Ler Fuja se puder – Capítulo 09 Online

Modo Claro

 

Tarde demais, percebi que ele havia chamado o meu nome. Pisquei rapidamente e voltei à realidade – estávamos parados bem no meio da rua. Nathaniel Miller me olhava de cima, entre suas sobrancelhas franzidas, sua irritação estava evidente.

— O que você está fazendo?

A voz dele, embora calma, carregava uma clara acusação. Fiquei tão surpreso que, depois de um instante, acabei retrucando, revelando o que realmente pensava.

— A culpa é sua por ter aparecido de repente! Que tipo de direção é essa?

Uma das sobrancelhas do homem se contraiu levemente. Foi uma reação rápida, quase imperceptível, mas bastou para que eu entendesse tudo o que ele sentia. Nathaniel Miller desviou o olhar e encarou o meu carro velho, que havia colidido audaciosamente com o seu Jaguar. Em seguida, virou apenas os olhos de volta para mim e aquele olhar de soslaio bastou para me fazer estremecer.

‘Droga, esse cheiro.’

Em meio ao ar pesado e poluído da cidade, um aroma absurdamente doce, completamente fora de lugar, persistia de forma suave. Se eu continuasse inalando aquele perfume, sentia que minha cabeça ia acabar enlouquecendo.

Ou talvez eu simplesmente explodisse de raiva.

Contive o impulso de reagir, segurando o temperamento à força, e o encarei de modo desafiador.

‘Queria ter mais dez centímetros de altura. Não, quinze.’

Eu não era exatamente baixo, mas esse homem era alto demais. E, seja lá qual exercício fazia, o corpo dele era absurdamente bem definido, firme, proporcional, totalmente perfeito. Isso só aumentava a impressão de que ele era ainda maior, enquanto eu me sentia cada vez menor diante dele. A maioria dos alfas eram bonitos, mas esse homem… ele era especialmente atraente. Talvez por ser um alfa dominante.

‘Será que todos os alfas dominantes são assim?’

‘Em outra situação, se ele não fosse um alfa,  eu provavelmente me sentiria atraído por ele.’

Ao pensar nisso, um incômodo amargo subiu pelo peito; fiquei irritado e ferido no orgulho, e meu rosto endureceu sem que percebesse. Além disso, desde o início, a lembrança do toque do meu padrasto ainda queimava na pele, o que me impedia de me concentrar direito naquela discussão.

Diferente de mim, no entanto, o homem não demonstrava qualquer emoção. A única reação que eu havia visto foi aquele breve movimento da sobrancelha, antes.

— Então.

Nathaniel inalou fundo o cigarro e depois soltou a fumaça devagar. Só então percebi que ele estava fumando. Felizmente, o cheiro do tabaco disfarçava um pouco o aroma do seu feromônio, espalhando no ar de forma mais suave.

— O que pretende fazer a respeito dessa situação?

De fato, a culpa era minha. Eu sabia disso. Mas o fato de ele ter entrado de repente na pista também não o deixava livre de responsabilidade. Seria ótimo se eu conseguisse sorrir com leveza, admitir a culpa e me oferecer para arcar com tudo de maneira madura – mas infelizmente não era possível.

Afinal, o que estava diante de mim era um Jaguar. Eu precisava sobreviver, financeiramente e biologicamente. Projetei a voz, tentando assumir o controle da situação:

— O senhor também tem parte da responsabilidade, não acha? Não vai dizer que pretende jogar toda a culpa em mim, certo? Imagino que tenha um mínimo de bom senso.

Nathaniel continuava sem expressão. Mesmo assim, eu tive a impressão de que ele franziu a testa de leve, mas suficiente para deixar claro que não estava nada satisfeito.

De repente, ele levantou a mão.

Assustado, dei um pequeno salto, mas tudo o que ele fez foi passar a mão pelos próprios cabelos, ainda segurando o cigarro entre os dedos. Senti vergonha da minha reação exagerada. Então ele soltou um suspiro curto, claramente impaciente.

Naquele momento, percebi algo nele, um cansaço profundo, uma exaustão que parecia vir da alma. Tive a sensação de que, se esse homem morresse um dia, seria por causa disso.

Seus olhos, que até então estavam voltados para baixo, escureceram. Ao encontrar suas íris de um violeta intenso, de repente lembrei de uma antiga frase.

“Quando olhamos para o abismo…”

— Está dizendo que a culpa é minha?

Ele falou com a voz ainda calma e contida. Apesar da serenidade, não havia sequer uma centelha de emoção. E foi justamente isso que me arrepiou por completo.

Eu abri a boca, prestes a dizer que a culpa era de ambos, quando, de repente, a mão dele se ergueu bem diante dos meus olhos.

— …O quê?

