Ler Dog And Bird (Novel) – Capítulo 10.2 Online


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↫─☫ Dog And Bird, Capítulo 10 – Parte 2

— Ah…

Lee Cha-young soltou um longo suspiro e levantou a cabeça. Seu próprio rosto no espelho da pia entrou em seu campo de visão. Não havia nem rastro do sorriso que ele costumava dar por hábito. Um homem com o cenho franzido e um olhar afiado e sensível o encarava de volta.

Como ele já não estava se sentindo bem e se forçou a comer, seu estômago acabou por reclamar. Chamava de refeição, mas como quase não tinha comido nada, não havia nada para sair. Depois de ter apenas ânsias de vômito exaustivas, seu estômago finalmente estava um pouco mais calmo.

Depois de descartar o lenço de papel com irritação, ele saiu. Naquele momento, sua expressão se fechou mais uma vez. Ele mal tinha conseguido acalmar a náusea e, ao sair, o perfume característico que preenchia o saguão do hotel o fez sentir enjoo novamente.

Enquanto caminhava rapidamente em direção à saída com uma expressão endurecida, alguém de repente quase bloqueou seu caminho e chamou seu nome.

— Cha-young-ssi?

Um rosto que ele tinha na memória apareceu. Era Song Na-yeon, com quem ele já havia tido conversas sobre um encontro às cegas anteriormente.

— Olá. Faz tempo que não nos vemos.

Como não podia ignorar alguém que falava com ele de forma tímida, Lee Cha-young suavizou a expressão contra a vontade e retribuiu o cumprimento.

— Olá.

— Parece que você veio tratar de algum assunto. Você já jantou?

— Sim.

Em tempos normais, ele teria retribuído a pergunta por educação, mas agora não tinha disposição mental para isso. Song Na-yeon, que logo percebeu algo estranho, voltou a falar com cautela:

— Você está sentindo dor em algum lugar? Sua aparência não parece muito boa…

— Estou bem.

Mesmo palavras gentis podem cansar se repetidas, e ele não gostava que cada pessoa que encontrasse comentasse sobre sua aparência pálida. Song Na-yeon, que era perspicaz, logo disse o motivo de ter parado alguém que estava apenas passando.

— Eu fui muito grata naquela época. Graças ao fato de você ter recusado primeiro, consegui superar bem a situação. Como eu disse antes, eu gostaria muito de lhe oferecer pelo menos uma refeição.

Lee Cha-young olhou para Song Na-yeon com uma expressão mais relaxada. Como ele já havia pensado brevemente antes, era impressionante que o Diretor Song, conhecido por ser temperamental e excêntrico, tivesse uma filha assim.

— Agradeço a intenção, mas se isso chegar aos ouvidos do Diretor Song, ambos ficaremos em uma situação complicada. Então vamos deixar esse assunto para lá e esquecer. Para mim também foi um encontro sem nenhum arrependimento, então você não precisa se sentir mal.

Song Na-yeon assentiu tardiamente com um pequeno sorriso.

— Sim. Muito obrigada.

— Então, com licença.

Após uma breve despedida, Lee Cha-young caminhou a passos largos.

Assim que saiu do hotel, ele afrouxou o nó da gravata que o apertava sufocantemente. Ao inalar o ar frio com toda a força de seus pulmões, sentiu que finalmente podia respirar.

Pouco depois, um sedan familiar parou bem à sua frente. Recebendo as despedidas respeitosas dos funcionários, Lee Cha-young assumiu o volante e saiu imediatamente do hotel.

Seu rosto refletido no vidro do carro ainda não estava bom. Enquanto dirigia em silêncio concentrado, parou em um sinal no cruzamento em frente à praça. Talvez por ser fim de semana, a circulação de pessoas era considerável. Enquanto olhava para frente com uma expressão tensa, viu uma criança passando pela faixa de pedestres segurando a mão da mãe.

Naquele momento, seus olhos seguiram a criança sem perceber. Para ser mais exato, seu olhar ficou fixo no sorvete de casquinha que estava na mão esquerda da criança.

