Ler Fuja se puder – Capítulo 02 Online
Namorei o Doug por cerca de três anos antes de terminarmos, e atualmente nossa relação se limita a ocasionais encontros para aliviar a tensão acumulada. Trabalhando no mesmo lugar, era inevitável nos encontrarmos, e como não tínhamos terminado por brigas ou ressentimentos, mantemos a amizade.
O motivo da separação era simples: ambos somos betas. Doug queria ter filhos, e eu não podia lhe proporcionar isso.
Havia, no entanto, outro motivo – eu não gostava de sexo anal. Por mais que tentasse, nunca consegui me acostumar. A dor era um problema secundário; o que realmente me incomodava era a sensação desagradável de algo estranho entrando no meu corpo.
Mesmo antes de Doug, sempre foi assim. Não importava com quem estivesse, nunca senti prazer por aquele caminho e, para ser sincero, também detestava ser quem “colocava”.
Se eu fosse um ômega, Doug provavelmente teria se casado comigo. Eu satisfaria os dois desejos dele: ter filhos e sentir prazer daquela forma – afinal, ômegas são biologicamente predispostos a isso.
Mas, claro, se eu teria me casado com Doug é outra história. Às vezes me pergunto: se eu fosse um ômega, teria me casado com ele? Se não fosse um beta, minha vida seria completamente diferente?
— Haa…
Um suspiro entrecortado escapou de mim, misturado a um gemido leve, enquanto meus dedos se entrelaçavam nos cabelos castanhos de Doug, que estavam entre minhas pernas.
Eu não gostava de sexo anal, mas adorava quando alguém tocava ou lambia o meu pênis. Gostava também de fazer isso nos outros, embora Doug, assim como a maioria dos meus ex, preferisse o meu “lado de trás”.
Todos eram iguais – uma vez que eu cedia, pediam mais e mais, até que eu me cansava e terminava.
Doug, ao menos, tinha hesitado um pouco antes do fim. Ele era bom em sexo oral e tinha uma personalidade tranquila; não era grudento, nem fazia drama. Quando terminamos, ele ficou triste, mas aceitou numa boa.
— Eu sabia que você não gostava muito disso… foi mal por insistir tanto.
Ele até se desculpou.Mas, no fim das contas, aqui estamos nós novamente.
Apesar de separados, ainda fazíamos sexo de vez em quando. A agenda lotada de ambos tornava difícil conhecer pessoas novas e, talvez, ainda restasse algum afeto entre nós.
Eu também precisava, às vezes, aliviar a tensão. E, já que não tínhamos parceiros fixos, era conveniente.
Sem envolvimento emocional, mantínhamos esse tipo de relação. Uma ou duas vezes por mês, geralmente quando um de nós dava o primeiro passo, o resultado era sempre o mesmo.
Deitado sobre a mesa, com as calças abaixadas, eu olhava para o teto com o olhar enevoado. Parecia ouvir o som abafado de passos no corredor. Meu coração acelerou, e, no momento em que Doug ainda estava entre minhas pernas, eu gozei em sua boca.
Os passos passaram pela porta do meu escritório e se afastaram, continuei deitado, ofegante. Doug se levantou, procurou um lenço de papel e cuspiu o que tinha na boca. Eu soltei um suspiro e me virei preguiçosamente, abrindo uma gaveta para pegar uma camisinha e estendendo-a para ele.
— Valeu.
Ele murmurou, pegou o preservativo e rapidamente enfiou o membro em mim, eu franzi o rosto, sentindo a agradável sensação de relaxamento desaparecer instantaneamente, substituída por um incômodo físico. Doug ofegava atrás de mim, movendo-se com força. No canto da visão, percebi uma pilha de documentos. Quando o corpo dele se movia, os papéis tremiam, estendi a mão para pegar um deles.
— Ugh… ah…
Gemeu, ofegante. Quando ele gozou, eu estava passando marca-texto em uma linha do relatório.
— Você não pode parar de trabalhar nem agora?
Resmungou acendendo um cigarro. Peguei o cigarro da mão dele e o levei aos lábios.
— O quê?
— Trabalhar no meio da transa. É bizarro.
Ele reclamou, com uma expressão de incredulidade. Soltei a fumaça lentamente e respondi, sem tirar os olhos dos papéis:
— Eu já terminei.
— Mas eu ainda não tinha!
Doug bufou, mas logo suspirou e acendeu outro cigarro. Ignorei-o e, vestindo apenas a camisa, sentei-me sobre a borda da mesa, fumando enquanto voltava ao trabalho. Deveria colocar o resto da roupa, mas me faltava vontade.
