Ler Fuja se puder – Capítulo 05 Online

Modo Claro

 

 

 

 

Fiquei em silêncio, apenas dando leves tapinhas em seu ombro, enquanto mantinha os olhos fixos no procurador-chefe. Ele soltou um longo suspiro, como se o peso da conversa lhe tirasse o ar.

— Por favor, aguarde por enquanto. Faremos o possível. É uma luta difícil, mas não vamos desistir…

— É sério? Posso confiar no senhor, Procurador? — perguntou ela, com a voz embargada de lágrimas.

Ele assentiu com um semblante pouco convicto.Ela enxugou as lágrimas com o lenço e agradeceu repetidamente.

— Por favor, peço de coração, cuidem bem do caso, limpem o nome do meu filho. Imploro, faça justiça por ele.

Ela se curvou para nós dois alternadamente e continuou a enxugar os olhos enquanto se erguia, trêmula.

Acompanhei-a até a porta e só depois de fechá-la me virei para encarar o Procurador, que ergueu as mãos, rendido. Dei-lhe um leve aceno e saí da sala.

O corredor estava vazio. Afrouxei a gravata, que estava apertada, e comecei a caminhar.

Essa seria uma daquelas noites em que eu definitivamente precisaria de uma bebida.

 

***

 

— Ei, Chrissy!

A voz veio de atrás de mim. Quando olhei por cima do ombro, vi Doug acenando enquanto saía do elevador, apressado.

— Ouvi dizer que já marcaram a data do grande júri. Viu o jornal? Ficou bem na foto, hein !?

— É, mais ou menos.

Pisquei devagar, cansado. Tinha bebido demais na noite anterior e não tive energia nem pra folhear o jornal pela manhã. Pelo menos ter encontrado um cara simpático ajudou a aliviar o estresse – só um toque leve, nada além disso.Ele quis levar adiante, mas recusei com um sorriso.Era só aquele tipo de distração que eu precisava.

Talvez eu devesse ter feito pelo menos um boquete, pensei com ironia.

Andando sem pressa, tentei lembrar como aquele homem era, mas a memória estava turva. Doug, que agora caminhava ao meu lado, retomou a conversa:

— Ah, a propósito, os pais do Smith ligaram para o Procurador pra agradecer e pedir que cuidasse bem do caso. Eles nem devem saber que ele mandou você negociar a pena… dá pra acreditar nisso?

Ele soltou uma risada amarga.

— Como você soube dessa história da negociação?

Doug me olhou como se a pergunta fosse absurda.

— Ué, todo mundo sabe disso.

Fiquei sem palavras por um instante.

Depois de um breve silêncio, murmurei:

— É verdade, a maioria dos casos criminais termina desse jeito.

Ele soltou uma risadinha.

— Mesmo com todo mundo contra, você vai em frente. Você não é nada normal, hein?

Respondi honestamente:

— Eu só odeio truques baratos pra sair limpo.

— Ah, entendi… — disse ele com um sorrisinho. — Porque a justiça deve ser igual para todos, não é?

Ele repetiu exatamente o que eu dissera aos repórteres em frente ao tribunal.

Lancei-lhe um olhar de lado. Doug soltou uma gargalhada. Sem dizer nada, dei um leve chute em sua perna.

— Ai!

Ele quase caiu, mas se segurou na parede a tempo. Quando o encarei em silêncio, ele ergueu as mãos em rendição.

— Enfim, você começou bem. A imprensa tá do seu lado por enquanto. Claro, o verdadeiro jogo começa agora.

Ele falou num tom leve, tentando soar otimista.

— Boa sorte até o fim, Chrissy. Estou torcendo por você.

Doug ergueu o punho num gesto de incentivo antes de entrar na própria sala. Cumprimentei um funcionário que vinha em sentido oposto e segui para o meu escritório.

Cruzei com mais algumas pessoas no caminho – todas me dirigiram palavras de apoio, coisa rara.

O clima parecia mais favorável do que o de costume. Talvez porque, no fundo, ninguém gostava desses acordos fajutos que deixavam criminosos escaparem.

Principalmente quando a vítima era a parte mais fraca.

 

***

 

Click.