— …

Ele engoliu em seco involuntariamente. Sem perceber que seu pomo de adão se moveu, ele continuou olhando para a criança até que recobrou os sentidos com o som da buzina atrás dele.

Ele apressou-se em pisar no acelerador e partiu novamente. Não demorou muito para que pensamentos aleatórios surgissem em sua mente. Enquanto dirigia fielmente, o sorvete branco de repente começou a flutuar diante de seus olhos.

Na verdade, Lee Cha-young não gostava particularmente de doces. Se fosse servido como sobremesa em um curso, ele provava levemente, ou tomava um Americano para espairecer durante o trabalho. Mas, por algum motivo, o sorvete que a criança estava comendo não saía de sua cabeça.

Ao imaginar o sabor frio, macio e suavemente doce, sua boca se encheu de água. Sentiu até que o apetite, que tinha desaparecido por dias, estava voltando.

A hesitação não durou muito. No fim, Lee Cha-young ligou a seta com uma expressão solene e mudou de faixa. Seu carro, que mudou o destino subitamente, dirigiu-se ao shopping mais próximo de sua localização atual.

Mas havia algo a fazer antes. Ao sair do carro, Lee Cha-young caminhou em direção ao elevador enquanto fazia uma ligação.

Logo o toque parou e alguém atendeu. Era o Secretário Jung, que agia como seu ajudante em segredo.

— Sim, jovem mestre.

— Gostaria que você encontrasse uma pessoa.

— Sim. Por favor, diga.

— O nome é Seo Gyu-ha, 28 anos. Vou enviar o endereço residencial e o número do celular por mensagem.

— Entendido.

— E… gostaria que você verificasse as mulheres com quem ele se encontrou recentemente. Especialmente se houve alguma com quem ele se encontrou no último mês, por favor, me dê um relatório detalhado sobre quando, onde e por quanto tempo estiveram juntos.

— Sim. Entrarei em contato o mais rápido possível.

Por fim, Lee Cha-young acrescentou mais um pedido.

— Instale câmeras de forma que peguem o portão principal e a janela da sala da casa que eu lhe passei.

Havia um limite para esperar pacientemente. Ele tinha ido à casa de Seo Gyu-ha por três dias consecutivos logo após o expediente até ontem, mas não conseguiu ver nem a sombra dele durante todo esse tempo. Ao pensar que ele poderia estar na casa daquela mulher, sentiu uma ansiedade misturada com desagrado.

Não havia mais tempo para ser paciente. Ele sentia que precisava descobrir o paradeiro dele e encontrá-lo de qualquer jeito antes que fosse tarde demais.

— Pode conectar as câmeras ao meu celular.

— Sim, jovem mestre.

Como alguém que nunca questionava qualquer pedido ou ordem, veio uma resposta leal. Lee Cha-young deu um passo para fora do elevador quando ele parou no andar onde ficava a praça de alimentação.

A mensagem do Secretário Jung dizendo que “as câmeras foram instaladas” chegou cerca de 30 minutos depois.

↫────☫────↬

Seo Gyu-ha, que acabara de sair do banho, sentou-se na beira da cama com uma expressão exausta. Sua mão direita moveu-se sorrateiramente em direção ao abdômen. Desde que voltara para casa dirigindo, sentia a parte inferior da barriga tensa e uma sensação de pontadas.

— …Se tiver alguma reclamação, diga com palavras, pirralho.

Ele falou enquanto olhava para a barriga, mas não havia como obter resposta. Deitando-se de costas na cama, Seo Gyu-ha olhou fixamente para o teto com as mãos entrelaçadas servindo de travesseiro.

Hoje, depois de muito tempo, ele encontrou Kim Mo-ran e comeu uma comida deliciosa até a barriga explodir em um buffet de hotel que diziam ter três estrelas. Como tinha comido algo bom, deveria estar se sentindo bem, mas seu peito estava apertado como se estivesse com indigestão e seu humor continuava a cair.

Suspirando, ele virou de lado. Ele já sabia o motivo. A imagem de Lee Cha-young com a mulher que disseram ser sua pretendente, que ele vira por acaso no hotel, não parava de perturbar sua mente.

