Ler Defina o relacionamento – Capítulo 81 Online

Modo Claro

 

Eles não sabiam o sexo do bebê, e ninguém da família sabia também. Pelo visto, nem mesmo ele, Arthur Frost, havia sido informado, já que Luther fez questão de manter segredo. Dentro de duas semanas, saberiam naturalmente. Então até mesmo a pressão sutil que ele sempre tentava exercer por meio do secretário logo chegaria ao fim.

— Se for um menino parecido com você, vai ser um pequeno Ash e com certeza será adorável… Mas, se for uma menina, terei muito trabalho.

Carlyle, insistindo firmemente em um argumento oposto ao de Ash, mergulhou em suas próprias preocupações. Ash sorriu ao imaginar Carlyle tentando proteger uma filha, mas antes que pudesse dizer algo, Archibald abriu a porta sem nem esperar resposta, anunciando de imediato:

— Sr. Frost, temos que ir para o hospital agora!

Ambos o olharam surpresos. Era estranho vê-lo tão apressado, ainda mais considerando que, até poucos minutos atrás, ele estava tranquilamente conversando com Nicholas.

— Sr. Betton, está tudo bem?

— Eu estou bem, mas acho que o Sr. Frost logo não estará.

— O quê?

Carlyle franziu a testa e olhou para Ash, como se tentasse entender se algo estava sendo escondido dele. Mas ele também parecia confuso.

— Meu estado não está ruim. A internação está marcada para a próxima semana. O que o faz pensar que precisamos ir agora?

— Meu instinto! — Archibald respondeu com convicção. — Sr. Frost, eu tenho muita experiência para o meu tempo de carreira, e sempre que eu sonho com algo assim, um parto acontece no mesmo dia. É como um pressentimento!

Diante da afirmação repentina de que ele teve um sonho e que precisavam ir, Ash e Carlyle olharam para ele ao mesmo tempo. Parecia uma afirmação absurda e difícil de acreditar, mas Ash, que não queria ignorar nem mesmo um pequeno risco, foi rapidamente convencido.

— Lyle, só por precaução, vamos ao hospital. O Sr. Betton tem muita experiência, e esse pressentimento não pode ser ignorado. Kyle pode entrar em contato com o hospital enquanto nos preparamos.

— …hum.

Após uma breve hesitação, Carlyle também acenou com a cabeça. Assim que a decisão foi tomada, os preparativos foram rápidos. Ele pegou as chaves do carro e a carteira, e então rapidamente escolheu uma roupa para Carlyle vestir. Enquanto isso, ele saiu da cama e conversou com Archibald.

— Que tipo de sonho você teve para pensar que o bebê vai nascer hoje?

— Você já ouviu falar de taemong? — Archibald perguntou animado. — Na Ásia, dizem que alguns sonhos preveem uma gravidez. Às vezes, os pais sonham com isso no lugar da mãe… ou no lugar do Ômega. Mas eu acho que também tenho esse dom! Acontece que, de vez em quando, eu sonho pelos meus pacientes.

Carlyle ficou em silêncio, seu olhar demonstrava um misto de ceticismo e preocupação com a sanidade do obstetra. Já Ash, por outro lado, sentiu que talvez houvesse alguma verdade nisso. Afinal, o mundo estava cheio de mistérios que a ciência ainda não explicava.

— É sério! Escutem bem! No meu sonho, eu estava passeando pelo jardim da família Frost. No fim do caminho, vi um golden retriever brincando embaixo de uma figueira. O Sr. Jones estava por perto, jogando frisbee com entusiasmo. O disco voou na minha direção, e o cachorro, animado, correu até mim… Só que, em vez de pegar o frisbee, ele trouxe um figo na boca e deixou para mim antes de sair correndo!

Era um sonho um tanto caótico… mas, pensando bem, tinha um certo simbolismo.

Enquanto Ash refletia sobre o conteúdo do sonho, Carlyle ficou em silêncio por um momento. Seguindo Archibald, que insistia para que fossem logo, Carlyle fez uma última pergunta antes de entrar no carro.

— O Ash aparece frequentemente nos seus sonhos?

— Ah, por favor, senhor Frost! Isso não é o mais importante agora, não acha?

Archibald exclamou, abrindo a porta do carro com um movimento brusco. Seu tom de voz denunciava um certo incômodo, como se tivesse sido pego de surpresa. Ash pensou que, quando estivessem sozinhos, não deveria se esquecer de perguntar se aquilo tinha sido ciúme.

No entanto, esse pensamento imaturo desapareceu assim que chegaram ao hospital.

