Ler Controle – Capítulo 94 – Side 2. Tornando-se uma Família (9) Online

Modo Claro

 

 

Próximo ao horário de sair do trabalho, Noah ligou. Disse que passaria em frente à empresa para buscar Siheon e Yohan. Foi só então que Yohan percebeu que a sua mãe também havia chamado Noah e Jaryeong. A mensagem que ele recebeu dizia apenas para ir até a casa da família para jantarem juntos, e que levasse Siheon com ele.

‘Chamar até Noah e Jaryeong… Será que hoje é algum dia especial?’

Quando saiu após encerrar o expediente, viu o carro familiar de Noah parado em frente à empresa. Jaryeong estava no banco do passageiro e ao ver Siheon e Yohan, ele saiu do carro e se curvou em cumprimento. Desde que Noah voltou para a Coreia, eles se encontravam de vez em quando, mas Jaryeong ainda agia com muita formalidade. Bom, claro que parte disso era porque, sempre que se viam, Yohan dava algumas cutucadas, mesmo que fosse de forma sutil.

— Não precisa ser tão formal. Pode falar de forma mais casual.

Siheon disse casualmente ao entrar no carro, Jaryeong hesitou por um momento antes de se sentar novamente no banco da frente e olhar para trás.

— Mas você é meu sunbae. E tem bastante diferença de idade entre a gente.

Jaryeong, Noah e Yohan tinham apenas um ano de diferença entre si, mas a diferença com Siheon era bem maior. Por isso, ele não se sentia à vontade para falar informalmente. Siheon então fez um gesto com a cabeça, em direção ao banco do motorista.

— Olha o Ryu Noah. Ele me trata como se fossemos da mesma idade.

— Ah…

Jaryeong soltou apenas um suspiro, sem conseguir dizer nada. De fato, Noah nunca tratou Siheon como um hyung ou sunbae. Desde o início chamava-o pelo nome e sempre usava linguagem coloquial. Talvez porque Yohan estivesse entre eles, mas era evidente que as maneiras de Noah com pessoas mais velhas eram… digamos, relaxadas.

— Você, o Noah e o Yohan têm só um ano de diferença. Precisa mesmo continuar usando uma linguagem formal assim?

Siheon disse, tentando puxar a conversa para o lado de Jaryeong. Yohan fez um biquinho com os lábios, mas não retrucou, afinal, se fosse questionar isso, o primeiro a mudar deveria ser o Noah. Além disso, ele também não usava linguagem formal com Siheon. Embora tivesse crescido na Rússia, o que explicaria não estar acostumado com honoríficos coreanos, isso era só uma desculpa. A verdade era que, se usasse linguagem formal, a distância entre eles nunca diminuiria, então deliberadamente falou de forma casual desde o início.

No caso de Noah, no entanto, o motivo para tratar Siheon de maneira informal era exatamente o oposto de Yohan.

— É. Fique à vontade.

Noah concordou com Siheon, como se não considerasse nada do que ele mesmo fazia com o namorado do irmão, preocupando-se apenas com o fato de que Jaryeong devia se sentir à vontade com Yohan.

‘Esse aí é mesmo um babão domado…’

Yohan balançou a cabeça com um suspiro e desviou o olhar para a janela.

— Cha Siheun, é melhor você se preparar.

Noah soltou um comentário aleatório enquanto dirigia. Yohan voltou o olhar para o banco do motorista. Os cantos dos lábios de Noah estavam levemente curvados para cima.

‘O que é isso? Tenho um mau pressentimento.’

— Por quê?

— Você vai entender quando chegarmos.

Não era como se Siheon fosse encontrar a mãe de Yohan pela primeira vez. Que motivo ele teria para ficar nervoso? Não é como se fossem dizer agora que não aceitavam mais o relacionamento dos dois. Por mais que tentasse pensar, Yohan não conseguia entender o motivo do comentário de Noah.

Somente quando chegaram na casa da família, foi que entendeu porque Cha Siheon deveria se preparar

 

***

 

Jaryeong, que estava visitando a mansão da família pela primeira vez, ficou com os olhos arregalados, sem piscar. Até mesmo Siheon, que já havia estado na casa principal do grupo Seonwoo, deixou escapar um gemido baixo ao ver o tamanho da propriedade.

— Sejam bem-vindos. Os dois estão esperando por vocês.

O funcionário, que veio recebê-los até a entrada disse, curvando-se em saudação. ‘Estão?’ Yohan inclinou a cabeça. Achava que só a mãe estaria presente. Quem mais estaria lá?

Ao seguirem o empregado para dentro, viram a mãe descendo as escadas do segundo andar, como se já soubesse que eles haviam chegado.

— Finalmente chegaram.

Atrás de Ryu Jin, que os recebia calorosamente, havia mais uma pessoa. O terno cinza-claro que ele usava não tinha sequer uma ruga. Sua postura ereta, tão firme quanto o vinco de suas calças bem alinhadas, era impecável. Só por estar ali, exalava uma aura de autoridade singular.