De repente, percebi que ele havia estendido uma mão enorme em minha direção, e, no instante em que congelei de surpresa, fui puxado pelo pescoço. Com um som áspero, meu corpo foi arremessado contra o capô do carro. A dor veio logo em seguida, uma dor aguda que me fez soltar um gemido involuntário.

Mas aquilo não acabou ali. O homem estava logo atrás de mim, segurando meu pescoço enquanto se mantinha de pé. Com a mão apertando com força a minha nuca, ele levou o cigarro lentamente à boca. Nathaniel soltou a fumaça em um sopro longo antes de falar:

— Diga de novo.

Ele ainda soava calmo. Só pela voz, ninguém notaria nada de estranho.

No entanto, a força de sua mão estrangulando minha nuca era extremamente real. Tentei me debater para me livrar de sua mão, mas Nathaniel, como se estivesse zombando de mim, pressionou minha artéria carótida com precisão.

Instantaneamente, minha respiração cortou e meu rosto ficou vermelho. Por mais que meu coração batesse loucamente, nenhum ar chegava. Enquanto eu vacilava entre a vida e a morte, abrindo e fechando a boca inutilmente com o oxigênio se esgotando, ele apenas fumava seu cigarro tranquilamente.

‘Meu Deus.’

Mesmo com a consciência que se esvaía, eu senti. Sua ereção.

Enquanto apertava minha garganta, ele estava excitado. Minha visão escurece gradualmente, mas, estranhamente, o pênis duro do homem pressionado contra minhas nádegas era surrealmente nítido.

‘Esse… desgraçado…’

Quando minhas mãos, que batiam no capô em desespero, perderam a força, pude ouvir, por entre as batidas frenéticas do meu coração, a voz dele, fria e preguiçosa:

— Então.

Nathaniel levou o cigarro de volta à boca e continuou, naquela maldita voz entorpecida:

— De quem é a culpa, promotor Chrissy Jin?

Eu não queria admitir que ele estava me estrangulando, nem que sentia prazer em fazê-lo. Era um horror indescritível. Mas era um fato claro, e eu não queria morrer. Se não me submetesse aqui, esse homem certamente me mataria.

Abri a boca em desespero. Minha garganta estava seca, a língua colada no céu da boca.

Bastava dizer “desculpa” e tudo terminaria. Que eu tinha sido idiota em enfrentar alguém como ele – um alfa dominante – que ele não havia cometido nenhum erro. Que toda a culpa era minha.

Porque Nathaniel Miller nunca comete erros.

Um sentimento misto de impotência e raiva tomou conta de mim. Eu queria viver, mas também não queria me submeter. Não implorei, mas também não consegui resistir. Apenas o encarei com os olhos injetados de sangue, respirando com dificuldade. Nathaniel me olhava de cima por um bom tempo, como se fosse um ser muito superior – alguém que podia me esmagar facilmente, como uma criança que mata uma formiga por diversão.

Ele soltou a fumaça devagar. Entre os dedos longos, o cigarro já estava quase no fim. Um sorriso enviesado curvou seus lábios. De modo estranho, a ponta vermelha do cigarro encheu meu campo de visão, e, sem perceber, fiquei hipnotizado por aquele brilho escarlate que se aproximava.

Ah… seria aquilo uma dança do fogo?

 

°

°

Continua..

 

Ler Fuja se puder Yaoi Mangá Online

m caso chocante acontece: um alfa, junto com seu grupo, estupra e assassina um ômega. O promotor encarregado do caso, Chrissy Jin, recusa qualquer acordo e decide levar o caso a julgamento, determinado a garantir uma punição adequada.
É nesse contexto que ele encontra pela primeira vez Nathaniel Miller, representante da maior firma de advocacia dos Estados Unidos, o Miller. Mas a arrogância de Nathaniel não lhe agrada em nada.
Pouco depois, ao voltar de um encontro com seus pais adotivos, Chrissy se envolve num acidente de trânsito: por azar, o carro em que bateu é justamente o de Nathaniel. Diante do valor absurdo do conserto, Chrissy não tem escolha a não ser ir até o homem para explicar sua situação, mas o lugar onde Nathaniel se encontra é, na verdade, uma festa de feromônios.
Lá, Chrissy quase acaba sendo violentado por Nathaniel, mas consegue atingi-lo com um caco de vidro e escapa. A partir desse incidente, a atitude de Nathaniel muda radicalmente: ele demite o advogado responsável pelo caso e decide assumir a defesa pessoalmente.
Os dois passam a se enfrentar no tribunal. No entanto, mesmo em meio a essa relação de hostilidade, Chrissy se sente estranhamente atraído por ele. Nathaniel, por sua vez, não disfarça seu interesse por ele. Em meio a essa tensão crescente, um dos membros do júri surpreende Chrissy com uma revelação inesperada….
Nome alternativo: Run Away If You Can

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