Ler Dogs Mask (Novel) – Capítulo ↫─História Extra 02.2 (E se…) Online

Extra IF – Máscara de Cachorro 02
Tinha certeza de que adormeceu pensando nisso, mas a situação diante dos seus olhos era completamente estranha.
Este sonho será encerrado em — meses.
A mensagem que pareceu aparecer em letras diante dos olhos e logo desapareceu ficou gravada com força na mente de Jaeha. Mas tê-la lido não significava que o significado fosse imediatamente compreendido. O quê vai encerrar quando? Jaeha piscou os olhos em branco e só então conseguiu olhar ao redor.
—Aqui é…
Tinha adormecido deitado no quarto que dividia com Taegun, com o braço dele servindo de travesseiro, mas ao acordar estava no quarto da casa dos pais que usava antes de casar. Sem entender por que estava ali, piscou os olhos em branco, mas não conseguiu clarear a cabeça.
—Taegun.
Chamou o nome do esposo, mas não houve resposta. Estava prestes a sair para procurar quando não sabia onde a criança e Taegun tinham ido.
—Ah…
Jaeha se levantou da cama, encontrou seu reflexo no espelho e parou imediatamente. Seu rosto estava sutilmente diferente. Era um rosto que parecia muito mais jovem do que agora. Não, talvez a expressão mais precisa fosse “juvenil”. Um rosto que escondia uma arrogância de quem não imaginava que pudesse haver sofrimento no mundo e que parecia achar que quase nada era impossível. Jaeha estranhava ver a si mesmo com aquela expressão. Só quando era muito novo teria sido tão insolente assim.
Ficou parado diante do espelho, a cabeça cheia de interrogações. Até que a porta se abriu de repente e alguém entrou no quarto.
—Irmão, me empresta o carro. Vou esquiar com os amigos.
Era Jaeho. E uns quinze anos mais jovem do que agora. Jaeha olhou para Jaeho, que tinha entrado de repente pela porta do quarto, sem conseguir dizer uma palavra. Jaeho, que ainda não tinha saído da cara de estudante do ensino médio, piscou os olhos diante do olhar de Jaeha e abriu a boca.
—Po, faz um mês que tirei a carteira…
E soltou algo incompreensível. Jaeho tinha tirado a carteira logo depois do vestibular. Jaeha se lembrou da chatice de ficar ao lado de Jaeho, que ficava pedindo ajuda para praticar direção, enquanto o pai de Jaeho ficava aflito com medo de que Jaeha usasse a prática como desculpa para colocar o próprio filho em situações perigosas.
Mas isso também já fazia mais de uma dezena de anos. Jaeha colocou a mão na testa, sentindo uma dor de cabeça latejante, e perguntou:
—Fala a data de hoje.
—Po, eu falei que faz um mês, tá!
—Jaeho.
Achando que estava sendo interrogado por causa da carteira, Jaeho começou a se defender, atrapalhado. Jaeha, que não queria ouvir respostas inúteis, chamou o nome dele com firmeza, e Jaeho se encolheu e disse que era quinze de dezembro. Quando Jaeha pediu o ano também, Jaeho anunciou o ano em que Jaeha tinha apenas vinte e dois anos. Era uma situação cheia de coisas que não faziam sentido.
Jaeha piscou os olhos mais uma vez e logo pegou qualquer casaco que encontrou e passou por Jaeho.
—Irmão! Pra onde você vai assim!
—Você não pode dirigir. Vai com o motorista.
A voz firme ecoou pelo corredor do segundo andar. Não importava que Jaeho tivesse ficado sozinho e se sentisse injustiçado à toa.
Depois de sair da mansão, a situação estranha que estava vivenciando começou a se tornar ainda mais vívida. Isso porque a paisagem familiar das ruas era surpreendentemente estranha e ao mesmo tempo lhe dava uma forte sensação de déjà vu.
—Que absurdo…
Jaeha murmurou para si mesmo sem perceber que estava fazendo isso com muito mais frequência do que o habitual. Se fosse se mover para algum lugar, o certo seria voltar para pegar a chave do carro, mas não tinha cabeça para isso. No fim, saiu andando sem rumo e entrou em um táxi que passava. Como todos os carros na rua eram muito mais antigos do que os da sua memória, ficou pasmo rapidamente.
Mal entrou no táxi, dobrou o corpo com o rosto enterrado nas duas mãos, quando o taxista perguntou:
—Pra onde o senhor vai?