Diferente da nobreza que Ryu Jin exalava – cultivada desde a infância como herdeiro – a presença daquele homem era avassaladora. Bastou um momento, um simples cruzar de olhares, para que sua presença fizesse com que fosse impossível até mesmo soltar um suspiro mais profundo.

‘Ilya Galayev.’

Siheon engoliu aquele nome em seco. Havia visto seu rosto apenas uma vez, em uma revista de economia. Embora não fosse muito conhecido na Coreia, ele havia sido mencionado como o cônjuge de Ryu Jin quando este foi nomeado vice-presidente da RF Pharma. Isso já fazia mais de dez anos, mas Siheon, que nunca esquecia um rosto, lembrava-se perfeitamente dele.

Comparado à foto de dez anos atrás, quase nada havia mudado. Talvez por causa dos cabelos platinados, a diferença era ainda menos perceptível. Parecido com Yohan, mas com uma aura completamente distinta. Era deslumbrante a ponto de ser hipnotizante – mas enquanto Yohan era como uma brisa de primavera, Ilya era como um vento cortante da Sibéria.

— Ilya. Não fique aí parado, venha.

Ryu Jin o chamou com um sorriso, até mesmo Siheon e Jaryeong ficaram surpresos. O Ryu Jin que eles conheciam era o presidente do Grupo RF, sempre calmo, mas com uma presença inquestionável. No entanto, a forma como falava com Ilya, tanto no tom quanto na expressão, parecia a de uma pessoa completamente diferente.

Ilya, que estava parado como uma estátua, desceu os degraus ao chamado de Ryu Jin.

— Seja bem-vindo.

Noah foi o primeiro a cumprimentá-lo, com uma naturalidade de quem estava acostumado a vê-lo em Vladivostok, como se o tivesse encontrado no dia anterior.

— Yohan.

Ilya chamou pelo nome do filho e ergueu um braço, Yohan, sorrindo radiante, aproximou-se e o abraçou pela cintura. Ilya também o abraçou gentilmente pelos ombros e depositou um beijo no topo de sua testa. O ar gélido ao redor dele pareceu se dissipar no mesmo instante. O olhar que lançava para Yohan parecia prestes a transbordar de carinho.

Ah…

Siheon conteve um suspiro. Um pai abraçando o filho já adulto daquele jeito, e Yohan, sem hesitação, aceitando o carinho… Agora ele entendia porque Noah havia dito no carro que ele deveria estar preparado.

Enquanto observava os dois, Ilya ergueu o olhar. Seus olhos, da mesma cor esmeralda de Yohan, se fixaram diretamente em Siheon. Ao mesmo tempo, um brilho frio emergiu daquele olhar. Whoosh… Uma onda intensa de feromônio de alerta alfa o atingiu em cheio, mas Siheon sustentou o olhar sem nem piscar.

 

***

 

A mesa de jantar era grande o suficiente para acomodar pelo menos vinte pessoas. Em uma das extremidades, os pratos foram servidos, no assento principal estava Ilya, com Ryu Jin ao lado. Ao lado de Ryu Jin sentaram-se Yohan e Siheon, e em frente a eles ficaram Noah e Jaryeong.

Tilintar!

O som metálico ecoou quando o garfo e a faca de Jaryeong se chocaram ao tentar cortar o filé mignon de vitela. Ele parou bruscamente o movimento, levantando os olhos para observar os demais. Ninguém disse nada nem pareciam estar olhando, mas ainda assim ele se encolheu, sentindo-se como se fosse morrer de vergonha.

Era a primeira vez que ele experimentava uma refeição tão luxuosa, em uma mesa tão grande num ambiente tão… desconfortável.

— Vou cortar para você.

Percebendo o desconforto de Jaryeong, Noah puxou o prato dele, cortou o bife em pedaços pequenos e voltou a colocá-lo à sua frente. Depois, olhou-o nos olhos e sorriu, como para dizer que não havia motivo para se preocupar.

Zzzsshh.

O olhar de Ilya se voltou para Jaryeong. Apenas isso já foi o suficiente para ele quase engasgar de nervoso. Instintivamente abaixou os olhos e enfiou um pedaço de carne na boca com o garfo. A carne estava suculenta e macia, praticamente derretia na boca, mas ele não tinha nenhum espaço mental para saborear aquilo.

Yohan, por outro lado, comia tranquilamente. De vez em quando, fazia perguntas a Ilya como: “Como o senhor tem passado?” ou “Vai ficar muitos dias na Coreia?” Embora Ilya parecesse frio e distante, não deixava nenhuma das perguntas do filho sem resposta. Mesmo diante do jeito imponente do pai, Yohan mantinha um sorriso radiante no rosto.

Aos olhos de Jaryeong, Yohan parecia realmente incrível naquele momento. E não era só ele. Siheon também mantinha a expressão tranquila, com o semblante sereno, comendo calmamente sem demonstrar qualquer alteração.

