Ler Fuja se puder – Capítulo 10 Online

Modo Claro

 

No momento em que pensei nisso, de repente, a visão diante de meus olhos ficou clara.

— … Cof!

Quando o oxigênio voltou bruscamente, tive um acesso violento de tosse. Assim como antes, quando ele apertou meu pescoço, me soltou de repente. Escorreguei e desabei no chão. Enquanto eu arfava, respirando às pressas o ar misturado à fumaça, ele continuou de pé diante de mim. Deixando-me ali, ofegante de dor, com lágrimas e saliva escorrendo.

Minha mente estava completamente em branco, seca, incapaz de formar um pensamento. Tudo o que eu podia fazer era sugar o oxigênio desesperadamente. Aquele deve ter sido o momento em que lutei com mais força pela minha própria vida.

— … Porque… isso… é…

Até então, parecia que apenas minha audição havia sobrevivido intacta, mas agora todos os meus nervos, exceto a audição, gritavam em coro, brilhando com flashes estridentes. Tarde demais, percebi que cada músculo do meu corpo também gritava em dor. A cada respiração, até os confins mais extremos do meu corpo eram agudamente lembrados de sua existência. Além disso, um dos meus olhos ardia tanto que eu mal conseguia abri-lo.

— Urgh…

Quando um gemido escapou entre meus dentes entreabertos, consegui finalmente divisar, com a visão turva de um dos olhos, as sombras de algumas pessoas ao redor de Nathaniel.

Alguém havia chegado.

Essa consciência surgiu vagamente. Encostado de qualquer jeito no Jaguar, eu mal respirava, enquanto meus sentidos voltavam muito lentamente, um passo de cada vez. Meus olhos piscavam sem foco, e a audição foi a última a se recompor dentro de mim – ou talvez fosse mais correto dizer que o cérebro voltou a processar os sons que chegavam aos ouvidos.

—… Então, cuidaremos dos procedimentos posteriores.

Era a voz de uma mulher. Percebi que uma das pessoas de terno preto ao redor era, de fato, uma mulher. Nathaniel moveu-se. Talvez tenha lançado um olhar em minha direção – ou talvez nem isso. Para ele, eu deveria valer menos que uma lata vazia jogada no chão. Seu desprezo óbvio só me fez sentir ainda mais miserável.

Depois que ele entrou em outro carro e desapareceu, a dona da voz voltou-se para mim.

— O senhor está bem? Consegue se levantar?

Ela perguntou educadamente, estendendo a mão. Não senti qualquer cheiro vindo dela. Seria uma beta?, pensei, tentando me erguer sem sua ajuda.

— Cuidado!

Ela exclamou com firmeza quando cambaleei. Consegui, com dificuldade, apoiar-me no carro e recuperar o equilíbrio. Mesmo achando que já havia oxigênio suficiente, minha cabeça ainda latejava, e o ardor no olho continuava. Fiquei um tempo parado, cobrindo um dos olhos com a mão, tentando controlar a respiração. Ela me observou por um instante antes de falar novamente.

— Meu nome é Alice Martin. Sou secretária executiva e guarda-costas do Sr. Miller.

— … Chrissy Jin.

Consegui dizer o nome, com a voz rouca e entrecortada após uma pequena tosse.

— Que bom que está são e salvo.

Ela acrescentou um sorriso profissional. Instintivamente, olhei para ela com espanto. Ela certamente deve ter me visto sendo estrangulado, como pode dizer isso? Como se tivesse lido meus pensamentos, Alice continuou com um tom neutro.

— O senhor não quebrou nada, nem ficou com sequelas, não é? Teve muita sorte. Se não tivéssemos chegado a tempo, agora mesmo o senhor…

Ela balançou a cabeça, como se não quisesse terminar a frase. Eu também preferia não pensar no resto.

Alice continuou, de modo direto:

— Uma equipe virá separadamente para lidar com os procedimentos do acidente. O senhor já entrou em contato com a seguradora?

Silenciosamente, peguei meu celular. Meus dedos tremiam enquanto procuravam o número salvo, e várias vezes discando para o número errado, que desligava abruptamente. Finalmente consegui conectar a chamada, troquei algumas palavras e fui designado a um responsável. Quando desliguei, Alice, que esperara até então, falou.

— Eu já vou encerrar o expediente. Quer que eu o leve até em casa?

Ela olhou de maneira significativa para o carro acidentado atrás de mim. Diante daquele olhar evidente, hesitei por um instante. Os serviços desse maldito país são simplesmente terríveis; e em situações assim o tempo de espera costumava ser praticamente infinito. Eu não estava em condições de dirigir nem tinha forças para chamar um táxi. Era um carro velho, uma sucata… talvez devesse simplesmente desistir dele. Sentindo uma imensa tentação, encarei o veículo que agora não passava de um monte de ferro amassado.

Mas era justamente nessas horas que eu precisava manter a cabeça fria. Como poderia confiar nos empregados daquele homem e simplesmente ir embora? Recusei com educação.

