Ler Dog And Bird (Novel) – Capítulo 06 Online


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↫─☫ Dog And Bird, Capítulo 06

Ao descer do carro, Seo Gyu-ha caminhou a passos largos. O relógio do celular, que ele verificara um instante antes, marcava pouco mais de 16h10.

Embora tivesse saído de casa com folga após calcular o tempo, a consulta anterior no ortopedista consumiu mais tempo do que o esperado. Para completar, a sorte com os semáforos não estava ao seu lado hoje. Como ficou preso em sucessivos sinais vermelhos pelo caminho, acabou chegando um pouco atrasado.

O local visitado hoje era o mesmo de sempre. Gyu-ha realizou primeiro os diversos exames de rotina e depois seguiu para a endocrinologia, sentando-se em uma das cadeiras da sala de espera para aguardar sua vez.

Ao ligar o celular, viu que havia algumas mensagens. Entre elas, uma de seu médico responsável, Oh Tae-seok.

[Chegou bem? Não se atrasou?]

[Sim.]

Após enviar a resposta, ele verificava as outras mensagens em sequência quando, de repente, a tela mudou e uma chamada de Oh Tae-seok entrou. Confirmando sua posição na fila de atendimento, Gyu-ha saiu da sala de espera para atender o telefone.

— O que foi?

— Você chegou mesmo ao hospital?

— Já disse que sim. Estou esperando porque tem pacientes pra caramba.

— Olha esse vocabulário.

O contato de Oh Tae-seok ocorrera três dias atrás. Ele informara que teria que participar de um congresso como substituto na data da consulta e sugeriu que Gyu-ha passasse no hospital no dia seguinte, mas Gyu-ha recusou sem nem pensar. Como atendera a ligação meio sonolento, estava sem paciência e, além disso, detestava consultas matutinas. Ele também havia marcado propositalmente a consulta ortopédica para o mesmo dia, então não tinha a menor intenção de alterar o cronograma.

De qualquer forma, ele não era uma criança mimada e sabia se cuidar, mas, pelo visto, o médico estava bem ocioso para chegar ao ponto de ligar.

— Faça uma boa consulta e, da próxima vez, vamos jantar com este seu hyung.

— Tá bom. Vou desligar.

Ao retornar para a sala de espera, ainda havia dois pacientes na sua frente. Sentado em uma cadeira vazia, Gyu-ha respondeu à mensagem de Yoon Byung-chul e ligou seu jogo de celular favorito. Após algum tempo atirando em inimigos no modo silencioso, a enfermeira finalmente chamou seu nome.

— Seo Gyu-ha, por favor, pode entrar.

Ao abrir a porta e entrar, deparou-se com uma cena incomum. Não havia ninguém lá dentro. Somente após um longo tempo sentado na cadeira do paciente é que uma cortina fina, tipo divisória, foi puxada e um homem de jaleco apareceu.

— Você é o senhor Seo Gyu-ha, certo?

— Sim.

Assim que se sentou, o médico segurou o mouse e começou a movê-lo rapidamente. Suas mãos digitando no teclado pareciam igualmente ocupadas. Ele murmurou algo incompreensível enquanto olhava para o monitor e, só então, fez contato visual com um rosto inexpressivo.

— Está tudo bem. Os níveis estão bem mantidos.

Era o que ele queria ouvir. Enquanto esperava, chegara a pensar se “os índices não estariam altos desta vez”, então foi um alívio saber que estavam estáveis. O gráfico no monitor, que ele observou de relance, também desenhava um padrão constante, sem grandes oscilações.

— Algum desconforto?

— Não.

— Então, vou apenas prescrever a medicação, tome-a corretamente.

O médico levantou-se primeiro e desapareceu por trás da cortina com as abas do jaleco branco esvoaçando. Não que tivessem esvoaçado de fato, mas ele parecia tão apressado que passava essa impressão.

— Porra, que cara grosso.

A reclamação escapou tardiamente. Agendar a próxima consulta também foi um processo demorado. A coordenadora, que entrou às pressas, sugeriu a próxima data com uma atitude burocrática, e Gyu-ha saiu do consultório após definir o horário para uma tarde de sexta-feira, dali a um mês.