—…
Jaeha não conseguia responder prontamente. Porque o destino era a casa que construíra para a família que formara com Jang Taegun. Um forte pavor surgiu ao pensar que, mesmo que fosse lá agora, poderia não haver nada naquele terreno.
Mas também não podia simplesmente não verificar.
Jaeha moveu os lábios devagar e disse o nome do bairro.
O taxista também partiu em silêncio. Olhando sem foco para o banco da frente, onde havia um relógio digital simples e um taxímetro no lugar do painel com display de cristal líquido exibindo diversas informações por meio de semicondutores, Jaeha voltou a pressionar a cabeça que latejava.
De repente, as palavras gravadas na sua mente ressurgiram. Eram claramente as letras “Este sonho será encerrado em — meses.” Não, pareciam letras, mas também podiam ser uma imagem. Talvez fossem palavras que ouviu. Não importava em que formato foram percebidas.
O que importava era que isso foi chamado de sonho. Jaeha, sabendo que era uma atitude idiota, beliscou a própria coxa. Como sentia dor, era vívido demais para ser chamado de sonho. Mas parecia mais fácil para o coração acreditar que estava num sonho do que realmente acreditar que tinha voltado para mais de uma dezena de anos atrás.
No entanto, a única coisa que o incomodava era o quão real era tudo aquilo. Achava estranho que algo assim estivesse acontecendo com ele, mas era difícil acreditar que um mundo tão vívido fosse apenas um sonho. Enquanto batia cabeça, o táxi chegou à casa onde morava com Taegun e a criança.
—É aqui mesmo, senhor?
O carro parou exatamente no terreno onde ficava aquela casa. Jaeha olhou para o engenho de arroz perto de onde havia trilhos. O taxista, que tinha saído dirigindo sem questionar quando um jovem de aparência limpa pediu para ir a um engenho de arroz antigo nos arredores da cidade, demonstrou estranheza ao pensar se teria ido na direção errada.
Tinha a sensação de que seria assim, mas quando olhou ao redor de fato, ver o terreno onde vivia sua família sem nenhum vestígio foi um choque enorme.
No fim, sem nem conseguir sair do táxi, Jaeha teve que voltar para casa. E foi direto fazer as malas. Se aquilo era mesmo um sonho, e um sonho em que voltou mais de uma dezena de anos no passado, havia coisas a fazer antes de acordar.
—Não, irmão… Você tá tentando fugir de casa de verdade?
Jaeho ficou surpreso ao ver o irmão, que parecia ter saído às pressas, voltar e fazer as malas sem nenhuma explicação, mas Jaeha disse apenas que planejava mudar de casa. O carinho entre os irmãos não era pouco, então pesava no coração dizer que deixaria Jaeho sozinho naquela casa grande e iria morar em outro lugar.
—Aparece lá.
Por isso deixou só essas palavras e saiu com a mala. Pelo jeito que Jaeho ficou piscando os olhos sem entender, parecia que não tinha compreendido o que ouviu, mas Jaeha estava ansioso demais para ter cabeça de cuidar de Jaeho também.
Estava prestes a ir embora quando, antes mesmo de chegar à escada que descia ao primeiro andar, sentiu um olhar que parecia perfurar a nuca. Jaeha soltou um suspiro e se virou para falar:
—Para com esse Jeonggil. Vai acabar reatando de qualquer jeito. Na minha opinião, você precisa casar. Se é um alfa, deve ter sua própria família.
—O, o quê? Com quem você tá mandando eu fazer o quê?
A reação foi de quem não entendia nada, mas Jaeha não respondeu e desta vez desceu a escada de verdade. Pensou que aquela seria a última intromissão fora do seu feitio. Porque Jaeho, que tinha terminado com Jeonggil por nada de novo e estava se afogando no álcool, não estava sendo um bom exemplo como tio da criança, então uma pequena intromissão bastaria.
Jaeha saiu de casa assim. Enquanto andava pelo jardim em direção ao portão, achou bom não ter encontrado mais ninguém além de Jaeho. Na época da faculdade, parecia ter vivido de forma relativamente modesta, mas isso não significava que usava transporte público como estudantes comuns.
Jaeha entrou no carro que era seu e ficou pensando com as mãos no volante. Em que ano era agora, quais eventos havia vivido nessa época, quantos anos tinha Taegun naquele momento e onde morava.
Lembrando das memórias que tinham fluído para dentro dele quando formaram o vínculo, Taegun também deve ter acabado de fazer o vestibular. Pensar nele, que tinha feito o exame de certificação do ensino médio sem apoio da família e se virado num açougue enquanto se preparava para o vestibular, fazia o peito pesar.
