Ler Controle – Capítulo 92 – Side 2. Tornando-se família (7) Online
O corpo estava pesado como algodão encharcado. Embora já estivesse acordado, Yohan simplesmente não conseguia levantar as pálpebras. Não era sempre, mas, de vez em quando, o sexo com Siheon era tão intenso que parecia arrastá-lo até o limite. Ficar desse jeito no dia seguinte, incapaz de se mover, era difícil, sim – mas, na verdade, Yohan não detestava esse tipo de sexo. Pelo contrário, o nível de satisfação era alto. Era um prazer que só Siheon sabia proporcionar. Com brinquedos, um sexo tão selvagem assim seria impossível.
Ao reviver as memórias da noite passada, ele parou exatamente na parte em que Siheon falou sobre a marcação. Assim que abriu os olhos, a luz que invadiu o quarto o cegou momentaneamente. Ele levantou uma das mãos e ficou observando.
Será que algo tinha mudado? Não sabia ao certo…
— Nada mudou. Se já acordou, levanta.
A voz de Siheon veio logo ao seu lado. Ao virar a cabeça, viu que ele já havia se levantado e estava completamente vestido. Um cheiro delicioso vinha de algum lugar – parecia que Siheon havia preparado o café da manhã.
— Mas e a marca…
— Não fiz.
— O quê…?
Depois de toda aquela loucura… ele não tinha feito? Ontem, Yohan tinha certeza de que Siheon havia dado nó dentro dele. O inchaço intenso e o fato de não conseguir sair tinham sido quase assustadores. E ainda assim… ele não tinha marcado?
— A marcação só é possível quando o ciclo de cio atinge o clímax. Você deveria saber disso, não?
— Ah…
Verdade. Era algo que ele já sabia. Mas estava tão fora de si na noite passada que havia esquecido. Com Cha Siheon e “Siheon junior” o atacando pela frente e por trás, como poderia manter a lucidez?
‘Mas… espera aí. Siheon fez tudo aquilo já sabendo que o vínculo não aconteceria?’
Durante o nó, o membro incha de forma quase antinatural dentro do ômega e não sai até que o alfa ejacule. Isso coloca uma carga física enorme sobre o corpo de quem recebe. E mesmo sabendo que a marcação não seria possível, Siheon ainda assim fez questão de dar nó…
— Mas, graças a isso, entendi bem o que você quer. Pode esperar pelo próximo ciclo.
Ele sorriu de leve enquanto acariciava a bochecha de Yohan. Com um sorriso tão bonito assim, era impossível ficar bravo. Ao mesmo tempo, Yohan sentiu como se toda a tensão dentro dele tivesse se dissolvido. Embora tivesse sido uma decisão impulsiva no meio do sexo, ele realmente pensou que não haveria problema em ser marcado por Siheon. Nenhum dos dois nunca tinha falado seriamente sobre marcação antes, mas talvez ele já pensasse inconscientemente que, se fosse para ser marcado por alguém, Siheon era a melhor escolha.
Se vincular a alguém não era algo que se decidia facilmente. Mesmo que estivesse disposto a amar uma única pessoa para sempre, caso um dos dois morresse – por doença ou acidente –, o outro viveria um pesadelo. Seria forçado a permanecer fiel até o fim da vida. Poderia até acontecer já na velhice, ao perder o parceiro marcado depois de muitos anos, mas… a vida é imprevisível. Era possível perder a pessoa ainda na flor da juventude, nos seus vinte e poucos anos, e se isso acontecesse, o que ficasse para trás seria obrigado a viver o resto da vida sozinho, sem nunca mais poder fazer sexo com ninguém.
“Para sempre”… Yohan se deu conta de que estava sobrepondo essas palavras com a imagem de Cha Siheon – e se surpreendeu. Até agora, o único a quem ele tinha atribuído o “para sempre” era Noah. Porque ele era família. Porque, mesmo que o céu desabasse, Noah era a única pessoa que jamais o trairia. Era alguém em quem ele confiava cegamente, alguém que, até o fim da vida, estaria sempre ali, estendendo a mão para ele.
Mas Cha Siheon era um estranho. Uma pessoa que, se os sentimentos mudassem, poderia se tornar apenas mais um alguém qualquer. Pensar em um “para sempre” com alguém assim era um risco enorme. E mesmo assim, na noite anterior, ele respondeu sem hesitação que aceitaria ser marcado.
— Eu te amo.
A frase escapou de repente, fazendo Siheon parar e olhar para trás.
— Do nada?
Yohan também sabia que tinha sido de repente, mas sentiu que precisava dizer. Queria que Siheon soubesse que o espaço que ele ocupava dentro dele já tinha se tornado tão grande a ponto de considerar até mesmo um vínculo entre os dois.