— …Filho de uma puta.

Um murmúrio cheio de raiva escapou. Pensar nisso novamente o deixava indignado e furioso. Enquanto ele evitava até as ligações dos amigos porque era óbvio que teria que beber se os encontrasse, pensar que Lee Cha-young, que tinha causado o mesmo acidente, ficava passeando e encontrando mulher em hotel no fim de semana o fazia querer explodir.

Trrr- Trrr-

O toque do celular quebrou o silêncio. Ao procurar às apalpadelas e olhar para a tela, viu um número desconhecido.

Seo Gyu-ha apertou o botão de recusar sem hesitar. Ele originalmente já não atendia ligações de números desconhecidos e, no momento, tudo lhe parecia um incômodo.

O telefone não tocou uma segunda vez. Enquanto continuava deitado apenas respirando, de repente teve um pensamento.

“E se eu fizesse uma viagem?”

Ele já queria ir há algum tempo e pensou que mudar de ares ajudaria a melhorar seu humor. Seo Gyu-ha levantou-se de um salto usando o impulso. Como dizem que se deve bater o ferro enquanto está quente, ele queria se preparar e partir no momento em que pensou nisso.

Ao contornar o patamar da escada que levava ao primeiro andar, viu sua mãe saindo do quarto. Seo Gyu-ha desceu as escadas rapidamente e se aproximou.

— Mãe, vou fazer uma viagem.

— Viagem?

Jeong Eun-hee repetiu a palavra dita do nada e então respondeu com uma expressão severa, olhando para o abdômen do filho:

— Não pode. Que viagem o quê, no início da gravidez?

— O bebê está bem grudado lá dentro, qual o problema? Só quero mudar de ares porque estou sufocado.

— Então vá ao parque aqui perto. Fui lá outro dia e as flores de crisântemo estavam lindas.

Com aquela fala, Seo Gyu-ha bagunçou o cabelo com insatisfação.

— Não é isso. Quero descansar bem por uma semana, comer coisas gostosas e me divertir.

Originalmente, a graça de uma viagem era rodar por todo canto e desfrutar de várias atividades, mas isso era para quando o condicionamento físico permitia. Desta vez, ele planejava apenas aproveitar a brisa do mar calmamente em uma praia com bela paisagem.

— Quero ver o mar aberto. Porque estou sufocado.

Pensando que não podia recuar assim, Seo Gyu-ha tentou persuadir sua mãe com afinco. Jeong Eun-hee, que ouviu silenciosamente sobre estresse e tudo mais, falou após um momento:

— Se é assim, ligue para o hospital primeiro e pergunte se pode ir. Se o médico disser que sim, eu permito.

Ela disse isso na certeza de que não seria permitido. O filho, que provavelmente não sabia disso, respondeu que tudo bem enquanto demonstrava total preguiça, e por precaução, Jeong Eun-hee acrescentou mais uma condição.

— E ir sozinho está fora de cogitação. Vá com seu irmão mais velho ou o do meio, ou então leve o Sung-yeol.

Com aquilo, Seo Gyu-ha franziu o cenho na hora.

— Ficou maluca? Por que eu viajaria com meus irmãos?

— Eu não ficaria tranquila com você indo sozinho. E parece que você ainda não tem consciência, mas quando se está grávida, deve-se manter repouso absoluto e ter cuidado por pelo menos três meses. Ou então, quer que eu vá com você?

Ao ver os olhos arregalados dela, parecia que ela realmente o seguiria se necessário. “Ah, merda, vou enlouquecer.” Enquanto suspirava com o rosto todo contorcido, Seo Gyu-ha escolheu uma pessoa a contragosto.

— Vou com o Hyung Sung-yeol.

— Faça isso, então. Eu falo com o Sung-yeol.

Nada saía como ele queria. Enquanto se virava com meia vitória garantida, ouviu sua mãe perguntar como se tivesse acabado de lembrar:

— Já escolheu o apelido pré-natal do bebê?