Não conseguia suportar ao pensar nos dezoito, dezenove anos de Taegun, que dormia num canto do escritório, curvando o corpo alto pelo falta de espaço, porque não tinha nem onde dormir direito. Jaeha colocou a mão na marcha e escolheu um dos prédios e apartamentos que recebera como doação que pudesse ser útil. De qualquer forma, como iam casar mais tarde, não seria nada mal juntar a vida um pouco mais cedo.
Pensando assim, a ideia de decorar a casa foi ficando cada vez mais agradável. Não havia tempo para reformar e achava que só trocar os móveis já bastaria. O shopping que estava nas mãos do irmão mais novo da madrasta havia muito tempo tinha sido passado para a tia mais nova, mas como agora era muito antes de tudo isso acontecer, se comprasse eletrodomésticos e móveis parecidos com os de um enxoval lá, com certeza chegaria aos ouvidos de Yikhyung ou de Kim Ranhui.
Por isso foi para outro shopping. Não havia hesitação em escolher móveis e eletrodomésticos. Depois de anos de casamento, conhecia bem o gosto de Jang Taegun. Ao contrário do temperamento bruto típico de alfas extremos, ele preferia um ambiente suave e tranquilo. A casa que Taegun preparara para ele como lar de recém-casados também tinha aquela sensação, então parecia que bastava preparar algo similar desta vez.
O trabalho avançou bem rápido. Enquanto ia preenchendo tudo, lembrou-se de repente de Taegun, que tinha preparado a casa de recém-casados e esperava por ele. As emoções que Taegun sentia naquela época ressurgiram intactas. Ficou satisfeito por poder reviver o que tinha vislumbrado ao formar o vínculo.
Sentia saudade da criança, mas como a mensagem dizia que aquilo era um sonho, logo poderia acordar. Afinal, era impossível que realmente tivesse vindo para o passado. Mas mesmo neste mundo construído pela sua imaginação e subconsciente, ficar separado de Taegun era algo que não conseguia imaginar. Afinal, era vinculado ao alfa Jang Taegun.
O coração ficou ansioso, mas precisou dedicar um dia inteiro a preencher a casa de móveis e eletrodomésticos. Porque entrar na casa que existia antes sem reformar a decoração fazia tudo parecer insuficiente, não importava qual móvel colocasse. Quando tinha entrado na casa que Jang Taegun preparara, qualquer coisa servia, mas ao preparar pessoalmente para ele, tudo parecia faltar.
Dos dois, quem tinha melhor senso estético era Jang Taegun, então ficou gastando tempo demais se preocupando se seria adequado ao gosto dele. Queria primeiro preencher os itens essenciais para o dia a dia, como móveis e eletrodomésticos, e depois queria sair para ver os enfeites e utensílios juntos. Afinal, seriam coisas que usariam juntos.
Nesse meio tempo, Jaeha recebeu uma ligação de Kim Ranhui. Parecia querer perguntar o motivo de ele ter saído de casa, mas nem atendeu e ignorou. Talvez por já fazer tempo que cortou os laços com aqueles dois, sentiu como se tivesse recebido um contato de um completo estranho, então configurou o bloqueio de chamadas.
Assim, Jaeha passou uma noite na casa que preparara para ele, e quando o sol nasceu no dia seguinte, quis ir até onde Taegun morava no momento. Provavelmente estava se virando no quartinho que o chefe do escritório tinha cedido. A memória estava vaga, então precisou pensar muito até conseguir lembrar onde ficava o escritório.
Estava prestes a sair rápido quando voltou para casa e escolheu uma roupa. As roupas de trabalho e as de eventos não formais eram escolhidas principalmente com a ajuda do secretário, mas depois que passou a viver com Taegun, usava apenas o que ele escolhia.
“…Por que o estilo do irmão melhorou tanto assim? Desde que casou parece um solteirão que floresceu, me irrita…”
Até Jaeho, que era bastante exigente com roupas, disse isso, então o senso de Taegun claramente não se limitava apenas a construir prédios.
Que alguém com tantos talentos tivesse vivido num lugar chamado açougue, esfaqueando devedores e se encharcando de sujeira, era algo que não o agradava. Mesmo que aquele mundo fosse apenas um sonho, não queria deixar Jang Taegun lá nem por cinco minutos.
Foi com esse pensamento que foi, mas havia algo que não tinha considerado. Jaeha girou a chave no buraco devagar e, com um rosto de quem se deu mal, olhou para o escritório do outro lado da rua.
“Aquele lado… deve ter menos de vinte anos ainda.”
