Ler Dog And Bird (Novel) – Capítulo 05 Online

↫─☫ Dog And Bird, Capítulo 05
A estação de trem estava lotada como sempre. Lee Cha-young saiu apressado, entrou em seu carro e digitou o destino.
Ele estava voltando após concluir uma viagem de negócios de quatro dias. Originalmente, pretendia ir direto para a empresa, mas pouco antes recebera um contato do secretário particular de seu pai. Diante do recado de que ele desejava vê-lo brevemente na hora do almoço, Cha-young consentiu sem questionar.
O local do encontro era uma casa de recepções tradicional nos arredores de Seul. Era o tipo de lugar frequentado para entreter clientes importantes ou compradores, então, pelo convite, parecia que algum assunto relevante seria discutido.
Cha-young foi o primeiro a chegar. Ao cruzar o portão de entrada em estilo hanok, a proprietária, vestida em um traje tradicional impecável, saiu para guiá-lo pessoalmente.
O anexo reservado era isolado e silencioso. Enquanto tomava o chá de entrada, Cha-young fixou o olhar em uma árvore de flores desconhecidas visível através da janela. Faltando exatamente um minuto para o horário marcado, a porta de correr se abriu.
— O senhor chegou?
— Fiz você esperar.
Pai e filho sentaram-se frente a frente. Um sorriso satisfeito surgiu no rosto de Lee Tae-han ao observar o filho.
— As vendas domésticas de eletrônicos de consumo cresceram visivelmente.
Embora o cerne do negócio de eletrônicos fosse, sem dúvida, a divisão de Soluções de Dispositivos (DS: área que lida com memórias semicondutoras, sistemas LSI, etc.), Tae-han designara o filho para o departamento de planejamento de Eletrônicos de Consumo (CE: eletrodomésticos em geral) assim que ele retornou do intercâmbio. Ele pretendia que o filho um dia o sucedesse como presidente executivo, mas não planejava entregar um cargo vital logo de cara. Como ele ainda era jovem, queria que seguisse passos firmes, mesmo que curtos, para adquirir senso prático, assim como o próprio Tae-han fizera.
Não era uma teimosia sem motivo. Embora a fatia de faturamento da divisão DS fosse esmagadoramente maior, a divisão CE era a base do negócio e o setor que efetivamente promovia a marca da empresa para o público. Por isso, era indispensável compreender o processo de funcionamento através do trabalho de campo, mesmo que por um curto período.
Logo a porta se abriu e várias iguarias foram servidas com fartura. Em ocasiões onde apenas pai e filho dividiam a mesa, sem outros familiares, os assuntos giravam sempre em torno do trabalho. Perto do fim da refeição, Tae-han limpou o paladar com chá de lótus e encarou o rosto do filho. Na verdade, não seria exagero dizer que ele abrira espaço em sua agenda lotada hoje justamente pelo que diria agora.
— Reserve um tempo neste sábado.
Cha-young perguntou o motivo apenas com o olhar. No fundo, ele já suspeitava. Como esperado, as palavras seguintes confirmaram sua previsão.
— A segunda filha do Presidente Song retornará ao país amanhã.
Esse era um assunto que vinha sendo ventilado desde que ele estava nos Estados Unidos. Contudo, como a outra parte também residia no exterior, ele ouvira apenas menções vagas de que “havia uma possibilidade”, mas agora parecia que as conversas estavam se tornando concretas.
— Acho que seria bom vocês se encontrarem e, se for do agrado, prosseguirem até o noivado… O que você acha, Cha-young? Você logo fará trinta anos, precisa começar a pensar em casamento.
Cha-young poupou a resposta. Se fosse antigamente — ou melhor, se fosse apenas dois meses atrás —, ele teria aceitado sem hesitar. Para ser sincero, achou que ouviria algo semelhante assim que voltasse ao país, então a proposta soava até atrasada.
No entanto, as coisas haviam mudado nesse intervalo. No momento, Cha-young tinha um parceiro sexual excepcional.
