Ler Fuja se puder – Capítulo 08 Online

Modo Claro

 

— Então, como estão as coisas no trabalho ultimamente?

Enquanto provava o prato que havia pedido, minha mãe fez a pergunta de sempre.Mantive os olhos fixos no prato e respondi com calma:

— Tudo igual… Nada mudou, na verdade.

Achei que tinha soado frio demais, então forcei um pequeno sorriso para suavizar a resposta.

Mas foi inútil. O silêncio que se instalou à mesa era pesado, desconfortável e, no fundo, inevitável. Afinal, aquele jantar era apenas uma formalidade, e nada além disso. Não havia espaço para sinceridade.

— Deve ser difícil. Tome cuidado para não prejudicar sua saúde.

Mesmo diante das palavras gentis da minha mãe, eu apenas respondi com um curto “Sim”. Por um tempo, apenas o som baixo de talheres batendo continuou. Quem trouxe um novo tópico de conversa foi a minha mãe, como sempre.

— Está saindo com alguma moça?

A pergunta era previsível. E minha resposta foi a mesma das vezes anteriores.

— Estou muito ocupado pra isso.

— Mesmo assim, já está na idade de pensar em casamento. Devia procurar alguém.

Sorri de leve, o tipo de sorriso que se oferece para encerrar um assunto sem ofender ninguém.

— Vou tentar, mãe.

Como esperado, ela pareceu satisfeita.

Assentiu com a cabeça, murmurou um “certo, então” e logo voltou a conversar com o meu pai.

Baixei novamente o olhar para o prato.

Minha mãe adotiva, como muitos americanos, era uma cristã devota e acreditava que um homem beta, é claro, deveria encontrar uma mulher adequada, se casar e ter filhos.

Como eles também eram betas, talvez essa fosse uma conclusão natural. O fato de seu filho adotivo, um beta como eu, ser gay era algo inimaginável para ela. A menos que fosse um alfa ou um ômega, um homem se deitar com outro homem era simplesmente impensável.

“Afinal, como betas não podem ter filhos, não devemos cometer algo como a homossexualidade, que vai contra os desígnios de Deus.”

Se eu levasse um ômega como parceiro de casamento, talvez a conversa fosse diferente. Claro, não seria recebido com tanto entusiasmo quanto levar uma mulher. Mas como sou um beta completo, isso também era impossível.

Infelizmente, ela nunca verá um neto. Nunca, em toda a minha vida, uma mulher conseguiu me despertar desejo.

E, embora eu sentisse um leve remorso por isso, não conseguia me culpar de verdade. Não era algo que eu tivesse escolhido. Talvez, pensei comigo mesmo, o motivo estivesse na minha infância, em alguma experiência antiga que moldou meu corpo e minha mente. Mas agora, de que adiantava pensar nisso?

O silêncio foi se alongando. Eu precisava trazer um novo tópico de conversa, mas nada apropriado vinha à mente. Com dificuldade, percebi que ela estava usando um anel diferente do anel de casamento que sempre usava, e graças a isso, pude falar.

— É novo?

Quando perguntei, mantendo meu olhar fixo no rosto dela de propósito, ela olhou para a própria mão e sorriu levemente.

— Sim, seu pai me deu de presente de aniversário de casamento este ano. É minha pedra de nascimento, gostou?

Minha mãe sorriu, segurando a mão do meu pai com afeto. Como eu não queria ver o rosto do meu pai de forma alguma, mantive meus olhos fixos apenas no perfil da minha mãe.

— Fica muito bem em você.

— Obrigado, filho.

Quem respondeu foi o meu pai. Instintivamente, desviei o olhar e, pela primeira vez hoje, encarei seu rosto. Quando nossos olhos se encontraram, meu pai sorriu com o mais bondoso dos sorrisos. Enquanto encarava aquele rosto, eu também sorri, mas ninguém percebeu que, por dentro, eu quase havia esfaqueado sua garganta com a faca que segurava.

— Vá com cuidado, Chrissy.

Depois de uma refeição que parecia interminável, finalmente consegui sair do restaurante. Na frente do restaurante, minha mãe me abraçou levemente. Desta vez, não pude ignorar a mão estendida do meu pai adotivo.

Agarrei a mão dele quase que de raspão, ainda com a luva posta, e a soltei imediatamente. Mas, mesmo assim, a sensação de ter tocado na mão dele ficou marcada de forma muito vívida na minha pele. Não era a ponto de querer cortar fora a parte que tocou, como eu já quis no passado, mas em vez disso, deu uma vontade louca de lavar.

Não consegui resistir ao impulso e fiquei agitado na hora. Precisava esfregar, esfregar várias vezes para amortecer essa sensação. Rápido, depressa. Escondendo meus sentimentos internos, sorri como sempre.

— Então, nos vemos no mês que vem.

Depois de me despedir, entrei no carro com calma. Antes de segurar o volante, tirei as luvas apressadamente. As luvas, jogadas de qualquer jeito, iriam direto para a lixeira assim que eu chegasse em casa.

