Ler Dog And Bird (Novel) – Capítulo 15 Online

↫─☫ Dog And Bird, Capítulo 15
— Um mês depois —
Ao abrir a porta do restaurante, senti o bafo quente do aquecedor. Sem nem precisar procurar muito, vi três caras com aparência acabada sentados juntos em uma mesa. Antes mesmo que eu pudesse me sentar no lugar vago, Yoon Byung-chul começou a me provocar.
— Por que demorou tanto?
— O trânsito estava travado. Dava para ter marcado em um lugar mais perto, por que insistiu em nos fazer vir até aqui?
— Eu me ofereço para pagar a comida e você ainda reclama, porra.
Seo Gyu-ha fingiu que não ouviu, encheu um copo vazio com água e virou de uma vez para se refrescar.
Quem organizou o encontro de hoje foi Yoon Byung-chul. Após retornar de uma lua de mel tardia por questões pessoais, ele marcou o compromisso insistindo que queria entregar presentes. Como Yoon Byung-chul não tinha um pingo de consideração espontânea, era óbvio que o parceiro dele devia ter dado o toque para ele ser gentil assim.
— Tomem.
Logo em seguida, sacolas de compras consideravelmente grandes foram entregues a cada um. Park Chan-woong, radiante, terminou rapidamente de escanear o conteúdo e tirou a caixa que estava em pé no fundo.
— Ooooh.
Uma exclamação de admiração, tão intensa quanto sua expressão, escapou de seus lábios. O grande logotipo dourado gravado no centro da caixa criou uma expectativa automática. Em um instante, todos os olhares se voltaram para um único ponto. Quando Park Chan-woong removeu o lacre e abriu a tampa, surgiu um cinto preto enrolado como uma cobra.
— Caramba, o Yoon Byung-chul gastou uma nota.
— Não é falsificado, né?
Yoon Byung-chul, por milagre, aceitou a brincadeira boba com generosidade.
— Só o seu que eu comprei no camelô de Dongdaemun.
— Não fala com essa cara séria, desgraçado. Parece até verdade.
— Se olhar de perto, não é um G, é um C.
— Eu disse para parar com essa cara séria!
Os pratos chineses pedidos começaram a preencher a mesa um a um. Kim Kang-san abriu a garrafa de kaoliang colocada à sua frente e serviu os copos dos outros, um por um. Ao ver que ele ia servir o seu também, Seo Gyu-ha recusou gentilmente, pegou a garrafa e fez o inverso, inclinando-a para servir o copo do amigo.
— Eu não vou beber.
— Que milagre é esse de você recusar bebida?
Diante da pergunta surpresa de Kim Kang-san, Park Chan-woong se apressou em responder no lugar dele.
— Esse desgraçado está se cuidando demais ultimamente. Disse que estava com um buraco no estômago e agora nem atende mais minhas ligações.
— É porque você me enche o saco para sair todo santo dia.
— Uau, eu sou um incômodo?
— Um incômodo do caralho.
Houve um tempo em que ele achava que nasceriam espinhos em sua boca se ficasse um dia sequer sem beber, mas agora, mesmo com a garrafa na sua frente, ele permanecia indiferente. Podia ser algo como a “raposa e as uvas verdes”, tentando pensar a seu favor sobre algo que não podia ter de qualquer forma, mas, independentemente disso, ele estava aguentando melhor do que esperava.
Diferente dele, o rosto de Park Chan-woong, que vinha sendo rejeitado repetidamente, estava cheio de insatisfação. Antes que isso se tornasse uma reclamação infundada, Seo Gyu-ha mudou de assunto naturalmente.
— É bom estar casado?
— Precisa perguntar?
Uma risadinha escapou. Ao vê-lo sorrir feito um bobo assim que ouviu a pergunta, parecia que estava sendo muito bom mesmo. Já que o assunto surgiu, resolvi perguntar de forma um pouco mais profunda. Afinal, era algo que logo aconteceria com ele também.
