Ler Deflower Me If You Can (Novel) – Capítulo 139 Online


Modo Claro

Capítulo 139

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— Seu verme, inseto pousado no tomate, vira-lata que levou cagada de passarinho, cara com cara de mijo de água-viva.
— Você devia me olhar com olhos mais gentis, Bliss.
Cassian tentou acalmá-lo com uma voz extremamente terna, enquanto Bliss continuava sentado, bufando e lançando-lhe um olhar feroz. No entanto, aquilo só serviu para atiçar ainda mais a sua fúria. Como prova disso, Bliss fez questão de erguer os dedos médios de ambas as mãos bem na frente dele. Quem acabou se assustando com a cena, na verdade, foi Penélope.
— Bliss! Bliss, meu Deus, como pode fazer uma coisa dessas?! Abaixe isso agora, você não pode cometer um ato tão terrível. Meu Deus do céu, Senhor, Senhor…
Penelope parecia prestes a desmaiar de susto enquanto corria para segurar e abaixar as mãos dele. Bliss tentou argumentar com um “mas…”, contudo, Cassian se adiantou e tomou a palavra:
— Já chega por agora, pode sair, Penelope.
Diante da ordem polida do mestre, a governanta olhou para os dois alternadamente, parecendo perplexa, mas acabou não tendo escolha senão se retirar. Ao sair para o corredor, Penélope olhou para a porta fechada com uma expressão preocupada. O que de fato teria acontecido? O clima entre os dois na noite anterior parecia melhor do que nunca.
Mesmo quando desceram do carro, Cassian acompanhou Bliss de braços dados, e os dois seguiram para o quarto de mãos dadas de forma íntima. O Conde até dispensara os serviços noturnos mais cedo para que Penélope pudesse se recolher, o que a fizera dormir cheia de expectativas por conta própria…
Ela acordara desde a madrugada, movimentando-se para preparar o café da manhã com a intenção de testemunhar a cena adocicada dos dois e ouvir os detalhes do dia anterior, mas a realidade acabou se mostrando totalmente diferente da imaginação.
O Conde, sentado com uma expressão revigorada enquanto tomava seu chá preto, parecia mais satisfeito do que nunca. Sua pele exibia até um viço reluzente, mas o problema era Bliss. Penelope levara um choque terrível ao vê-lo com os olhos injetados de sangue, encarando Cassian enquanto rangia os dentes com força. O que teria acontecido entre eles?
“Será que a noite passada foi rigorosa demais?”
Ela chegou a cogitar, com cautela, a hipótese audaciosa de que o Conde talvez não tivesse dado trégua a Bliss a noite inteira, mas logo tratou de espantar o pensamento. Se fosse esse o caso, Bliss não estaria com aquela aparência transbordando veneno em vez de exaustão.
— Parece até uma noiva que passou a noite de núpcias em um quarto vazio… — murmurou Penélope baixinho, antes de se sobressaltar e desferir vários tapinhas na própria boca. — Ai, meu Deus do céu, o que eu estou dizendo? Que tremenda falta de respeito, quanta vulgaridade… Como ouso dizer uma coisa dessas sobre os meus senhores? Estou ficando gagá, só pode ser caduquice!
Após se castigar severamente, ela massageou a boca que ainda ardia e fixou o olhar preocupado na porta do quarto. “Espero que não seja nada grave.”
Naquele mesmo instante em que Penélope aguardava aflita no corredor…
Cassian, pousando a xícara de chá sobre a mesa, encarou o rosto de Bliss. Ao cruzar com aqueles dois olhos implacavelmente ferozes, ele naturalmente sentiu um pressentimento incômodo na região do peito, mas abriu a boca fingindo naturalidade:
— Relaxe um pouco os olhos, Bliss.
Em seguida, ele acariciou com carinho a mão de Bliss que repousava sobre a mesa. É claro que aquilo estava longe de ser suficiente para dissipar o rancor que Bliss acumulara ao longo da noite. Cassian recuou por uma fração de segundo, esquivando-se da boca que tentou abocanhá-lo de imediato, e só então Bliss disparou:
— E você consegue dormir depois daquilo? O sono vem? Me largar daquele jeito! Você dormiu sem acordar nenhuma vez! Mesmo comigo estando bem ali do seu lado!
Diante da reação explosiva de seu jovem amante, Cassian massageou a mão que quase fora mordida e exibiu um sorriso amargo:
— Me desculpe, Bliss. Mas me perdoe. Eu passei quase um mês inteiro sem conseguir dormir.