Ele parou, seus passos congelando involuntariamente. Uma expressão de dificuldade surgiu em seu rosto. Apelido pré-natal? Era uma palavra tão estranha quanto gravidez ou enjoo matinal.

— …Que apelido pré-natal o quê. Nem vou ter motivo para chamar.

— Meu Deus, olha só para ele.

Jeong Eun-hee aproximou-se imediatamente do filho e falou em um tom fingidamente severo:

— É claro que tem que dar um. Tem que fazer educação pré-natal chamando pelo nome, e o que a criança vai sentir depois se souber que não tinha um? Enfim, como achei que você não daria um, eu pensei em um. O que acha de “Banjjak-i” (Brilhante)?

— …Banjjak-i?

Diante da pergunta hesitante, Jeong Eun-hee explicou o motivo:

— Lembra que eu te contei sobre um sonho tempos atrás? Quando eu tentava pegar uma pepita de ouro que caía, ela ficava preta, mas quando você, Gyu-ha, pegava, ela brilhava ainda mais. Pensando agora, acho que aquele era o sonho de concepção, e como apareceu ouro no sonho, Banjjak-i seria perfeito.

Seo Gyu-ha rejeitou imediatamente com uma expressão indiferente.

— Não quero. É cafona pra caralho.

Jeong Eun-hee ficou irritada com a avaliação implacável, mas em vez de explodir, esforçou-se para manter um sorriso. Desde que soubera da gravidez do filho, ela estava tentando tratá-lo da forma mais suave e amena possível.

— É assim que se escolhe um apelido pré-natal. E o que tem de errado com Banjjak-i? Combina perfeitamente com o sonho de concepção e é bom porque carrega o desejo de que a criança cresça brilhando.

— Não é bom. É só…

— Só o quê?

— Nada. Vou pensar um pouco.

Seo Gyu-ha virou-se primeiro sem hesitar. Ele pensou em dizer que continuaria chamando apenas de “Ei” ou “Ei, moleque”, mas como achou que estaria pedindo para levar uma bronca, escolheu ficar de boca fechada.

Ao voltar para o quarto, Seo Gyu-ha recostou-se na cabeceira da cama e começou a pensar seriamente para onde seria bom viajar.

“O mar deve ser razoavelmente bonito, deve ser confortável e a comida só precisa agradar ao meu paladar… Ou será que volto naquele lugar?”

Ele não se lembrava exatamente de qual país era, mas havia uma região de resorts no sudeste asiático onde a comida era absurdamente deliciosa. Foi um lugar onde Park Chan-woong os levara quando viajaram entre amigos, dizendo que “aquele restaurante era sensacional”, e não era exagero; a comida era tão boa que eles foram lá todas as noites durante os três dias.

— Onde era mesmo…?

Ele lembrava que a comida era deliciosa pra caralho, mas como as praias eram todas parecidas, não conseguia se lembrar de jeito nenhum. No fim, Seo Gyu-ha enviou um SOS para Park Chan-woong.

[Onde era aquele lugar? Aquele que a gente comeu camarão com creme por 3 dias seguidos]

Como se estivesse matando tempo no trabalho, a resposta veio na hora.

[Você está vivo? Achei que tivesse apagado meu número]

[Bloqueei e desbloqueei. Qual era o país?]

Ele perguntou mais uma vez e, desta vez, recebeu uma ligação. Pensando que ele era um completo desocupado no trabalho, Seo Gyu-ha apertou o botão de atender.

— Fala.

— Fala? “Faaala”? Você me deu um vácuo do caralho mesmo eu pedindo para te ver, e agora vem com “faaala”?

— Já disse. Eu estava ocupado com as coisas do café.

Desde que o gerente voltara, ele não tinha pisado mais lá, mas não precisava contar isso. E muito menos precisava dizer que fingiu estar ocupado para evitar as bebedeiras.

— Enfim, onde é aquele lugar? Aquele onde pedimos tudo do cardápio e comemos até explodir.

— Vai viajar?

— É.

— Puta que pariu, que inveja. Me leva também.

— Pede demissão e vem junto, então.

