Ler Controle – Capítulo 77 – Side 1. Noah e Jaryeong (7) Online
Na noite anterior, Yohan havia aplicado um supressor de emergência para acalmar Jaryeong, mas como não era médico, deixou claro que ele deveria ir ao hospital fazer exames adequados antes de ir embora. Como passou a noite monitorando o estado de Jaryeong, não conseguiu voltar para a sua própria casa onde vivia com Siheon, o que o deixou de péssimo humor. Por isso, não houve espaço para mais explicações.
Agora que estava a sós com Noah, Jaryeong não fazia ideia do que dizer.
— Você não se lembra de nada?
Ao ouvir a pergunta de Noah, ele soltou um gemido abafado e abaixou a cabeça. Na verdade, sua memória da noite anterior não havia desaparecido por completo. Fragmentos vinham à mente de vez em quando – lembrava-se de ter chorado e reclamado com Noah. E, por alguma razão, também lembrava de tê-lo beijado.
‘Seria melhor não lembrar de nada. Quero morrer. O que foi que eu fiz…’
Se estivesse em sua própria casa, teria metido a cabeça na parede. A cada vez que Noah lhe lançava aquele sorriso constrangido, o coração de Jaryeong disparava de ansiedade. Tinha medo demais para perguntar diretamente o que havia feito, por isso, apenas engoliu o nervosismo em silêncio.
Felizmente, Noah também não comentou mais nada sobre a noite anterior. Quando Jaryeong saiu do banho, ele havia preparado um café da manhã simples e, ao final da refeição, sugeriu irem juntos ao hospital.
— Eu posso ir sozinho. Não precisa ir comigo, sunbae.
Na verdade, Jaryeong ainda não conseguia acreditar que havia passado por um ciclo de cio. Talvez por causa da injeção de emergência, naquele momento já não sentia nenhum sintoma. Além disso, depois de mais de vinte anos vivendo como beta, falar em ciclo de cio ainda lhe parecia completamente surreal.
— Você não percebe, mas ainda está exalando um pouco de feromônio. É que o medicamento está suprimindo isso por enquanto.
Por causa disso, Noah disse que não poderia deixá-lo pegar transporte público e ir sozinho até o hospital. Jaryeong moveu os olhos de leve, observando o rosto de Noah.
‘Se eu realmente estou liberando feromônios, você está bem com isso, sunbae? Afinal você também é um alfa.’
A pergunta ficou na ponta da língua, mas Jaryeong achou que seria uma grosseria perguntá-la. Poderia soar como se ele estivesse tratando Noah, que não tinha más intenções, como um potencial criminoso.
— Ah, eu estou bem. Tomei um supressor só por precaução.
Noah foi o primeiro a entender o que se passava na cabeça dele. Talvez por ter crescido com um irmão gêmeo ômega, sempre demonstrava empatia em relação aos ômegas. O problema era que Jaryeong ainda não conseguia entender muita coisa.
Ele o encarou, confuso, sem entender por que Noah tinha tomado um supressor. Foi então que ele continuou, explicando:
— Existem vários tipos de supressores. Eu e o Yohan, depois de muitos testes, já sabemos exatamente quais funcionam melhor nos nossos corpos. Mas você não. Ontem, por ser emergência, o Yohan usou uma injeção que ele tinha na bolsa, mas pode haver efeitos colaterais. Por isso, é melhor ir ao hospital logo.
Noah ainda tentou justificar o comportamento de Yohan, dizendo que, embora suas palavras tenham soado frias, ele estava genuinamente preocupado.
‘Eu sei que o Yohan-sunbae não é uma má pessoa, então não precisa se justificar tanto…’
Apesar de Noah sempre defender Yohan, Jaryeong se sentia estranho com isso.
‘Bem, acho que estou ficando ganancioso demais…’
— A propósito, sunbae…
Ele tentou finalmente dizer o que queria ter dito na noite anterior. Mas Noah já estava ocupado se preparando para sair.
— Eu sei que você quer falar alguma coisa, mas vamos deixar para depois que voltarmos do hospital.
Noah cortou o assunto. Seu tom era como se dissesse que já sabia exatamente o que ouviria, mesmo sem precisar escutar. Jaryeong parou, hesitante, e o observou. Quando seus olhos se encontraram, Noah sorriu como se nada tivesse acontecido, como se dissesse que estava tudo bem, que podia ficar tranquilo. Em seguida, bagunçou de leve os cabelos dele.
Aquele gesto foi tão caloroso que todas as palavras que estavam prestes a sair se dissolveram e ficaram travadas em sua garganta.
***
— É raro, mas não é impossível. Existem relatos acadêmicos de pessoas que se manifestaram como ômegas depois dos trinta anos.
O médico que examinou Jaryeong falou com naturalidade, como se não fosse nada demais.
— Você teve algum contato físico recente com um alfa? Ou se aproximou demais de algum?