— Quer mais vinho?

Yohan perguntou, ao notar que a taça de Siheon estava vazia.

— Está tudo bem, obrigado. Eu mesmo me sirvo.

— Seu nome é Cha Siheon, certo?

Ilya disse, em um coreano surpreendentemente preciso. Ouvir aquele coreano tão claro saindo da boca de Ilya causava uma estranheza parecida com a que se sente ao ouvir Yohan falando com fluência. Mesmo tendo vivido mais de vinte anos como cônjuge de Ryu Jin, o fato de falar tão bem ainda surpreendia quem o encontrava pela primeira vez.

— Sim.

Siheon ergueu o olhar e encarou Ilya diretamente. Seus olhos já estavam fixos nele, afiados como lâminas.

— Até quando pretende continuar desse jeito?

Foi uma pergunta repentina, sem nenhum contexto, completamente fora do nada. E dita num tom tão plano e firme que soava quase ameaçador.

— “Desse jeito”, em que sentido exatamente o senhor está se referindo?

Jaryeong, sentado do outro lado da mesa, se encolheu só de ouvir a voz de Ilya, que parecia congelar o ar ao redor. Mas Siheon respondeu com naturalidade. Uma ruga discreta surgiu entre as sobrancelhas de Ilya.

— Até quando pretende continuar nessa relação ambígua com o Yohan? Vocês são jovens, sim, mas não podem passar a vida toda brincando de casinha.

Eles não estavam marcados, nem eram noivos, nem tinham feito qualquer promessa formal de futuro. Era exatamente esse o ponto que Ilya estava criticando. Siheon entendeu claramente, mas não se abalou nem por um segundo.

— Eu não sei exatamente que tipo de relação o senhor espera que tenhamos, mas nós dois estamos completamente satisfeitos com o que temos agora.

Ao ouvir isso, Ryu Jin, que comia tranquilamente, não chegou a levantar a cabeça, mas deixou escapar um leve sorriso nos lábios. ‘Esse garoto realmente não é fraco.’ Mesmo diante de tamanha tensão no ar, Siheon não se deixava intimidar.

Ryu Jin se lembrou de Ilya enfrentando o antigo presidente do Grupo RF, que também era o seu pai. Na época, ele também não tinha se curvado. Diferente de Ryu Jin, que cresceu sob a opressão do pai e nunca ousou desafiá-lo abertamente, Ilya havia exigido o ômega para si sem pestanejar.

Ilya era diferente das pessoas comuns. Criado desde jovem em uma unidade deas forças especiais, havia passado por todo tipo de situação brutal antes de entrar na máfia e se tornar um dos chefes. Talvez fosse por isso que nunca se curvou nem diante do presidente de um dos cinco maiores grupos empresariais do mundo.

Mas ao olhar para Siheon agora, Ryu Jin começou a pensar que talvez o ambiente onde alguém cresce não seja o mais determinante para sua personalidade. A disposição nata de alguém podia fazer toda a diferença. Era essa firmeza, essa natureza inquebrantável, que permitiu a Ilya sobreviver em meio a uma vida tão brutal. E agora, Cha Siheon demonstrava a mesma força de espírito que Ilya.

— Acomodar-se à realidade é das atitudes mais tolas que existem.

Mesmo com a provocação de Ilya, a expressão de Siheon permaneceu inalterada.

— Eu nunca disse que vou ficar acomodado. Apenas estamos avançando juntos, Yohan e eu, com o tipo de relacionamento que temos agora. Como parceiros, nos negócios e no amor, estamos olhando na mesma direção.

Ao ouvir isso, Ilya puxou o canto da boca em um sorriso frio, quase desdenhoso. Até mesmo seu sorriso era gelado.

 

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Continua…

 

Ler Controle Yaoi Mangá Online

SpinOffs de ESCAPE.
— Esse é o Jenny, veio dos Estados Unidos. Ao lado está o Alexei, que está comigo desde a Rússia, é um dos mais antigos. O próximo é o Jordi, que vem direto da França. E por último, aquele ali é o mais novo, o “Honey”. Escolhi ele porque achei que teria o tamanho ideal para hyung Siheon. O que acha, gostou?
À medida que ele ia apontando um por um com o dedo e explicando, o rosto de Siheon ia ficando cada vez mais sombrio. ‘Parece que ele entendeu perfeitamente.’ Yohan olhou para Siheon e sorriu com um ar inocente, quase doce.
— Pode cumprimentar. Todos já passaram pelo mesmo buraquinho.
— Haa…
Siheon soltou um som comprido, que ninguém saberia dizer se era um suspiro ou uma risada vazia. Em seguida, lançou um olhar fulminante para os brinquedos enfileirados.
— Está me dizendo que eu estou no mesmo nível que essas coisas?
— Bom, eu não disse exatamente isso… Mas, no fim das contas, o único ser humano que já entrou em mim foi você, hyung.
 
(Trecho de CTRL.)

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