Ler Fuja se puder – Capítulo 102 Online

‘O que esse desgraçado está dizendo agora?’
Dizer que descobriria o paradeiro do detetive Simmons era, sem dúvida, a melhor notícia possível. Ainda assim, Chrissy não conseguia aceitar aquilo de imediato.
‘Qual é a real intenção dele?’
— Antes você não disse que não sabia nada sobre ele?
Ao ouvir a pergunta carregada de cautela, Nathaniel respondeu com indiferença.
— Sim, e continuo não sabendo. — Antes mesmo que Chrissy pudesse reagir, ele acrescentou: — Mas posso descobrir.
Isso era algo que o próprio Chrissy já tinha imaginado. Tanto que tinha tentado de todas as formas que o homem ‘descobrisse’ para ele. Embora fossem as palavras que tanto queria ouvir, não conseguia aceitá-las facilmente.
—Por que mudou de ideia de repente? Até onde sei, você recusou terminantemente antes.
Para Chrissy, que não mordia a isca facilmente, Nathaniel perguntou de volta, com a voz ainda tingida de um sorriso.
—Você mesmo não disse agora? Eu mudei de ideia.
— Sim, mas por quê?
Um breve silêncio se instalou. Naquele clima estranho e incômodo, Chrissy aguardava a resposta quando Nathaniel falou, lentamente:
— A única coisa que você precisa dizer é ‘sim’ ou ‘não’.
Não parecia que ele iria explicar tudo com facilidade. Era óbvio que havia segundas intenções, mas quais? Chrissy tentou de todas as formas penetrar nos pensamentos de Nathaniel, mas, como era de se esperar, foi inútil.
— Posso ter certeza de que você vai cumprir a promessa?
Ao perguntar de forma provocativa, os olhos de Nathaniel se estreitaram ainda mais.
— “Como posso confiar em você?” é algo que parece mais apropriado de dizer.
— Foi você quem mentiu.
E, por mais irritante que fosse, era verdade. Até agora, Nathaniel sempre seguiu as regras, nunca enganou Chrissy, e quem quebrava acordos e tentava trapacear era sempre o próprio Chrissy. Dizer agora “como posso confiar em você?” soava realmente absurdo.
Ao relembrar suas atitudes passadas, Chrissy sentiu vergonha. Mesmo que não gostasse de Nathaniel Miller e o considerasse um advogado desprezível, o que ele vinha fazendo até agora fora rude e descabido. Ainda assim, ele chegou a achar que suas ações eram justificáveis.
Cego pelo preconceito, sequer tentou fazer um julgamento justo. Não, nem mesmo teve vontade de tentar. Pensar nisso o fez sentir-se patético.
‘Talvez, desta vez, eu devesse fazer uma escolha diferente.’
Nathaniel continuava esperando sua resposta. A ansiedade em relação às intenções daquele homem não desapareceram, mas, ao relembrar o que já tinha vivido, Chrissy não queria cometer o mesmo erro outra vez. Soltando um suspiro, ele finalmente falou, com dificuldade.
— Não posso continuar faltando ao trabalho. — Com um tom mais brando que o habitual, continuou: — Preciso ir trabalhar. Em troca, fico na sua casa.
Ao ouvir isso, Nathaniel franziu a testa, claramente insatisfeito.
— Não acho que seja uma boa ideia.
Diante da reação dele, Chrissy apontou com o rosto impassível:
— Não tem jeito. Eu sou assalariado. Não posso decidir meus dias de trabalho e folga como você, que vai para o escritório quando bem entende. — Ele não pretendia criticar nem alfinetar, mas soou assim mesmo. Constrangido, Chrissy apressou-se em acrescentar: — Em compensação, vou cooperar o máximo possível com você. É o melhor que posso fazer.
Até licença médica tem limites. Depois de apresentar o que considerava a melhor alternativa, Nathaniel ficou em silêncio, observando-o atentamente, até enfim falar:
— Cooperar o máximo possível é…
Falando de propósito em um ritmo mais lento do que o habitual, ele repetiu as palavras de Chrissy e o encarou com os olhos semicerrados.
— Então isso quer dizer que você vai seguir o método que eu decidir, certo?
— ……Se for possível.
Como ele já havia dito aquilo antes, Chrissy não teve escolha a não ser responder assim. Foi nesse momento que o canto dos lábios de Nathaniel se arqueou suavemente. Justo quando Chrissy começou a pensar se não teria dito algo errado, Nathaniel abriu a boca.
— Então façamos assim. Vamos ir e voltar do trabalho juntos.
Um silêncio constrangedor se instalou entre os dois. Chrissy só reagiu depois de dois ou três segundos de pausa.
— ……O quê?
Diante daquele único murmúrio, Nathaniel continuou falando com total naturalidade.
— Você não disse que não consegue ficar trancado na minha casa esperando por mim? Se é assim, só resta uma opção: ficar perto de mim o máximo possível. —Em seguida, como se estivesse confirmando algo, ele perguntou:— Estou errado?
Chrissy piscou os olhos, atônito. Não estava errado. Mas também não dava para dizer que estava certo. Como aquela conclusão tinha surgido? Ir e voltar do trabalho juntos… isso significava passar todo o tempo com ele, exceto o horário de expediente? Por quê? Até esse ponto?