— Sim. Só… senti vontade de dizer.
Siheon o olhou em silêncio por um tempo, depois sorriu de canto. Aproximou-se da cama, se inclinou e deu um leve beijo na bochecha de Yohan.
— Eu também te amo.
A resposta veio sem hesitação. Foi uma surpresa, já que Siheon não era alguém que sequer dizia “gosto de você” com facilidade. Mas, pensando bem, era claro. Ele também sentia o mesmo – tanto que chegou a mencionar a marcação.
Yohan sorriu de leve e abriu os braços para Siheon. Sem entender o gesto, o homem apenas o encarou de cima.
— Quero tomar banho. Quero ficar mergulhado em água quente.
Siheon até tinha limpado ele por alto com uma toalha úmida, mas os vestígios da noite anterior ainda estavam espalhados pelo corpo de Yohan.
— Mas, por culpa de alguém, estou sem força nenhuma da cintura para baixo. Não consigo me mexer.
Ao falar com um sorriso descontraído, Siheon finalmente entendeu. Ele deslizou os braços sob os joelhos e os ombros de Yohan e o levantou sem dificuldade. Apesar do corpo esguio, Yohan era alto e deveria ser pesado, mas Siheon não demonstrou nenhum sinal de esforço.
Ao entrar no banheiro, ele sentou Yohan na banheira e ligou a água quente. Em seguida, também começou a se despir.
— Você já não tinha tomado banho?
Yohan perguntou se ele ia se lavar de novo, Siheon apenas sorriu e entrou na banheira, sentando-se atrás de Yohan e puxando-o para que se encostasse nele. Yohan relaxou e apoiou as costas no peito dele. Ao som da água jorrando, a banheira foi se enchendo aos poucos. A água quente envolveu seus corpos, trazendo uma sensação imediata de sonolência.
Debaixo d’água, Siheon envolveu a cintura de Yohan com os braços. De repente, Yohan sentiu algo cutucando sob suas nádegas e virou o rosto para olhar para ele.
— Não vou fazer nada. Por enquanto.
— Então por que suas ações dizem outra coisa?
Ao desviar o olhar para baixo, Siheon riu e apertou os braços em volta da cintura de Yohan, puxando-o mais para perto.
— Seria estranho se eu não reagisse com você no meu colo. Você sabe, eu sempre sinto o cheiro do seu feromônio. E agora, com você pelado, me abraçando, e ainda nesse banheiro úmido… parece ainda mais intenso que o normal.
Como se para provar seu ponto, o pênis dele se manifestou com ainda mais vigor. Mesmo assim, Siheon beijou o ombro de Yohan e murmurou:
— Mas não vou fazer nada.
— Você está meio carinhoso hoje, não?
— Eu sempre fui carinhoso.
Pelo padrão de Cha Siheon, ele tinha sido gentil. Para alguém que nunca se importou com os outros, que nunca deu a mínima para quem cruzasse seu caminho, Ryu Yohan já era especial – avassaladoramente especial. Siheon já o tratava com carinho e gentileza, à sua maneira. Claro, ele não conseguia corresponder a todos os caprichos e manhas como Ryu Noah fazia, mas, em um sentido diferente, ele precisava e amava Yohan mais do que qualquer um.
Yohan também não discordava. Mesmo que Siheon não fosse expressivo como Noah, ele sentia claramente os sentimentos dele.
— Vou parar de tomar os supressores a partir de hoje.
Yohan falou enquanto se encostava em Siheon, de cabeça apoiada nele. E o outro apenas assentiu com a cabeça, sem dizer nada.
— Acho que meu cio não está longe. Se meus cálculos estiverem certos, é daqui a uma semana? Você vai ficar bem?
Ele sabia exatamente o que estava perguntando. Mesmo controlados, o cheiro dos feromônios de Yohan já deixava Siheon no limite. Se ficasse ainda mais intenso, não havia como prever quando ele se tornaria um animal.
— Posso tomar supressores de rut. Preocupe-se mais com você. Não sei o que faria se alguém mexesse com você, posso acabar matando.
— Isso não parece uma piada.
— E não é. Às vezes eu entendo perfeitamente por que o Ryu Noah surtava com qualquer um que tentava se aproximar de você.
Diante da resposta de Siheon, Yohan soltou uma risada.
— Meus primos chamam Noah de cão louco vindo do inferno. No começo eles diziam que era um cão leal, mas depois de ver o Noah arrebentando um cara que veio me encher em um jantar da família, passaram a chamá-lo de cão louco. O Noah nem é tão violento assim…
Siheon não conseguiu rir ao imaginar como a expressão “cão leal” havia se transformado em “cão louco”. Por que aquilo não parecia algo tão distante da realidade?