— Qual é a melhor parte?
— Tudo é bom.
— Isso eu já percebi só de olhar para a sua cara. Fale com mais detalhes. Tipo, tal e tal ponto é bom, entende?
— Sinto que vão começar a jogar pedras em mim por estar me gabando.
— Eu jogo depois de ouvir tudo, então comece logo.
Yoon Byung-chul, agindo com uma timidez que não combinava com ele, não recusou a oportunidade.
— Bem… primeiro, toda vez que abro os olhos de manhã e vejo aquele rosto dormindo ao meu lado, é lindo como um anjo de verdade.
— Porra, existe anjo com pentelho no pau? Aaaaargh!
A punição foi rápida. Um grito escapou da boca de Park Chan-woong ao levar um beliscão curto e preciso na parte interna da coxa, mas como ele procurou por isso, ninguém nem piscou. Seo Gyu-ha abriu caminho novamente dizendo: “Continue”, e Yoon Byung-chul logo voltou a ter uma expressão dócil para prosseguir.
— De verdade, tudo é bom. Dormir juntos, acordar juntos… Só o pensamento de que ele é “a minha pessoa” me faz sentir como se estivesse flutuando. É difícil explicar em palavras, mas mesmo fazendo as mesmas coisas, a sensação é diferente de quando estávamos apenas namorando. Vocês vão entender quando fizerem o mesmo.
Seo Gyu-ha projetou a si mesmo e Lee Cha-young em sua mente. Logo, um olhar sério se voltou para Yoon Byung-chul.
— Não rola brigas ou coisas do tipo? Por mais que se gostem, não dá para bater cem por cento em tudo. Deve haver momentos em que você quer ficar sozinho.
— Por enquanto, não. Pode ser que aconteça algum dia, mas pensarei nisso quando chegar a hora, não quero me preocupar antecipadamente.
— …É tão bom assim? Ter se casado.
— Com certeza. Vou convidar vocês lá em casa qualquer dia desses.
Pelo fato de ser o “patrocinador” do dia, a ostentação — que não deixava de ser ostentação — de Yoon Byung-chul continuou por um bom tempo. Embora o “botão de surto” de Park Chan-woong fosse apertado de vez em quando, como sempre, o clima seguiu barulhento, porém confortável, sem ultrapassar os limites.
Ao saírem do restaurante, a escuridão já havia se instalado completamente ao redor. Kim Kang-san, com as mãos enfiadas nos bolsos do sobretudo, olhou para Seo Gyu-ha e perguntou:
— Você não vai para o segundo round com a gente, né?
— É. Tenho um compromisso.
— A essa hora?
— Tenho uma pessoa para encontrar rapidinho.
As mãos de Seo Gyu-ha também estavam nos bolsos de sua jaqueta acolchoada. A diferença era que ele vinha manuseando algo ali dentro já fazia um tempo.
O encontro de hoje foi organizado porque Yoon Byung-chul insistiu em dar presentes, mas, sabendo que todos se reuniriam, Seo Gyu-ha também havia trazido algo.
Para ser sincero, até o momento em que saiu de casa, houve um dilema tenso entre “devo dar ou não?”. No entanto, enquanto ouvia o relato de Yoon Byung-chul hoje, a balança em seu coração inclinou-se lentamente para um lado.
Os outros caras já estavam no meio de uma discussão sobre o local do segundo round. Sentindo que perderia a oportunidade se hesitasse mais, Seo Gyu-ha tirou o que estava no bolso de uma vez e colocou nas mãos de cada um dos amigos. Novamente, quem reagiu mais rápido foi Park Chan-woong.
— O que é isso?
— Vejam e saberão. Bom, estou indo nessa.
— Ei, Seo Gyu-ha!
Ele ouviu vozes gritando em confusão, mas Seo Gyu-ha seguiu em frente sem olhar para trás.