Sua mentalidade de que casamento e romance eram coisas distintas permanecia a mesma. Como Seo Gyu-ha também tinha pouca consciência moral, não seria um problema mesmo que ele tivesse um noivo, mas a ideia de gastar tempo e atenção insignificantes com outra pessoa parecia um desperdício.
— …
De repente, o canto de sua boca se elevou em uma curva. As lágrimas que acabavam escorrendo apesar da pose de durão, a parede interna que o envolvia com firmeza a cada estocada e o membro que balançava excitado. Como passivo, Seo Gyu-ha era mais sensual do que se imaginava e possuía algo que instigava os desejos mais profundos. Graças a isso, mesmo começando de forma relaxada, Cha-young via-se cada vez mais perdendo os sentidos em um transe absoluto.
Notando aquela expressão, Tae-han falou imediatamente:
— Existe alguém em quem você tenha interesse?
— Não, senhor.
Ele negou de pronto, mas era uma resposta que nem ele mesmo achava convincente. Tae-han inclinou a xícara de chá calmamente e acrescentou:
— De fato, existem pessoas com quem a afinidade é excepcionalmente boa.
Cha-young sorriu como quem compreende. Sem dúvida, o pai estava falando de sua própria experiência.
O fato de ele ter se apaixonado à primeira vista pela mãe de Cha-young, que trabalhava como curadora na galeria de arte da avó materna, e tê-la pedido em casamento era um episódio famoso no meio empresarial. Inclusive, Cha-young soube mais tarde que ele fora concebido na primeira noite que passaram juntos. Pela personalidade do pai, ele jamais cometeria um erro desses, então estava claro que fora algo planejado.
— De qualquer forma, encontre-se com ela uma vez. Nunca se sabe quando ou onde o destino entre as pessoas se cruzará.
— Sim, senhor.
— E eu sei que você é ocupado, mas reserve um tempo para sair com sua mãe. Ela parece ressentida por não vê-lo com frequência.
— O senhor é quem deveria levá-la para sair.
Diante da resposta em tom de brincadeira, Tae-han soltou uma risada sonora.
— Ela prefere mil vezes ir com você do que comigo. Enfim, não esqueça de reservar o horário.
Com essa recomendação, a refeição terminou. Ao contrário da chegada, o carro do pai deixou o restaurante primeiro e, pouco depois, Cha-young assumiu o volante.
Antes de partir, ele olhou para o celular. Ao fazer uma ligação, demorou um bom tempo até que a outra pessoa atendesse.
— O quê?
Ouviu-se uma voz levemente rouca. Era fácil imaginar que ele atendera enquanto ainda estava dormindo.
— Você estava dormindo?
— Estava. Por que ligou?
Ele pretendia dizer que voltara hoje, mas na situação atual, era óbvio que receberia uma resposta como “E daí? O que eu tenho com isso?”. Cha-young encostou o corpo relaxadamente no banco do carro e voltou a falar.
— Quer transar?
— …
Houve um breve silêncio. Novamente, ele conseguia visualizar perfeitamente a expressão que o outro devia estar fazendo.
— Só existe esse pensamento na sua cabeça?
— Se eu disser que sim, você vem?
— Hoje não dá. Combinei de encontrar os caras à noite.
Como fora apenas um convite descompromissado, ele não ficou exatamente desapontado. Além disso, a pessoa mais ocupada ali era ele. Entre ir para a empresa redigir relatórios e processar o trabalho acumulado de vários dias, não se sabia se ele conseguiria sair no horário normal.
— Então venha para minha casa na sexta à noite. Vou compensar o que não fizemos na semana passada.
— Vou ver. Desliga.
Antes mesmo que pudesse responder, a ligação foi encerrada sem piedade. Cha-young soltou uma risada incrédula enquanto olhava para a tela. O hábito de agir conforme a própria vontade não mudara nada desde antigamente.
Contudo, como sabia que ele agia assim com qualquer um, não chegava a ser algo irritante. Afinal, até o pai do sujeito vivia perdendo a paciência com ele.
Cha-young guardou o celular e, finalmente girando o volante, saiu do estacionamento.
