Ler Deflower Me If You Can (Novel) – Capítulo 85 Online

. Capítulo 85
23.
Ao cair da tarde, quando o dia ia escurecendo, o carro regressou pelo mesmo caminho que haviam tomado pela manhã. Como sempre, sentado no banco traseiro, Cassian mantinha o rosto profundamente franzido enquanto esfregava o entrecenho com os dedos.
Maldita enxaqueca.
O dia todo seus olhos doeram como se fossem pular para fora. Ele desejava até desmaiar, mas nem isso era fácil. Não se lembrava em nada de como havia passado o dia. Só tinha consciência de que a luz do dia estava se apagando.
— Estou cansado.
— Hoo… — deixou escapar um suspiro profundo e, então, percebeu que a velocidade do carro estava diminuindo. Finalmente haviam retornado. Ao seu castelo… onde estava aquele amendoim louco.
Nesse instante, uma parte de sua mente despertou. Cassian deteve-se por um momento e piscou. Lentamente afastou a mão do entrecenho e, ao desviar o olhar, o castelo familiar entrou em seu campo de visão. Como sempre, a figura do mordomo também estava de pé em frente à entrada, esperando por ele.
— O conde retornou…? Oh, céus.
Com o sorriso de costume, Penelope abriu a porta do carro, mas logo arregalou os olhos, surpresa. Cassian, ao descer, cambaleou fortemente por um instante. Diante de Penelope, que empalideceu e se apressou para segurá-lo, ele ergueu uma mão indicando que estava bem e permaneceu em silêncio com os olhos fechados por um momento. Enquanto Penelope observava seu senhor com tensão, por sorte Cassian logo recuperou a postura e, como de costume, avançou com passos firmes para o interior do castelo.
Penelope o seguiu apressadamente, subindo as escadas correndo. Ao ouvir os passos apressados atrás de si, o conde parou abruptamente e se virou. Diante da reação repentina, Penelope se assustou e parou também, e Cassian, ainda com o cenho franzido, abriu a boca.
— O amendo… não, Bli, Blair, onde ele está?
Após sacudir a cabeça com força uma vez, uma voz baixa saiu de seus lábios. Diante da pergunta inesperada, Penelope apenas piscou e respondeu um instante depois.
— Ah, hoje ele disse que estava cansado, então o coloquei para dormir cedo.
— Onde?
Cassian quis perguntar, mas não conseguiu dizer. Diante da reação do conde, que o olhava em silêncio com o cenho franzido, Penelope, tensa por dentro, perguntou novamente:
— Tem algo a encarregar a ele? Quer que eu o chame agora mesmo?
Cassian não respondeu desta vez também. Apenas a olhou em silêncio e logo soltou um breve:
— Não precisa.
Depois, a uma velocidade três vezes maior que antes, subiu as escadas quase correndo.
***
Tal como esperava, o dormitório estava vazio. Era uma situação que havia antecipado, mas nunca antes lhe pareceu tão decepcionante que sua própria previsão estivesse certa. Cassian deixou escapar um suspiro e, após tirar o paletó do terno, entregou-o a Penelope. Ela, que o atendia com cautela, serviu-lhe vinho antes de abrir a boca.
— Há algo mais que necessite?
Diante da pergunta respeitosa, Cassian respondeu com um gesto de mão, indicando que ela se retirasse. Penelope fechou a porta em silêncio e, já no corredor, virou-se para olhar a porta com uma expressão preocupada.
“Por mais que eu veja, o estado do conde não é bom.”
As olheiras profundas e o olhar afiado lembravam-na de como ele era antes de Bliss chegar. Certamente foi porque ontem à noite ele não conseguiu dormir bem. Deveria chamá-lo agora mesmo.
“Quando será que o conde reconhecerá seus próprios sentimentos? Aceitar isso logo seria melhor inclusive para a saúde dele.”
Pensando nisso, ela caminhou pelo corredor. Penelope negou com a cabeça enquanto suspirava e fechou a porta de seu quarto. Logo após deitar-se na cama, exatamente dez minutos depois, o toque de seu telefone começou a soar.
— Traga esse amendoim de merda. Agora mesmo.
Penelope entendeu de imediato a ordem que Cassian cuspiu entre dentes.
***
— Huaaaam.
Bliss, que havia sido arrastado de repente enquanto estava em sono profundo, bocejou de forma exagerada, como se quisesse que todos vissem. O cabelo completamente bagunçado, os olhos semicerrados, até as pernas vacilantes.
Ao ver Bliss, que parecia estar dizendo com o corpo todo “até um momento atrás eu estava dormindo tão bem”, o sangue de Cassian ferveu. Por que diabos? Eu não consigo dormir nem um só instante sem esse tipo, e esse maldito amendoim por que dorme tão bem assim? Por que diabos.
— Vamos, Bliss. Venha por aqui.
— Mmm.
Seguindo a orientação de Penelope, Bliss avançou docilmente.
— Deite-se aqui, isso mesmo — ela o conduziu com cuidado até a cama e, dando tapinhas em seu peito, o fez dormir novamente. Obviamente, não foi difícil. Bliss, nem dez segundos após deitar-se, começou a roncar suavemente.
— Ufa, agora sim está feito.