— Haaa…
Assim que se sentou no banco do motorista e fechou a porta do carro, um suspiro escapou naturalmente. Ele havia caminhado rápido por apenas um ou dois minutos, mas seu coração batia forte, protestando.
Na verdade, ele sabia que não era por esse motivo. Enquanto ele franzia o rosto, apoiando a cabeça no braço colocado na moldura da janela, o toque do celular quebrou o silêncio.
– Urso –
Ele hesitou por um momento ao ver a tela, mas apertou o botão de atender. Era algo totalmente esperado; mesmo que fugisse agora, era uma situação que teria de enfrentar algum dia.
— O quê.
— Ei, o que é isso? É algum tipo novo de pegadinha?
Diante do grito que explodiu assim que atendeu, Seo Gyu-ha franziu o cenho, afastou o celular e depois o trouxe de volta ao ouvido.
— Tá louco? Quem faria uma coisa dessas de brincadeira?
— Caraca, então isso é sério?
— …Acabou acontecendo.
Dava para ouvir perfeitamente ele dizendo ao fundo: “Gente, ele disse que é sério!”. Em seguida, a voz voltou a soar alto e próxima.
— Ei, porra, casamento é algo que se faz porque “acabou acontecendo”? Você ainda está por aqui, né? Volta aqui e desembucha. Os outros caras também estão surtando agora.
Era compreensível. Até ele mesmo às vezes custava a acreditar na situação, então um cara que nem namorava direito nos últimos anos de repente jogar um convite de casamento e ir embora certamente causaria um alvoroço.
Ele sabia que, se escondesse o fato do casamento, eles teriam um ataque perguntando “como você pôde fazer isso?”, por isso, após muito pensar, entregou o convite… Mas, para contar os fatos por trás disso — que ele era, na verdade, um ômega, que estava indo morar com um alfa homem e que até um bebê tinha surgido —, ele precisava de um pouco mais de coragem.
— Tenho um compromisso e preciso ir. Marco um encontro com calma depois.
— Ei, Seo Gyu-ha! Ei! Seo Gyu…
*Tu.*
Deixando o chamado ansioso para trás, Seo Gyu-ha desligou o telefone sem arrependimentos. Como eles eram o tipo de pessoa que poderia muito bem voltar e vir atrás dele até ali, ele deu a partida rapidamente e saiu do estacionamento.
Pouco depois, o carro parou em um sinal vermelho. Como ele não ligou nem o rádio nem música, o interior do carro estava muito silencioso. A mão direita de Seo Gyu-ha, que soltou a marcha, dirigiu-se inconscientemente ao próprio abdômen.
Sinceramente, Seo Gyu-ha realmente não tinha intenção de se casar. Pelo contrário, nunca sequer havia pensado na palavra “casamento”. Embora tivesse mencionado coisas como usar a “ajuda da mãe” ou babás, criar um bebê sozinho era impossível, então ele estava apenas considerando morar junto com Lee Cha-young.
O motivo de ele achar que apenas coabitar seria o suficiente era o fato de ser um ômega masculino. Por serem um alfa e um ômega, não haveria problemas legais, mas casos de casais do mesmo sexo chegarem a registrar o matrimônio eram muito raros. Alfas fêmeas ou ômegas machos eram quase inexistentes e, mesmo nesses casos, a maioria acabava formando casais de homem e mulher.
Além disso, se ele fizesse o registro de casamento apressadamente com Lee Cha-young, não sabia como o pequeno em sua barriga aceitaria esse fato no futuro. Havia outro motivo: Seo Gyu-ha ainda não estava nada preparado para aceitar um cônjuge legal. Sendo direto, se fosse apenas uma relação de morar junto, bastaria terminar e pronto se as coisas dessem errado; mas quebrar um vínculo matrimonial certamente resultaria em uma briga de cachorro grande.
