Ler Fuja se puder – Capítulo 07 Online
Quando a mão do homem tocou meu ombro, arregalei os olhos e, sem querer, o encarei. Ele mantinha um sorriso polido, impecavelmente cortês, e me mostrou algo entre os dedos.
— Seu cabelo.
O gesto foi simples: ele apenas retirou um fio de cabelo que havia caído sobre meu ombro. Nem chegou a tocar no tecido do meu terno. Ainda assim, senti com nitidez o ar ao redor se agitar, como se a atmosfera inteira se desfizesse por um instante. A fragrância dele, leve e inconfundível, atravessou o ar e roçou a ponta do meu nariz.
E então ele saiu da minha sala.
Tac.
O som discreto da porta se fechando ecoou no silêncio e só então percebi o que havia acontecido.
Minhas pernas cederam, e me sentei pesadamente no chão. A respiração vinha curta, trêmula, e a cada fôlego a fragrância que ele deixara para trás parecia se infiltrar ainda mais fundo, sufocando-me.
‘Meu Deus… se eu fosse um ômega, só de respirar o mesmo ar que esse homem eu teria engravidado.’
Pensei, tentando me levantar, mas meus músculos pareciam não responder. Precisava abrir a janela e expulsar aquele maldito cheiro, mas meu corpo não se movia. Tudo o que consegui fazer foi ficar ali, afundado no chão, amaldiçoando aquele homem enquanto o perfume dele impregnava o ar.
O aroma parecia se prender à minha pele, espalhar-se em volta de mim como se ele ainda estivesse ali, colado ao meu corpo.
E a cada vez que me encolhia, era como se ele passasse os dedos pela minha pele.
2|
— Ouvi dizer que encontrou o Nathaniel.
A pergunta do Procurador-Chefe veio assim que me sentei diante dele, em uma lanchonete perto do fórum.
Respondi dando uma mordida no cachorro-quente, era o máximo de resposta que eu conseguiria dar.
Mal conseguia encarar o rosto dele; a verdade é que eu não havia conseguido trabalhar direito a manhã toda.
Depois de tudo o que acontecera no escritório, eu estava exausto – o tipo de cansaço que tornava insuportável até olhar para um documento.
Resolvi sair para comer algo e tentar espairecer… mas, claro, fui esbarrar justamente nele.
E, junto com o encontro, veio a lembrança da bronca e da briga do dia anterior, um combo de humilhação e irritação que me fez baixar a cabeça.
O Procurador, talvez interpretando mal meu silêncio, continuou:
— Ele mandou lembranças. Disse pra cuidarmos bem um do outro. — Ele fez uma pausa curta, franzindo a testa. — Fiquei surpreso, confesso. Pensei que fosse, no mínimo, zombar de você.
Seu tom tinha um leve amargor.
Devolvi num murmúrio seco:
— Imagino que ele só disse isso porque acha que vai ganhar. Foi só isso?
Entrar na minha sala sem ser convidado, acabar com a minha manhã, e depois ainda ir conversar com o procurador… A raiva voltou com força, e minhas sobrancelhas se contraíram.
Enquanto despejava mostarda no próprio cachorro-quente, o procurador respondeu:
— Ah, sim. Também comentou que você é menos bonito ao vivo do que nas fotos.
A frase me fez erguer os olhos imediatamente. Ele deu de ombros e continuou, como se não tivesse acabado de dizer a coisa mais irritante do mundo:
— Então eu disse que, entre todos os promotores do Estado, você é o mais bonito. Só falei a verdade.
— … E o que ele disse?
‘Ah, maldita curiosidade.’
Ele respondeu sem pensar muito:
— Disse que concordava. Que você é o Promotor mais bonito da região.
Engasguei. Todas as emoções possíveis – constrangimento, surpresa, irritação e algo que eu preferia não nomear – subiram ao mesmo tempo.
‘O que diabos passa na cabeça daquele homem? Por que ele foi até o Procurador para dizer… isso? E por que, afinal, ele apareceu no meu escritório? Se só estava “de passagem”?’
Invadiu meu espaço, espalhou seus feromônios por todo o lugar como se marcasse território, e simplesmente foi embora.
Um homem irritante, presunçoso e… absurdamente perturbador.
O procurador não insistiu mais no assunto. Logo começou a falar sobre o cachorro dele, que havia aprendido um novo truque.
Fingi ouvir, mas minha mente estava em outro lugar – pensando em Nathaniel Miller.
Estar ocupado era uma bênção.
Depois de um dia inteiro, o impacto de ter conhecido um alfa dominante começou a se dissipar.
Ou, para ser mais exato, foi soterrado sob uma montanha de trabalho.