 

***

O instinto de Archibald estava assustadoramente correto. Diziam que ele era um dos melhores na sua área, apesar da pouca idade, e algumas horas depois, eles perceberam que a decisão de Carlyle em contratá-lo tinha sido muito acertada. Na verdade, tudo o que Carlyle escolhia sempre parecia ser a decisão certa.

Mas… agora, diante daquela situação, Ash não sabia dizer se essa escolha tinha sido a melhor de todas.

— A cirurgia não será feita por mim, e sim pelo melhor especialista dessa área. Ele é um médico experiente, então tudo ficará bem, senhor Jones.

Depois de assinar o termo de consentimento, Luther falou com Ash que estava parado, apenas olhando na direção por onde Carlyle havia desaparecido. O homem parecia ter chegado às pressas, pois seus cabelos, sempre meticulosamente arrumados, estavam um pouco desalinhados – um reflexo do estado de todos que estavam ali.

*

Assim que Carlyle entrou no hospital, a dor abdominal começou. Como se, depois de tanto tempo reprimindo qualquer sinal, seu corpo finalmente estivesse cedendo. Sentindo o movimento irregular de Bonbon dentro de si, Carlyle apenas cerrou os lábios, e no mesmo instante seu rosto ficou completamente pálido.

Como os alfas não possuíam órgãos reprodutivos completos, corriam o risco de não perceber a gravidade de uma hemorragia interna até que fosse tarde demais.

O parto estava previsto para dali a dezesseis dias. A internação preventiva deveria ocorrer em sete dias, mas mesmo assim, ele precisou passar pela cirurgia com uma semana de antecedência antes da internação. Enquanto a equipe médica, que já estava a postos, era rapidamente convocada para a emergência, Ash segurava a mão de Carlyle, cuja cor ia lentamente esvaindo.

O homem que Ash amava nunca pareceu tão frágil.

O homem que Ash amava exibia uma expressão de dor que ele nunca tinha visto antes. Seu rosto estava completamente sem cor, como da vez em que desmaiou após uma discussão acalorada em uma festa. Mas, desta vez, não era uma palidez delicada ou bela – era um tom azulado, o mesmo que a pele da mãe de Ash tinha quando ela estava à beira da morte.

Ver essa cena sobreposta a uma memória tão dolorosa fez o medo crescer de forma sufocante. Dizem que todas as relações têm um fim, mas a dele com Carlyle ainda tinha um longo caminho pela frente. Havia tantas coisas a serem feitas, tanto a viver, que nem se enchessem a casa inteira de anotações seria o suficiente para dar conta de tudo.

Ele havia prometido a si mesmo que sorriria quando esse momento chegasse. Que, quando fosse necessário enfrentar essa cirurgia inevitável, ele mostraria um rosto tranquilo, porque o mais assustado ali era Carlyle. Ele precisava vê-lo sorrindo, precisava sentir que tudo ficaria bem.

Ash treinou tanto para isso… Mas foi inútil.

Seus lábios tentaram formar um sorriso, mas seus olhos transbordavam de lágrimas. Ele se forçou a manter o semblante aberto, engolindo o choro, e quando finalmente conseguiu esboçar algo, os olhos cinzas e desfocados de Carlyle o observaram com ternura.

Com os cabelos desalinhados e suados caindo sobre a testa, Carlyle, o homem que mais deveria estar sofrendo ali, foi quem o confortou.

<Está… tudo bem, Ash.>

Sua voz saiu rouca, como se ele estivesse fazendo um grande esforço. Mas, mesmo assim, ele disse que estava tudo bem.

<A sensação… é boa. Bonbon está… nos dizendo que… chegou a hora.. de nós conhecermos.>

A respiração que Carlyle forçava para sair de seus pulmões estava impregnada de uma dor quase cruel, mas, mesmo assim, ele sorriu por Ash. Era um sorriso que tentava conter o gemido de sofrimento, um sorriso forçado para que sua família, reunida ali, não precisasse carregar aquele peso no lugar dele.

Carlyle sempre foi assim.

Nunca parecia se incomodar com a própria dor, colocando os outros à frente de si mesmo. Era um homem que, sem sequer perceber sua própria solidão e tristeza, vivia apenas pelos que amava.

Por isso, Ash havia jurado cuidar dele da forma que Carlyle nunca conseguiu cuidar de si mesmo. Desde o momento em que pediu sua mão em casamento pela segunda vez – depois de quase perdê-lo por causa de sua própria estupidez –, ele fez uma promessa que veio do fundo de sua alma.