Após passar por esses processos e refletir tão profundamente que se perguntou: “Será que já usei tanto a cabeça na vida?”, Seo Gyu-ha tomou a difícil decisão de ir até o fim. O motivo era o mesmo de Yoon Byung-chul.
“Tudo é bom. Dormir juntos, acordar juntos… Só o pensamento de que ele é ‘a minha pessoa’ me faz sentir como se estivesse flutuando.”
“É difícil explicar em palavras, mas mesmo fazendo as mesmas coisas, a sensação é diferente de quando estávamos apenas namorando.”
Com Seo Gyu-ha era o mesmo. Recepcionar Lee Cha-young quando ele voltava do trabalho, passar o tempo do jantar juntos, dormir juntos. Morar na mesma casa com a pessoa de quem gostava era muito mais emocionante do que imaginava. Mesmo sem fazer nada de especial, ou trocando piadinhas bobas como quando eram amigos ou “amigos coloridos”, a satisfação derivada do fato de ser uma relação completamente diferente daquela época era considerável.
E, para ser honesto… agora ele não conseguia mais imaginar Lee Cha-young ausente de seu lado. O mesmo valia para pensar em qualquer outra pessoa. Já que ele estava completamente fisgado, pretendia seguir para onde seus sentimentos atuais o levassem, mesmo que uma “briga de cachorro” viesse a acontecer no futuro.
As preocupações de amanhã ficam para depois de amanhã — ele viveu assim a vida inteira, afinal.
—–
Ao abrir a porta, um silêncio tranquilo o invadiu. Vendo que não havia sapatos no hall de entrada, parecia que Lee Cha-young ainda não tinha voltado.
Entrando na sala, Seo Gyu-ha desamarrou o cachecol que o envolvia e foi em direção ao closet. Um resmungo escapou naturalmente. Não sabia se o outro queria jogar futebol na sala ou se seu hobby era jogar dinheiro fora, mas a nova casa que compraram para ser o lar dos recém-casados era tão exageradamente e desnecessariamente grande que o desperdício de passos era considerável.
Fazia cerca de duas semanas que Seo Gyu-ha havia se mudado. Desde o dia em que seus pais se encontraram, não apenas os preparativos para a cerimônia, mas também outros detalhes triviais avançaram a passos largos. Esta casa era um desses detalhes.
Assim como Lee Cha-young o havia seduzido certa vez dizendo que “bastaria vir apenas com o corpo”, Seo Gyu-ha realmente se mudou carregando apenas uma mala. Ele ouviu que a avó de Lee Cha-young tinha dado a casa nova e, pelo que soube, ela também deu um apoio generoso a título de felicitações pelo casamento.
Depois de tomar banho, Seo Gyu-ha foi direto para a cama. Ao se jogar de bruços com os braços abertos, sentiu o toque macio e agradável, como o de roupas de cama de hotel.
Ficou deitado assim por um momento e logo se endireitou, ligando o celular que segurava. Como esperado, havia uma enxurrada de mensagens dos seus amigos.
[É sério? É sério que você vai casar? Por isso ficou perguntando toda hora como era a vida de casado?]
[Sua orelha deve estar coçando pra caralho, né? Por favor, volta aqui e conta essa fofoca direito, porra]
[POR FAVOR!!!!]
Por um instante, ele pensou se não deveria ter entregado os convites, mas, claro, não era um arrependimento genuíno.
Yoon Byung-chul disse que, quando revelou aos outros que o cônjuge com quem prometeu passar o resto da vida era um ômega masculino, a reação de todos foi a mesma. Do contrário, nenhum deles teria comparecido ao casamento de Yoon Byung-chul e as reuniões não continuariam até hoje.
Por isso, Seo Gyu-ha também podia ter a audácia de ter certeza. Mesmo que só agora tivesse revelado sua natureza e que seu parceiro fosse um alfa masculino, se fossem esses caras, provavelmente entenderiam. Eles o aceitariam como ele era.
— …Mas que eles vão me zoar pra caralho, isso vão.