↫────☫────↬

Ao sair do hospital, Gyu-ha dirigiu até um cinema próximo. Não era porque ele gostasse de ver filmes sozinho. Ele havia combinado de se encontrar com Yoon Byung-chul à noite, mas voltar para casa para sair de novo era um saco, e esperar no carro sem fazer nada levaria tempo demais. Por isso, o cinema foi a escolha.

Indo direto ao ponto, a escolha do filme foi um fracasso. Ele escolheu aleatoriamente o que tinha o horário mais próximo, mas, por azar, era um romance que já exalava um ar meloso e dramático desde o início. Ao perceber o gênero tarde demais, Gyu-ha desistiu de assistir e optou por tirar um sono pesado.

Ao acordar de um sono curto, porém revigorante, os créditos finais começaram a subir pouco tempo depois. Gyu-ha deu uma boa espreguiçada e saiu da sala de exibição.

Ao sair do prédio, o entorno já estava mergulhado na escuridão. Ao verificar o celular que deixara no silencioso, viu uma mensagem de Yoon Byung-chul perguntando onde ele estava. Após enviar uma resposta dizendo que já estava indo, Gyu-ha seguiu caminho com as mãos enfiadas nos bolsos da calça.

Ao abrir a porta do restaurante, viu imediatamente um rosto familiar. Yoon Byung-chul estava absorto no celular. Pelo modo como os cantos de sua boca subiam sem controle, estava na cara que estava trocando mensagens com o namorado.

— Cheguei.

Yoon Byung-chul só levantou a cabeça quando Gyu-ha puxou a cadeira oposta e se sentou pesadamente.

— Veio de casa?

Diante da pergunta indireta sobre o motivo do atraso, Gyu-ha respondeu enquanto servia água em um copo novo.

— Tinha um tempo sobrando, então assisti a um filme antes de vir.

— O que você viu?

— Sei lá. Escolhi o que batia com o horário, mas era chato pra cacete.

Era óbvio que ele não lembraria o título de um filme daqueles. Yoon Byung-chul riu como se já esperasse por isso e, em seguida, apertou a campainha para pedir a costela. Como já se conheciam há muito tempo, as preferências um do outro eram claras como a palma da mão.

Enquanto limpava as mãos com o lenço umedecido, Gyu-ha abriu a boca.

— Mas por que quis me ver separadamente?

O motivo de Yoon Byung-chul tê-lo chamado hoje era para entregar o convite de casamento. Como ele já ouvira que ele se casaria em breve, receber o convite e ganhar um jantar não era exatamente uma surpresa. No entanto, achou estranho ele pedir para se encontrarem a sós, quando o natural seria chamar os outros caras também.

— Primeiro, pegue isto.

Yoon Byung-chul abriu a pasta e estendeu o envelope do convite. Gyu-ha o aceitou sem reclamar e o colocou sobre a mesa, mas, ao ver a cena, Byung-chul disse com sua voz grave característica:

— Abra.

— Por que eu tenho que abrir? Já sei que é um convite de casamento.

— Abre logo.

— O quê, colocou moldura de ouro nele?

Embora resmungasse, Gyu-ha obedeceu, retirou o adesivo e tirou o convite de dentro. Após folheá-lo sem pensar, no instante em que seus olhos pousaram em um ponto específico, um “Hã?” escapou involuntariamente. Em seguida, Gyu-ha mostrou o convite para Byung-chul e disse:

— As letras não foram impressas errado? Tá escrito “filho mais velho”.

Mesmo olhando de novo, o que via não mudava. Abaixo de “Terceiro filho, Yoon Byung-chul”, em vez de “filha mais velha”, estava escrito “filho mais velho, Lim Hyung-bin”. Por mais que lhe faltasse senso comum, ele não era tão burro a ponto de não saber a diferença entre filho e filha. Após olhar brevemente para o convite aberto, Byung-chul ergueu o olhar e encarou Gyu-ha.

— É filho mais velho mesmo. Ele é o filho homem mais velho.

A expressão de Gyu-ha se contorceu ainda mais. É filho homem?

Então, algo passou por sua mente tardiamente e, com uma expressão de incredulidade, ele abriu a boca.