Mas agora, nesse instante, Ash Jones não podia fazer absolutamente nada. Tudo o que lhe restava era reafirmar para si mesmo que todas as decisões de Carlyle sempre estavam corretas e rezar para que ele ficasse bem.

Enquanto os pais de Carlyle e a família de Ash, que haviam sido chamados por Kyle, tentavam conversar com ele, Ash permaneceu imóvel, encarando a porta da sala de cirurgia. A ideia de que Carlyle estava ali há poucos instantes, mas agora não podia mais ser visto, o deixava à beira da loucura.

O pensamento se repetia sem parar em sua cabeça: será que Carlyle realmente fez a escolha certa ao decidir proteger Bonbon? Ele sabia. Sabia que um pai prestes a receber seu filho não deveria pensar nesse tipo de coisa.

Sabia…

Mas a ideia de que, por causa dessa promessa, ele poderia nunca mais ver Carlyle novamente fez com que, sem querer, ele alimentasse esses pensamentos.

— Senhor Jones.

Luther o chamou, vendo que, mesmo depois de ouvir toda a explicação, Ash continuava sem dizer uma palavra, olhando para o corredor como se esperasse que Carlyle fosse aparecer de volta a qualquer momento.

Ao ouvir seu nome, Ash apenas soltou um suspiro quente e trêmulo, com os olhos ainda marejados. Luther pousou uma mão firme em seu ombro e disse:

— O jovem mestre vai se sair bem. Sempre foi assim, não é?

No instante em que ouviu essas palavras, a tristeza transbordou em seu olhar. Ele não queria se consolar com essa certeza vaga. Ele não queria ignorar a dor que Carlyle estava passando, como se tudo fosse resolvido apenas com a ideia de que ele daria conta. Ele sabia. Sabia melhor do que ninguém o quão difícil e solitária havia sido a vida de Carlyle Frost para que ele se tornasse esse homem que suportava tudo sozinho.

Quando Ash ergueu o rosto, tomado por uma raiva silenciosa contra si mesmo, Luther o encarou de volta, como se já soubesse exatamente o que se passava em sua mente.

— Ele é forte. Mais corajoso e resiliente do que qualquer um. E, por isso, o que o senhor pode fazer por ele agora é confiar e torcer para que tudo corra bem.

Parecia que Luther tinha percebido até mesmo aqueles pensamentos sombrios que Ash não conseguia evitar. Ele abriu a boca para argumentar, mas nenhuma palavra saiu.

Porque era a verdade.

Carlyle sempre fez as melhores escolhas. Porque ele tinha a força necessária para isso. Porque ele sempre teve a determinação de enfrentar qualquer coisa.

Então, o que Ash Jones precisava fazer agora não era duvidar ou se arrepender da decisão de Carlyle. Ele precisava se preparar para cumprimentá-lo da forma certa quando tudo isso acabasse.

Ele assentiu. Sua mão tremia ao limpar as lágrimas que escorriam silenciosamente por seu rosto. Com os dentes cerrados, obrigou-se a se mover.

Ainda estava assustado. Ainda estava tomado por um desespero esmagador. Mas decidiu reunir forças. Para que aqueles que estavam ansiosos e aflitos pudessem esperar juntos.

Para que, como marido e guardião de Carlyle, estivesse pronto para recebê-lo de volta.

 

***

 

As pálpebras, pesadas pelo efeito dos medicamentos, tremeram suavemente. O movimento fraco e involuntário continuou por um tempo, até que a luz do sol, filtrada pelas frestas da persiana, as acariciasse o suficiente para que finalmente se abrissem.

Lentamente, os olhos cinzentos, exaustos de dor, revelaram-se.

— Lyle.

Uma voz agradável ecoou pelo quarto.

Era um som que acalmava a dor lancinante que se espalhava pelo corpo de Carlyle, como se a voz por si só tivesse o poder de silenciar todo o sofrimento.

Com a cabeça ainda pesada, ele virou o rosto para o lado e encontrou um homem sentado ao lado da cama do quarto de recuperação.

Uma mão se estendeu em sua direção. O toque suave sobre seus cabelos era delicado, quase frágil, como se estivesse lidando com uma bolha de sabão que poderia estourar a qualquer momento.

— Dormiu bem?

‘Ah… Ash.’

A saudação gentil e familiar fez com que os lábios de Carlyle se curvassem, ainda que de forma quase imperceptível. Seu corpo estava tão esgotado que até mover um músculo parecia impossível, mas, ao sentir aquela presença, um sorriso brotou como um reflexo enraizado em sua alma.