Especialmente Park Chan-woong, que era o alvo número um de atenção, mas isso era algo para se pensar quando chegasse a hora.
Mudando de assunto, já passava das nove e não havia sinal de Lee Cha-young. Vendo que ele ainda não tinha chegado, parecia que iria dormir na casa da família hoje.
Hoje, Lee Cha-young foi à casa principal porque havia uma reunião de família. Para ser mais exato, soube que seus avós, que moram no exterior, chegaram cedo para participar do casamento do neto e os parentes se reuniram após muito tempo.
Quando ele perguntou se Seo Gyu-ha não queria ir junto, ele recusou horrorizado. Mesmo sendo unidos pelo sangue, nem todos eram necessariamente amigáveis uns com os outros. Não tinha como saber os detalhes dos assuntos de família alheia, mas certamente haveria disputas de poder por causa de heranças imensas ou negócios.
Em uma situação dessas, só de pensar no olhar de pessoas que ele nem conhecia focados nele, ele já se sentia sufocado e com o estresse explodindo.
*Ronco—*
Um som barulhento veio de seu estômago. Seo Gyu-ha hesitou, olhou para o baixo ventre e logo soltou uma risada que parecia um suspiro.
— Realmente não muda nunca.
Seus desejos por comida continuavam. Comparado ao início da gravidez, quando sentia fome assim que terminava de comer, estava melhorando gradualmente, mas ultimamente sentia muita vontade de comidas com texturas marcantes.
Seguindo o ditado “peça a comida no tempo que levaria decidindo se come ou não”, Seo Gyu-ha abriu imediatamente o aplicativo de delivery. Após olhar a categoria de lanches noturnos, escolheu um lugar e pediu a comida sem hesitar.
Enquanto esperava a entrega, deitou-se de lado apoiando a cabeça no braço e começou a assistir TV. Como sempre, havia canais de sobra, mas nada que prestasse para ver. “Devo ver um vídeo de ‘mukbang’?” Achando que seria melhor, ele ia pegar o celular novamente quando, de repente, a porta do quarto se abriu sem aviso.
— Que susto.
Quem entrou foi Lee Cha-young. Dizendo “Cheguei”, ele se aproximou a passos largos, levantou levemente a cabeça de Seo Gyu-ha e o beijou. Um cheiro refrescante de perfume misturado ao seu odor corporal o envolveu.
— Não ia dormir lá?
— Tenho que dormir em casa. Sabendo que você está sozinho… ou melhor, que vocês dois estão aqui.
Em seguida, Lee Cha-young sentou-se na beirada da cama e encontrou o olhar de Seo Gyu-ha.
— Encontrou bem os seus amigos?
— Sim. E você?
— Eu também os encontrei bem.
— Não é disso que estou falando.
Desde que começaram a morar juntos, Seo Gyu-ha descobriu o fato bizarro de que Lee Cha-young estava tendo “enjoos matinais por empatia”. Ele não percebeu de imediato. Como às vezes ele dizia que não estava com muito apetite e apenas ficava observando o outro comer, ele achou que era verdade, mas certa madrugada, Seo Gyu-ha acabou testemunhando. Ele acordou e, vendo que o lugar ao lado estava vazio, foi procurar o sujeito, encontrando-o parado num canto da cozinha, como um ladrão, descascando e comendo uma banana.
Ele nunca esqueceria a expressão que Lee Cha-young fez no momento em que seus olhos se encontraram. Ele expressou confusão com todo o corpo, cobriu os olhos com a palma da mão e, com dificuldade, soltou as palavras: parecia que ele estava tendo enjoos de gravidez.
Ele não se deu ao trabalho de perguntar por que diabos ele estava tendo isso. O ginecologista, ao explicar os sintomas de desejos por comida, mencionou que “em alguns casos, o cônjuge pode ter enjoos por procuração”. Claro que ele nunca sonhou que Lee Cha-young seria um desses casos.