Enfrentar um escritório do porte do Miller significava revisar provas e documentos incontáveis vezes, buscando qualquer falha que eles pudessem explorar.
E não bastava isso, era preciso preparar testemunhas, prever mudanças de depoimento, e até considerar o risco de alguém simplesmente desaparecer antes da audiência.
Mesmo no meio da correria, contudo, havia uma obrigação que eu não podia evitar: o jantar mensal com meus pais adotivos.
The Starry Night.
O restaurante tinha o mesmo nome do quadro de Van Gogh.O dono chamava-se Vincent, coincidência ou não, o nome parecia ter moldado a alma do lugar.
Uma das paredes era tomada por uma reprodução de “A Noite Estrelada”,
e o restante da decoração seguia o mesmo tema: As luzes amareladas, as pinceladas vibrantes nas paredes, as mesas ao ar livre lembrando O Café à Noite.
Era o tipo de lugar que exalava charme.
— Não pretendo cortar a orelha, pode ficar tranquilo — brincou o dono, rindo da própria piada, quando me viu entrar pela primeira vez.
Ele era exatamente o meu tipo.
Pensei, por um momento, em propor algo leve, passageiro.
Mas o anel em seu dedo me fez desistir. Observar de longe alguém que eu não poderia ter, nunca foi algo que me agradasse.
Desde então, evitei voltar ali, embora a comida fosse realmente boa.
Por isso, quando minha mãe adotiva escolheu aquele restaurante para o jantar, senti um misto de prazer e incômodo.
Ela adorava o lugar, dizia que o dono era “muito família”, um homem de valores.
Um típico casal branco de classe média, com quatro filhos, era exatamente o tipo de gente que ela considerava exemplar.
Aceitei sem discutir. No fim das contas, não importava onde o jantar acontecesse, as pessoas seriam sempre as mesmas.
— Há quanto tempo não aparece por aqui!
O dono do restaurante me reconheceu de imediato. Cumprimentei com um aperto de mão breve.
Por um instante, deixei o olhar correr por ele, e confirmei o que já sabia: continuava sendo exatamente o meu tipo.Desviei os olhos e procurei meus pais adotivos entre as mesas.
— Chrissy!
Minha mãe adotiva acenou, sorridente.
Meu pai estava sentado ao lado dela, já com o cardápio aberto.
Forjei um sorriso educado e caminhei até eles.Um arrepio percorreu minha nuca, mas mantive a calma.
Ninguém ali jamais imaginaria o que eu realmente sentia.
— Mãe.
Inclinei-me para abraçá-la e beijei-lhe a bochecha.Meu pai, como sempre, permaneceu sentado.
— Pai.
Cumprimentei-o com uma palavra seca.
Ele apenas assentiu e estendeu a mão, esperando um aperto.
Fingi não perceber e sentei-me, abrindo o cardápio à minha frente.
— Deve estar com fome, não? Já fizeram o pedido?
— Ainda não — minha mãe respondeu, virando-se para ele. — Tom, o que vai querer?
Ele recolheu a mão, desconcertado, e fingiu olhar o cardápio. Fiz o mesmo, lendo as palavras sem realmente enxergá-las.
Após fazermos o pedido, o jantar começou – morno, educado e sufocante como sempre.
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Continua….
Ler Fuja se puder Yaoi Mangá Online
m caso chocante acontece: um alfa, junto com seu grupo, estupra e assassina um ômega. O promotor encarregado do caso, Chrissy Jin, recusa qualquer acordo e decide levar o caso a julgamento, determinado a garantir uma punição adequada.
É nesse contexto que ele encontra pela primeira vez Nathaniel Miller, representante da maior firma de advocacia dos Estados Unidos, o Miller. Mas a arrogância de Nathaniel não lhe agrada em nada.
Pouco depois, ao voltar de um encontro com seus pais adotivos, Chrissy se envolve num acidente de trânsito: por azar, o carro em que bateu é justamente o de Nathaniel. Diante do valor absurdo do conserto, Chrissy não tem escolha a não ser ir até o homem para explicar sua situação, mas o lugar onde Nathaniel se encontra é, na verdade, uma festa de feromônios.
Lá, Chrissy quase acaba sendo violentado por Nathaniel, mas consegue atingi-lo com um caco de vidro e escapa. A partir desse incidente, a atitude de Nathaniel muda radicalmente: ele demite o advogado responsável pelo caso e decide assumir a defesa pessoalmente.
Os dois passam a se enfrentar no tribunal. No entanto, mesmo em meio a essa relação de hostilidade, Chrissy se sente estranhamente atraído por ele. Nathaniel, por sua vez, não disfarça seu interesse por ele. Em meio a essa tensão crescente, um dos membros do júri surpreende Chrissy com uma revelação inesperada….
Nome alternativo: Run Away If You Can