Como se tivesse terminado uma tarefa bastante árdua, Penelope fez o gesto de enxugar o suor da testa e virou-se para seu senhor. Até aquele momento, Cassian, que estivera sentado no sofá bebendo vinho, deixou escapar um suspiro de resignação e pensou: “Finalmente poderei dormir.”
Não era um fato particularmente agradável, mas desde o momento em que Bliss apareceu no dormitório, ele mesmo podia perceber que os nervos que estiveram tensos ao extremo relaxavam em um instante. Talvez fosse apenas autossugestão, mas contanto que pudesse dormir, não importava.
— Bem, você fez um bom trabalho, então agora…
— Conde.
Cassian, que estava prestes a dizer “retire-se”, parou ao ouvir ser chamado de repente e virou a cabeça. A governanta, de pé com as mãos entrelaçadas na altura da cintura, olhava-o fixamente com uma expressão séria.
— Há algo que devo lhe dizer, tem um momento?
Diante da aparência da velha funcionária, que parecia até um pouco tensa, Cassian sentiu-se desconcertado. O que diabos ela tenta dizer? Por dentro, era incômodo, mas ele não podia simplesmente dizer que não. Em uma atmosfera assim, Penelope não diria bobagens. No fim, Cassian não teve escolha a não ser apontar com o olhar para o assento em frente ao sofá em que estava sentado.
— Obrigada.
Após agradecer rapidamente e se sentar diante dele, Penelope sustentou o olhar de seu senhor e inspirou e expirou brevemente. Parecia que estava prestes a soltar uma bomba, mas Cassian não tinha disposição para dar muito tempo a ela. Em sua cabeça, havia apenas o desejo de ir logo para aquela cama confortável e dormir profundamente.
— Penelope, se você não terminar de falar em três minutos…
— Devemos preparar uma solução, conde.
Mal ele terminou de falar com irritação, Penelope falou como se estivesse transbordando. Ao ver que Cassian ficava momentaneamente imóvel diante do tema inesperado, ela continuou rapidamente.
— Se, como ontem, Bli, Blair… não, Bliss, declarar que não ajudará com o sono do conde, então não haverá jeito, certo? Por isso devemos preparar uma solução para isso.
À primeira vista, fazia sentido. Mas havia uma parte que Cassian não conseguia compreender.
— Esse amendo… não, o Bliss, não disse que veio até aqui porque gosta de mim? Então, por que ele se nega a dormir comigo?
Sim, na verdade ele deveria ter pensado que era estranho desde o dia anterior. Mas, enfurecido pela repentina rebelião daquele amendoim, não conseguira pensar com clareza.
“Assim que me envolvo com esse tipo, perco a calma imediatamente.”
Ainda não era tarde. Até um momento atrás, Cassian só pensava em expulsar Penelope logo para ir dormir, mas em seguida esvasiou a mente e se concentrou seriamente no assunto que ela havia trazido. Porque, se a mesma situação se repetisse, quem teria mais problemas seria ele.
Após conferir a reação do conde, que o observava com expressão grave, Penelope pigarreou levemente e, após limpar a garganta, abriu a boca com uma seriedade maior do que nunca.
— Ele está magoado, pela atitude do conde.
— Ele está bravo comigo?
Penelope usara uma expressão bastante madura, mas Cassian de imediato a mudou para o nível de Bliss. A governanta, surpresa por um instante, sorriu com desconforto e assentiu sem outra escolha.
— Sim, por assim dizer… ele se sentiu um pouco ferido pelo conde…
— E o que eu fiz?
Cassian interrompeu Penelope abruptamente. Na verdade, quem deveria estar bravo era ele, e supõe-se que o outro está ofendido?
— Shh, shh.
Diante da explosão de Cassian, Penelope fez gestos apressados e rapidamente olhou para trás dele. Após confirmar que Bliss continuava dormindo e roncando, ela suspirou aliviada e voltou a olhá-lo.
— E se o Bliss acordar? Baixe a voz.
Cassian não teve escolha senão fechar a boca, mas a ira continuava crescendo. Como esse amendoim se atreve a estar bravo comigo? Se eu não entender a razão, vou expulsá-lo imediatamente.
Mas a resposta de Penelope que se seguiu foi ainda mais absurda.
— O senhor não fez nada.
Cassian, atônito, ficou momentaneamente em branco.
— …O quê?
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna
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Sinopse:
Bliss Miller, o filho mais novo da família Miller e um ômega dominante, apaixona-se à primeira vista por Cassian Strickland quando ainda era criança. Chega até a pedi-lo em casamento com a inocência da sua idade.
Cassian, herdeiro da poderosa família Strickland, não leva a sério essa promessa e eles se separam após um ano. No entanto, Bliss nunca esquece o que aconteceu.
Anos depois, ao ver por acaso o rosto de Cassian no noticiário, lembra-se de tudo o que aconteceu entre eles. A promessa, a traição e a humilhação que sofreu. Decidido a se vingar, Bliss toma uma decisão extrema: infiltrar-se na casa de Cassian como empregado para fazer com que aquele homem arrogante acabe de joelhos pedindo perdão.
Mas o reencontro entre ambos não será tão simples como ele imaginava.