Dizem que melhorou muito comparado ao auge, mas não havia como saber a verdade. Mesmo agora, quando se sentavam à mesa, ele às vezes virava o rosto com uma expressão rígida.
— Perguntei se você jantou.
— Não. Não tinha nada que me apetecesse, então só tomei um chá.
Assim que ouviu, a cena se desenhou automaticamente em sua mente. Pensar nele sentado melancolicamente num restaurante de altíssimo luxo — daqueles que nem quem tem dinheiro de sobra consegue entrar, quanto mais um restaurante comum de bairro — apenas bebericando água sozinho, dava um pouco de pena.
— Vai só dormir?
— Bem… Acho que vai ser um pouco solitário se eu só dormir… Você não está com fome?
— Pedi comida pelo delivery.
— Que bom. Posso comer com você?
— Tanto faz.
Como ele estava com vontade de algo apimentado, mas não sentia uma fome absurda, Seo Gyu-ha respondeu prontamente. A campainha tocou cerca de trinta minutos depois. Sem precisar pedir, Lee Cha-young foi atender por conta própria e, nesse meio tempo, Seo Gyu-ha sentou-se primeiro à mesa. Pouco depois, Lee Cha-young apareceu com uma sacola plástica grande, sentou-se à frente dele e perguntou:
— O que você pediu?
— Combo de pés de galinha.
Seo Gyu-ha tirou o conteúdo um por um, encontrou o pequeno cortador de plástico e moveu as mãos com habilidade. O plástico embaçado foi removido completamente, revelando o conteúdo dentro do recipiente de plástico, e naquele momento Lee Cha-young duvidou de seus próprios olhos.
Uma agitação intensa surgiu em seu rosto, que raramente se abalava. Uma expressão de incredulidade se voltou para Seo Gyu-ha.
— Isso que você chamou de pés de galinha… são pés de galinha de verdade?
Visualmente, não parecia ser outra coisa. Separando os hashis de madeira que vieram junto, Seo Gyu-ha respondeu com um tom indiferente.
— Por acaso existem pés de galinha falsos? Experimente.
Diante do hashi estendido primeiro em sua direção, como se fosse um favor, Lee Cha-young deu um pulo.
— Não use hashis de madeira. Vou pegar os de casa para você.
Escapando da situação com improviso, Lee Cha-young segurou a pia com as duas mãos para acalmar seu coração assustado. Os pés de galinha que acabara de ver não saíam de sua cabeça. Era surpreendente que existisse um prato feito apenas com pés, e não com asas ou coxas, e, acima de tudo, o choque visual era considerável.
— O que está fazendo? Não vem?
— Hein? Ah, estou indo.
Com a pressa vinda de trás, Lee Cha-young tardiamente abriu a porta do escorredor de louça. Ao voltar ao lugar e entregar os hashis, Seo Gyu-ha disse “Valeu”, aceitou e imediatamente pegou um pé de galinha grande.
No momento em que viu os dedos revelados de forma nua e crua, Lee Cha-young hesitou sem querer. Ele tentou relaxar a expressão ao perceber o erro, mas o olhar de Seo Gyu-ha foi mais rápido.
— Nunca comeu?
Lee Cha-young, de um jeito que não era do seu feitio, hesitou antes de confessar a verdade.
— …É. É a primeira vez que vejo também. Assim, só os pés reunidos.
Os cantos da boca de Seo Gyu-ha tremeram involuntariamente. Tanto a expressão de Lee Cha-young quanto o fato de ele dizer “só os pés reunidos” eram engraçados.
— Ei.
— Sim?
— Se olhar de perto, dá para ver até as unhas, sabia?
Desta vez, vendo a expressão realmente se contorcer, Seo Gyu-ha finalmente soltou uma gargalhada refrescante. Não era só a expressão. Vendo como ele se encolheu e até empurrou a cadeira para trás, ele parecia estar realmente assustado — uma cena memorável que era um desperdício ver sozinho.