Ignorando a falação dele por um ouvido, esperou até que, pouco depois, Park Chan-woong lhe deu a localização. Tendo obtido a informação que queria, Seo Gyu-ha agradeceu em um tom totalmente sem alma e desligou.

Em seguida, ele tocou no nome “Sung-yeol Hyung” nos registros de chamadas recentes e ligou. Se houvesse passagens, ele pretendia partir ainda hoje à noite.

↫────☫────↬

O jato de água que caía refrescantemente do chuveiro parou de repente. Após sacudir levemente a água dos cabelos encharcados, Lee Cha-young vestiu um roupão e saiu do banheiro.

O relógio da sala marcava pouco mais de oito da noite. Indo direto para a cozinha, Lee Cha-young tomou um copo de água gelada. Ele parou o passo enquanto colocava o copo vazio na pia e se virava. Logo, voltando-se para a geladeira, abriu a porta do congelador e tirou algo lá de dentro. Era o sorvete orgânico que comprara na praça de alimentação do shopping mais cedo.

Ele apoiou os quadris em um banquinho do frigobar entre a cozinha e a sala. Sentado de pernas cruzadas, levou à boca uma colherada generosa de sorvete.

— …

De repente, uma risada absurda escapou. Enquanto ainda sofria de um distúrbio alimentar de causa desconhecida, a visão de si mesmo comendo o terceiro sorvete do dia — algo que ele normalmente nem tocava — parecia irreal.

Não demorou para esvaziar o pote menor que um punho. Enquanto jogava o pote e a colher no lixo e saía, ouviu o toque fraco de um celular vindo de algum lugar.

Lee Cha-young caminhou a passos largos imediatamente. Ao pegar o celular que vibrava sobre a mesa da sala, o nome que ele tanto esperava apareceu.

— Sim, Secretário Jung.

— Localizei o paradeiro da pessoa que o senhor mencionou.

— …!

Aquelas palavras fizeram seus olhos brilharem. O perspicaz Secretário Jung continuou a falar rapidamente com uma voz confiável.

— Foi difícil rastrear porque ele continuava sem atender, mas consegui captar o sinal há pouco quando uma pessoa que se identificou como a mãe dele atendeu.

Lee Cha-young ajustou a pegada no celular e perguntou:

— A mãe dele?

— Sim. Ganhei tempo com uma mentira apropriada até captar o sinal, e recebi a resposta de que ele não está em casa no momento. E o local onde o sinal foi captado é na área do Terminal Sul, em Seocho-dong.

Assim que ouviu, ele soube onde era. O fato de a mãe ter atendido e o sinal vir de Seocho-dong indicavam a casa dos pais de Seo Gyu-ha.

— Ha.

Um suspiro que parecia um riso seco escapou. Lee Cha-young massageou a nuca tensa com a mão que não segurava o celular.

Dizem que o lugar mais escuro é logo abaixo da lâmpada. Como ele não voltava para casa há três dias, Cha-young pensou que ele estaria com aquela mulher ou na casa de outros amigos; ele nem sequer considerou a possibilidade de ele estar na casa dos pais.

— E parece que levará mais um tempo para esclarecer os passos recentes dele. Assim que eu organizar tudo, entrarei em contato.

— Sim. Continue com o bom trabalho.

Assim que desligou, Lee Cha-young foi direto para o closet. Tirou o roupão que vestia e vestiu rapidamente uma camisa de malha e as calças que pegou primeiro. Pouco depois, Lee Cha-young pegou as chaves do carro e o celular e saiu apressadamente de casa.

O destino era a casa dos pais de Seo Gyu-ha. Embora tivesse ouvido que ele estava ausente, pelo fato de o celular estar em casa, parecia que ele voltaria logo.

Ao mesmo tempo, sentia urgência. Um pensamento súbito de que, se demorasse um pouco mais, ele poderia ir para outro lugar ostensivamente, surgiu em sua mente.

↫────☫────↬

Jeong Eun-hee, sentada em uma poltrona com a luminária de leitura ligada, abriu o livro que começara a ler há alguns dias. Após o jantar, ela costumava assistir a dramas ou filmes, mas às vezes gostava de ter um tempo para refletir enquanto lia.