Ash, que olhava para o rosto sorridente de Carlyle, inspirou profundamente, com um suspiro úmido e emocionado.

Havia tantas coisas a serem ditas, mas as palavras pareciam presas. Depois de tentar algumas vezes molhar os lábios secos, Carlyle moveu os dedos, quase imperceptivelmente. Ash percebeu de imediato e segurou sua mão.

O calor suave do toque dele se espalhou por sua pele, devolvendo-lhe um pouco de força.

— Bonbon…

Ele tinha muito a dizer, mas antes de qualquer coisa…

— Está… bem?

Essa era a pergunta mais importante.

O filho tão esperado por eles dois… O primeiro pensamento de Carlyle ao acordar. Talvez Ash ficasse um pouco magoado, mas certamente entenderia.

Afinal, era uma espera que os dois compartilharam juntos.

Por um instante, Ash não respondeu. Apenas seu suspiro trêmulo ecoou pelo quarto. Carlyle sentiu o coração apertar. O silêncio fez com que sua mente, ainda enevoada, despertasse com um sobressalto e ele abriu os olhos completamente. Com uma força que não sabia de onde vinha, ele arregalou os olhos fitando Ash com uma urgência nítida.

E então, ele viu.

Sob a luz do sol que entrava obliquamente, o rosto pálido de Ash estava iluminado por um sorriso radiante. As rugas ao redor dos olhos, vermelhos e inchados de tanto chorar, formavam-se com o sorriso, e as bochechas úmidas exibiam covinhas delicadas.

Os olhos de Ash, onde a cor azul e cinza se misturavam, brilhavam de pura felicidade enquanto olhavam para seu marido.

— Sim.

A voz de Ash ecoou, cheia de felicidade.

— Ele ainda está acordado, como se quisesse esperar para ver o papai antes de dormir. Nasceu tão saudável que nem precisou de uma incubadora. Eles disseram que, mesmo tendo nascido um pouco antes, ele está forte, sem nenhum problema.

Ash riu baixinho, entre lágrimas.

— Disseram que nunca viram um bebê tão lindo. E a razão é porque o papai cuidou dele muito bem na barriga.

‘Ah…’

O sorriso de Carlyle floresceu sem que ele percebesse.

Foi como se seu rosto inteiro se iluminasse.

Ash abraçou Carlyle com delicadeza, envolvendo-o em seus braços e segurando sua cabeça com carinho. Carlyle, sem hesitar, afundou o rosto contra o peito dele, sentindo o calor familiar que sempre o acolhia.

Enquanto se deixava envolver pelo abraço, pensou no que diria ao bebê quando finalmente o visse. As palavras vieram com mais facilidade do que esperava.

‘Oi’

O bebê certamente se pareceria com Ash, então, sem dúvida, adoraria essa saudação.

‘Oi, Bonbon.’

‘É um prazer te conhecer.’

‘Todos nós esperamos por você por muito, muito tempo.’

Nesse instante, um choro forte ecoou pelo quarto.

Era um som vibrante e cheio de vida, exatamente como Ash havia dito. Um choro saudável, confirmando que o pequeno estava bem. E, para Carlyle, nada no mundo poderia ser mais belo do que aquele som.

 

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『Casamento Arranjado AU  Bonbon』 Fim

 

Obrigada por acompanhar DTR 😘

 

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Carlyle, que vivia uma vida onde casamento, amor e tudo era controlado pela família, um dia é diagnosticado com frigidez psicogênica. Seguindo a sugestão do seu médico de tentar ter uma nova experiência sexual com alguém que não fosse seu parceiro ômega, Carlyle é apresentado pelo parceiro de seu irmão a Ash Jones, um alfa muito popular. E, surpreendentemente, Carlyle havia beijado Ash na véspera de Ano Novo, seis anos atrás.
—Estou ajudando você apenas porque Nick pediu. Não precisa se preocupar com emoções desnecessárias. Eu nunca poderia gostar de alguém como você.
No entanto, Ash não se lembra de Carlyle, na verdade ele ainda não esqueceu uma pessoa. Durante o encontro, Carlyle irrita Ash, mas, mesmo sabendo que não o agradava, começou a se apaixonar pelo homem. E finalmente decide se confessar ao seu primeiro amor…
Fazer algo que normalmente se faz com alguém que se está namorando, com alguém com quem não deveria se envolver dessa maneira… que tipo de relação isso poderia ser?
Nome alternativo: Define The Relationship

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