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Ao retornar para a empresa, como esperado, havia uma pilha de trabalho esperando por ele. Enquanto alternava o olhar entre documentos volumosos e o monitor inserindo dados, o celular sobre a mesa vibrou brevemente. Cha-young parou por um instante e ligou o aparelho. Havia uma mensagem de um número não salvo.
[Olá, aqui é Song Na-yeon. Sinto muito por entrar em contato de repente enquanto você deve estar ocupado.]
Era um nome que ele lembrava. A segunda filha do Presidente Song, sobre quem acabara de conversar com o pai.
[Sim. O que deseja?]
[Poderia falar por telefone por um momento?]
A resposta veio como se ela estivesse esperando. Após observar a tela por um segundo, Cha-young levantou-se. Ele já pretendia esfriar a cabeça por um instante.
A sala de descanso estava vazia. Cha-young caminhou até a janela e ligou para Song Na-yeon. Era melhor resolver logo assuntos que pudessem ser incômodos.
— Alô?
— Olá, aqui é Lee Cha-young.
— Olá. Obrigada por ligar primeiro.
Cha-young não respondeu, mantendo o olhar na janela. Houve um curto silêncio. Ele tinha suas suspeitas, mas não precisava tomar a iniciativa da fala. Enquanto esperava, a voz dela prosseguiu de forma hesitante.
— Por acaso o senhor ouviu sobre o compromisso marcado para este fim de semana?
Diante da confirmação de suas suspeitas, Cha-young respondeu brevemente.
— Sim.
— …Se não houver problema, eu gostaria de encontrá-lo pessoalmente antes disso. Poderia me ceder um pouco do seu tempo? Se estiver ocupado, eu posso ir até próximo da sua empresa.
Pensando que isso poderia reduzir um desperdício desnecessário de tempo, Cha-young disse imediatamente, sem hesitação:
— Vamos fazer assim, então.
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O local escolhido para o encontro com Song Na-yeon foi um café no primeiro andar de um hotel. Talvez por ser horário de jantar, o interior estava mais vazio do que se imaginava. Sem precisar procurar muito, uma mulher sentada ao fundo levantou-se ao vê-lo.
Logo os dois estavam sentados frente a frente. Song Na-yeon, afastando o cabelo para trás da orelha, falou primeiro.
— Obrigada por aceitar meu contato repentino.
Um funcionário se aproximou e entregou o menu. Após escolherem suas bebidas, um breve silêncio se instalou. Song Na-yeon, que mantinha o olhar levemente baixo e demonstrava hesitação, ergueu a cabeça com uma expressão decidida. Havia até um tom de solenidade em sua postura.
— Achei que não era um assunto para se tratar por telefone, por isso tomei a liberdade de entrar em contato separadamente. …Serei direta. Sinto muito, mas não tenho intenção de me encontrar com o senhor.
Cha-young não reagiu apressadamente, apenas observou o rosto dela em silêncio. Para ser honesto, ele já esperava ouvir algo desse tipo. Afinal, se ela estivesse interessada no pretendente, não teria pedido para encontrá-lo antes do horário oficial.
Mantendo o olhar fixo nela, Cha-young finalmente falou:
— Parece que a senhora escolheu a pessoa errada para dizer isso.
— Perdão?
— Se dissesse isso ao Presidente Song, e não a mim, o problema seria resolvido rapidamente.
Considerando o histórico familiar e a carreira pessoal, Song Na-yeon era uma parceira satisfatória. No entanto, ele não tinha interesse em prometer um futuro com alguém que não o desejava. Como se tratava de um casamento de conveniência, ele não se importaria em manter um relacionamento de fachada, mas, no mínimo, a outra parte deveria ter a consciência de que se tratava de um negócio. Alguém que não conseguisse lidar nem com isso seria problemático.
— …É embaraçoso dizer, mas não estou em posição de falar com meu pai.
Era compreensível. O presidente da MH Cargas era excêntrico, autoritário e ganancioso. Ele já estava de olho em Cha-young muito antes de ele atingir a maioridade, então, sem dúvida, devia estar exultante com a marcação desse encontro.
— E também seria difícil para mim rejeitar de forma direta primeiro.