O livro que comprara desta vez era uma coleção de ensaios contendo as vidas e filosofias de vários autores. Enquanto saboreava cada palavra e virava as páginas com concentração, uma batida na porta quebrou o silêncio.

— Senhora, um convidado veio visitá-la.

Um convidado?

Uma expressão de dúvida surgiu em seu rosto. Não havia ninguém que deveria vir visitá-la a essa hora. Enquanto pensava nisso, abriu a porta da biblioteca e a empregada revelou imediatamente a identidade do visitante.

— Ele se identificou como Lee Cha-young. O que devo fazer?

Havia apenas uma pessoa com o nome Lee Cha-young entre as que ela conhecia. Jeong Eun-hee, embora atordoada, disse para deixá-lo entrar.

Enquanto esperava na sala, Lee Cha-young realmente entrou na casa pouco depois. Jeong Eun-hee se aproximou com uma expressão de surpresa e alegria.

— Desculpe vir sem avisar.

— Eu realmente levei um susto. O que o traz aqui a esta hora?

— Tenho algo urgente a dizer ao Gyu-ha, mas não consigo falar com ele por telefone. Ouvi dizer que ele tem ficado aqui ultimamente, então, ele está em casa…

Ele ia perguntar se ele tinha entrado, mas engoliu as palavras rapidamente. Como acabara de dizer que não conseguia falar com ele, quase deixou escapar que já sabia que ele estava ausente.

— Se ele estiver em casa, posso vê-lo por um momento?

Ele mostrou um sorriso enquanto escondia a ansiedade. Só então percebeu que estava de mãos vazias e estalou a língua mentalmente. Normalmente teria trazido algo, mas hoje estava tão apressado que não teve tempo para pensar em outra coisa.

De qualquer forma, se ouvisse que ele ainda não tinha chegado, pretendia responder que “esperaria até ele chegar”. No entanto, a resposta recebida foi totalmente inesperada.

— O que faremos? Gyu-ha não está em casa hoje porque foi viajar. Em vez disso, entre e vamos conversar.

— Está tudo bem. Vou embora logo.

Ele respondeu com um sorriso forçado e tocou o canto da boca como se escondesse a ansiedade.

“Pensei que finalmente conseguiria encontrá-lo… Ele foi viajar?”

— Ouvi dizer que o trabalho no café estava corrido, mas parece que ele teve tempo.

— Ai, nem me fale. Achei que ele estava ficando bem em casa por uns dias, mas de repente deu a louca nele e ele começou a insistir que iria agora mesmo. Como é que ele, com aquele corpo…

Desta vez foi Jeong Eun-hee quem parou de falar apressadamente. Logo ela mudou de assunto com um sorriso desajeitado.

— Mas parece que o rosto do Cha-young está bem abatido. Você já jantou?

— Sim, já jantei. Então, quando o Gyu-ha volta?

— Ele vai ficar fora por cerca de uma semana.

Uma semana… Já parecia um tempo terrivelmente distante. Enquanto engolia o suspiro que subia, Lee Cha-young forçou os cantos da boca para cima e continuou:

— Então, quando o Gyu-ha voltar, poderia me pedir para entrar em contato? Tenho algo que realmente preciso dizer a ele.

— É mesmo? Se é algo urgente, quer que eu tente ligar para o Sung-yeol agora?

Lee Cha-young entendeu a situação no instante em que ouviu.

— Ele foi com o Secretário Choi?

— Isso. Eu não ficaria tranquila com ele sozinho, então mandei os dois juntos. Quer que eu ligue agora e passe para você?

Embora sua vontade fosse imensa, ele a reprimiu internamente.

Vendo que ele continuava sem atender, parecia que ainda não tinha se acalmado; ele duvidava se seria possível falar com ele mesmo que ela passasse o telefone. E, fosse para pedir desculpas ou conversar, queria falar olhando diretamente no rosto dele.

— Na verdade, o Gyu-ha está um pouco bravo comigo por algo que fiz… Vou falar com ele pessoalmente da próxima vez.