— Não, tudo bem. Obrigado.

Não podia me dar ao luxo de que entrassem com um pedido absurdo de indenização contra mim.

Aquele homem era perfeitamente capaz de fazer algo assim. Ao me lembrar dele apertando meu pescoço sem hesitar, um arrepio gelado percorreu meu corpo. Instintivamente encolhi o pescoço, e em seguida, irritado comigo mesmo, tentei relaxar os ombros. Mas o corpo inteiro estava tão rígido que só produzia estalos doloridos, sem obedecer à minha vontade.

Eu poderia simplesmente ter sorrido e proposto um acordo rápido.

Se fosse o eu de sempre, teria feito isso. Por que, afinal, deixei transparecer o que sentia daquela maneira?

Provavelmente porque meus nervos, que ficaram sensíveis e tensos depois de encontrar meu padrasto, ainda não tinham se acalmado.

E, além disso, o feromônio daquele homem também teve sua parcela de culpa.

Tirei um cigarro do bolso e o coloquei entre os lábios. Nesse momento, ela me estendeu um isqueiro.

— Obrigado.

Agradeci brevemente e acendi o cigarro. Alice também colocou um cigarro na boca e o acendeu.

Ficamos um tempo ali, em silêncio, fumando lado a lado. Já passava da meia-noite, e a rua estava tranquila. No meio daquele silêncio, comecei a me perguntar por que ela ainda não tinha ido embora.

Ah…

Talvez por causa de todos os acontecimentos daquela noite, minha percepção estivesse embotada. Lancei um olhar de relance e, quando nossos olhos se encontraram, percebi que Alice estava me observando. Só então compreendi de uma vez o motivo de ela ter se oferecido para me acompanhar e o porquê de ainda estar ali.

— Desculpe, mas eu sou gay.

Pedi desculpas com um leve sorriso de compreensão. Ela, que tragava a fumaça do cigarro, engasgou e começou a tossir violentamente. Esperei que se acalmasse antes de continuar:

— Se eu entendi errado, peço desculpas.

Alice recuperou o fôlego e me olhou de volta. Sua expressão deixava claro que não era engano. Diante do desapontamento evidente em seu rosto, só consegui esboçar um sorriso amargo.

— Eu só me preocupei se você era alfa ou ômega. Nunca me ocorreu que pudesse ser gay.

Ela murmurou aquilo para si mesma e suspirou. Eu respondi:

— Eu sou beta. — Ela me olhou, incrédula. Eu, sem saber se ria ou me desculpava, acrescentei: — Você não percebeu? Eu não exalo cheiro de feromônio.

Com a minha pergunta, ela respondeu prontamente:

— Ah, é que eu sou gama.

Então entendi, embora não conseguisse esconder a surpresa. Era a primeira vez que eu encontrava um gama de verdade. Gamas eram o tipo mais raro entre os quatro existentes – tão poucos que quase não havia informações disponíveis sobre eles. Por isso, durante os estudos sobre os diferentes tipos de gêneros secundários, o que se aprendia sobre os gamas se resumia apenas ao básico.

Entre as quatro classificações – alfa, beta, ômega e gama –, os gamas eram os únicos incapazes de sentir o cheiro de feromônios. Por consequência, também não sofriam influência de nenhum deles.

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°

Continua…

 

 

Ler Fuja se puder Yaoi Mangá Online

m caso chocante acontece: um alfa, junto com seu grupo, estupra e assassina um ômega. O promotor encarregado do caso, Chrissy Jin, recusa qualquer acordo e decide levar o caso a julgamento, determinado a garantir uma punição adequada.
É nesse contexto que ele encontra pela primeira vez Nathaniel Miller, representante da maior firma de advocacia dos Estados Unidos, o Miller. Mas a arrogância de Nathaniel não lhe agrada em nada.
Pouco depois, ao voltar de um encontro com seus pais adotivos, Chrissy se envolve num acidente de trânsito: por azar, o carro em que bateu é justamente o de Nathaniel. Diante do valor absurdo do conserto, Chrissy não tem escolha a não ser ir até o homem para explicar sua situação, mas o lugar onde Nathaniel se encontra é, na verdade, uma festa de feromônios.
Lá, Chrissy quase acaba sendo violentado por Nathaniel, mas consegue atingi-lo com um caco de vidro e escapa. A partir desse incidente, a atitude de Nathaniel muda radicalmente: ele demite o advogado responsável pelo caso e decide assumir a defesa pessoalmente.
Os dois passam a se enfrentar no tribunal. No entanto, mesmo em meio a essa relação de hostilidade, Chrissy se sente estranhamente atraído por ele. Nathaniel, por sua vez, não disfarça seu interesse por ele. Em meio a essa tensão crescente, um dos membros do júri surpreende Chrissy com uma revelação inesperada….
Nome alternativo: Run Away If You Can

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