Diante da pergunta, Jaryeong ficou um tempo pensando antes de negar com a cabeça. Noah tinha o visitado com frequência, sim, mas até nos tempos da universidade eles já costumavam assistir aulas juntos e fazer refeições lado a lado. Seria difícil atribuir a mudança apenas a isso.
— Ou então… pode ser que tenha se apaixonado por alguém.
O médico continuou com um sorriso. Disse que o corpo humano é algo realmente curioso, e que quando há mudanças emocionais ou de consciência, podem desencadear transformações físicas. Entre os casos de manifestação tardia como ômega, muitos ocorrem quando a pessoa encontra seu alfa e é estimulada por ele, disse ele com um sorriso.
— É surpreendente e confuso, eu sei, mas no seu caso, Sr. Woo Jaryeong, o senhor sempre foi um ômega. A manifestação foi apenas muito tardia. Como nenhuma característica ômega havia aparecido antes, você foi classificado como beta, mas desde o início, era um ômega.
O médico perguntou o que ele pretendia fazer daqui para frente. Explicou que hoje em dia existem procedimentos para modificar o DNA e impedir completamente a liberação dos feromônios ômega, e que também era possível manter uma vida normal com medicamentos. Disse para pensar com calma sobre qual caminho seguir. No entanto, como a maioria dos ômegas manifesta as características ainda na adolescência e passava por um processo para descobrir o que funciona melhor no seu corpo, Jaryeong, que estava começando agora, precisaria de um tempo para se ajustar. Poderia haver efeitos colaterais dos remédios e confusão mental, por isso recomendava que ele voltasse ao hospital semanalmente para acompanhamento até que se estabilizasse. Depois disso, Jaryeong saiu da sala de consulta.
Noah, que estava sentado no banco do corredor, se levantou ao vê-lo.
— E aí, o que ele disse?
Noah quis entrar junto na consulta, mas Jaryeong recusou. Mesmo sendo um veterano da universidade, ele era praticamente um estranho, então não fazia sentido ouvir o diagnóstico junto.
— Disse que… que eu sou mesmo um ômega…
Mesmo ao dizer isso, Jaryeong ainda parecia atordoado. O médico disse que ele provavelmente se sentiria confuso, mas o que ele sentia ia além da confusão – estava completamente desnorteado. Noah também não disse muita coisa, apenas soltou um som abafado de surpresa.
Jaryeong se lembrou do que o médico tinha dito e olhou fixamente para Noah.
“Alguém por quem se apaixonou”
‘Tinha que ser logo o alfa, Ryu Noah… Será que eu quis tanto me aproximar dele, que acabei desejando ser um ômega? Haa…’
Só de pensar nisso, soltou um suspiro. Não é como se gostar de alguém garantisse que eles poderiam ter alguma coisa. E ainda assim, manifestar-se como ômega por isso… que ridículo.
Que idiota. Ele estava prestes a dizer que pretendia se afastar, que por isso Noah também não deveria procurá-lo mais. Mas foi justamente agora que descobriu que era ômega. Isso o deixava ainda mais frustrado.
— Quer tomar um ar? Ah, você tem que ir pro trabalho hoje também?
Ele até tinha um turno, mas duvidava que conseguiria trabalhar naquele estado. O médico disse que o ciclo de cio ainda não tinha terminado e recomendou tomar o supressor e ficar em casa para monitorar o seu estado. Quando Jaryeong balançou a cabeça, Noah perguntou então se eles deveriam ir a outro lugar.
— Só quero ir pra casa e descansar.
Talvez por ter bebido demais na noite anterior, seu estômago também não estava muito bem. E agora, sua cabeça estava uma bagunça. Noah o observou por um momento e assentiu.
Mesmo que Jaryeong insistisse que estava tudo bem, Noah disse que faria questão de levá-lo em casa. Como ele ainda estava instável e poderia acabar liberando feromônios a qualquer momento, Noah o assustou dizendo que pegar transporte público assim seria perigoso. Sem muita opção, ele acabou entrando de novo no carro de Noah.
Sem saber o que dizer, o silêncio tomou conta dentro do carro. Talvez incomodado com isso, foi Noah quem quebrou o gelo primeiro.
— Você não se lembra de nada do que aconteceu ontem?
De manhã ele parecia disposto a deixar passar, mas agora trouxe o assunto de volta. Jaryeong mordeu levemente o lábio inferior e soltou em seguida.
‘Será que deveria dizer que se lembrava vagamente, que tinha a impressão de ter beijado o sunbae?’
Estava indeciso, por isso ficou quieto. Noah apenas murmurou um: — Entendi.
Talvez fosse melhor mesmo que ele não se lembrasse. Por mais que Jaryeong não soubesse como aquilo tinha acontecido, sabia que Noah não sentia nada especial por ele. Então, se dissesse que lembrava do beijo, talvez deixasse Noah ainda mais desconfortável.
— Você… por acaso gosta de mim?
A pergunta veio do nada e o assustou completamente.
— N-não!
Respondeu por reflexo, mas seu coração batia tão forte que parecia que ia arrebentar as costelas e pular para fora.