— Ele é um ômega masculino?

— Sim.

Foi uma resposta direta. Gyu-ha encarou Byung-chul em silêncio por um momento, depois pegou a garrafa de soju e encheu o copo dele. Então, enquanto colocava a costela na grelha, falou antes que esquecesse:

— O que você quer de presente de casamento?

Como eram amigos de longa data e ele seria o primeiro do grupo de melhores amigos a se tornar um homem casado, Gyu-ha estava disposto a dar o que ele quisesse. No entanto, Byung-chul permaneceu calado. Após colocar a carne em toda a grelha, Gyu-ha olhou para o amigo e viu que ele exibia uma expressão estranha. Parecia surpreso ao ouvir a palavra “presente”.

No momento em que ele ia perguntar de novo, Byung-chul finalmente abriu os lábios.

— É só isso?

— O quê?

— É só essa a sua reação?

— Do que você está falando?

Era algo incompreensível. Então, com um pensamento que lhe ocorreu tardiamente, Gyu-ha fechou o semblante.

— Tá querendo dizer que eu é que tenho que pagar o jantar?

— Não é isso. Você acabou de descobrir que vou me casar com um ômega masculino. Mas essa é toda a sua reação?

— E o que você queria? Que eu fizesse uma dança de comemoração?

Yoon Byung-chul, que o observava fixamente, soltou um suspiro. No momento em que Gyu-ha ia retrucar irritado, Byung-chul falou primeiro:

— Estou dizendo que vou me casar com um homem… Isso não te afeta em nada?

“Ah, então era isso.”

Só então Gyu-ha captou a verdadeira reação de Byung-chul e respondeu enquanto virava a carne na grelha:

— Se os dois se gostam e querem casar, o que eu tenho a ver com isso?

Na verdade, era um caso extremamente raro. Ômegas masculinos por si só já eram raros, e casos de casamento entre pessoas do mesmo sexo com cerimônia e tudo eram ainda mais difíceis de ver.

Mas Gyu-ha realmente não se importava. Para começar, ele próprio era um ômega masculino e não tinha o menor interesse em mulheres. Mesmo que não fosse o caso, a resposta que ele daria ao ouvir que Byung-chul se casaria com um homem seria a mesma.

Na verdade, ele estava curioso sobre a reação da família de Byung-chul. Dado o temperamento do pai dele, ele não devia ter dado a permissão facilmente.

— Pelo visto, o seu pai permitiu de boa.

— Eu disse que, se não permitisse, cortaria laços com a família.

— Criar filho não serve pra nada mesmo.

— Acho que você não é a pessoa mais indicada para dizer isso, não?

Respondendo com um risinho, Byung-chul olhou novamente para o rosto de Gyu-ha. A tensão havia desaparecido, dando lugar a um olhar cheio de confiança.

— Obrigado. Por dizer isso, mesmo que seja só por falar.

— Que nojo, para com isso. Esquece e só pensa no presente que você quer.

— Ter você no casamento já é o suficiente. Mas, se faz tanta questão, me dê um sofá.

— Um so-fá?

— É uma chance única na vida, tenho que pedir algo nesse nível.

— Olha só, o ladrão estava bem aqui.

O álcool estava começando a fazer efeito e seu rosto esquentou. Gyu-ha pousou o copo de soju e desamarrou o cachecol que colocara de qualquer jeito antes de sair.

— …

No momento em que o colocou no assento ao lado, ele pensou: “Merda”.

O motivo de estar usando um cachecol mesmo não sendo inverno era para esconder as marcas espalhadas pelo pescoço. Gyu-ha as descobrira no dia seguinte à visita de Lee Cha-young. Nenhum mosquito o teria devorado desse jeito com este clima, e ele não tinha o talento de deixar tais marcas em si mesmo. Estava na cara que fora Lee Cha-young; aquele louco mordera com tanta vontade que, mesmo após alguns dias, as marcas ainda permaneciam.

Por causa disso, Gyu-ha soltara todos os palavrões possíveis enquanto revirava o armário até encontrar um cachecol fino. Ele não se importava muito com o olhar dos outros, mas o problema era que seu acompanhante no jantar de hoje era Yoon Byung-chul. Ele o usara propositalmente para evitar qualquer conclusão errônea descabida, mas acabou esquecendo e revelando as marcas por conta própria.