‘Preciso parar de fazer isso no escritório…’
A mesma reflexão que já tivera antes. Doug pareceu interpretar meu silêncio de outra forma, aproximando-se com o cigarro na mão e espiando os papéis.
— Que foi? Achou alguma coisa?
— Não. Nada demais.
Virei a página, distraído. Depois de acompanhar as linhas por um tempo, Doug se endireitou.
— Acho que vou nessa. Se precisar de mim, é só ligar, por cima ou por baixo.
Fez uma piada sexual com um meio sorriso. Quando se virou para sair, chamei:
— Doug.
Ele olhou por cima do ombro. Eu continuei olhando os documentos e disse com indiferença:
— Tranque a porta quando sair.
— Ah, sim.
Respondeu, balançando a cabeça. Logo depois, ouvi o click da fechadura. Coloquei os papéis de lado e traguei fundo o cigarro.
Ah…
O suspiro se transformou em fumaça, dissipando-se lentamente.
‘… Me sinto vazio.’
Fiquei ali, olhando fixamente para o nada por um tempo.
2
No dia da audiência preliminar, a entrada do tribunal estava lotada de jornalistas e curiosos. Eu segurei a pasta de documentos e entrei sem dar atenção a ninguém. Sabia que a família da vítima estaria presente, observando tudo.
Como sempre, o advogado de defesa falava absurdos à imprensa, tentando manipular a opinião pública. Lancei-lhe um olhar frio e sentei-me. Hoje, mais do que nunca, cuidei de cada detalhe da minha aparência.
O cabelo, penteado para trás com precisão; o terno, embora barato, estava impecavelmente passado, sem um único amassado.
Até troquei as lentes de contato pelos óculos, para parecer ainda mais o típico promotor sério e meticuloso.
Do outro lado, a defesa exalava riqueza. Mesmo eu, que nunca liguei para marcas, percebi que o terno dele custava o equivalente trinta vezes mais que os meus.
Desde antes da minha formatura, o escritório Miller sempre foi o sonho de qualquer recém-formado em Direito. A fama de nunca perder um caso era respaldada pelos salários astronômicos e, segundo os rumores, pelos benefícios que vinham junto: carro novo, moradia de luxo, e a chance de subir politicamente graças à poderosa influência do escritório.
Diziam que entrar no escritório Miller era mais difícil do que se tornar presidente.
‘Será que aquele cara também é um alfa?’
Há áreas onde alfas e ômegas são proibidos de liberar feromônios – o tribunal é uma delas. Qualquer influência química poderia distorcer o julgamento de jurados ou juízes. Por isso, dentro do tribunal, é impossível saber o gênero secundário de alguém, a menos que seja fisicamente óbvia.
Eu só tinha visto um ‘alfa dominante’ pela televisão.
Certa vez ouvi dizer que o dono do escritório de advocacia Miller era um deles. Entre os 10% da população que nascem alfas, apenas 0,01% são alfas dominantes – e quase todos ocupam o topo da sociedade: presidentes de conglomerados, chefes de Estado e magnatas da mídia.
Parece que, entre esses alfas, quanto mais fortes são suas características, mais fraca é a sua moralidade.
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Continua…
Ler Fuja se puder Yaoi Mangá Online
m caso chocante acontece: um alfa, junto com seu grupo, estupra e assassina um ômega. O promotor encarregado do caso, Chrissy Jin, recusa qualquer acordo e decide levar o caso a julgamento, determinado a garantir uma punição adequada.
É nesse contexto que ele encontra pela primeira vez Nathaniel Miller, representante da maior firma de advocacia dos Estados Unidos, o Miller. Mas a arrogância de Nathaniel não lhe agrada em nada.
Pouco depois, ao voltar de um encontro com seus pais adotivos, Chrissy se envolve num acidente de trânsito: por azar, o carro em que bateu é justamente o de Nathaniel. Diante do valor absurdo do conserto, Chrissy não tem escolha a não ser ir até o homem para explicar sua situação, mas o lugar onde Nathaniel se encontra é, na verdade, uma festa de feromônios.
Lá, Chrissy quase acaba sendo violentado por Nathaniel, mas consegue atingi-lo com um caco de vidro e escapa. A partir desse incidente, a atitude de Nathaniel muda radicalmente: ele demite o advogado responsável pelo caso e decide assumir a defesa pessoalmente.
Os dois passam a se enfrentar no tribunal. No entanto, mesmo em meio a essa relação de hostilidade, Chrissy se sente estranhamente atraído por ele. Nathaniel, por sua vez, não disfarça seu interesse por ele. Em meio a essa tensão crescente, um dos membros do júri surpreende Chrissy com uma revelação inesperada….
Nome alternativo: Run Away If You Can