— Se não conseguir comer, coma o pudim de ovo ou a salada. Se for tão ruim de ver, quer que eu saia daqui?
— Está tudo bem. Coma à vontade.
— Fingindo de forte mesmo estando morrendo de susto.
Em seguida, Seo Gyu-ha começou a devorar os pés de galinha com entusiasmo. Enquanto ele chupava os ossos com habilidade fazendo barulhinhos, Lee Cha-young — que nem sequer jantou direito — observava a cena sem nem tocar nos hashis.
Talvez fosse só por ser uma comida estranha para ele; pensando bem, eram apenas partes da galinha, como asas ou coxas, então parecia aceitável. Seo Gyu-ha, que ia pegar um novo pé de galinha, percebeu que Lee Cha-young não parava de encará-lo e perguntou com o rosto confuso:
— Por que está me olhando assim?
— Nada. É que é bom ver você comendo bem.
— …Você coma também. Pare de olhar os outros comendo.
— Posso comer?
— Já disse que sim.
Assim que terminou de falar, Lee Cha-young se levantou. Apoiando uma mão na mesa e inclinando o tronco, ele segurou o queixo de Seo Gyu-ha com a outra mão e selou seus lábios.
— …!
Ele deu uma leve lambida, como se estivesse provando o interior da boca, e depois afastou os lábios. Em seguida, limpou o molho que estava no canto da boca de Seo Gyu-ha com a ponta da língua antes de se sentar novamente.
— O sabor do molho é bom.
Seo Gyu-ha, percebendo a situação tardiamente, explodiu de raiva.
— Que porcaria você está fazendo enquanto eu como?
— Você disse que eu podia comer.
— Eu disse para comer o pé de galinha, não para enfiar esse bico aqui!
Ele esfregou com força os lábios com a mão esquerda, sentindo a sensação de formigamento que restou. Que cara com estômago forte, cacete.
— Seus lábios ficaram mais vermelhos.
— Cala a boca.
Depois disso, o olhar de Lee Cha-young continuou voltado para Seo Gyu-ha. Vendo as bochechas inchadas e os lábios que não paravam de mastigar, a vontade de beijá-lo surgia naturalmente, mas ele não tinha coragem suficiente para atrapalhar a refeição. Se fizesse isso, desta vez os pés de galinha poderiam realmente voar em sua cara.
Após o lanche noturno terminar num clima razoavelmente íntimo, Seo Gyu-ha apenas escovou os dentes rapidamente e sentou-se na beirada da cama. Como ainda era cedo para dormir, ele estava mexendo no celular quando, pouco depois, Lee Cha-young também entrou no quarto.
— Deita aí. Vou te dar uma massagem.
— Acho que não vai dar, estou cheio.
— Vou fazer de leve.
Ao ver o frasco de óleo na mão dele, Seo Gyu-ha soltou um leve suspiro e deitou-se de costas na cama.
No primeiro dia em que se mudaram, Lee Cha-young pediu educadamente, dizendo: “Quero fazer tudo de bom para você e para o bebê, e não quero deixar de fazer nada do que os outros fazem”. Como a expressão dele era muito séria, Seo Gyu-ha fingiu ceder e aceitou, e naquela mesma noite Lee Cha-young entrou em ação. Ele dizia que interagir com o feto ajudava no desenvolvimento e falava com o umbigo alheio, além de fazer massagens que ajudariam a gestante sempre que tinha tempo.
Enquanto isso, Lee Cha-young despejou uma quantidade generosa de óleo de massagem na palma da mão, aqueceu-o com o calor do corpo e começou a massagear as pernas que apareciam por baixo da bermuda. Observando a expressão de Seo Gyu-ha, ele perguntou:
— Está bom?
— …Sim.
A sensação era tão boa que o fato de ele ter se deitado com relutância se tornou irrelevante. Ele massageava as panturrilhas com a intensidade perfeita e, toda vez que deslizava as palmas das mãos quentes com força, um gemido de satisfação escapava naturalmente.