O café solicitado chegou. Cha-young molhou a garganta com um gole antes de responder.
— Então quer dizer que a senhora deseja que eu rejeite primeiro. É isso?
— …Sim.
— Lamentavelmente, não vejo motivos para fazer isso.
— …!
Song Na-yeon ergueu a cabeça bruscamente. Seu rosto estava repleto de perplexidade. Fingindo ignorar o óbvio, Cha-young saboreou o aroma do café com tranquilidade.
Ele também não estava particularmente interessado ou atraído. Não era um pedido difícil, e como não havia apego ou arrependimento, não seria impossível atendê-lo. No entanto, Cha-young não era um filantropo. Não se tratava apenas de um problema individual, mas de algo que envolvia as famílias; ele não tinha razões para prestar um favor gratuito a alguém que mal conhecia.
— Por favor, eu lhe peço.
— …
— Sinceramente, cheguei a pensar em ir ao encontro primeiro. Mas, se por acaso as coisas progredissem e eu rejeitasse depois, temo que o problema se tornaria ainda maior… Por isso, perdi a vergonha e entrei em contato assim, às pressas.
O olhar que ela mantinha baixo voltou a subir. Não se sabia o que ela pensara naquele instante, mas seus olhos estavam muito mais firmes do que antes.
— Sei que isso pode ser confuso e desagradável para o senhor. Eu sei, mas peço encarecidamente mais uma vez. Se me ajudar, não esquecerei e retribuirei de alguma forma, com certeza.
Um riso escapou dele. “Retribuirei de alguma forma, com certeza”. Será que haveria tal oportunidade?
Ele poderia simplesmente levantar e sair, fingindo que não ouvira. No entanto, como dissera, a pessoa que ele precisava era alguém que compartilhasse a visão de “negócio”; desperdiçar tempo ao lado de alguém que não o queria estava fora de questão.
Ao inclinar a xícara, o aroma suave, porém amargo, do café envolveu seu paladar. Cha-young encarou o olhar dela mais uma vez.
— Pois bem, deixe-me ouvir o motivo.
— Perdão?
— O motivo pelo qual eu deveria ser quem rejeita.
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— Seo Gyu-ha! O senhor Seo Gyu-ha está?
Ao ouvir seu nome, Gyu-ha levantou-se da cadeira na sala de espera. Somente após entrar no consultório e esperar mais um pouco é que pôde encarar o médico responsável. O médico verificou a radiografia antes de fazer a pergunta óbvia.
— Como está o braço?
— No dia a dia dá para aguentar, mas dói muito na hora de dormir.
— É normal que a dor seja sentida com mais intensidade à noite, pois a saturação de oxigênio cai. Mas está cicatrizando muito bem.
Tinha que estar, afinal ele vinha tomando os remédios com disciplina e até parara de beber. Não poder usar um dos braços livremente era muito mais desconfortável do que imaginava, então, querendo ou não, ele tinha que seguir as ordens médicas.
— Quando vou poder tirar o gesso?
— Acho que daqui a uma semana você já pode voltar para retirar.
Um suspiro escapou dele. Ter que ficar mais uma semana naquele estado.
Após agendar a próxima consulta, Gyu-ha saiu do consultório. Na vinda, ele não percebera porque estava cochilando no táxi, mas agora via que o tempo estava maravilhosamente bom. Era um desperdício voltar direto para casa.
Ele tirou o celular do bolso de trás. Planejava ligar para Park Chan-woong, o alvo mais fácil, mas ao ligar a tela, a palavra “Sexta-feira” saltou aos seus olhos em letras garrafais. Ele engoliu o desapontamento e guardou o aparelho de volta. Ao contrário de si, que era um vagabundo, o “urso” estaria na empresa agora.
“Talvez eu devesse ir a um café.”
Ele decidiu o próximo destino imediatamente. Não fora ao café nenhuma vez desde que recebera alta, e parecia uma boa ideia passar o tempo relaxadamente tomando um café saboroso.
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— Olá, gerente.
— Olá!