“Devo colocar de novo?…”

Enquanto ele franzia a testa o máximo que podia, veio a frase esperada:

— Arrumou um amante?

Soltando um suspiro diante da própria estupidez, Gyu-ha respondeu:

— Que amante o quê.

Mesmo assim, Yoon Byung-chul sorria de orelha a orelha, com a expressão de quem encontrara um furo.

— Porque, com esse seu gênio, você nunca deixaria ninguém te deixar marcas assim se não fosse importante.

— Já disse que não é nada disso.

Não era uma questão de “deixar”. Era ferir o orgulho, mas, durante o sexo, muitas vezes era difícil até acompanhar os movimentos de Lee Cha-young, então ele não tinha tempo para prestar atenção em mais nada. Por isso, ele sempre via as marcas de mordida no espelho no dia seguinte e pensava: “Vou falar com ele na próxima vez que a gente se vir”, mas acabava esquecendo sempre que se encontravam de novo.

Antes que a conversa desnecessária continuasse, Gyu-ha mudou de assunto.

— Fala de você. Como um brutamontes como você acabou casando com um homem?

Ao lhe dar essa abertura generosa, Yoon Byung-chul começou a contar sua história de amor como se estivesse apenas esperando por isso. Gyu-ha observava com uma expressão de estranhamento como o sorriso dele não saía do rosto em nenhum momento.

— Vai entrar mosca na sua boca, seu idiota.

Um riso escapou. Ele era um cara que sempre se mantinha sério e imponente lá fora, mas vê-lo agindo como alguém que perdeu um parafuso o fazia pensar involuntariamente: “Ele deve gostar mesmo do cara”.

↫────☫────↬

Ele vasculhou o porta-lápis sobre a mesa, mas o objeto que procurava não estava lá. Procurou mais uma vez, olhou entre as pastas de documentos, e nada. Após abrir todas as gavetas da mesa, Lee Cha-young chamou o colega ao lado em voz baixa.

— Senhor Min-seop.

— Sim.

Kwak Min-seop desviou imediatamente o olhar do monitor e olhou para o lado.

— Por acaso viu uma caneta preta que estava em cima da minha mesa?

— Não, não vi. Sumiu?

— Procurei em todo lugar e não estou achando.

— Se procurar mais uma vez… Ah, espera. — Kwak Min-seop continuou como se tivesse acabado de se lembrar. — O senhor Hong-jun estava parado perto da janela agora há pouco e parecia estar procurando algo para anotar. Pergunte a ele, só por precaução.

— Obrigado.

Ao se levantar e aproximar-se, viu que Park Hong-jun não estava na mesa. Cha-young correu os olhos rapidamente pela mesa dele.

Em seguida, seu semblante se contraiu levemente. Viu sua caneta preta familiar dentro de um estojo aberto.

Cha-young soltou um suspiro curto e estendeu o braço. Não precisava se preocupar com a possibilidade de ser uma caneta do mesmo tipo. Aquela caneta da marca M, que ele usava há anos desde o início de seu intercâmbio, não era distribuída no país e só podia ser comprada por importação direta; ele não achava que Park Hong-jun, que tinha um espírito mesquinho, compraria um produto onde o frete era mais caro que o objeto.

Mais um suspiro escapou. Seu rosto estava raramente rígido. Cha-young odiava profundamente que alguém tocasse em seus pertences sem permissão. Ainda mais se fosse alguém que ele não suportava.

Quando ele se virou com a caneta na mão, Park Hong-jun aproximou-se segurando um copo de papel.

— Precisa de algo comigo?

— … Soube que você pegou minha caneta emprestada.

— Ah.

Após um curto ruído, Park Hong-jun continuou com desdém:

— Precisei anotar algo de repente, então peguei emprestado. Mas você veio buscar? Normalmente as pessoas deixariam pra lá.

Era uma atitude sem o menor sinal de arrependimento. Diante de tamanha audácia, o olhar de Cha-young tornou-se gélido por um instante, mas ele logo respondeu com um sorriso:

— Eu costumo cuidar bem das minhas coisas.

