Ler Controle – Capítulo 82 – Side 1. Noah & Jaryeong (12) Online
Ryu Jin entregou o pendrive para Noah.
— Foi o Illya quem mandou. Disse para você memorizar tudo o que tem aí dentro antes de ir. Achei que você fosse pensar mais antes de tomar uma decisão, mas resolveu mais rápido do que imaginei.
Noah apenas encolheu os ombros diante do sorriso de Ryu Jin.
— Tem certeza disso? Ir para a Galayev significa que você vai ter que morar na Rússia por um tempo. Está mesmo bem com a ideia de ficar longe do Yohan?
Ryu Jin perguntou com um tom brincalhão.
— Ele já mora fora, então, tanto faz.
Diante da resposta, os olhos de Ryu Jin se estreitaram. Ele soltou um “Hmm…” longo pelo nariz e olhou para Noah com uma expressão curiosa e divertida.
— Então parece que você finalmente se desvinculou do Yohan. Por acaso apareceu alguém que você gosta?
Ter se tornado independente de Yohan era plausível. Mas por que isso teria que significar que ele gostava de outra pessoa? No entanto, como era verdade, ele não pôde negar e apenas riu sem graça. “Ahaha…” Sem dúvida, sua mãe era perspicaz demais. Desde pequeno, ele percebia tudo tão rápido que Noah às vezes se perguntava se ele não tinha instalado uma câmera escondida para vigiá-lo.
‘Será que tinha mesmo… Não, impossível.’
— Se apareceu alguém que você gosta, não vai hesitar em ir para a Rússia?
Diante da pergunta, Noah hesitou por um momento antes de balançar a cabeça. Vladivostok e Seul não ficavam tão longe assim. Poderia ir e vir quando quisesse.
— O senhor também vive longe do meu pai, não é?
— Eu e você somos a mesma coisa? Nós já vivemos juntos por mais de vinte anos. E, aliás, na sua idade, eu estava me candidatando para um intercâmbio na Rússia e depois trabalhei na filial russa da RF Pharmaceuticals.
Na verdade, foi porque Ilya não permitiu que ele ficasse muito tempo longe, mas isso era outro assunto.
— Você tem mesmo certeza? De que vai dar certo mesmo à distância?
— Não, não tenho. Mas a gente constrói essa certeza com o tempo.
Ryu Jin sorriu ao ver o filho responder com confiança, sem hesitar. Embora Noah fosse muito mais gentil que Ilya, ele era, sim, seu filho. Nos momentos decisivos, ele se parecia muito mais com o pai do que o Yohan. Por isso, se ele decidisse que queria alguém, jamais desistiria. Até então, todo aquele afeto e obsessão tinham sido direcionados apenas a Yohan.
— Seja quem for vai passar por momentos difíceis…..
— O quê? Como assim?
Noah perguntou, confuso, mas Ryu Jin apenas sorriu em silêncio. Quem quer que recebesse todo o amor de Noah poderia se sentir sobrecarregado, a menos que tivesse sentimentos da mesma intensidade por ele. Como mãe, ele orou silenciosamente para que Noah encontrasse alguém capaz de amá-lo na mesma medida.
***
Jaryeong, enquanto trabalhava em seu turno no emprego de meio período, conferia o celular a todo instante. A coisa estava tão visível que o gerente chegou a perguntar, em tom sutil, se ele tinha algum compromisso hoje. Não havia compromisso algum, mas Noah tinha mandado algumas mensagens de vez em quando, e isso bastava para deixá-lo distraído. Não era nada que precisasse ser lido com urgência, mas Jaryeong não conseguia evitar a vontade de checar se havia algo novo sempre que podia.
‘O que estou fazendo no meio do trabalho? O Noah Sunbae nem está me pressionando pra responder…’
Só depois de se repreender mentalmente conseguiu se concentrar no trabalho. Ainda assim, o tempo parecia passar mais devagar que o normal. Não tinham combinado de se encontrar, mas só de pensar que, quando o turno acabasse, poderia ao menos ligar para ele… isso já fazia cada segundo parecer uma eternidade.
— Ouvi dizer que você ficou alguns dias de folga por causa de um ciclo de calor. É verdade?
Quando o expediente acabou e Jaryeong estava no vestiário trocando de roupa, um colega do mesmo turno perguntou. Ele tinha precisado se ausentar por alguns dias, então acabou explicando a situação – e aparentemente os boatos já haviam se espalhado. Como não era algo que precisasse esconder, apenas assentiu com a cabeça.
— Dizem que às vezes isso aparece mais tarde mesmo. Tem um conhecido, de um conhecido meu que só descobriu que era ômega quando já estava perto dos trinta.
‘Trinta anos? Essa pessoa deve ter ficado bem chocada.’
Jaryeong pensou
— Mas no seu caso ainda foi sorte, não? Ouvi que essa pessoa já era até casada.
