel não lhe agrada em nada.
Pouco depois, ao voltar de um encontro com seus pais adotivos, Chrissy se envolve num acidente de trânsito: por azar, o carro em que bateu é justamente o de Nathaniel. Diante do valor absurdo do conserto, Chrissy não tem escolha a não ser ir até o homem para explicar sua situação, mas o lugar onde Nathaniel se encontra é, na verdade, uma festa de feromônios.
Lá, Chrissy quase acaba sendo violentado por Nathaniel, mas consegue atingi-lo com um caco de vidro e escapa. A partir desse incidente, a atitude de Nathaniel muda radicalmente: ele demite o advogado responsável pelo caso e decide assumir a defesa pessoalmente.
Os dois passam a se enfrentar no tribunal. No entanto, mesmo em meio a essa relação de hostilidade, Chrissy se sente estranhamente atraído por ele. Nathaniel, por sua vez, não disfarça seu interesse por ele. Em meio a essa tensão crescente, um dos membros do júri surpreende Chrissy com uma revelação inesperada….
Nome alternativo: Run Away If You Can