— Você vive a vida de um jeito bem cansativo.

— Se não houvesse pessoas para nos cansar, não haveria cansaço.

Ainda sem perder o sorriso, Cha-young acrescentou um aviso disfarçado de recomendação:

— Espero que, de agora em diante, não toque nas minhas coisas sem permissão.

Ele passou direto por Park Hong-jun. O homem, que ficou parado com o corpo levemente rígido, virou-se e murmurou insatisfeito:

— Credo, que cara mesquinho por causa de uma caneta.

O subchefe da equipe, que ouvia tudo fingindo que não, interveio:

— Ele não disse nada de errado. E se você pegou emprestado por pressa, deveria ter devolvido primeiro, senhor Hong-jun.

— Eu ia devolver. Quem ia adivinhar que ele viria fazer esse escândalo só porque fui ao banheiro por um minuto?

— Então por que não disse isso a ele?

Park Hong-jun fez bico diante do comentário feito sem nem desviar os olhos do monitor.

— O senhor sempre fica do lado do Cha-young, não é, subchefe?

— Não é questão de ficar do lado. Eu digo isso porque o que ele disse está certo.

“Sim, sim”, Park Hong-jun sentou-se respondendo sarcasticamente em pensamento. No início, fora verdade que ele pegara o que viu pela frente por estar com pressa e, ao terminar a ligação, percebeu que sua mesa estava logo ali. Ele pensou em continuar usando a caneta, achando que não valia nada… Nunca imaginou que ele viria até aqui buscá-la.

— Enfim, é um cara impossível de gostar.

Em vez de voltar ao seu lugar, Cha-young saiu do escritório e entrou na sala de descanso masculina no fim do corredor.

Ouviu-se o barulho da lata caindo e ele abriu o lacre da bebida. Sua expressão ao olhar pela janela continuava ruim.

Normalmente, ele teria apenas pegado a caneta e saído sem dizer nada. Isso porque ele evitava conflitos desnecessários sempre que possível, mas não era porque ele fosse gentil ou tivesse um bom temperamento, como muitos erroneamente pensavam. Ele apenas achava um desperdício gastar tempo e energia com alguém que não valia a pena.

Mas, desde hoje cedo, sua condição estava excepcionalmente baixa. O motivo era o *Rut*. Em termos de níveis de feromônios, ele pertencia à classe mais alta e registrava o mesmo ciclo de *rut* mensalmente há anos. Ele o suprimia com inibidores, que eram eficazes, mas tinham efeitos colaterais.

Talvez por reprimir à força o desejo humano mais intenso, mais forte que a fome ou o sono, a partir do momento em que tomava o remédio no dia anterior, ele se tornava extremamente sensível e seu temperamento ficava afiado. Mesmo tentando pensar racionalmente, o controle emocional não era o mesmo de sempre. Há alguns anos, ele chegara a dar um soco em alguém por causa de uma discussão boba na rua. Por isso, ele se esforçava para não criar situações de conflito nessa época, mas não havia o que fazer quando os outros o provocavam primeiro.

Mesmo bebendo algo gelado, seu humor não melhorava em nada. Pelo contrário, a ideia de ter que voltar para o escritório cheio de cheiros e ruídos o deixava enojado.

Pelo visto, hoje não era o dia. Cha-young jogou a lata vazia no lixo e retornou rapidamente ao escritório. Dirigiu-se à mesa do chefe de equipe e o chamou em voz baixa.

— Poderia me liberar meio período agora?

— Hã? Agora?

— Sim.

— Por quê? Aconteceu alguma coisa?

— Não estou me sentindo bem, pretendo ir ao médico.

— O que você tem?

O chefe de equipe virou a cadeira para encará-lo. Havia preocupação em seu olhar, mas até isso era irritante agora. O chefe era um beta. Como havia uma grande chance de ele não entender se explicasse detalhadamente, Cha-young respondeu de forma vaga:

— Meu estômago não está nada bem.

— Agora que você falou, seu semblante não está bom mesmo. Vá logo ao hospital.

— Sim, obrigado.

Ao retornar à mesa, Cha-young pegou seu casaco imediatamente e saiu do escritório.