‘Será que ele percebeu meus sentimentos?’
Noah murmurou enquanto dirigia.
— Você me beijou ontem.
Como foi Noah quem tocou no assunto primeiro, Jaryeong engoliu em seco com um soluço e abaixou a cabeça rapidamente.
— Pela sua reação, parece que se lembra.
Ele se lembrava do beijo, mas não sabia que tinha sido ele quem o iniciou. Não… talvez até tivesse desconfiado, mas ouvir a confirmação assim tão diretamente fazia com que não soubesse como encarar Noah.
— Me desculpe…
Ele murmurou num fio de voz, quase inaudível. Noah soltou um longo suspiro. Ao ouvir aquele som, Jaryeong se encolheu de novo, instintivamente.
— Eu não falei isso para receber um pedido de desculpas… Haah, esquece, deixa pra lá.
Noah também parecia sem saber o que dizer e calou a boca de novo. Abriu a boca algumas vezes como se fosse falar algo, mas só suspirou fundo.
‘O que mais eu fiz ontem para ele ficar assim? Eu só lembro de ter chorado…’
Pensar que talvez tivesse feito mais alguma besteira o deixava ainda mais inquieto.
Enquanto se remoía em pensamentos, logo chegaram em frente à casa. Jaryeong desceu do carro, ficou um instante parado e depois contornou até o lado do motorista. Noah abaixou o vidro, como se esperasse que ele tivesse algo a dizer.
— Sunbae… é que… Na verdade, ontem eu queria te dizer uma coisa
— Para eu não vir mais?
— Ah…
‘Então, mesmo bêbado, eu cheguei a dizer aquilo.’
— Você não me odeia, mas disse que não queria me ver.
‘Argh… devo ter sido absurdamente direto quando estava bêbado.’
Havia tantas maneiras de suavizar aquela fala… Mas ele foi totalmente honesto. Sem ter como se justificar, Jaryeong apenas abriu e fechou a boca, sem conseguir articular nada. Noah soltou uma risada fraca.
— Você gosta de mim, não é?
Mesmo depois de Jaryeong ter negado anteriormente, Noah perguntou de novo, como se tivesse certeza. Desta vez, ele não conseguiu negar. Sentia que, depois de tudo o que disse enquanto estava bêbado, não adiantaria mentir.
Sem responder, ficou com o rosto vermelho como um tomate maduro. Noah, vendo aquilo, engoliu em seco mais um suspiro que ameaçava escapar. Ele sabia dos sentimentos de Jaryeong, mas ainda não entendia por que o garoto insistia em afastá-lo.
‘Se gosta de mim, não seria natural querer estar mais perto?’
— É sério que não quer que eu venha mais te ver?
Perguntou novamente, com uma pontinha de esperança. Talvez aquilo tivesse sido só uma fala impulsiva, dita sob efeito do álcool.
— …Sim.
Após um breve silêncio, Jaryeong assentiu com a cabeça. Então não era só coisa de bêbado. Era mesmo a verdade. Por algum motivo, isso fez uma sessão de irritabilidade subir de repente, mas Noah se forçou a respirar fundo para conter a onda de frustração.
— Entendi. Então entre, e vá descansar.
Reprimiu todos os sentimentos confusos e disse em tom calmo. Jaryeong agradeceu por levá-lo até em casa, esboçou um sorriso fraco e se virou para entrar. Mas algo na expressão dele fez Noah pensar que o outro estava prestes a chorar, então ele saiu do carro e o puxou de volta.
Felizmente, ele ainda não estava chorando. Quando seus olhares se encontraram, Jaryeong, por hábito, esboçou um leve sorriso. Mas aquele sorriso frágil, como se fosse se desfazer a qualquer toque, fez seu peito apertar de uma forma que quase o sufocou.
°
°
Continua…
Ler Controle Yaoi Mangá Online
SpinOffs de ESCAPE.
— Esse é o Jenny, veio dos Estados Unidos. Ao lado está o Alexei, que está comigo desde a Rússia, é um dos mais antigos. O próximo é o Jordi, que vem direto da França. E por último, aquele ali é o mais novo, o “Honey”. Escolhi ele porque achei que teria o tamanho ideal para hyung Siheon. O que acha, gostou?
À medida que ele ia apontando um por um com o dedo e explicando, o rosto de Siheon ia ficando cada vez mais sombrio. ‘Parece que ele entendeu perfeitamente.’ Yohan olhou para Siheon e sorriu com um ar inocente, quase doce.
— Pode cumprimentar. Todos já passaram pelo mesmo buraquinho.
— Haa…
Siheon soltou um som comprido, que ninguém saberia dizer se era um suspiro ou uma risada vazia. Em seguida, lançou um olhar fulminante para os brinquedos enfileirados.
— Está me dizendo que eu estou no mesmo nível que essas coisas?
— Bom, eu não disse exatamente isso… Mas, no fim das contas, o único ser humano que já entrou em mim foi você, hyung.
(Trecho de CTRL.)