Já eram bem mais de 10 horas da noite, e o tráfego nas ruas havia diminuído bastante. Liguei o carro sem pressa. No espelho lateral, vi meus pais ficarem para trás, distantes. Logo eles desapareceram da minha vista, mas, mesmo assim, senti um aperto no peito.

A raiva começou a ferver dentro de mim. Já se passaram mais de dez anos. E ainda assim, só de ver o rosto daquele homem, fico tão agitado como agora. O que mais me irrita é que aquele homem não sente nada. Absolutamente nada, como se não tivesse nada a ver com ele, como se fosse inocente.

Só eu sofro sozinho.

— Maldito…

Foi quando bati com o punho no volante com força.De repente, uma Jaguar preta cortou a minha frente. Assustado com o objeto enorme que apareceu do nada, pisei no freio. Mas já era tarde demais. O carro já estava em uma situação em que não podia parar.

CRASH

Com um som estrondoso, bati o carro.

Uma vibração ‘ziiinn’ percorreu todo o meu corpo. Fiquei sentado por um momento, atordoado, sem entender o que havia acontecido.

Só depois de alguns segundos de silêncio é que percebi que havia sofrido um acidente.

— Droga…!

Soltei o cinto, abrindo a porta com força. O peito latejava, e senti a marca quente onde o cinto me segurara.

Massageei o local com a palma da mão, respirando fundo.

O Jaguar, imóvel, estava à frente, elegante até mesmo amassado.

Andei em sua direção sem hesitar.

Não me importei com o Estado da minha própria lata velha; queria apenas ver a cara do desgraçado que se metera na minha frente.

Bati com força no vidro escurecido da janela do motorista.

— Sai daí, seu filho da puta!

Continuei batendo, a dor reverberando no punho. O som ecoava no ar, misturado à minha respiração pesada.

“Porra, isso dói.”

Cerrei os dentes e bati de novo, esperando uma reação.Não dava pra ver direito por causa do vidro fumê, mas percebi um movimento lá dentro.

Lento.

Insolente.

O motorista soltou o cinto e abriu a porta com calma. E então, no meio do ar impregnado de fumaça e asfalto,

um aroma doce e impossível se espalhou.

A primeira coisa que vi foi o cabelo prateado. Branco como neve. Por um instante, o mundo pareceu congelar.

Era como se, no meio daquela rua suja e escura, tivesse se aberto um campo coberto de neve.

— … Certo. Assim será, então.

O som distante da cidade se dissolveu ao redor, como se todo o barulho urbano, buzinas, passos, motores,

fosse sugado para longe, deixando apenas aquela voz grave preenchendo o espaço entre nós.

Ha…

Um suspiro curto escapou dele, e logo em seguida o clique seco do telefone sendo desligado. Nathaniel abaixou a mão, guardou o celular no bolso do paletó e voltou o olhar para mim.

Eu tive de levantar o queixo o máximo possível para encará-lo. Ele era alto, absurdamente alto, e o contraste entre nós fazia com que eu parecesse ainda menor do que me sentia.

Os olhos dele, de um violeta intenso, me fitaram sob as sobrancelhas levemente franzidas.

Era um olhar que misturava impaciência e curiosidade, como se estivesse tentando decidir se devia rir de mim ou me devorar.

No instante em que nossos olhares se cruzaram, engoli em seco sem perceber. A garganta ardeu.

— … Promotor Chrissy Jin.

A voz dele era baixa, rouca, e cada sílaba parecia vibrar no ar antes de se dissipar. Meu nome soou diferente na boca dele, mais lento, mais pesado.

Como se carregasse outro significado.

 

°

°

Continua…

 

Ler Fuja se puder Yaoi Mangá Online

m caso chocante acontece: um alfa, junto com seu grupo, estupra e assassina um ômega. O promotor encarregado do caso, Chrissy Jin, recusa qualquer acordo e decide levar o caso a julgamento, determinado a garantir uma punição adequada.
É nesse contexto que ele encontra pela primeira vez Nathaniel Miller, representante da maior firma de advocacia dos Estados Unidos, o Miller. Mas a arrogância de Nathaniel não lhe agrada em nada.
Pouco depois, ao voltar de um encontro com seus pais adotivos, Chrissy se envolve num acidente de trânsito: por azar, o carro em que bateu é justamente o de Nathaniel. Diante do valor absurdo do conserto, Chrissy não tem escolha a não ser ir até o homem para explicar sua situação, mas o lugar onde Nathaniel se encontra é, na verdade, uma festa de feromônios.
Lá, Chrissy quase acaba sendo violentado por Nathaniel, mas consegue atingi-lo com um caco de vidro e escapa. A partir desse incidente, a atitude de Nathaniel muda radicalmente: ele demite o advogado responsável pelo caso e decide assumir a defesa pessoalmente.
Os dois passam a se enfrentar no tribunal. No entanto, mesmo em meio a essa relação de hostilidade, Chrissy se sente estranhamente atraído por ele. Nathaniel, por sua vez, não disfarça seu interesse por ele. Em meio a essa tensão crescente, um dos membros do júri surpreende Chrissy com uma revelação inesperada….
Nome alternativo: Run Away If You Can

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