Não que isso fosse exatamente uma sorte, mas imaginar alguém descobrindo que era ômega depois do casamento… devia ter sido uma situação bem delicada.
— O parceiro entrou com processo de divórcio e tudo. Foi uma confusão.
‘Ser ômega é motivo para se divorciar? Se casaram por amor, não foi? Será que, quando o gênero muda, o amor também acaba?’
— Mas não muito tempo depois de se divorciarem, ele conheceu um alfa bem melhor. Parece que ômegas se dão mesmo melhor com alfas. Principalmente na hora do sexo.
Ao dizer isso, o colega olhou Jaryeong de cima a baixo com um olhar penetrante.
— Dizem que transar com um ômega é incrível…
Jaryeong sentiu um frio na espinha e, sem perceber, deu um passo para trás. Estava desconcertado com o fato de que, até agora, o colega sempre o tratara como um beta e, de repente, começou a tratá-lo como um ômega. Isso por algum motivo era assustador.
— Sabe de uma coisa? Eu sou alfa.
De repente, uma fragrância marcante exalou dele. ‘Ah, então isso é o feromônio de um alfa.’ Antes, Jaryeong nunca tinha percebido, mas agora, consciente de sua própria natureza ômega, conseguia sentir o aroma de um alfa.
— Nem parece, hein? Que eu sou um alfa. Nem todo alfa é extraordinário, a maior parte das pessoas acha que eu sou beta.
As palavras em si não pareciam nada demais, mas o olhar que o homem lançava para ele transbordava desejo. Os olhos brilhavam, como os de um predador diante da presa. Movido por uma repulsa instintiva, Jaryeong tentou se afastar, mas teve o pulso agarrado.
— Por que está com medo? Eu nem fiz nada.
Ele parecia ofendido, como se estivesse sendo tratado como um criminoso em potencial. E, de fato, ele não tinha feito nada, mas aquele olhar… era incômodo. Parecia que queria devorá-lo só com os olhos. Não sabia explicar com precisão, mas conseguia sentir que havia desejo sexual dirigido a si. Talvez seu instinto ômega estivesse lendo a luxúria nos feromônios alfa do outro.
Ainda assim, dizer isso em voz alta provavelmente o deixaria irritado. Tudo aquilo era desconcertante. Calafrios, repulsa, vontade de sair correndo dali… um turbilhão de sentimentos embaralhados. E o medo. O medo de que, vivendo como ômega, teria que enfrentar esse tipo de situação constantemente.
— Woo Jaryeong. Na verdade, eu sempre gostei…
— Gostou do quê?
A voz soou atrás deles, fazendo Jaryeong e o colega virarem ao mesmo tempo. Noah estava parado na entrada da sala dos funcionários, olhando para os dois com uma expressão glacial.
— Seja lá o que for, acho melhor largar esse pulso antes de continuar falando.
Sem qualquer restrição, Noah liberou uma quantidade intensa de feromônio alfa. A fragrância avassaladora preencheu toda a sala num instante, incomparavelmente mais poderosa que a do colega. Diante daquela pressão, a mão que segurava o pulso de Jaryeong foi se soltando devagar.
— E-eu vou indo na frente.
Quase fugindo, o colega saiu rapidamente da sala. Só então Jaryeong desabou ali mesmo, caindo sentado no chão. Talvez por causa do feromônio de Noah, a pele dele parecia formigar, como se tivesse levado um choque.
‘O que é isso…?
Seu corpo tremia sem parar. Sem que pudesse controlar, seu corpo começou a desejar aquele homem. E nem estava em ciclo de cio… Era possível sentir isso só por estar diante de um alfa?
— Ah… desculpa.
Noah rapidamente recolheu os feromônios e se aproximou, passando o braço pelos ombros de Jaryeong.
— Não precisa ter medo, eu não queria te assustar.
O cheiro dele mudou. Um aroma aconchegante e caloroso, vindo de Noah, envolveu Jaryeong por completo. Quando o tremor cessou, ele respirou fundo algumas vezes e levantou os olhos.
— Não estou com medo…
Quando o colega se aproximou dizendo que era alfa, ele sentiu medo. Mas o feromônio de Noah… era diferente. Não causava pavor, mas despertava outra coisa… Seu corpo queimava, implorando para ser tocado, agarrado…
‘Ugh, que pensamento é esse?!’
Envergonhado pelos próprios pensamentos, o rosto de Jaryeong corou intensamente. Noah, que o observava em silêncio, pareceu entender e deu um risinho antes de afagar os cabelos dele com carinho.
— Como veio parar aqui?
— Nada demais. Só queria ver o seu rosto.
Se alguém ouvisse, pensaria que eram amantes que não se viam há semanas. Mas, na verdade, desde que começaram a namorar, Noah aparecia quase todo dia para vê-lo, mesmo que por um instante.