Como sempre, o gerente o cumprimentou com alegria. Os outros funcionários fizeram o mesmo. Em meio à recepção calorosa, ele pediu um latte gelado e dirigiu-se à sala privativa.
Ao abrir a janela, uma brisa fresca entrou. Enquanto estava sentado no sofá mexendo no celular, o gerente apareceu com uma bandeja.
— A Hee-soo comprou chocolates na viagem dela e trouxe para a gente. Experimente um pouco.
— Oh, valeu.
Ele pegou um e colocou na boca imediatamente, voltando o olhar para o celular. A data e o dia da semana na tela de bloqueio chamavam sua atenção repetidamente.
Pensando bem, já fazia um bom tempo que ele não transava. A última vez fora aquela rapidinha com Lee Cha-young no carro, e como seu braço estava daquele jeito, ele naturalmente parara de frequentar boates e bares. Era porque não confiava em sua própria capacidade de não beber se fosse a esses lugares.
— …
No momento em que percebeu isso, sentiu uma coceira lá embaixo. Simultaneamente, o rosto radiante de alguém veio à sua mente. Como já se encontravam há mais de dois meses, era algo natural de acontecer.
“Devo ligar?”
Ele procurou o nome de Lee Cha-young e apertou o botão de chamada. Após o sinal tocar por um bom tempo, o sujeito atendeu.
— Alô?
Deixando de lado as formalidades desnecessárias, Gyu-ha foi direto ao ponto.
— Que horas vamos nos ver hoje?
Com o celular no ouvido, ele se deitou usando o braço do sofá como travesseiro. No fundo, ele pensava que “queria vê-lo logo”, mas a resposta que ouviu desviou completamente de suas expectativas.
— Acho que hoje vai ser difícil. Tenho hora extra confirmada.
— O quê?
Sem perceber, ele se sentou abruptamente. Como se tivesse notado algo, uma voz risonha seguiu imediatamente.
— Parece que ficou desapontado.
Gyu-ha, atingido em cheio e sentindo-se exposto, explodiu:
— Logo você, que só abre a boca para falar de sexo, vir me dar um fora… Fiquei chocado com o absurdo, seu merda.
Pensando bem, era verdade. Embora cada um tivesse seus motivos, parecia que estavam em um jogo de “estica e puxa”.
— Surgiu um assunto urgente para resolver. E no fim de semana tenho um compromisso importante já marcado. Acho que só terei tempo no domingo à noite… Ou você quer vir aqui na empresa agora?
— Ficou louco? Desliga.
O motivo para ele ir à empresa era óbvio. Lee Cha-young era o tipo de cara capaz de transar até em um banheiro próximo, mas, por mais que estivesse faminto por sexo, Gyu-ha se recusava a fazer desse jeito.
O copo de café que o gerente trouxera saltou aos seus olhos. Ele abriu a tampa e bebeu aos goles grandes enquanto o celular vibrava brevemente.
[Vou reservar um tempo na semana que vem, com certeza.]
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Após enviar a resposta, Gyu-ha foi direto ao grupo de chat com os amigos procurar um parceiro de bebida para hoje. Como o braço estava cicatrizando bem, ele pretendia beber para valer após tanto tempo.
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— Aaahmm…
Gyu-ha soltou um longo bocejo enquanto se espreguiçava. Ficou sentado na cama com os olhos fechados por um tempo e, finalmente, afastou o cobertor e caminhou cambaleante até o banheiro.
O contato de Kim Mo-ran viera ontem à noite. Ele fora o primeiro a chegar ao bar e estava esperando os outros quando, de repente, ela ligou dizendo para almoçarem juntos no dia seguinte.
Não era algo inédito. De vez em quando, Kim Mo-ran ligava do nada dizendo para “comerem ou beberem algo”. Provavelmente era porque ela não tinha amigos, mas, claro, Gyu-ha jamais diria isso na cara dela nem que o matassem.
Como sempre, fora quase um aviso imposto, mas Gyu-ha aceitou prontamente. Ambos sabiam bem que tempo era o que ele mais tinha sobrando. E Gyu-ha era quem temia as consequências de uma recusa.
