Ler Controle – Capítulo 89 – Side 2. Tornando-se família (4) Online
— Você vai se formar em breve.
Durante a refeição, Yohan puxou conversa com Jaryeong.
— É o último semestre, então deve ser isso.
Mas quem respondeu foi Noah, não Jaryeong. Ele até tentou dizer que sim, porém Noah foi mais rápido.
— Não perguntei a você.
Yohan cortou-o secamente e olhou para Jaryeong. Ao sentir aquele olhar insistente, Jaryeong pareceu desconfortável, desviou o rosto e procurou por água. Noah rapidamente pegou o copo e o levou até a boca dele, Quando tentou pegar o copo dizendo que estava tudo bem, Noah insistiu para que apenas bebesse. Os olhos de Jaryeong se moveram de leve e encontraram os de Yohan. que apenas os observou com os olhos semi-cerrados, sem dizer nada. Enquanto Jaryeong parecia perdido, tentando ler a expressão de Yohan, Noah não estava nem um pouco preocupado.
Jaryeong ainda parecia ter dificuldades em lidar com Yohan, mas Yohan nunca imaginaria que Ryu Noah seria tão superprotetor assim. Não, ele sabia que Noah era assim, mas pensava que esse comportamento era reservado apenas para ele. Mas agora, Noah parecia um completo bobo apaixonado por Woo Jaryeong.
— Deve ter sido tão bom que fez você perder a cabeça. Estava tão absorto que nem ouviu quando eu entrei.
Lançou o comentário de forma casual. Mas ao entender do que ele estava falando, o rosto e o pescoço de Jaryeong ficaram completamente vermelhos.
— Não o provoque com essas coisas.
Noah, percebendo o clima, se apressou a proteger Jaryeong.
— Provocar quem? Só falei a verdade.
Notando o tom azedo de Yohan, Noah conteve um suspiro. Quando estavam com Cha Siheon, ele era mais moderado, mas agora que o outro tinha saído de viagem, parecia que suas frustrações tinham voltado à tona. Se fosse só com ele, Noah poderia ignorar, mas não poderia tolerar que estivesse perturbando Jaryeong.
— Ele é meu parceiro de marca. É natural que eu perca a cabeça, eu também nem percebi quando você entrou.
Desviando o foco para si, Noah fez Yohan lançar um olhar de canto antes de voltar a comer.
— Então, para onde você vai? RF Digital?
Com a mudança de assunto, Jaryeong esboçou um leve sorriso de alívio.
— Vou para a sede principal do Grupo RF. Vou trabalhar no escritório da presidência, como assistente direto do presidente.
— Hm…
Yohan fez uma expressão difícil de decifrar. O fato de sua mãe querer supervisionar Woo Jaryeong pessoalmente tinha vários significados. Vigilância, treinamento, teste. Afinal, ele já os havia traído uma vez, então, mesmo que estivesse vinculado a Noah, não significava que ele confiava cem por cento no garoto. Sua mãe era diferente de Noah. Só porque tratava alguém com gentileza, não queria dizer que se podia confiar de olhos fechados. Por isso, o método mais eficaz de vigiar era mantê-lo onde seu olhar alcançasse.
Mas ao mesmo tempo, isso também indicava que ele reconhecia o potencial de Jaryeong. E nisso, Yohan concordava. Para eles, ele podia parecer apenas um hoobae comum, mas suas habilidades com hacking e manipulação de informações eram notáveis. Ganhar uma competição de hacking na América do Norte não era algo que qualquer um fazia. Não era apenas o prêmio que importava. Se não fosse por Yohan, Jaryeong teria conseguido roubar os dados da RF Digital sem deixar vestígios. O problema foi Seonwoo, que agiu de forma descuidada e acabou complicando tudo – mas as habilidades dele, em si, eram excelentes.
Além disso, agora que ele estava ligado a Jaryeong, Noah também podia ser influenciado por essa ligação. Com Yohan tendo saído para fundar sua própria empresa, e Noah tendo escolhido a Galayev, era possível que a mãe agora estivesse apostando em Jaryeong como uma ponte. Mas claro, uma coisa era ter talento em hacking, outra era ter talento para gestão. Talvez ele quisesse testar se o garoto também serviria como administrador.
Como seu pai e mãe. Talvez esperassem que Noah e ele seguissem um caminho semelhante, mantendo tanto a Galayev quanto o Grupo RF, sem abandonar nenhum dos dois. No início, provavelmente depositaram essas expectativas em Yohan e Noah, ainda assim, nenhum dos dois pais tentou impedi-lo quando decidiu seguir seu próprio caminho. E ele era sinceramente grato por não terem forçado nada.
— Bem, dê seu melhor.