Abri a porta do escritório, e um cheiro estranho me atingiu de imediato.

‘… O que é isso?’

Parei por um instante.

Era um aroma que nunca havia sentido antes – não era perfume, nem ambientador, e tampouco o cheiro de papel, café e ar abafado típico da minha sala.

Se tivesse que descrevê-lo… Era simplesmente agradável.

Um perfume sutil que roçava o nariz, algo quase viciante, que fazia o coração acelerar sem motivo aparente.

Mistura de nervosismo e curiosidade me fizeram abrir a porta lentamente.

Minha visão se ampliou, revelando por completo o interior da sala.

Havia alguém lá dentro.

Uma figura alta, imponente, de costas para mim. O homem estava parado diante da minha mesa, observando os papéis espalhados. O terno escuro que vestia brilhava levemente sob a luz, impecável, caro, com caimento perfeito.

Ele era alto. Muito alto. Devia ter mais de dois metros. Sem perceber, prendi a respiração.

Mesmo inclinado sobre a mesa, não precisou abaixar o corpo para ler os documentos.Por um instante, lembrei de um comercial famoso: um modelo usando um terno à prova d’água, saindo do mar direto para o trabalho – “O terno que não se molha.”

E aquele homem ali parecia exatamente ele.

O cabelo prateado refletia a luz da manhã, cintilando como metal puro.

A nuca era longa e firme, os ombros largos, o corpo elegante.Uma das mãos estava no bolso da calça, a outra pousava sobre a mesa, os dedos longos pressionando suavemente os papéis.

Os tendões e veias sob a pele clara eram perfeitamente delineados.

Meu olhar desceu instintivamente pela linha da cintura, o terno marcando levemente as curvas das costas, até as pernas longas e retilíneas.

E então ele ergueu a cabeça.

O terno estava impecável, o colete ajustado, os sapatos Oxford brilhando como novos.

Quando finalmente nossos olhares se encontraram, a luz que entrava pela janela me fez semicerrar os olhos por um instante.

Foi então que percebi. Os olhos dele eram… violetas.

E antes que eu pudesse reagir, ele abriu os lábios. O contraste entre o cabelo quase prateado e os lábios avermelhados me deixou imóvel – e então ele falou, num tom baixo e rouco, que parecia deslizar pela pele.

— Chrissy Jin?

A voz dele soou profunda, envolvente, quase hipnótica.

Senti um arrepio percorrer minha espinha, e meus olhos se arregalaram.

Sem dizer uma palavra, observei enquanto ele enfiava a mão no bolso interno do paletó e tirava um cartão.

°

°

Continua…

 

Ler Fuja se puder Yaoi Mangá Online

m caso chocante acontece: um alfa, junto com seu grupo, estupra e assassina um ômega. O promotor encarregado do caso, Chrissy Jin, recusa qualquer acordo e decide levar o caso a julgamento, determinado a garantir uma punição adequada.
É nesse contexto que ele encontra pela primeira vez Nathaniel Miller, representante da maior firma de advocacia dos Estados Unidos, o Miller. Mas a arrogância de Nathaniel não lhe agrada em nada.
Pouco depois, ao voltar de um encontro com seus pais adotivos, Chrissy se envolve num acidente de trânsito: por azar, o carro em que bateu é justamente o de Nathaniel. Diante do valor absurdo do conserto, Chrissy não tem escolha a não ser ir até o homem para explicar sua situação, mas o lugar onde Nathaniel se encontra é, na verdade, uma festa de feromônios.
Lá, Chrissy quase acaba sendo violentado por Nathaniel, mas consegue atingi-lo com um caco de vidro e escapa. A partir desse incidente, a atitude de Nathaniel muda radicalmente: ele demite o advogado responsável pelo caso e decide assumir a defesa pessoalmente.
Os dois passam a se enfrentar no tribunal. No entanto, mesmo em meio a essa relação de hostilidade, Chrissy se sente estranhamente atraído por ele. Nathaniel, por sua vez, não disfarça seu interesse por ele. Em meio a essa tensão crescente, um dos membros do júri surpreende Chrissy com uma revelação inesperada….
Nome alternativo: Run Away If You Can

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