Ao ouvir aquilo, Jeong Eun-hee fez uma expressão de surpresa.

— O Gyu-ha está bravo por causa de algo que você fez?

— Sim. Sinto muito, tia.

— Não. Você não tem que me pedir desculpas. Amigos podem brigar um pouco e tal. Assim que o Gyu-ha chegar, a tia liga para você na hora.

— Obrigado. Por favor, eu lhe peço.

Lee Cha-young pediu até mesmo fazendo uma reverência. Ao ver aquilo, uma preocupação tardia surgiu no rosto de Jeong Eun-hee.

“O que um rapaz tão sensato e atencioso poderia ter feito para deixar meu filho tão bravo?”

Seu filho mais novo era o tipo de pessoa que, mesmo tendo algo desagradável ou irritante, sacudia a poeira e esquecia assim que acordava no dia seguinte. Mas, ao lembrar que ele disse que Gyu-ha continuava sem atender as ligações, ela sentiu uma ponta de preocupação.

Logo, Jeong Eun-hee olhou para Lee Cha-young e perguntou discretamente:

— É algo que pode ser resolvido com conversa, certo?

— Com certeza. Não se preocupe.

— Que bom. Ah, já que veio, quer que eu te mande alguns mandus? Fiz uma leva nova ontem porque o Gyu-ha queria, e você também gosta, não é?

— Não precisa.

— Não faça isso, espere um pouco. Vou buscar rapidinho.

Sem dar tempo para ele recusar, Jeong Eun-hee apressou o passo. Pouco depois, ela reapareceu segurando um grande recipiente com as duas mãos.

— Coloquei um pouco de cada coisa. Seu rosto emagreceu muito, então, mesmo que seja um incômodo, trate de comer bem, sim?

— Sim. Obrigado.

Dizendo que sentia muito pelo incômodo, Lee Cha-young abriu a porta da frente e saiu. Assim que entrou no carro estacionado em frente à casa, soltou um longo suspiro que estivera prendendo.

“Se eu soubesse um pouco mais cedo…”

Se soubesse, teria pelo menos visto o rosto dele.

Embora fosse um alívio saber o paradeiro dele agora, pensar que teria que esperar uma semana inteira o fazia sentir-se sufocado.

O rosto familiar flutuava diante de seus olhos. Imagens de conversas triviais, de comerem juntos, de se desejarem intensamente e de vê-lo dormir indefeso após o cansaço surgiram em sequência.

Parando para pensar, fazia muito tempo que não faziam sexo. Honestamente, durante esse tempo, ele nem sequer pensou nisso. A resposta correta era que ele estava tão obcecado em encontrar Seo Gyu-ha, e sua mente estava tão focada nele, que não tinha espaço para pensar em outra coisa.

— Ah…

Outro suspiro pesado escapou. Como um realista convicto, ele nunca fazia suposições absurdas, mas agora se pegava pensando tolamente: “Quem dera eu pudesse voltar para a última vez que vi o Seo Gyu-ha”.

E…

Somente em uma situação como esta ele parecia finalmente entender o próprio coração. Seo Gyu-ha não era mais apenas um simples amigo ou parceiro de sexo. Se não fosse assim, ele não ficaria chocado com o fato de outra pessoa ter engravidado dele, nem sentiria tanta ansiedade e impaciência apenas por não conseguir contato por alguns dias.

Se eles se encontrassem novamente, ele tinha apenas uma coisa a dizer. Desejando que aquele dia chegasse o mais rápido possível, Lee Cha-young finalmente deu partida no carro.

↫─☫ Continua…

⌀ ⌀ ⌀

✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

Ler Dog And Bird (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Em um mundo onde há 99,9% de chance de Alfas serem homens e Ômegas serem mulheres.
Seo Gyuha nasce como a rara exceção: um Ômega masculino. No entanto, tendo crescido mais como um beta, ele quase não está ciente de sua própria identidade omega.
Após uma noite de bebida e festa como de costume, ele acorda em uma manhã de fim de semana com uma dor de cabeça insuportável — apenas para se deparar com uma situação surpreendente…

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