Com o encorajamento de Yohan, o rosto de Jaryeong ficou visivelmente mais tranquilo. Já fazia tanto tempo, mas ele ainda parecia preocupado com a reação de Yohan. Mesmo assim, agora ele não o achava tão irritante quanto antes, e ver como o garoto se encolhia só com um olhar seu, até que era divertido.
O celular sobre a mesa vibrou, e ao olhá-lo, ele viu que era uma mensagem de Siheon.
[Pode ser que eu não consiga voltar na segunda-feira. Estou tão ocupado que deixei o telefone no silencioso. Se acontecer algo urgente, me chame pelo messenger da empresa.]
A mensagem que recebeu não parecia vinda de um namorado, mas de um sócio. Fria, prática, puramente profissional. ‘Que insensível,’ Yohan estalou a língua antes de erguer o olhar e fixá-lo em Jaryeong, sentado à sua frente. Quando seus olhos se encontraram, o outro se encolheu de novo, tentando disfarçar o susto.
— Estava pensando, acho que vou dormir aqui hoje. Se eu voltar, vou ficar sozinho de qualquer jeito. Faz tempo que não durmo com o Noah…
Yohan sorriu amplamente, mantendo os olhos cravados em Jaryeong de propósito. Noah franziu a testa, dizendo que ele não era mais uma criança para falar essas bobagens, mas ele nem se importou, continuando a encarar o outro.
— Será que posso pegar o Noah emprestado por uma noite?
Perguntou com um sorriso gentil, curvando os olhos de forma doce. Jaryeong ficou sem saber que tipo de expressão fazer.
— Se não quiser, pode recusar, está tudo bem.
Yohan sorria tanto que era impossível dizer “não” sem culpa. Jaryeong apenas piscou os olhos, perdido, sem conseguir responder. Era fofo.
— Não precisa se preocupar.
Noah cobriu os olhos de Jaryeong com a mão, impedindo-o de encarar Yohan. Ao encarar Noah, Yohan viu que ele franzia a testa, como quem dizia chega disso.
— Se quiser, pode me emprestar o Jaryeong também. Só não quero dormir sozinho.
A proposta fez Noah reagir ainda mais sério.
— Nem pensar. Eu não consigo dormir longe dele. Demoramos tanto para nos vermos … Que cada segundo vale ouro.
— Aaah, sunbae…
Constrangido com o que ouviu, Jaryeong puxou de leve a barra da camisa de Noah, para fazê-lo parar.
— Que mesquinho.
— Se está tão solitário assim, por que não vai atrás do Cha Siheon no meio da viagem?
Noah resmungou, dizendo para ele pegar logo o carro e ir. ‘Ah, que crueldade.’ Yohan resmungou que já ia embora, levantando-se. Na verdade, nunca teve a intenção de passar a noite ali. Pela reação de Noah, era óbvio que, com ou sem Yohan por perto, ele transaria com Jaryeong a noite toda. E sinceramente, ele não fazia questão nenhuma de ouvir tudo aquilo de novo.
— Ah, já vai embora?
Jaryeong foi atrás dele, visivelmente sem graça. Ao ver a expressão do outro, o ressentimento de Yohan por Noah deu uma leve amenizada. Apesar de sempre provocá-lo, ele não odiava de verdade Woo Jaryeong.
— Já ouvi gemidos suficientes por hoje, viu.
Ao dizer isso com um sorriso travesso, o rosto de Jaryeong ficou vermelho como um tomate. Antes que Noah saísse atrás para reclamar de novo, Yohan apenas deu um sorriso maroto e saiu de lá.
***
Siheon, enterrado em uma pilha de documentos, inclinou a cabeça para os lados, aliviando a tensão nos músculos. Ele se levantou para uma pausa rápida e foi até a janela, pegando o telefone para verificar se havia mensagens ou chamadas perdidas. Como havia deixado no silencioso, não havia ligações de Yohan – apenas uma mensagem:
[O Noah fez comida, jantamos juntos. Vou dormir com Noah hoje.]
Só isso. Mas mesmo na curta mensagem, o nome do “Noah” aparecia duas vezes, como se fosse de propósito.
— Que gracinha…
Deixou escapar um sorriso irônico. Sabia muito bem que Yohan havia escrito aquilo justamente para provocar ciúmes. Depois de viver juntos por quase meio ano, ele havia aprendido a decifrar Yohan bem melhor. Ele disse que voltaria antes do fim de semana, mas acabou não conseguindo – então devia estar bem emburrado.
Antes, só de ouvir que ele estava com o Noah, Siheon já ficava irritado. Mas agora, não mais. Desde que voltou ao país, Ryu Noah, que vinha trabalhando em Vladivostok, mal tinha tempo para si e só queria ficar com o Jaryeong. Para Noah, Yohan já não era mais prioridade, e Yohan sabia disso também. Por isso, embora ele gostasse de atrapalhar um pouco os dois, dificilmente ficaria a noite toda no meio deles.