Taegun tinha a mesma idade que Jaeho, irmão três anos mais novo, então este também deveria ser um inverno antes de completar vinte anos. Como Jaeha tinha vinte e dois naquele momento, era claramente um crime. Jaeha mordeu o lábio inferior, embaraçado.
Antes de escolher um dos apartamentos que eram seus, preencher com móveis e eletrodomésticos e imaginar o sonho de recém-casados, deveria ter verificado a idade da outra pessoa. Porque se ele se aproximasse agora, seria inegavelmente a imagem de um adulto aliciando um menor de idade.
Jaeha soltou um suspiro e encostou a testa no volante. Tinha percebido um fato chocante, então sabia que precisava esperar até ele ser adulto, mas hesitava em dar a partida e sair dali.
O tempo que a mensagem dizia que o sonho terminaria não era um mês, eram alguns meses, então não havia razão para ser impaciente. Mas estava animado com a ideia de morar junto, então não queria fechar firmemente o coração e voltar para a casa onde viveria sozinho pelo próximo mês.
Porque na noite anterior quase tinha enlouquecido de solidão dormindo sozinho, então ficava ainda mais com pena. Para um homem casado que já tem até filho, viver separado por um mês inteiro é uma coisa muito difícil. Além disso, tinha um corpo que havia formado vínculo com seu par alfa, então era ainda mais complicado.
—Ah…
No momento em que o suspiro de Jaeha ficou ainda mais fundo, ouviu o som de alguém batendo na janela. Jaeha, que ficara com a testa enterrada no volante o tempo todo, levantou a cabeça, surpreso, e no reflexo abaixou o vidro.
—…
—…
O gogó de Jaeha subiu e desceu involuntariamente. Diante dos seus olhos estava Jang Taegun, muito mais jovem do que em sua memória. Parecia mais maduro do que os da sua idade, mas para seus olhos que já tinham ultrapassado os trinta, parecia muito jovem. Só então recobrou os sentidos. Não podia fazer a coisa sórdida de perseguir um Taegun que ainda nem era adulto e pedir para morarem juntos.
Jaeha passou uma mão pelo rosto, soltou um suspiro baixo e tateou o painel central, mas sem encontrar o botão de partida, deslizou a mão para a chave do carro encaixada no buraco e a girou. Como tinha voltado muito para o passado, por mais caro que fosse o carro importado, usaria uma chave e não um botão para dar partida, mas estava tão sem cabeça que ficou fazendo movimentos errados, o que achou sem graça. Respirou fundo, soltou devagar e disse:
—Estacionar… deve ser por causa disso, né? Vou tirar o carro logo.
—…
A outra pessoa não respondeu. Jaeha, fingindo esperar pela resposta dele, espiou o Taegun muito mais jovem do que conhecia. O nariz reto, o filtro marcado deslizando suavemente do nariz, os lábios cujo toque ele conhecia muito bem, as sobrancelhas escuras, os olhos amendoados e as pupilas negras.
A cena de uma caneta na orelha também era familiar. Taegun costumava enfiar um cigarro atrás da orelha. Estava um pouco mais moreno do que quando se encontraram pela primeira vez, o que sugeria que, apesar do inverno, tinha feito muita coisa ao sol.
De repente, pensou se a época em que Taegun contou, num restaurante de comida caseira em Gangwon-do, como aquele lugar tinha se tornado seu favorito, não seria por volta desse período. Lembrou de repente da voz tranquila com que contou que havia encontrado o restaurante descendo a montanha depois de enterrar algo pesado que podia ou não ser um cadáver.
Com esse pensamento, os lábios se moveram sem querer. Estava prestes a começar a falar com um “de…”.
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Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Dogs Mask (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Lee Jaeha, herdeiro do poderoso Grupo Yushin e um alfa acostumado a estar no topo de tudo, vê sua vida mudar ao conhecer Jang Taegun, um alfa enigmático e perigoso que desperta nele sentimentos e desejos que jamais imaginou sentir. Determinado a ficar ao lado de Taegun, Jaeha desafia a oposição de todos e aceita abrir mão de tudo para se casar com ele.
No entanto, o casamento nasce sem amor e sob condições cruéis. Enquanto o império Yushin começa a ruir, a relação entre os dois se transforma gradualmente, revelando segredos, feridas do passado e uma atração impossível de ignorar. Entre orgulho, obsessão e sentimentos que nenhum dos dois consegue compreender por completo, Jaeha e Taegun precisarão decidir até onde estão dispostos a ir um pelo outro.
Nome alternativo: O Co Por Trs Da Mscara