“É por isso que a imposição inicial é importante.”
Ele se arrependia enquanto escovava os dentes ainda meio dormindo, mas já era tarde demais. Se tivesse que culpar alguém, teria que ser o seu eu do passado, que ficava de boca aberta admirando aquele rosto bonito.
Felizmente, Gyu-ha não se atrasou e chegou ao local combinado. Pouco depois, ao ver Kim Mo-ran entrar no buffet pontualmente às 13h, ele estalou a língua mentalmente. Não sabia se era o poder do sangue, mas aparecer sem atrasar um único segundo era idêntico a certa pessoa.
Fazendo o som dos saltos ecoar, Kim Mo-ran aproximou-se e disparou a pergunta assim que sentou à frente dele:
— O que houve com o seu braço?
— Teve um pequeno acidente.
— Que tipo de acidente?
Diante da pergunta feita com um gesto de queixo, Gyu-ha soltou um curto suspiro. Quantas vezes teria que contar aquilo? Quando ele resumiu apenas o essencial, Kim Mo-ran fez uma expressão de incredulidade.
— Ainda existe um merda patético desse tipo.
— Nem me fale.
— Enfim, você não resolveu isso só com um acordo, não é?
A expressão dela dizia que ela não deixaria barato se fosse o caso. Realmente, o temperamento dela era algo a se notar.
— Primeiro resolvi com um acordo e depois dei um jeito nele separadamente.
— Como?
— Lee Cha-young ajudou.
Ele disse isso com naturalidade enquanto devorava o macarrão que trouxera do balcão, mas logo percebeu o deslize. Ao erguer a cabeça, viu que, como esperado, Kim Mo-ran exibia uma expressão de total desagrado.
— Vocês ainda estão mantendo contato?
— Não é que a gente mantenha…
— Por que tinha que aceitar ajuda logo desse idiota? Podia ter falado comigo.
Aquilo era assustador só de pensar. O que ela tentaria extorquir dele como retribuição?
Gyu-ha fingiu não ouvir e concentrou-se em devorar o macarrão. Kim Mo-ran continuou a comer até que disse, como se tivesse acabado de lembrar:
— Ah, soube que aquele idiota vai a um encontro às cegas hoje.
— Hein?
— O Lee Cha-gae. Ele vai a um encontro às cegas.
Ao ouvir aquilo, Gyu-ha travou involuntariamente. …Encontro às cegas? Lee Cha-young?
Momentos depois, as palavras saíram de sua boca:
— Como você sabe disso?
— O quê?
— Que ele vai a um encontro.
— A esposa do Presidente Song ficou no pé da minha mãe até conseguirem marcar. Fui em casa ontem depois de muito tempo e ela começou a falar disso assim que me viu, quase brigamos.
— …
— Se a Na-yeon tiver olhos na cara, ela vai recusar, mas estou preocupada.
— …
— Já disse a ela para não cair no papo dele, porque ele é só aparência, mas…
Enquanto Kim Mo-ran continuava falando, Gyu-ha perdeu-se em pensamentos. As palavras de Lee Cha-young ao telefone ontem voltaram à sua mente.
“No fim de semana tenho um compromisso importante já marcado.”
Então o tal compromisso era um encontro às cegas?
Ele não ligava se ele ia a encontros ou com quem se encontrava, mas quanto mais pensava nisso, mais se sentia um lixo. Aquele filho da puta… Quando queria, avançava nele até no quarto do hospital ou o comia no carro, mas agora cancelava um compromisso para ir a um encontro? Que tipo de encontro dura o fim de semana inteiro?
— Ei, Seo Gyu-ha.
— …
— Seo Gyu-ha!
Gyu-ha deu um sobressalto e ergueu a cabeça ao ver algo balançando diante de seus olhos.
— Por que está com essa cara de idiota avoado de repente?
— Eu não estou.
— Está sim. É inveja?
— …Inveja de quê.
Ele voltou a mover os hashis que haviam parado. Enquanto mexia na tigela quase sem macarrão, a voz de Kim Mo-ran prosseguiu à sua frente:
— Se quiser, eu mesma te levo.