Uma vez que seu humor caía, dificilmente melhorava. Enquanto caminhava para o estacionamento afrouxando o nó da gravata que parecia sufocá-lo, sentiu o celular vibrar em sua mão. Ao verificar a tela com o rosto rígido, viu que havia uma mensagem.

[Vai me ver hoje? Vamos pra sua casa? G]

Ele logo estalou a língua. Pensando bem, hoje era sexta-feira. Ele hesitou por um momento antes de enviar uma resposta dizendo que “hoje não dava”, mas acabou soltando um suspiro e passando a mão no cabelo de forma irritadiça.

Verificou a mensagem novamente. Outro suspiro escapou. Por conhecê-lo desde a infância, Cha-young conhecia bem a personalidade de Seo Gyu-ha. Ele enviara a mensagem sem a menor dúvida de que se veriam hoje… Se ele recusasse novamente, o orgulho de Gyu-ha faria com que nunca mais se vissem.

“Logo hoje…”

Mas também era complicado dizer a verdade. O motivo era o mesmo do chefe de equipe. Não adiantaria dizer a um beta que ele estava sensível por ser a véspera do *rut*; ele jamais entenderia. Pelo contrário, ele provavelmente diria algo sem noção como: “Se está no cio, não fica com mais tesão para fazer?”.

Cha-young olhou para o celular com uma expressão complexa, mas logo organizou seus pensamentos e moveu os dedos. Seus toques na tela estavam carregados de uma força incomum.

[Se nos virmos hoje, acho que vou ser mais bruto que o normal. Você aguenta?]

A resposta veio em instantes.

[Claro, seu merda kkkk Você é que não venha chorar dizendo que tá com dor na cintura]

Um risinho escapou. Enfim, ele era um cara que nunca saía do esperado. Internamente, ele torcera para que Gyu-ha recusasse, mas agora sua decisão estava tomada.

[Não marque nada até segunda-feira]

[Olha a prepotência kkk Que horas eu vou?]

Cha-young verificou a hora. 15h12. Em seguida, apertou o botão de chamada.

— O que foi?

— Você aguenta mesmo?

Ouviu-se a resposta em tom de deboche, como se ele achasse que fosse brincadeira:

— Preocupe-se com a sua cintura em vez de se preocupar com os outros, seu merda.

— Não se arrependa.

— Arrepender o quê. Então, que horas eu tenho que ir?

— Às 5… não, venha às 4h30.

Ao responder lembrando do horário que acabara de ver, os xingamentos vieram de imediato.

— Tá de brincadeira? O que eu vou fazer indo aí a essa hora da madrugada?

Mesmo sem ver, ele imaginava perfeitamente a expressão que ele estava fazendo. Sentindo que seu humor desagradável melhorava um pouco, Cha-young respondeu ao entrar no carro:

— Não na madrugada, venha às 4h30 da tarde de hoje. Tirei meio período e estou indo para casa agora.

— O que é meio período?

— … Eu saí mais cedo.

— Então por que não disse logo, porra, fica falando difícil pra caralho.

— …

— Por que saiu mais cedo? Está doente?

— Vai cuidar de mim se eu estiver?

Ao perguntar em tom de brincadeira, veio uma resposta ácida:

— Tá falando merda. Se estiver doente, eu não vou. Odeio pegar resfriado.

— Que frio.

Após um risinho, Cha-young prosseguiu:

— Não estou doente, então venha tranquilo.

— Se eu chegar aí e você estiver resfriado, você morre.

A ligação foi cortada bruscamente. Somente então Cha-young deu a partida no carro. Seu rosto refletido no retrovisor estava inexpressivo, como se nunca tivesse sorrido.

↫────☫────↬

↫─☫ Continua…

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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

Ler Dog And Bird (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Em um mundo onde há 99,9% de chance de Alfas serem homens e Ômegas serem mulheres.
Seo Gyuha nasce como a rara exceção: um Ômega masculino. No entanto, tendo crescido mais como um beta, ele quase não está ciente de sua própria identidade omega.
Após uma noite de bebida e festa como de costume, ele acorda em uma manhã de fim de semana com uma dor de cabeça insuportável — apenas para se deparar com uma situação surpreendente…

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