Com o estômago cheio e recebendo uma massagem personalizada cheia de dedicação, suas pálpebras ficaram pesadas por conta própria. Ele piscou devagar, uma, duas vezes, até que em certo momento seus olhos se fecharam completamente. Parecia que ia pegar no sono a qualquer segundo quando ouviu a voz dele perguntando baixinho de perto, sem ele notar quando ele tinha subido para perto:
— Está dormindo?
— …Sim.
— Tenho algo para te contar.
— Fala logo.
— Antes do casamento, minha avó disse que quer conhecer você e o Gordinho.
Ao vê-lo franzir o cenho mesmo meio dormindo, Lee Cha-young soltou um riso silencioso. Suavizando as sobrancelhas franzidas com a ponta dos dedos, ele perguntou novamente:
— Posso marcar?
— …Se eu disser que não quero, você não marca?
— Com certeza. Você sabe que você é sempre a prioridade.
Lee Cha-young não tinha se tornado doce apenas nas ações. Não sabia se ele tinha feito algum curso, mas sua lábia também tinha subido de nível.
Um momento depois, Seo Gyu-ha respondeu com uma voz carregada de sono:
— É bom você me proteger lá no meio, senão você vai ver.
A ideia da avó de Lee Cha-young era intimidadora, mas pensando que ela prontamente comprou a casa e ofereceu fundos para a preparação do casamento, não parecia que ela diria coisas cruéis. Mesmo que algo assim acontecesse, agora ele tinha a confiança de que Lee Cha-young seria um escudo sólido.
— Não se preocupe. Minha avó é uma boa pessoa. E você provavelmente vai gostar dela quando a vir.
— Eu?
— Sim. Eu me pareço muito com ela.
Ele pensou novamente que era uma sorte Seo Gyu-ha ser alguém que se atenta à aparência. E que seus gostos eram consistentes e não mudavam.
— A genética da nossa família é um pouco forte. Quando o bebê nascer, vai ser lindo porque vai se parecer muito comigo.
Eram palavras tentadoras mesmo em meio ao sono. Após dar um beijo leve na bochecha, Lee Cha-young continuou com uma voz baixa, como se cantasse uma canção de ninar:
— Vamos viver felizes, nós três.
— ….
— Hein?
— …Vou ver como você se comporta daqui para frente.
A boca bem desenhada se curvou em um arco. Considerando o modo de falar nada honesto de Seo Gyu-ha, aquela era definitivamente uma resposta que equivalia a um “sim”.
— Gyu-ha.
— O quê?
— Gyu-ha.
— O quê?
— Gyu-ha.
— Ai, cacete, o quê?
— Eu te amo.
— …!
— E você?
Ele viu os cílios longos e retos tremerem. Enquanto ele insistia com um “Hein?” brincalhão, a uma distância tão curta que seus narizes se tocavam, subitamente sentiu braços envolvendo seu pescoço e algo quente tocando seus lábios.
O susto de abrir bem os olhos durou pouco; logo, Lee Cha-young sorriu satisfeito e correspondeu ao beijo de bom grado.
Algo quente e emocionante se espalhou por todo o seu peito, prechendo-o com uma satisfação indescritível. Era uma alegria e felicidade que podiam desfrutar por serem dois, e por serem exatamente quem eram um para o outro.
↫─☫ FIM Parte¹
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Dog And Bird (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Em um mundo onde há 99,9% de chance de Alfas serem homens e Ômegas serem mulheres.
Seo Gyuha nasce como a rara exceção: um Ômega masculino. No entanto, tendo crescido mais como um beta, ele quase não está ciente de sua própria identidade omega.
Após uma noite de bebida e festa como de costume, ele acorda em uma manhã de fim de semana com uma dor de cabeça insuportável — apenas para se deparar com uma situação surpreendente…