Ao erguer a cabeça, viu um rosto sorridente.
— Do que você está falando?
— Se não tiver para onde ir, case-se comigo. Vou te tratar bem.
Gyu-ha fechou a cara, algo raro diante de Kim Mo-ran.
— …Que porra de conversa é essa?
— É que você parece estar morrendo de inveja. Mas que cara é essa? Não devia cair de joelhos e dizer “obrigado”?
Todos os xingamentos que ele conhecia vieram à mente, mas Gyu-ha sabiamente se conteve. “Vou buscar mais uma rodada.” Ele largou os hashis e levantou-se. Quando voltou com o prato cheio, Kim Mo-ran mexia no celular com uma xícara de café à frente.
— Ah, eu realmente não queria ir.
Diante do comentário feito sem ela erguer a cabeça, Gyu-ha perguntou:
— Para onde você vai?
— A partir de amanhã, estarei em viagem de negócios na China por dois meses.
— Dois meses? O que você vai fazer para ficar tanto tempo?
— Supervisionar um canteiro de obras. Ser competente é cansativo.
Kim Mo-ran guardou o celular e tomou o café com elegância. Ela parecia ter terminado a refeição, mas Gyu-ha não se importou e continuou a empurrar a comida para dentro da boca. Já que Kim Mo-ran dissera que pagaria o almoço, ele pretendia comer até explodir.
Ao entrar no carro, Kim Mo-ran saiu do estacionamento sem olhar para trás. Ela chegara a oferecer levá-lo até em casa, mas como o trajeto era consideravelmente longo, Gyu-ha recusou por consideração. Na verdade, era apenas uma desculpa; ele sabia que ouviria sermões o caminho inteiro, então preferiu o táxi.
Ao chegar à avenida e estender o braço, um táxi vazio parou imediatamente. Após sentar no banco de trás olhando para o nada por um momento, Gyu-ha pegou o celular no bolso do casaco.
[Soube que vai a um encontro?]
“…Não.”
Ele apagou rapidamente o que digitara. Encarou a tela limpa e moveu os dedos novamente.
[Seu desgraçado, quando quer você me ataca até no hospital e agora diz que não pode me ver porque vai a um encontro? ]
“…Também não é isso.”
Estalou a língua e apagou novamente. Ele só queria dizer algo porque estava indignado, mas parecia que era ele quem estava ansioso.
No fim, ficou irritado até por estar hesitando daquele jeito. Por fim, Gyu-ha desligou a tela do celular e olhou pela janela. Ele pretendia passar a noite bebendo até não poder mais.
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Uma grande Limousine adentrou o beco de um bairro residencial ladeado por muros altíssimos. O carro parou diante de um portão preto, e duas mulheres desembarcaram uma após a outra. Enquanto isso, Lee Cha-young foi até a parte traseira e abriu o porta-malas. Ele retirou duas malas pequenas e várias sacolas de compras, entregando-as nas mãos de sua mãe e de sua irmã, respectivamente.
— Podem entrar.
Ao ouvir isso, a mãe demonstrou um semblante de fingida decepção.
— Vai mesmo embora assim? Já que veio até aqui, durma em casa e vá direto para o trabalho amanhã.
— Tenho documentos necessários em casa. Passo aqui em outra ocasião.
— … Está bem. Então vá e descanse bem. Me mande uma mensagem quando chegar.
— Bom trabalho, irmão. Vá com cuidado.
Após confirmar que as duas haviam entrado pelo portão, Cha-young assumiu novamente o assento do motorista. Em vez de partir de imediato, ele inclinou o pescoço para os lados enquanto massageava os ombros tensos.
A viagem em família no fim de semana fora uma decisão tomada literalmente de última hora. Dois dias atrás, enquanto jantava rapidamente durante um intervalo no trabalho, recebeu uma ligação inesperada de sua irmã. Ela disse que ia sair com a mãe para arejar a cabeça e o convidou para ir junto, caso tivesse tempo.
Cha-young aceitou após uma breve reflexão. Ele tinha consciência de que andava um pouco negligente com elas e, como o aniversário de sua mãe estava próximo, achou que seria bom acompanhá-las.