Com aquela fala, o coração de Bliss balançou um pouco. Pensando bem, durante todo o período das festas e eventos, eles haviam dormido em quartos separados. Relembrando que a insônia daquele homem era gravíssima, ele provavelmente passara as noites em claro.
“E mesmo quando eu agia de forma irritante, ele não demonstrava incômodo e me tratava com muita gentileza.”
Ao pensar por esse lado, a fúria que fervilhara a noite inteira resfriou-se em um piscar de olhos. “Eu não devia perdoá-lo tão rápido. Eu preciso corrigir os modos dele!” Bliss pensou dessa forma, mas ao ver o homem diante de si pedindo perdão, a raiva derreteu como neve ao sol. Ainda assim, seria uma pena ceder tão facilmente.
— Não faça mais isso daqui para a frente — repreendeu Bliss com falsa severidade.
Diante do sermão, Cassian exibiu uma feição sem jeito:
— Bem, isso vai ser um pouco difícil.
Bliss, que esperava que ele concordasse sorrindo como de costume, arregalou os olhos imediatamente. “Esse desgraçado está me desdenhando de novo?” Quando ele fixou os olhos na mão de Cassian, decidido a mordê-lo de verdade desta vez, o homem recolheu discretamente as duas mãos para debaixo da mesa e começou a falar:
— Antes disso, precisamos obter a permissão dos seus pais. O Senhor Miller e o Senhor Niles ainda não sabem, certo? Que você está aqui.
Ah.
Por pouco ele não soltou um grito. Diante de um Bliss com os olhos arregalados de choque, Cassian assentiu com um sorriso:
— Sim, obter a permissão dos seus pais vem primeiro. Por isso…
Cassian continuava dizendo algo, mas as palavras já não entravam nos ouvidos de Bliss. Ele havia se esquecido completamente. Esquecera o motivo e o propósito de ter vindo até ali.
“Eu vim para arrancar um pedido de desculpas daquele miserável.”
Agora o cenário estava pronto. Cassian confessara que o amava, e desta vez era real. Portanto, agora só restava revelar a verdade, arrancar o pedido de desculpas, dar um fora nele e ir embora, mas…
Bliss observou Cassian do outro lado da mesa. O homem mantinha o mesmo sorriso dócil de sempre enquanto passava manteiga e geleia no pão para estendê-lo a Bliss. Assim que o garoto deu uma mordida, Cassian, ainda com o semblante sorridente, limpou as migalhas que haviam sujado a bochecha dele.
“Eu não consigo.”
Olhando para a imagem de Cassian servindo o chá preto na xícara vazia por conta própria, Bliss pensou:
“Eu não consigo receber o pedido de desculpas e simplesmente ir embora abandonando esse cara.”
Sentindo um aperto repentino na garganta, ele abaixou a cabeça e limitou-se a mastigar o pão com pressa. O motivo era um só. Obviamente, era aquilo.
“Porque eu também o amo.”
Mas aquele não era o único problema. Como a sua família reagiria ao descobrir que ele viera até ali por conta própria e armara toda aquela situação? O fato de seus irmãos zombarem dele era algo que sempre acontecera, e aquilo não o magoava nem um milímetro. Coyle também dava para relevar. O verdadeiro problema era Ashley Miller.
“Basta eu desviar os olhos por um segundo para você sair aprontando uma coisa dessas.”
Dava para prever exatamente o que ele diria, mesmo sem ver. Além disso, ao imaginar o que seu Papa enfurecido seria capaz de fazer, um calafrio percorreu sua espinha e ele começou a suar frio. Mesmo que tentasse argumentar que fizera aquilo pela família, não funcionaria. Se descobrissem que, em vez de dar uma lição memorável no inimigo, ele voltara para casa todo derretido após se apaixonar pelo rival da família, a fúria seria ainda maior.
“Eu posso acabar de castigo sem poder sair de casa pelo resto da vida…!”
Foi bem no instante em que ele empalideceu diante daquela perspectiva terrível que a voz de Cassian ecoou em seus ouvidos:
— Vamos fazer isso depois de obtermos a permissão e realizarmos a cerimônia de casamento.
Hã? Casamento?
Naquele momento, Bliss acabou se levantando num pulo sem perceber.
— Bliss, o que foi? — perguntou Cassian, parecendo surpreso com a atitude repentina do garoto. No entanto, aquilo não importava. Uma ideia brilhante acabara de surgir em sua mente.
Uma forma de arrancar a rendição do Cassian diante dele e do Ashley Miller lá longe de uma só vez.