— Aqueles caras mereceram. O Noah provavelmente só retribuiu na mesma moeda. E, na verdade, ele é bem mais sensato do que eu.
Essa frase também foi compreendida de imediato. Siheon também não era do tipo que se abalava facilmente. Tendo vivido uma vida árida, seus sentimentos tinham se tornado tão entorpecidos que quase beiravam a secura. Mas, sempre que via alguém dando em cima de Yohan, sentia algo fervendo dentro de si, como se sua visão se virasse do avesso. E, como Yohan ainda aceitava isso tudo com um sorrisinho, ele reagia com mais intensidade ainda.
Claro, mesmo que agora ele parecesse levar as coisas na brincadeira, Siheon sabia que Yohan nunca deixava passar quem o insultava.
‘Será que um dia eu também vou ser chamado de “cão louco” que protege Yohan, igual o Noah?’
No fim, talvez o mais sensato fosse lidar logo com o feromônio do Yohan antes que chegasse a esse ponto. Mesmo ignorando os feromônios, ele ainda chamava atenção demais. Mas se ao menos conseguisse suprimir o cheiro de ômega, o número de alfas voando em volta como moscas diminuiria bastante.
Siheon encostou o rosto na nuca de Yohan e esfregou os lábios ali. Sentindo cócegas, ele encolheu os ombros.
— Sobre a marca… agora não vou voltar atrás. Mesmo que mude de ideia no meio do caminho e diga que não quer mais, não vai adiantar.
Diante das palavras de Siheon, ele se virou por completo e sentou-se sobre suas coxas.
— Não se preocupe. Eu também não vou voltar atrás.
Com as duas mãos, segurou o rosto de Siheon, levantou e colou os próprios lábios nos dele com firmeza.
— É uma promessa.
Siheon, que olhava para aquele sorriso inocente como o de uma criança, puxou-o pela nuca e uniu seus lábios de novo. Mas, dessa vez, não foi um beijo leve. As línguas dos dois se entrelaçaram no espaço quente entre suas bocas.
— Se é para selar uma promessa, tem que ser pelo menos assim.
A atmosfera úmida do banheiro começava a dificultar a respiração quando Siheon finalmente afastou os lábios e sussurrou, ainda tão perto que suas bocas mal se separavam. Yohan riu e envolveu a cabeça dele com os braços, e os dedos do alfa deslizaram entre as nádegas do outro.
— Hhng, eu disse que não… mmgh…
Ao sentir os dedos se curvando e roçando por dentro, ele tremeu involuntariamente.
— Eu ia me segurar, mas foi você quem me provocou.
Em vez de protestar, Yohan olhou para baixo, ofegante, com a respiração quente. Não era só Siheon que sentia os feromônios dele. No espaço fechado, com o ar abafado, o cheiro do alfa parecia mais intenso que o normal, e seu corpo esquentou sem que ele percebesse.
— Só uma vez, entendeu?
Ele sorriu docemente com os olhos e inclinou a cabeça, cobrindo os lábios de Siheon com os seus. Como se fosse o sinal que faltava, os dedos dentro dele começaram a se mover mais fundo, alargando sua entrada.
— Ah, mmngh, hhng!
Os gemidos abafados de Yohan se dissolveram na umidade do ar. O perfume doce e sedutor dos feromônios preenchia todo o banheiro.
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Continua….
Ler Controle Yaoi Mangá Online
SpinOffs de ESCAPE.
— Esse é o Jenny, veio dos Estados Unidos. Ao lado está o Alexei, que está comigo desde a Rússia, é um dos mais antigos. O próximo é o Jordi, que vem direto da França. E por último, aquele ali é o mais novo, o “Honey”. Escolhi ele porque achei que teria o tamanho ideal para hyung Siheon. O que acha, gostou?
À medida que ele ia apontando um por um com o dedo e explicando, o rosto de Siheon ia ficando cada vez mais sombrio. ‘Parece que ele entendeu perfeitamente.’ Yohan olhou para Siheon e sorriu com um ar inocente, quase doce.
— Pode cumprimentar. Todos já passaram pelo mesmo buraquinho.
— Haa…
Siheon soltou um som comprido, que ninguém saberia dizer se era um suspiro ou uma risada vazia. Em seguida, lançou um olhar fulminante para os brinquedos enfileirados.
— Está me dizendo que eu estou no mesmo nível que essas coisas?
— Bom, eu não disse exatamente isso… Mas, no fim das contas, o único ser humano que já entrou em mim foi você, hyung.
(Trecho de CTRL.)