Quando apareceu na casa delas na manhã seguinte, sua mãe pareceu surpresa, mas muito feliz. Assumindo o volante, Cha-young serviu fielmente como motorista durante os dois dias e abriu a carteira generosamente em cada restaurante ou loja que visitaram. Além disso, contemplar o mar aberto e as belas paisagens permitiu que ele se sentisse revigorado. Para uma decisão impulsiva, o resultado foi satisfatório.
Entretanto, havia um “problema”. Como não fazia sexo há quase duas semanas, ao cair da noite, sentia um peso acumulado na parte de baixo. Seria fácil resolver o problema indo a um clube, a um bar ou chamando um acompanhante, mas nenhuma das opções lhe agradava particularmente.
Apenas uma pessoa lhe vinha à mente. O rosto à beira das lágrimas, os xingamentos proferidos entre gemidos, a entrada que o apertava ritmadamente como se tivessem sido feitos um para o outro. Se tudo tivesse corrido como planejado, teria se aliviado ontem, mas a mudança repentina de planos devido à viagem tornou a frustração ainda maior.
— …
O olhar que observava vagamente a paisagem através da janela do carro se voltou para baixo. Ele soltou um riso incrédulo. Apenas por recordar brevemente os momentos do sexo, sua calça já exibia um volume saliente.
Um suspiro leve escapou. A frustração sexual persistia e não parecia que iria diminuir tão cedo. Mesmo assim, ele ainda não sentia vontade de se envolver com qualquer um.
Só havia uma solução. Tendo tomado sua decisão, Cha-young apertou imediatamente o botão de chamada.
*Trrr— Trrr—*
O sinal de chamada tocou por um tempo incomum hoje. Quando finalmente parou, ele entreabriu os lábios, mas, em vez da voz que esperava, ouviu a mensagem eletrônica: “No momento, o cliente não pode atender a ligação”.
Foi a mesma coisa quando tentou ligar de novo. Somente então Cha-young deu a partida e tirou o carro do lugar. A essa altura, sua tranquilidade já havia desaparecido.
Na noite anterior, ele ligou com a intenção de, na falta de outra opção, fazer pelo menos sexo por telefone. Mas Seo Gyu-ha não atendeu. Ele deu um intervalo e tentou mais algumas vezes, mas o resultado foi o mesmo; na última tentativa, ouviu que o aparelho do cliente estava desligado. Teve a sensação de que ele o desligara de propósito.
E agora, Cha-young tinha certeza. Não era apenas impressão. A essa altura, estava claro que ele evitava seus contatos deliberadamente.
— Ele não faria isso sem motivo.
Provavelmente, o fato de ter sido recusado por este lado feriu seu orgulho. Como ele era um sujeito de temperamento explosivo, estava na cara que não entraria mais em contato primeiro. Sendo assim, não havia alternativa. Como diz o ditado, quem tem sede é quem cava o poço; na falta de opção, ele teria que ceder e ir atrás.
Pouco depois, o carro entrou em um beco estreito. Somente quando estava quase chegando é que pensou que ele poderia não estar em casa, mas, tendo vindo até aqui, não pretendia voltar de mãos vazias.
Ao descer do carro, Cha-young caminhou a passos largos. Mesmo sabendo que poderia não haver reação, tocou a campainha e, para sua surpresa, a porta da frente se abriu imediatamente.
— Ahn?
No entanto, a pessoa que saiu de dentro não era Seo Gyu-ha. O Secretário Choi, que estava sem camisa, soltou um curto gemido com uma expressão de surpresa.
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↫─☫ Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Dog And Bird (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Em um mundo onde há 99,9% de chance de Alfas serem homens e Ômegas serem mulheres.
Seo Gyuha nasce como a rara exceção: um Ômega masculino. No entanto, tendo crescido mais como um beta, ele quase não está ciente de sua própria identidade omega.
Após uma noite de bebida e festa como de costume, ele acorda em uma manhã de fim de semana com uma dor de cabeça insuportável — apenas para se deparar com uma situação surpreendente…