— Isso soa um pouco… exagerado.
No fim, Chrissy acabou recuando um passo. Ele não tinha palavras o suficiente para se defender depois de ter desconfiado desse homem e acabado devendo-lhe tanto por isso, mas, ainda assim, não podia pagar essa dívida desse jeito.
— Eu sou promotor. Ir e voltar do trabalho com você não vai ajudar em nada a minha reputação.
Ainda mais sendo o infame “Miller”. Um escândalo seria inevitável. E, considerando que haviam se envolvido diretamente no incidente recente, todo tipo de especulação absurda certamente surgiria.
— Eu não quero chamar atenção. Então pense em outro jeito.
Recusando da forma mais suave que conseguiu, Chrissy sentiu o coração estranho por dentro. Nunca tinha sequer imaginado ter de escolher palavras pensando no humor de Nathaniel Miller.
Enquanto aguardava em silêncio alguma reação, Nathaniel balançou lentamente a taça de vinho, mergulhado em pensamentos. Como se estivesse realmente levando em consideração o que Chrissy dissera e procurando uma forma de resolver as coisas.
— Então façamos assim.
Depois de beber o vinho, Nathaniel falou:
— Eu te deixo em um lugar onde não chame a atenção das pessoas. Assim resolve, não
— O quê……?
Vendo Chrissy piscar, confuso, Nathaniel continuou:
— O problema é que você não gosta que as pessoas vejam você comigo, certo? Então estou dizendo que vou te deixar num local onde as pessoas não nos vejam. Assim o problema não está resolvido?”
Era um argumento válido, mas, ao mesmo tempo, Chrissy percebeu que, não importava o caminho, a conclusão não mudaria.
‘Por quê? Por qual motivo? Por que ele está tão determinado a me manter dentro do seu campo de visão?’
A dúvida só crescia, mas mesmo que perguntasse, não receberia resposta. Diante disso, a escolha que Chrissy podia fazer naquela situação já estava definida.
— ……Uma semana.
Por fim, ele falou.
— Não dá para continuar por muito tempo. Descubra o paradeiro do detetive Simmons dentro de uma semana. Se até lá você não encontrar nada, eu paro de te acompanhar.
Chrissy estipulou o maior prazo que conseguiu aceitar. Diante do tom firme, os olhos de Nathaniel se estreitaram, e um sorriso tênue surgiu.
— Então é melhor eu me apressar.
Parecendo satisfeito com a resposta, ele pegou novamente a faca e o garfo e retomou a refeição. Chrissy também tentou levar o pão à boca, mas ainda havia algo que precisava confirmar.
— As crianças estão mesmo seguras, não estão? Agora… eu não preciso mais me preocupar, certo……?
Diante da voz que se apagava sem confiança, Nathaniel respondeu de forma breve.
— Não se preocupe. Logo elas vão voltar para casa.
Chrissy o encarou em silêncio por alguns instantes. No passado, ele teria insistido, dizendo que não acreditaria sem ver com os próprios olhos. Mas, desta vez, não fez isso.
— ……Está bem.
Dizendo apenas isso, ele empurrou o restante do pão para dentro da boca. Aquilo não tinha gosto algum, mas, de repente, pareceu doce. Enquanto mastigava lentamente, Nathaniel terminou o prato de frango e passou a comer as batatas assadas. Só depois de consumir uma quantidade que facilmente devia ser cinco vezes maior do que a de Chrissy é que Nathaniel finalmente voltou a falar.
— Vamos comer a sobremesa na sala de estar?
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Continua…
Ler Fuja se puder Yaoi Mangá Online
m caso chocante acontece: um alfa, junto com seu grupo, estupra e assassina um ômega. O promotor encarregado do caso, Chrissy Jin, recusa qualquer acordo e decide levar o caso a julgamento, determinado a garantir uma punição adequada.
É nesse contexto que ele encontra pela primeira vez Nathaniel Miller, representante da maior firma de advocacia dos Estados Unidos, o Miller. Mas a arrogância de Nathaniel não lhe agrada em nada.
Pouco depois, ao voltar de um encontro com seus pais adotivos, Chrissy se envolve num acidente de trânsito: por azar, o carro em que bateu é justamente o de Nathaniel. Diante do valor absurdo do conserto, Chrissy não tem escolha a não ser ir até o homem para explicar sua situação, mas o lugar onde Nathaniel se encontra é, na verdade, uma festa de feromônios.
Lá, Chrissy quase acaba sendo violentado por Nathaniel, mas consegue atingi-lo com um caco de vidro e escapa. A partir desse incidente, a atitude de Nathaniel muda radicalmente: ele demite o advogado responsável pelo caso e decide assumir a defesa pessoalmente.
Os dois passam a se enfrentar no tribunal. No entanto, mesmo em meio a essa relação de hostilidade, Chrissy se sente estranhamente atraído por ele. Nathaniel, por sua vez, não disfarça seu interesse por ele. Em meio a essa tensão crescente, um dos membros do júri surpreende Chrissy com uma revelação inesperada….
Nome alternativo: Run Away If You Can