— Não espere! — gritou Bliss, tomado pela agitação. Diante de um Cassian que ainda exibia olhos surpresos, ele começou a exclamar em puro êxtase: — Vamos fazer logo! Vamos resolver o casamento e o sé… sé… sexo de uma vez! Não precisamos da permissão do Papa, eu mesmo dou a permissão!
“Não é uma ideia maravilhosa? Vai ser ótimo porque eu vou poder fazer sé… sé… sexo com o Cassian, ai meu Deus! E como vai ser um fato consumado, o Papa vai ter que aceitar, e eu não vou precisar me separar do Cassian.”
“Perfeito!”
Cassian limitou-se a observar, em completo silêncio, Bliss bufar com a respiração ofegante e o rosto completamente vermelho de tanta empolgação. E então, o silêncio se instalou.
Pof, pof, pof, pof.
— Seu covarde. Sujeira de escaravelho que caiu no meio do caminho.
Bliss desferiu socos consecutivos contra o travesseiro enquanto bufava de raiva. Quanto mais pensava no assunto, mais a fúria subia. Ele tivera o trabalho de bolar o melhor método possível, e qual foi a reação daquele desgraçado, afinal de contas?
“Bliss, isso não pode.”
Ao contrário de um Bliss totalmente exaltado, Cassian falara com uma calma absoluta.
“Por que não?”
Bliss esbravejava furioso, mas ele continua argumentando com um tom de voz firme e sensato:
“Se fizermos uma coisa dessas sem permissão, os seus pais vão ficar furiosos e decepcionados. É claro que devemos avisá-los e obter o consentimento. Esse tipo de assunto nunca deve ser tratado de qualquer jeito.”
“Mas… e se eles não permitirem?”
Diante do protesto ansioso de Bliss, Cassian respondera com um sorriso amargo:
“Então teremos que convencê-los até que permitam.”
…Que conversa mais mansa e otimista!
Bliss desferiu mais um soco com força total contra o travesseiro com o punho fechado. Cassian tentara acalmá-lo dizendo: “Não se preocupe, confie em mim. Eu darei um jeito de conseguir a aprovação”, mas aquilo mostrava que ele não entendia absolutamente nada do que se passava na cabeça de Bliss. “Diz que me ama, mas não é capaz de fazer o que eu peço!”
Ele ferveu de indignação, mas aquilo também não durou muito. Assim que a raiva inflada começou a baixar, o vazio logo tomou conta. Despencando os ombros junto com um suspiro, só então Bliss começou a refletir de forma fria.
“Eu julguei mal.”
Ao perceber o seu erro tardiamente, suas sobrancelhas se contraíram involuntariamente. Havia um fato crucial que Bliss havia ignorado: o fato de Cassian Strickland ser um homem excessivamente sensato e bem-educado. Embora Bliss pensasse que era hipocrisia agir assim agora, depois de ter dito aqueles insultos à sua família, as pessoas podiam mudar com o tempo…
“E isso também significa que ele me ama tanto assim.”
Pensando por esse lado, não era algo impossível de perdoar, mas o momento atual não era para ficar sorrindo à toa e concordando com aquilo. Escapar da crise imediata era a prioridade!
Contudo, a determinação de Cassian era firme. Já que as coisas haviam chegado àquele ponto, só restava um único caminho. Bliss fixou o olhar na porta que interligava os quartos e tomou sua decisão.
“O único jeito vai ser partir para a ofensiva com o meu próprio corpo.”

 

 

 

Continua…

⌀ ⌀ ⌀

✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna

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Sinopse:
Bliss Miller, o filho mais novo da família Miller e um ômega dominante, apaixona-se à primeira vista por Cassian Strickland quando ainda era criança. Chega até a pedi-lo em casamento com a inocência da sua idade.
Cassian, herdeiro da poderosa família Strickland, não leva a sério essa promessa e eles se separam após um ano. No entanto, Bliss nunca esquece o que aconteceu.
Anos depois, ao ver por acaso o rosto de Cassian no noticiário, lembra-se de tudo o que aconteceu entre eles. A promessa, a traição e a humilhação que sofreu. Decidido a se vingar, Bliss toma uma decisão extrema: infiltrar-se na casa de Cassian como empregado para fazer com que aquele homem arrogante acabe de joelhos pedindo perdão.
Mas o reencontro entre ambos não será tão simples como ele imaginava.

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