— Não imaginei que viria até o meu trabalho.
Até então, Noah sempre o esperava em casa, mesmo que chegasse tarde. Nunca tinha ido buscá-lo no serviço.
— Você disse que hoje vai ao hospital visitar sua mãe, não é? Não sabia quando chegaria em casa, então…. então vim até aqui. Estou de carro, posso te levar até lá.
— Vou só trocar de roupa rapidinho e já saio. Me espera lá fora, por favor.
O olhar de Noah deslizou até a camisa de Jaryeong. Por causa do colega, ele tinha começado a desabotoar a camisa e parou no meio do caminho, o que deixou a sua aparência estranhamente provocante. Com essa feição, não era de se estranhar que insetos indesejáveis começassem a se aproximar.
“Se o Woo Jaryeong for um ômega, os alfas vão começar a cercá-lo como abutres..”
Enquanto esperava do lado de fora da sala dos funcionários, Noah se lembrou das palavras de Cha Siheon. O problema era que Jaryeong não tinha quase nenhuma consciência de si mesmo como ômega. Também, depois de ter vivido há mais de vinte anos como um beta, era compreensível. Ainda assim, tentar trocar de roupa no mesmo espaço que um alfa.
‘Ele é muito descuidado.’
Se fosse com Yohan, ele já teria reclamado, mas com Jaryeong… não conseguia nem brigar. Se fosse rude, Jaryeong provavelmente só ia ficar paralisado, tremendo. Mesmo há pouco, quando ele soltou um pouco de feromônio alfa para afastar o outro cara, foi só um pouco, pouquíssimo, apenas o necessário. E ainda assim, Jaryeong reagiu.
— Isso vai ser um problema, de várias formas.
Noah odiava a ideia de outros alfas se aproximando de Jaryeong. Ele também tinha se irritado com os caras que ficavam dando em cima de Yohan, mas essa sensação era diferente. Com Yohan, era só a vontade de protegê-lo. Mas com Jaryeong… ao ver outro homem se aproximando, seu sangue ferveu de ódio. Se tivesse uma arma, não hesitaria em apontá-la para a cabeça do infeliz. Não era para isso que ele tinha aprendido a atirar, mas…
Ao mesmo tempo, um desejo primitivo nasceu dentro dele: queria abraçar Jaryeong na frente do cara e mostrar que ele era “dele”. Esse tipo de desejo possessivo era novidade até para Noah. Era diferente de se incomodar com os olhares em cima de Yohan. A coisa com Jaryeong era muito mais escura e perigosa, um sentimento que fervia por dentro.
Noah sabia que conseguia controlar os próprios desejos. Mas e os caras que se insinuavam para Jaryeong? O que fazer com eles? Não dava para ficar colado nele 24 horas por dia como fazia com Yohan, e isso o preocupava ainda mais. E, para piorar tudo… logo ele teria que ir para Rússia.
‘Talvez devesse simplesmente sequestrar Jaryeong e levá-lo comigo para a Rússia.’
Noah sabia que era absurdo – Jaryeong ainda tinha mais um semestre de faculdade –, mas era uma ideia que ele considerou com sinceridade.
— Desculpa te fazer esperar.
Jaryeong apareceu e parou ao lado dele. Noah reprimiu cuidadosamente o desejo perigoso de possessividade que ainda tremia sob seu controle e sorriu para ele. Ainda não era hora de revelar esse seu lado. Precisava esperar Jaryeong abrir um pouco mais o coração, só mais um pouco, até o momento certo, e então, o capturaria de uma vez.
Para que nunca mais pudesse escapar.
O agarraria firme.
Para sempre.
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Continua…
Ler Controle Yaoi Mangá Online
SpinOffs de ESCAPE.
— Esse é o Jenny, veio dos Estados Unidos. Ao lado está o Alexei, que está comigo desde a Rússia, é um dos mais antigos. O próximo é o Jordi, que vem direto da França. E por último, aquele ali é o mais novo, o “Honey”. Escolhi ele porque achei que teria o tamanho ideal para hyung Siheon. O que acha, gostou?
À medida que ele ia apontando um por um com o dedo e explicando, o rosto de Siheon ia ficando cada vez mais sombrio. ‘Parece que ele entendeu perfeitamente.’ Yohan olhou para Siheon e sorriu com um ar inocente, quase doce.
— Pode cumprimentar. Todos já passaram pelo mesmo buraquinho.
— Haa…
Siheon soltou um som comprido, que ninguém saberia dizer se era um suspiro ou uma risada vazia. Em seguida, lançou um olhar fulminante para os brinquedos enfileirados.
— Está me dizendo que eu estou no mesmo nível que essas coisas?
— Bom, eu não disse exatamente isso… Mas, no fim das contas, o único ser humano que já entrou em mim foi você, hyung.
(Trecho de CTRL.)