Pressionou o número 1 da discagem rápida e a ligação foi conectada a Yohan. Após alguns segundos de chamada, ele atendeu com um [Alô.] Não foi uma resposta ansiosa como se estivesse esperando, nem lenta como se estivesse ignorando. Era como se ele tivesse cronometrado o tempo certo para atender.
— Onde você está?
Assim que perguntou, um breve silêncio se seguiu. No fundo, ouvia-se vagamente o som de carros passando. Ele tinha dito que passaria a noite com Noah, mas, como estava atendendo do lado de fora, parecia estar hesitando em como responder.
[… Estou na rua.]
Ele nunca mentia descaradamente. Às vezes agia como uma raposa, mas nunca enganava as pessoas. Era uma das coisas que Siheon admirava nele.
— Vá para casa e fique quieto lá.
[Não quero, estou falando sério.]
— Onde está o Yohan que sempre quer me agradar?
Perguntou rindo baixinho. Do outro lado, só se ouvia a respiração leve e silenciosa.
[Estou pensando ainda. Será que devo ir para Busan agora mesmo?]
Dessa vez, foi a expressão de Siheon que endureceu.
— Não venha. Eu vou terminar tudo o mais rápido possível e voltar.
[Você está sendo tão sério que parece até suspeito. Por acaso arrumou outra pessoa aí?]
A ideia absurda o fez soltar uma risada seca. Ao ouvir isso, Yohan murmurou algo como “então não é isso”.
[Estou entediado. Me dê alguma coisa para fazer.]
— Vou te mandar um e-mail dentro de uma hora. Preciso que você investigue o presidente Kim Hwan-sik.
[Investigar?]
— Encontrei algumas discrepâncias nos números enquanto revisava os documentos. Parece que passaram despercebidas pela auditoria fiscal, mas algo não me cheira bem.
— Hmm.
Yohan mostrou interesse, dizendo que entendeu. Realmente, ficar quieto esperando não combinava com ele.
Depois de discutir mais alguns pontos do trabalho, encerraram a ligação. Siheon voltou para seu lugar e retomou os documentos que estava revisando. Mesmo que não precisasse reler, já que todo o conteúdo estava gravado em sua mente.
Ele pensava que era uma empresa sólida, mas aquilo era inesperado.
Havia apenas um ponto onde os números não batiam e foi graças à memória fotográfica de Siheon que ele percebeu. Os dados comparativos eram de seis meses depois, e, se ele não tivesse lembrado dos números anteriores, teria passado direto. Até a auditoria fiscal pareceu ter ignorado. A manipulação era tão bem-feita que só alguém com a memória afiada de Siheon notaria a diferença nos valores após meio ano.
Além disso, o motivo por trás daquele desvio de fundos era… no mínimo, suspeito.
“É uma pena que o co-CEO Ryu não tenha vindo.”
Essas foram as primeiras palavras do presidente Kim Hwansik ao vê-lo. Siheon não havia comentado com Yohan, mas corria o rumor de que Kim tinha uma queda por loiros. Não havia a menor chance de deixar Yohan se aproximar de um sujeito desses. Como parceiro de negócios, não cabia a Siheon interferir nos gostos sexuais do homem, mas, até que esse acordo fosse finalizado, ele não tinha a menor intenção de deixar Yohan aparecer por perto.
Por isso, Yohan não podia vir a Busan de jeito nenhum. A simples ideia daquele homem colocando os olhos nele já era repugnante.
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Continua…
Ler Controle Yaoi Mangá Online
SpinOffs de ESCAPE.
— Esse é o Jenny, veio dos Estados Unidos. Ao lado está o Alexei, que está comigo desde a Rússia, é um dos mais antigos. O próximo é o Jordi, que vem direto da França. E por último, aquele ali é o mais novo, o “Honey”. Escolhi ele porque achei que teria o tamanho ideal para hyung Siheon. O que acha, gostou?
À medida que ele ia apontando um por um com o dedo e explicando, o rosto de Siheon ia ficando cada vez mais sombrio. ‘Parece que ele entendeu perfeitamente.’ Yohan olhou para Siheon e sorriu com um ar inocente, quase doce.
— Pode cumprimentar. Todos já passaram pelo mesmo buraquinho.
— Haa…
Siheon soltou um som comprido, que ninguém saberia dizer se era um suspiro ou uma risada vazia. Em seguida, lançou um olhar fulminante para os brinquedos enfileirados.
— Está me dizendo que eu estou no mesmo nível que essas coisas?
— Bom, eu não disse exatamente isso… Mas, no fim das contas, o único ser humano que já entrou em mim foi você, hyung.
(Trecho de CTRL.)